segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sem Título


 Era mais uma noite como outra qualquer, tinha meus sete anos de idade, ainda me lembro como se fosse hoje, creio que seja pelo medo que ainda me causa essas lembranças, sei que elas podem ser distorcidas, porém meus pesadelos, uma sequência de sonhos desagradáveis que começavam após fechar meus olhos me tormentam até hoje sob a minha mente acordada. Na rua da minha minha casa sempre havia tiroteios, meus pais para protegerem eu e meu irmão sempre nos colocava no quarto do fundo, e era ai que começava meus tormentos; antes de me descolar para esse quarto, sempre acordava sob o som dos gritos dos meus pais, sons de tiros que cruzavam sobre a minha janela, acordava sempre assustado sem saber aonde eu estava, rapidamente corria para o quarto do fundo junto com meu irmão, era assustador, mecânico, pois tudo se passava rapidamente, um minuto eu estava no meu quarto no outro minuto já estava escondido me preparando para recuperar meu sono já “protegido” junto com meus pais e meu irmão.

Nesse instante começava meu tormento, eu sabia antes mesmo de dormir qual seria meu pesadelo, sempre sonhava com ele, era algo que me perseguia por anos, mas nunca tinha coragem de contar para alguém, era a minha prisão perpetua, minha mente aprisionada em meus próprios medos, sentia que jamais ele iria me deixar. Após fechar meus olhos meus sonhos já tomavam conta dos meus pensamentos, já não era mais eu e sim meu medo tomando conta de mim.

Bruscamente caia em um mundo sem dimensões e solitário, como descrever esse lugar ainda é um desafio para mim, como descrever a sensação do favor, do medo, a angustia de saber que um minuto antes você estava deitado com seus pais e outro sozinho, sentindo a sensação do abandono. Meu mundo teletransportado, era um lugar vazio e frio, para todos os lugares em que olhava era branco e infinito, um universo que em vez de negro era branco e claro, totalmente infinito e sem saída. Esse sonho me lembra a brincadeira do gato xadrez, não sei por que, mas sempre relacionei um tabuleiro de xadrez como a infinito do universo, quem sabe seja pelo vicio infinito da brincadeira, era um gato xadrez quer que eu conte outra vez?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sem título


Na sensualidade do jazz
sinto seu corpo com o meu
dançando no ritmo alucinado,
em solos de sax com nossos corpos.

Sua boca encravada com a minha
seus lábios delirantes
viajo em corpo no balanço de nossas línguas,
te quero, te quero, único sentido nesse momento.

Agarrados; não desejo seu amor e nem sua paixão
o sabor de sua carne já me basta
o prazer daquele instante é tudo para mim.

O desejo do amanhã, no agora
sinto seu corpo suado gozando comigo
a cada instante que se passa
um ponto final que nos separa.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meu Sertão

Na beira de um rio, vejo surgir uma linda moça
de pele morena, olhos e cabelos negros que emergem junto com seu corpo nu;
fico paralisado, observando tal criatura
balançando seus cabelos para todos os lados.

No sertão em que me encontro
desbravando junto ao rio
a beleza do desconhecido.

Criatura de beleza incomparável
do sertão desconhecido,
escondido admirando
a moça banhando-se no rio.

Nessa Mata de Pinhais
me encontro perdido,
criatura sensual
do meu sertão desconhecido.