Pensando Bem...

Meninos do Manaquiri, reencontro com as origens - Em 06/12/2019

O rio Solimões é exatamente o mesmo. Majestoso, intrépido, arrojado. Navegá-lo é penetrar um pouco na intimidade amazônica, no fulgor daquelas águas barrentas; viver parte de seus mistérios, enigmas e segredos confidenciais. É buscar no mais recôndito escaninho de suas memórias a vida que ali transcorre plena de regionalidade e cumplicidade para com suas verdades próprias, inalcançáveis à maioria dos seres estranhos à Amazônia.

Como no texto-poema de Thiago de Mello, desce "da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se desprende, e traça trêmula um risco na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A cada instante ele nasce. Descende devagar, para crescer no chão. Varando verdes, faz o seu caminho e se acrescenta. Águas subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes. De mais alto ainda, desce a água celeste. Reunidas elas avançam, multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada pela linha do Equador".

Pois bem. Singrando o rei dos rios, numa lancha rápida conduzida pelo experiente e educado piloto Irailton, minha comitiva chegou, numa viagem de uma hora em lancha rápida, partindo do porto do Iranduba, ao município de Manaquiri onde se realizaria uma apresentação à comunidade local de meu livro "Meninos do Manaquiri". Evento programado especialmente como parte da Agroshow - Luzes Empreendedoras, organizado pela Prefeitura em parceria com o Sebrae Amazonas, ao qual compareci à convite do prefeito Jair Souto.

Tomei um susto ao chegar à cidade e, posteriormente, quando me vi diante da multidão comprimida no auditório da sede da administração municipal. Estudantes, gestores de escolas, técnicos administrativos e secretários, representações comunitárias e crianças, muitas crianças. Emocionado, senti orgulho daquele exato momento, do privilégio de poder compartir com os manaquirienses os relatos memoriais do livro, uma evocação de meus tempos de pré-adolescência lá vividos com um grupo de irmãos, primos e amigos durantes as férias escolares.

Os instantes vividos nesta ocasião ultra especial, revelaram, em todas as dimensões, o poder de um livro. Na verdade, o "Meninos do Manaquiri" é mais do que um simples livro. É na verdade uma obra literária que retrata as origens de um povo, a simplicidade de uma comunidade de lavradores, pescadores e produtores agrícolas e pecuários, que exerciam a vida livremente, longe de valores monetários, e que, talvez até inconscientemente participavam da construção de de uma municipalidade próspera, ordeira e consciente do seu papel na conjuntura econômica do Amazonas.

O Manaquiri, com efeito, evoluiu daqueles povoados singelos, espalhados ao longo do paraná e lagos, cujos negócios baseavam-se no escambo garantido a fio de bigode. Transformado no maior produtor de batata doce do Estado, vem investindo forte no setor primário (na produção de melancia, milho, jerimum, farinha e derivados; na pecuária bovina, ovina e avícola), graças a planos e projetos da administração municipal comandada com eficiência e responsabilidade pelo prefeito Jair Souto. Um gestor moderno que trabalha, diferentemente da maioria dos prefeitos brasileiros, sobre propostas concretas de ações diretamente exercidas junto às comunidades de produtores.

A gestão municipal tem um objetivo inarredável: tornar realidade o preceito de não dar o peixe, mas fornecer a vara e ensinar a pescar. Única forma de livrar amarras que aprisionam o cidadão a verbas assistenciais improdutivas que, mesmo garantindo, embora precariamente o sustento de sua família, fere, porém, sua dignidade.

Viajando pelo interior do município revi a placidez das águas do paraná e dos furos, onde se encontram instaladas as tradicionais comunidades banhadas pelos lagos do Jaraqui, do Cai N'água, S. Francisco, Fuxico, Miraaua, Limão, Meru, Meruzinho, Araçatuba, Ubim, Andiroba, Salsa e Sumaúma. Tive o privilégio de presenciar, extasiado, como nos tempos de garoto, a mesma elegância dos voos de garças e maguaris, dos irrequietos mergulhões e patos do mato, da vivacidade de socós, jaçanãs, saracuras, papagaios e curicas, como também a timidez das desconfiadas ciganas.

Admirei a mesma serenidade dos pescadores que, desde que nascem, descem suas redes, tarrafas e espinhéis em busca dos preciosos pescados armazenados vivos em despensas naturais - rios e lagos -, permanentemente abastecidas pela mãe natureza que ali se mantém intocada, íntegra, dadivosa, generosa, harmoniosa e bela. Com uma diferença, o meio de transporte hoje é motorizado. O caboclo aposentou em definitivo o remo. Suas canoas e pequenos barcos são movidas a motores de popa, rabetas ou de centro. Alguns deles guiados sem rodas de leme. Acredite-se, por remos manipulados à mão.

As terras ali são boas, podendo-se desenvolver, de maneira sustentável, a agricultura, pecuária, piscicultura, produção de mel e óleos essenciais. O município, que tem experiência acumulada no setor, em breve se tornará o maior produtor de farinha do Amazonas. A Prefeitura, por meio de sua secretaria de Agricultura, está investindo forte na assistência técnica aos produtores, transmitindo-lhes noções básicas de gestão por resultado. E, com efeito, alcançar nível de excelência na qualidade do produto, lastreada nos fundamentais cuidados sanitários e de higiene.

Outra vocação inata do Manaquiri: turismo e artesanato. Há enorme potencial do setor, particularmente no tocante ao turismo esportivo e de aventura, pesca e observação de pássaros. Artesãos locais são muito criativos, podendo, com treinamento adequado em sistemas de produção e sobre noções mercadológicas, alavancar economicamente o setor.

O Manaquiri, hoje dotado de luz elétrica, telefone e internet está conectado com o Brasil e mundo. Do meio do rio Solimões - quem diria - pode-se participar de reuniões on-line, fechar negócios em qualquer lugar do mundo ou simplesmente se comunicar com sua comunidade por meio das redes sociais.

Os tempos, definitivamente, são outros. Ainda bem.


Indígenas independentes rejeitam tutela de ONGs - Em 02/12/2019

Segundo novo estudo publicado em julho de 2018 pelo IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas -, o Brasil fechou o ano de 2017 com 820 mil ONGs existentes - ou organizações da sociedade civil, o nome formalmente utilizado.

Esse número representa um crescimento considerável do último número então disponível, de cerca de 400 organizações.

Das 820 mil, 709 mil (86%) são associações civis sem fins lucrativos, 99 mil (12%) são organizações religiosas e 12 mil (2%) são fundações privadas.

A presença regional das organizações segue a distribuição da população: a região Sudeste tem 40% das organizações, seguida por Nordeste (25%), Sul (19%), Centro-Oeste (8%) e a região Norte (8%).

ONGs da Amazônia

Segundo estudos do biólogo e ecólogo Diego Oliveira Brandão, publicado no Portal Amazônia Socioambiental a região Norte do Brasil é a que menos concentra organizações da sociedade civil sem fins lucrativos com atividades diretamente relacionadas com o meio ambiente.

Segundo o IBGE menos de 1% das 291 mil ONGs brasileiras estão categorizadas como de meio ambiente e somente 120 ONGs das 2.242 com essa classificação estão localizadas na região Norte do país.

Com atuação em meio ambiente as ONGs defendem diferentes causas na Amazônia. O leitor poderá observar que algumas possuem um perfil técnico e se dedicam a pesquisas, metodologias e estudos ambientais, semelhantes as empresas de consultoria e órgãos governamentais de pesquisa.

Algumas, por outro lado, desempenham missão social que especifica exatamente para quem e onde dedicam seus esforços, por exemplo:

"...mulheres e jovens do município de Silves - AM"

...as populações extrativistas e os agricultores familiares da Amazônia..."

"...comunidades moradoras e usuárias das unidades de conservação no Estado do Amazonas"

Listagem de algumas das mais importantes ONGs em operação na região e que tratam diretamente com o meio ambiente amazônico, pode ser acessada por meio do link: https://amazoniasocioambiental.com.br/20.../.../ongs-da-amazonia.

Rejeição indígena à tutela de ONGs ambientalistas

Sobre a ação de ONGs junto a tribos indígenas amazonenses, supostamente com o fim de protegê-las, o líder indígena Lucas Tukano, que tomou parte na audiência pública realizada, sob os auspício do senador Plínio Valério, na Assembleia Legislativa do Amazonas nesta quinta-feira, 28 de novembro, foi taxativo: "não queremos mais continuar como moeda de troca de ONGs; ao contrário, queremos ser protagonistas, parceiros do governo meio a meio na exploração de reservas minerais em nossas terras, sempre em benefício do meu povo".

Temos que nos organizar em cooperativas, prosseguiu o lder Tukano, "precisamos nos livrar das ONGs que apenas nos exploram e nos escravizam".

Para Lucas Tukano "acima de tudo está a vida humana, que tem de ser valorizada e preservada, pois o homem é o centro do universo, não a floresta e seus recursos biodiversos". Daí a urgente necessidade do estabelecimento de políticas públicas capazes de conciliar o desenvolvimento social e econômico com preservação ambiental.


Onde a coerência e o respeito do STF ao povo brasileiro? Em 08/11/2019

Nos últimos dez anos o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou três vezes seu entendimento sobre cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Poderá ainda ocorrer uma quarta a partir de 20121, quando novos ministros indicados pelo presidente Jair Bolsonaro assumirem em seus lugares..

Que Suprema Corte é esse que nem as leis consegue defender, como de seu dever, com dignidade e isenção?

O "transitado em julgado", conforme o texto constitucional, é na verdade um passaporte verde para a impunidade. A história está plena de casos de criminosos que levaram dez, vinte anos escapando a execução penal por meio de recursos protelatórios (aceitos sem contestações pelo STF) para que a condição se cumprisse.

Ora, no transcurso de tão longo lapso de tempo muitos dos réus terão morrido, o caso caído no esquecimento ou as penas prescritas. E o criminoso, se ainda vivo, mantido em liberdade, debochando da lei penal brasileira, tolerante e conivente com bandidos (ricos) e implacável contra pobres.

A desmoralização do Supremo

A decisão do STF desta quinta-feira, 7, vergonhosamente alterou a posição da Corte, que até então aceitava a possibilidade de prisão de réus com condenações confirmadas pela segunda instância, antes do esgotamento dos recursos.

O novo juízo se deveu, particularmente, à mudança no voto da ministra Rosa Weber, ainda na sessão anterior do julgamento, realizada em 24 de outubro - ela seguiu sua convicção pessoal no tema e votou contra a possibilidade de alguém ir para a prisão antes de esgotados todos os recursos.

Na outra ocasião em que Weber falou sobre o tema, no entanto, em abril de 2018, quando o Supremo decidiu contra conceder habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra votou a favor da execução em segunda instância.

Seu argumento na época foi o de respeitar a orientação da maioria do Supremo, que em 2016 havia decidido pela execução da pena já após segunda instância e autorizado a prisão de Lula (naquele ano, Weber votou contra nas duas vezes em que opinou sobre o tema).

Rosa Weber, no entanto, não foi a única a mudar de voto: outros ministros que alteraram seus votos sobre a execução em primeira instância foram Gilmar Mendes e Dias Toffoli, atual presidente da Corte. Curiosamente, sempre os mesmos.

Depois de apoiarem, em 2016, a prisão antecipada já após a condenação em segunda instância, os dois votaram nesta quinta-feira para que o cumprimento da pena seja iniciado apenas após o trânsito em julgado. Gilmar afirmou, em seu voto, que tem havido um "desvirtuamento" da decisão de 2016 pelos tribunais inferiores.

Qual, efetivamente, o grau de respeitabilidade da Corte Suprema brasileira? Como, em sã consciência, respeitar a competência, imparcialidade ou sentido de justiça de ministros que eles próprios não se respeitam?

Em 2020 e 2021 saem por aposentadoria os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, respectivamente, se aposentam. Livre dos dois, substituídos por indicados pelo presidente Bolsonaro, o STF poderá promover a quarta mudança de entendimento sobre a questão.

Se antes o Congresso Nacional não aprovar Emenda Constitucional disciplinando em definitivo a questão.



Domingos e Eva Peron: apogeu e declínio do populismo argentino - Em 02/11/2019

A respeito do resultado das eleições argentinas de domingo passado, 30, em que foram eleitos os peronistas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, convém esclarecer, por oportuno, que ambos, presidente e vice eleitos, passam longe dos ideais das esquerdas tradicionais. São acima de tudo peronistas. E peronista é peronista. Nada os demove de suas convicções políticas.

Fiéis até a medula aos ideais e fundamentos do partido, o governo de Fernández, com efeito, certamente perseguirá os mesmos ideais populistas subjacentes à base programática do peronismo, não se importando, todavia, que hajam provocado o naufrágio de seus governos, desde Domingos Perón, o fundador, ao casal Kirchner, Néstor e Cristina.

O peronismo

A tendência política cognominada como peronismo refere-se ao período na história da Argentina em que Juan Domingo Perón, eleito pelo voto popular, governou o país entre 1946 e 1955 e de 1973 a 1974.

Juan Domingo Perón é considerado por muitos como o símbolo do populismo na Argentina, comparado a Getúlio Vargas no Brasil. Supunha-se que Vargas pretendia, inspirado no caudilho argentino, implantar uma república sindicalista no Brasil. Muitas intrigas e maledicências depois constatou-se que tais ilações eram falsas, pois nunca houve de fato ações de aproximação de Vargas em direção a Perón, embora, ideologicamente, estivessem muito próximos.

Ascensão política

O surgimento político de Perón aconteceu na década de 1940 associado ao golpe de 4 de junho de 1943 que foi o responsável pela ascensão do Grupo de Oficiais Unidos, conhecido como GOU ao poder da Argentina. O GOU era formado por militares ultraconservadores, extremamente católicos, muitos dos quais simpatizantes do nazifascismo.

Domingos Perón, durante o governo do GOU, assumiu a Secretaria do Trabalho e Provisão (STP), em dezembro de 1943. Foi nesse período que Perón fez sua fama e aproximou-se de trabalhadores e sindicalistas. Populista por natureza, Perón mantinha-se em constante contato com as centrais sindicais. Durante sua gestão à frente da STP, à exemplo de Getúlio Vargas no Brasil, promove uma série de benefícios aos trabalhadores, como a criação de férias remuneradas.

Peronismo e fascismo

Domingos Perón era na verdade um político de extrema direita, anticomunista por natureza. Embora demonstrasse certa admiração pelo regime fascista, associá-lo, porém, ao fascismo, regime político que tomou o poder da Itália em 1922, é hoje considerado um exagero sem fundamento histórico. Existiram, de fato, algumas semelhanças e aproximações do peronismo com o fascismo, mas, na visão dos historiadores, as diferenças entre os dois regimes são maiores que as semelhanças.

O governo Perón

O primeiro mandato de Perón tinha extensão de seis anos, indo de 1946 a 1952. Em 1951, foi realizada nova eleição que o reelegeu para novo mandato de seis anos. Um golpe militar, porém, abortou esse segundo mandato.

Embora cheio de charme, bon vivant, quase um play boy internacional, apegado aos bons vinhos, a puros cubanos e a belas mulheres, o governo de Domingos Perón foi marcado pelo desmantelamento das instituições democráticas da Argentina. Além disso, é apontado por historiadores como populista e autoritário.

Na economia, Perón encontrou uma saída razoavelmente favorável, porque o país havia se aproveitado da Segunda Guerra Mundial para encher as reservas cambiais do país. A agricultura do país estava em crise e, por isso, incentivou o desenvolvimento industrial do país, com pífios resultados em relação ao paraíso da propaganda oficial.

Cumpre destacar que a Argentina perdeu a indústria automobilística para o Brasil graças ao ultranacionalismo do governo Perón, que amarrou o país e velharias ideológicas, e ao Plano de Metas de Juscelino Kubistchek, que alavancou a industrialização do Brasil.

Rendido ao viés ultranacionalista da ação política de seu governo, Perón promoveu a nacionalização das ferrovias e de outros ativos da infraestrutura do país. Equívoco que, no longo prazo, lhe custou muito caro.

Partido Peronista.

O segundo mandato de Perón foi garantido quando venceu a eleição presidencial de 1951, derrotando seu opositor Ricardo Balbín ao obter 64% dos votos. Esse resultado expressivo mostra a força populista de seu governo, já que naquele ano ele tinha sobrevivido a uma tentativa de golpe militar. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo.

O autoritarismo de Perón foi acompanhado da radicalização da oposição, simbolizada por um atentado à bomba sofrido pelo presidente em abril de 1953. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo, intensificando a perseguição a seus opositores. A decadência do governo peronista aconteceu quando ele rompeu com a Igreja Católica. O episódio trouxe outros opositores - como a Marinha - a conspirar contra o regime peronista.

O resultado foi a primeira tentativa de golpe, em 16 de junho de 1955. O levante fracassou, porém, no dia 16 de setembro do mesmo ano, um golpe militar organizado em Córdoba derrubou o presidente que, então, partiu para o exílio, determinando o fim do regime peronista.

Uma semana depois, o general Lombardi declara-se presidente da Argentina.

Eva Perón, o novo peronismo

Atriz e líder política argentina (7/5/1919-26/7/1952), Eva Perón nasce em Los Toldos, uma província de Buenos Aires, em uma família pobre. Com 16 anos, decide seguir a carreira artística e muda-se sozinha para a capital argentina. Em 1937 estreia no cinema no filme Segundos Afuera e, em seguida, é contratada para fazer radionovelas.

Em 1944 conhece Juan Domingo Perón, então vice-presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra.

Em outubro de 1945, Perón,  é afastado de seus cargos por um golpe civil e militar e, em seguida, preso. Evita foi responsável por dirigir uma ampla campanha de agitação social que, em 17 de outubro, reuniu milhões de trabalhadores no centro da capital para exigir a liberdade de Perón, em uma das maiores manifestações populares da história do país. Desde então, o 17 de outubro marca o Dia da Lealdade Peronista.

Finalmente, em fevereiro de 1946, Juan Domingo Perón é eleito para a Presidência com 56% dos votos. Pouco depois Eva se casa com Perón. Famosa por sua elegância e seu carisma, Evita conquista para o peronismo o apoio da população pobre, na maioria migrantes de origem rural a quem ela chamava de "descamisados".

Conquistas sociais de Evita

Os direitos e a politização das mulheres argentinas foram parte fundamental das ações de Eva Perón. Evita lutava pelos direitos das mulheres, direitos civis e de trabalho. Os direitos civis tinham a ver com a igualdade dos homens e das mulheres, salários iguais para trabalhos iguais, a educação em todos os âmbitos, a promoção social.

Até que finalmente conseguiu que o Parlamento aprovasse a lei do voto feminino, que era uma luta antiga das argentinas desde o início do século. Em setembro de 1947, foi promulgada a Lei 13.010, também conhecida como Lei Evita, que estabelecia o sufrágio feminino e reconhecia a igualdade de direitos políticos entre mulheres e homens.

Os resultados não demoraram a chegar. Nas eleições de 1951, as mulheres depositavam pela primeira vez seus votos nas urnas argentinas. Foram quase quatro milhões de votos femininos. Mais da metade deles, 64%, para a sigla do Peronismo. Resultado de uma luta histórica das mulheres, agora elas também ocupavam cargos de poder institucional com a eleição de 23 deputadas e seis senadoras.

Evita também buscou consolidar uma organização exclusiva de mulheres. Em 1947, foi criado o Partido Peronista Feminino com fortes vínculos na política de saúde e educação. Eva Perón foi eleita presidenta por ampla maioria. O Peronismo, a partir de então, incluiu candidaturas femininas para todos os postos de disputa.

Como nenhuma a outra mulher na América Latina, e poucas no mundo, as conquistas políticas de Eva Perón, uma ex-dançarina de clubes baratos e aspirante à carreira de atriz, decorreram, porém, por outras vias, certamente jamais antes por ela sonhadas.

Ao caso conhece e se casa com Domingos Perón, circunstância que, graças ao seu talento natural, instintivo, lhe possibilitou galgar posições determinantes na vida social, econômica e política da Argentina.

A morte de Evita

Eva Perón morre aos 33 anos, de câncer de útero. Embalsamado, seu corpo fica exposto à visitação pública até que, durante o golpe de Estado que apeia Perón do poder em 1955, seus inimigos políticos sequestram o cadáver e o ocultam durante 16 anos. Em 1971, o corpo é devolvido por um oficial argentino ao ex-presidente em Madri, onde ele vive exilado.

Perón volta à Argentina em 1973 e é reeleito presidente, tendo a terceira mulher, Isabelita, como vice. Após sua morte, em 1974, Isabelita traz os despojos de Evita para a Argentina e os sepulta em Buenos Aires.

No Llores por mi, Argentina

De acordo com o Wikepedia, Don't Cry for Me Argentina (No Llores por mi, Argentina, em espanhol) é a canção mais conhecida da ópera rock Evita, de 1978. Com música de Andrew Lloyd Webber e letras de Tim Rice alcançou monstruoso sucesso na Broadway, em Nova York, e mundo afora.

A música foi gravada primeiramente por Julie Covington em estúdio no ano de 1976 e interpretada por Elaine Paige nos palcos em 21 de junho de 1978, quando a peça estreou, e logo se transforma em mega sucesso. No Brasil foi gravada pela cantora Claudia, que explodiu em vendas de seu mono.

Tal o sucesso da peça, que Madonna gravou sua versão da canção para o seu papel no filme de 1996 Evita. Ela foi lançada em dezembro de 1996 como o segundo single da trilha sonora do filme. Para o lançamento do single, Madonna gravou a canção mais uma vez como um remix de dança, produzido por ela mesma, Pablo Flores e Javier Garza.

Evita até hoje desperta fortes emoções em toda a América Latina e no mundo. Tanto a ópera rock, da Broadway, que assistimos em N. York, quanto o filme foram sucessos estrondosos de bilheterias. Nada obstante, a Argentina mergulha em nova aventura peronista confundindo esquerdismo com peronismo.

Em verdade, um regime nada tem a ver com o outro.


Manaus 350 anos, proposta de resgate à nossa memória histórica (20/10/2019)

Lastimável constatar: aos 350 anos, acredite ou não, Manaus mantém-se desconectada e distanciada de seu passado, negando reconhecimento e homenagens aos vultos históricos, aos pioneiros e desbravadores que fincaram os marcos civilizatórios na Amazônia. Particularmente, a história de Manaus tem início com a fundação do Forte de São José da Barra, em 1669.

De acordo com historiadores, a fortaleza foi construída para assegurar o domínio da coroa de Portugal na região, área da confluência do rio Negro com o Amazonas e o Solimões, e controlar o portão de entrada dos confins ocidentais da Amazônia, reservados à Espanha (1494), pelo Tratado de Tordesilhas.

O povoado recebeu o nome de São José da Barra do Rio Negro (Lugar da Barra) e em 1832, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, o vilarejo foi elevado à categoria de vila. Em 1848, a Vila da Barra foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, para receber em 1856 o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manaós (Mãe dos Deuses), considerada o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia.

Cidades, ao redor do mundo, prestam prodigamente tributos aos antecessores, aos desbravadores que vencendo toda sorte de intempéries, deram a vida pela construção do ideal de fundar e desenvolver sua comunidade, concelho (com "c" mesmo), a freguesia. Exceto Manaus.

Constrangedor verificar a não existência na cidade de um monumento dedicada às três principais figuras que construíram nossa història: o madeireiro, o pescador e o seringueiro. Ou aos povos indígenas, nossos ancestrais, os que nos antecederam na Terra de Santa Cruz.

Embaraçoso, por outro lado, constatar o "esquecimento" do amazonense de perpetuar a memória em logradouros públicos do grande governador Eduardo Ribeiro, de Álvaro Maia, Cosme Ferreira Filho, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho, Moyses Israel. Não há ao menos um busto em homenagem a Pereira da Silva, a Arthur Amorim, a Roberto Campos e a Castelo Branco, os que formularam as ideias estruturais e o desenho institucional tangentes à criação da Zona Franca de Manaus, o pulmão da economia moderna do Amazonas.

Da mesma forma passam ao largo, sem o devido reconhecimento público, empresários do porte de um Isaac Sabbá, Adalberto Valle, Djalma Batista, Mário Guerreiro, Isaac Benchimol, Isaac Benzecry, Rioto Oyama. Adicionalmente, convém observar: a não ser os "antigos", os mais velhos, quem hoje lembra do regatão, a importante figura que ligava por meio dos rios da Amazônia, Manaus aos seringais dos altos rios, transportando gêneros e utensílios e trazendo a borracha, a sorva, a castanha, os couros e peles, as essências vegetais, produtos extrativos da floresta sobre os quais sustentava-se nossa economia.

Nenhum deles foi homenageado com uma estátua ou ao menos um busto na cidade.

Dever de cidadão

Sou, por formação, sensível ao enaltecimento da história memorialística de um povo como meio de potencializar o presente e o futuro. Entendo a necessidade não de "reviver" o passado, mas de resgatá-lo para melhor compreender o presente e, por extensão adquirir meios catalisadores de um futuro livre dos erros e amarras pregressas.

Max Weber (1864-1920), ao publicar em 1904 "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", considerado, na lista das obras de não-ficção como o livro do século XX, tornou-se conhecido do mundo científico por buscar comprovar perante a história a eficácia da interpretação da sociedade partindo "não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc.), mas centrando-se no indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das 'intenções', 'motivações', 'valores' e 'expectativas' que orientam as ações do indivíduo na sociedade".

Com efeito, entendo ser do dever dos que integram academias, entidades científicas, históricas e literárias ter como missão basilar, dentre outras funções específicas, retratar, cultuar e homenagear a presença e o papel dos pioneiros, homens e mulheres que doaram suas vidas para a construção de nossa terra nos seus mais diversificados setores de atividades.

Nesse contexto, sinto muita falta, incomoda-me sobremaneira, a ausência de um efetivo reconhecimento do poder público e da sociedade amazonense aos desbravadores da Amazônia, dos que, embrenhados nos altos rios, ali estabeleceram raízes, criaram famílias, descendências e fincaram os marcos civilizatórios que permitiram a construção do hoje estado do Amazonas e de sua capital, Manaus, a Manaós de nossos ancestrais, ora completando três séculos e meio.

Curiosamente, salvo na Praça da Saudade, onde se ergue estátua em tributo a Tenreiro Aranha (1798-1861), primeiro presidente da Província do Amazonas, nossos ancestrais, os pioneiros que construíram nossa economia, nossa cultura e nossa história são solenemente ignorados.

Urge promover o imediato resgate desse passivo oneroso.

Ouço, amiúde, de pessoas de alta representatividade social e econômica absurda sequência de desculpas esfarrapadas na tentativa de justificar o descaso de autoridades e representações políticas para com nossa história. Dentre as mais comuns, a estapafúrdia afirmação de que "o amazonense odeia sua terra".

Algumas dessas pessoas, embora se auto inclua no grupo, e, com efeito, assuma culpa por imperdoável erro, mantêm apartamentos em Fortaleza, no Rio ou em São Paulo, adquirido com recursos amealhados aqui, na terra cujos fundamentos históricos despreza, acomodadas, individualística e egoisticamente em sua zona de conforto.

A Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Manaus, casas do povo, são pródigas em conceder homenagens diversas, títulos de cidadania, medalhas disso e daquilo a personagens, na maioria dos casos sem vinculação de expressão ou sem que hajam prestado serviços relevantes ao nosso Estado. Deploravelmente, todavia, omitem-se no resgate e valorização dos personagens que construíram nossa história.

Memorial aos Desbravadores

Assim entendido submeti à Prefeitura de Manaus, com apoio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ( IGHA), do qual sou membro, e na qualidade de cidadão comprometido com a história e o futuro de minha terra, proposta relativa a envio de Projeto de Lei à Câmara de Vereadores de Manaus de criação e construção do Memorial aos Desbravadores a ser instalado em lugar de destaque da cidade homenageando, conjuntamente, e num primeiro momento, o seringueiro, o madeireiro e o pescador.

A proposição foi aprovada por aclamação pelo Conselho de Gestão Estratégica da PMM, do qual sou membro, em sua reunião do dia 28 de setembro passado.

Cabe a cada cidadão lutar pelo saneamento da dívida e o resgate de nosso passado que, a cada dia se esvai, perdendo-se nas brumas do tempo. Não podemos apenas e comodamente esperar pelo poder público. Precisamos agir com determinação e consciência do nosso papel perante a sociedade. Afinal, todos somos responsáveis. Somos nós que construímos a história.

Além do mais, não podemos esquecer: povo sem memória é povo sem história, sem presente, sem futuro.

Parabéns Manaus por seus 350 anos!



Brasil, um país em conflito ético e político - Em 20/09/2019

O procurador federal Deltan Dallagnol, em entrevista à revista Crusoé, disse que o combate à corrupção cansou. A corrupção política, enfatizou, "sempre prosperou em nosso país. Não é de hoje ou ontem, é de um século atrás, com coronelismo, voto de cabresto etc. Escândalos como o dos anões do orçamento, o caso PC Farias... A Lava Jato é o rompimento de uma história de impunidade das elites que, em parte, são corruptas e desenvolveram um capitalismo de compadrio".

A Lava Jato, prossegue Dallagnol, "que, mais do que um processo, é uma atitude que passou a guiar vários agentes da lei, com grande força da sociedade, surgiu como um dos grandes movimentos da história, irrefreável. Mas várias vezes, ao longo desses anos, as pessoas perguntavam quando essa pauta iria cansar. Acho que a pauta do combate à corrupção cansou."

Tudo leva a crer que a Lava Jato chegou a "incômodo" ponto além do qual não pode prosseguir face à consistentes indicativos de envolvimento em grandes esquemas de corrupção de importantes agentes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário (bem a propósito, a Lava Toga não emplaca). Evidências que despertaram o dispositivo de "self protection" desses agentes e a tácita decisão de reagir em contrapartida ao "antes que o pior possa acontecer": o indiciamento de outro sem número de autoridades suspeitas que se estendem de Brasília a praticamente todos os estados.

Vale salientar, que em 5 anos de Lava Jato ocorreram 285 condenações, 600 réus, 3.000 anos de penas, 300 inquéritos abertos no STF (a imensa maioria não julgada) em 60 fases deflagradas desde 2014. Sinal vermelho aberto, a reação de autodefesa materializou-se. Na última semana de agosto, todavia, decisão de ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu precedentes para que fossem anuladas as penas impostas pela Justiça Federal do Paraná a até 143 dos 162 réus condenados pela Lava-Jato.

Além de estapafúrdias decisões desse jaez, frequentes ameaças de ministros do STF ao juiz Sérgio Moura, hoje uma personalidade mundial, e ao procurador Deltan Dallagnol, deixam a população atônita: afinal, o Judiciário, à frente o STF, a própria sociedade é contra ou a favor da corrupção? Explícitas atitudes fortalecidas por um sem número de decisões contraditórias de libertação de presos políticos, ex-governadores ou de empresários envolvidos (sempre na operação Lava Jato) protagonizadas pelos mesmos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, contraditoriamente (deveriam estar sempre ao lado da lei) se opõem sistematicamente ao combate à corrupção e à estrutura federal montada com esse propósito.

Ao que penso, cabe à sociedade (ou sua parte decente e íntegra) levantar-se contra esse estado de coisas. A impunidade não pode ser a regra. Ministros, secretários de estado ou municipais, senadores, deputados, vereadores, membros de tribunais de conta, juízes, desembargadores ou quaisquer outros membros do Judiciário, quando eventualmente pegos com a mão na botija o que se lhes acontece? Praticamente nada, além de uma noite, dois ou três dias na cadeia para logo em seguida serem beneficiados por alguma decisão monocrática de algum ministro do Supremo determinando sua libertação.

Exemplos clássicos: com o saída do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA), a presidenta Dilma Rousseff, desde que assumiu o cargo em 2011, perdeu sete ministros após denúncias de corrupção em 13 meses de gestão. Antes do ministro Mario Negromonte (PP-BA), foram afastados do governo Carlos Lupi (PDT-RJ) do Trabalho, Orlando Silva (PC do B-SP) do Esporte, Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil e Alfredo Nascimento dos Transportes (PR-AM).

Nenhuma dessas autoridades até hoje foi julgada por qualquer instância do Judiciário. Continuam livres e com seus direitos políticos preservados. Indicativos de que o crime compensa? Por que o Supremo não transmite à sociedade exatamente o que pensa a respeito? Nem diz nada, nem assume atitudes moralizantes do processo de gestão da coisa pública e da estrutura política nacional.

Todavia, no momento em que a operação Lava Jato cumpre suas obrigações constitucionais, desmontando o maior esquema de corrupção de que se tem noção na história brasileira, um exército de políticos, magistrados e certos setores do STF e do Ministério Público abate-se sobre juízes, promotores e policiais federais como a dizer: - Parem! Estão indo longe demais. Acabar com a corrupção tudo bem, mas nem tanto assim...

O mais estranho é assitir-se no dia a dia partidários das esquerdas combatendo o juiz, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e a equipe da Lava Jato.Não tive a sorte de até hoje assistir partidários do PT, PCdoB e aliados, mesmo de alguns partidos da direita manifestar claro apoio à Operação, ao trabalho de moralização da máquina pública e ao esforço de limpar o mar de lama que tomou conta de Brasília e dos estados brasileiros como nunca antes na história deste país.

Porque a Lava Jato prendeu Lula? Na verdade, o líder máximo das esquerdas, desgraçadamente, de torneiro mecânico e sindicalista tornou-se o político que montou o maior e mais deletério esquema e a mais perfeita engenharia de corrupção no Brasil. Convenhamos, um líder é respeitado por suas ações moralizantes e construtivas. Lincoln, Gandhi, Churchill, DeGaulle, Roosevelt, Kennedy, Ben Gurion, Tatcher, Lênin, Mao, Mandela. Foram, alguns deles, em diversos momentos perseguidos e presos por suas inabaláveis convicções ideológicas e políticas; jamais por atos de corrupção.

No Brasil, algo definitivamente não faz sentido. A sociedade precisa se decidir. É contra ou a favor da moralização do Congresso Nacional, dos órgãos integrantes do Executivo ou da estrutura do Poder Judiciário? Convém observar que os países que deram sorte e, ao longo da história, se desenvolveram priorizaram três funções básicas da ação pública: investiram pesado em educação, ciência e tecnologia; no aperfeiçoamento e moralização da máquina pública e no fortalecimento dos marcos legais e respeitabilidade da meritocracia.

Ou isso, ou a barbárie política e institucional em que o Brasil se encontra mergulhado. Fatores, em quaisquer circunstâncias, incompatíveis com o desenvolvimento econômico e social do Brasil ou de qualquer outra nação.


Amazônia: ecoterrorismo mascara o problema ambiental

A Amazônia Legal, com 5,2 milhões de Km2, conceito definido politicamente desde 1966, engloba nove estados brasileiros (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão). Três a mais em relação às seis unidades integrantes da Amazônia clássica, cuja área territorial corresponde a 80% da Amazônia Legal. Ocorre que, quando o governo, ou o INPE, divulga dados sobre desmatamento na Amazônia, normalmente se refere ao território geográfico da Amazônia Legal. Este o primeiro fator de desencontro de informações que tanto serve a xiitas ambientalistas ou políticos.

De acordo com artigo de Xico Graziano - A teoria do desmatamento inteligente -, publicado no Portal Poder 360, em 7 de agosto passado, esse procedimento "mascara o real problema ecológico, por não significar apenas supressão da floresta tropical densa". Na verdade, afirma, "grandes áreas planas do Mato Grosso, além dos planaltos de Tocantins, entre outros, pertencem à Amazônia Legal, mas, repita-se, são cobertas pelo bioma do Cerrado. E são estas áreas que têm sido mais intensivamente exploradas para a produção agropecuária. Rondonópolis é um bom exemplo disso".

Graziano, ex-deputado federal, professor de MBA/ FGV, levanta um dado significativo: "embora o desmatamento seja grave, os números indicam uma situação suportável. Somando-se toda a supressão florestal na Amazônia Legal, monitorada entre 1988 e 2017, resulta em uma área de 428,1 mil km². Em 30 anos, o desmatamento da Amazônia Legal, incluindo, portanto, a vegetação dos cerrados, atingiu 8,2% da área total".

Longe, por conseguinte, de representar a catástrofe que certos setores políticos, sobretudo petistas que ainda não absorveram a derrota para Bolsonaro, e ONGs ressentidas (com a perda do controle sobre o Fundo Amazônia) vêm sustentando na Europa. Não há dados concretos sobre o status do desmatamento no bioma Amazônia. Coletadas em seu artigo por Xico Graziano "as informações existentes permitem afirmar que está próximo de 5%, ou seja, 95% da floresta tropical original - a Hileia - ainda estaria intocada. Considerando a tendência histórica de redução no desmatamento, é um mito supor que a Amazônia vai desaparecer ou entrar em colapso ambiental".

Extremamente relevante identificar quais os agentes responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Em 2016 ocorreu, segundo Graziano, um pico no desmatamento na região. As informações oficiais, com dados básicos coletados pelo INPE, apontam que aquela forte supressão florestal aconteceu: 1) em terras privadas (35,4%); 2) em assentamentos de reforma agrária (28,6%); 3) em terras devolutas (24%); 4) nas unidades de conservação (11,8%)". Percebe-se, com efeito, ser falso acreditar que somente os grandes fazendeiros desmatam a Amazônia. O lenho da floresta cede à motosserra dos pobres assentados de reforma agrária tanto quanto atende aos perversos madeireiros dentro de áreas que deveriam estar protegidas".

Pequenez e exibicionismo de Macron

A proteção do bioma amazônico transcende fronteiras. Iniciativas sérias e responsáveis de defesa do meio ambiente não tem partido! A questão é complexa e exige atenção e responsabilidade dos especialistas. Precisa acabar com achismos irresponsáveis, sobretudo o de conotação ideológica radical, que, invariavelmente opta por negar dados e fatos, posicionando-se invariavelmente ao lado do bad guy contra o mocinho. Falando nisso, que decepção para o mundo o comportamento ambíguo de Emmanuel Macron, presidente da França. Declarou-se desde a primeira hora inimigo mortal do presidente Jair Bolsonaro, não levando em conta a vontade do cidadão brasileiro que o elegeu Presidente com 55% dos votos numa eleição limpa, incontestável. Resultado esse que deixou clara a opção do povo pelo novo contra o conservadorismo radical e corrupto dos governos antecedentes.

Qual a razão desse imodesto, arrogante e irresponsável presidente dos franceses, E. Macron? Conquistar posições frente aos competidores europeus, numa guerra pelo poder que jamais vencerá ante a liderança natural, serena e cautelosa de Angela Merkel, na Alemanha? A França, de grandes glórias no passado, não é nem a sombra do poderio exercido por Napoleão Bonaparte no século XIX. Durante a Segunda Guerra (1939-1945) foi invadida por Hitler, quando, vergonhosamente concedeu compartilhar o Poder nacional com os nazistas no chamado Régime de Vichy, liderado pelo marechal Philippe Pétain.

A rendição aberta e incondicional de Vichy ao poder alemão nazista é vista pela história como um dos mais vergonhosos e deprimentes episódios de subserviência de uma nação ocupada ante seus dominadores. Tal o servilismo de Pétain. O marechal não exitava em perseguir e condenar os patriotas da résistance française, que lutaram até a libertação do país pelas Forças Aliadas. Forças essas que o Brasil, mesmo com contingente simbólico, também integrava. Refiro-me também a uma França, cada vez mais longe da força da liderança de um De Gaulle, de um Georges Pompidou, de um Valéry Giscard d'Eestaing ou de um François Mitterrand. Uma França que, ambiguamente, nega apoiar o terrorismo, mas, ao lado da Rússia é um de seus principais fornecedores de armas.

Equilíbrio do Brasil

Muito oportuna a declaração do presidente Jair Bolsonaro em seu twitter, hoje, quando afirmou: "A proteção séria do meio ambiente não tem partido! É uma questão complexa e que merece atenção dos especialistas. Tratar só como tema político, negando dados e fatos, é perigoso e irresponsável!". Tem que parar com achismo infantil". No que está coberto de razão. Disse mais Bolsonaro: "O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

Brasileiros contra o Brasil?

Mais lamentável ainda é assistir posicionamentos explícitos de profissionais liberais, jornalistas, comentaristas, inconformados com a vitória de Jair Bolsonaro, torcendo contra o Brasil. A verdade absoluta está no fato de que nenhum brasileiro apoia queimadas, que vem se repetindo por décadas, conforme ilustra o quadro em anexo. As grandes queimadas em Bornéu (1983 e 1997), Tailândia (1997), Indonésia (1997), Roraima (1997 - 1998), Mato Grosso (1998) e Pará (1998) despertaram a atenção para o problema, mas as medidas tomadas para prevenir e/ou controlar os incêndios ainda são insuficientes. O problema se repete na exata medida da ausência de política de desenvolvimento para a região. Sem a presença forte do governo no controle de invasões predatórias, o povo brasileiro assiste estarrecido e impotente faixas importantes de seu território serem perdidas pelo corte raso e queima da floresta.

Neste contexto, estudos demonstram que a floresta Amazônica permaneceu praticamente intacta até a inauguração da rodovia Transamazônica em 1970. Nos últimos anos a taxa de perda florestal na Amazônia Legal tem sido dramática, principalmente na região do "arco do desmatamento", que se estende do município de Paragominas, no Pará até Rio Branco, no Acre. Afirmar, contudo que a Transamazônica foi a responsável direta pelos desmatamentos é uma aleivosia descabida. O problema se acentua, coincidência ou não, quando, após a redemocratização de 1985, o governo civil abandona a Amazônia, não dando continuidade ao trabalho da Operação Amazônia iniciado em 1966 pelo governo militar.

Durante todo esse período o Brasil não obteve manifestações claras de apoio para defesa da integridade de nosso bioma. Daquilo que o presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira, 22, que as queimadas na Amazônia são uma "crise internacional" e "uma emergência". Pediu, ainda, que o tema seja "prioridade" nas reuniões do G7, o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, que começam neste final de semana em solo francês.

Ora, se a crise, como diz Macron, é internacional, por onde anda o amor francês por nossas florestas que não estão aqui nos ajudando a investir na proteção e desenvolvimento da região? A Amazônia exige competência e respeito na luta por sua preservação. A começar pelo fato de que aqui habitam cerca de 30 milhões de brasileiros, que lutam por um lugar ao sol no contexto do desenvolvimento econômico do país. A região não se constitui apenas de árvores, rios, lagos e fauna, mas também por seres humanos, gente igual a qualquer outra. Só e somente só o crescimento econômico será capaz de proteger em caráter efetivo as florestas, conciliando homem e meio ambiente, meio ambiente e homem.

Isto, certos jornalistas e amazônidas, vivendo fora, no Brasil ou no exterior, não veem. Preferem formar ao lado de doidivanas, falsos ambientalistas que nada constroem; apenas exercem o protesto pelo protesto. Normalmente, meia dúzia de gatos pingados desocupados portando bandeira vermelhas gritando histericamente "fora Bolsonaro". Mas não gritaram "fora Lula ou fora Dilma" quando das grandes queimadas de 2015. De fato, nesse período só houve redução no desmatamento entre 2004 e 2012. Mas desde então, segundo o Itamaraty, os dados medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram crescimento quase contínuo da derrubada de floresta. Para os ecoterroristas esses dados não contam.

Como se pode observar, a questão, lamentável, vergonhosa, é antiga. Longe efetivamente de haver surgido no governo Bolsonaro. Não se pode, contudo, admitir, característico dos últimos governos, que apenas se preocuparam em criar reservas ambientais, na maioria inúteis, como a Raposa Serra do Sol, em Roraima, vale ressaltar. Espera-se do governo brasileiro a definição de políticas públicas adequadas que atendam ao processo de desenvolvimento da Amazônia com preservação de seu ecossistema. Objetivo factível, porquanto, segundo o Código Florestal, 80% de nosso território já é mesmo de floresta protegida. Resta à exploração econômica 20% de nossa extensão territorial, algo em torno de 110 milhões de Km2, ou 11 milhões de hectares.

Portanto, faça-se cumprir a lei. Apenas isto. A iniciativa privada cuida do resto. Com ou sem participação francesa.


Terrorismo ambiental - Em 08/08/2019

O jornalista J.R. Guzzo afirmou, em sua página no Facebook não existir "agrotóxico", nem "veneno na comida". Existem, na verdade, "fertilizantes, inseticidas para combater pragas e produtos para melhorar a qualidade da agricultura". Produtos esses usados no mundo inteiro, ele adiante.

Guzzo adianta: no Brasil "são armas da "esquerda" para tentar sabotar o sucesso do capitalismo no campo". Terreno onde o socialismo falhou e falha redondamente ao longo da história.

Efetivamente, ONGs e inocentes úteis, ignorantes sobre a questão (daquele tipo que ouviu o galo cantar sem saber onde) vem massificando informações de que o Brasil é o maior consumidor de defensivo agrícola do mundo.

Ilusão criminosa espalhada internacionalmente por omitir um dado fundamental: a divisão do número absoluto de consumo por área cultivada. Como resultado de simples conta aritmética, segundo o Ministério da Agricultura, demonstra-se que o consumo brasileiro de agrotóxicos por hectare cultivado ocupa apenas a 44ª posição. Em sentido inverso, o Japão (o Japão, que tem um dos índices de desenvolvimento humano e social mais elevado do Planeta) assume a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxico.

Deve-se observar, por outro lado, que o Brasil é um dos três maiores produtores mundiais de alimentos ao lado dos Estados Unidos e China. O uso de agrotóxicos no país, de clima predominantemente tropical, mais propício a pragas, com efeito, além de ultra controlado pelas autoridades sanitárias, é bastante comedido. Todo produtor agrícola tem consciência disso.

Estudos do Ministério da Agricultura (MAPA) observam que, no cálculo da quantidade de agrotóxicos por hectare não são consideradas as áreas de pasto. Com efeito, o Ministério trabalha com todas as comparações, mas esse critério também é usado pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. A considerar esse critério, aponta o MAPA, o país iria para as últimas posições porque a quantidade por área seria muito menor.

Outro dado relevante: de acordo com estudos do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Caio Carbonari, a dose de agrotóxicos usada por hectare de produção agrícola no Brasil caiu 88% a partir do início da década de 1970.Segundo Carbonari, desde os anos 2000 o Brasil usa apenas 12% da dose de pesticidas que usava no início da década de 70. Portanto, conclui, "os produtos estão evoluindo em termos de segurança humana, tornando-se, desta forma, mais específicos e eficientes". Em consequência, reduzem-se suas dosagens.

MANIPULAÇÃO POLÍTICA

Como se pode depreender sem muita dificuldade, a questão é, basicamente, política, explorada por ONGs poderosas instaladas sobretudo na Europa, que essencialmente manipulam dados à conveniência própria. Como afirmou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esta manhã: claramente o objetivo dessas esdrúxulas organizações é fazer terrorismo ambiental, e, assim, sensibilizar governos e empresas multinacionais a elevarem o repasse de apoios financeiros cada vez mais volumosos. Por meio de cujas fontes engordam suas contas bancárias e alimentam exércitos de parasitas encarregados do trabalho sujo de criar constrangimentos e sufocar países em desenvolvimento.

Não se tem notícias de ONGs operando com tanta presteza e destaque internacional na Alemanha, França, Rússia, Itália, Espanha, em Portugal. Que ONGs têm bases tão agressivas na China, Canadá, Suécia, Noruega, Holanda, na Coreia do Sul, no Chile, na Colômbia, no Mexico?

A verdade nua e crua é esta. Toda produção de alimentos demanda uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. Não há outra maneira de atender ao consumo mundial cada vez mais crescente. A produção orgânica seria ideal; jamais, contudo, poderá alcançar os níveis de produtividade da produção extensiva. O mais grave ainda: a ONU estima uma população para o Planeta de 9 a 10 bilhões de habitantes em 2050.

Tais contingentes populacionais exercem e exercerão cada vez mais pressão sobre o crescimento mundial da demanda de comida, o feijão com arroz e bife de cada dia que precisa estar na mesa do ser humano aqui, ali e em qualquer lugar. Em números absolutos ou relativos, estes medidos pelo incremento da produtividade no campo.

ILPF

A Embrapa desenvolveu no Brasil sistemas denominados Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), que permitem a produção integrada de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne na mesma área, em plantios em rotação, consorciação e/ou sucessão. O sistema funciona basicamente com o plantio, durante o verão, de culturas agrícolas anuais (arroz, feijão, milho, soja ou sorgo) e de árvores, associado a espécies forrageiras (braquiária ou panicum).

Há várias possibilidades de combinação entre os componentes agrícola, pecuário e florestal, considerando espaço e tempo disponível, resultando em diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta (ILPF), lavoura-pecuária (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF).

Com efeito, o avanço das tecnologias de produção ao mesmo tempo que garante a expansão da oferta mundial de alimentos, potencializa as necessidades de proteção do ser humana no tocante à integridade de suas necessidades alimentares.

Sobre esses avanços, porém, as ONGs não se interessam. Por uma simples razão: não lhes proporcionam retornos financeiros nem prestígio junto à comunidade ambientalista internacional.

Tudo, enfim, uma questão de business!


Cidadãos de primeira classe - Em 31/07/2019

De acordo com informes circulantes nas redes sociais, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou um documento (Resolução nº 545/2014) que determina viagens de primeira classe para todos os ministros da Corte em voos internacionais.

As diárias em hotéis chegam a 727 dólares (aproximadamente 2.700 reais), enquanto as passagens em voos de primeira classe podem custar 40 mil reais. Como comparação, as passagens econômicas, usadas pela maioria da população, custam por volta de 4 mil reais.

Também foi decretado que cada ministro pode gastar 3 salários mínimos por dia nessas viagens, ou seja, cada ministro ganha 1 salário mínimo a cada 8 horas, enquanto muitas famílias se sustentam com 1 salário (ou menos) ao mês!

Apenas em maio de 2018, o ministro Dias Toffoli gastou, sozinho, 74 mil reais entre passagens de primeira classe e diárias de luxo em apenas uma viagem para a Rússia. Em outubro do mesmo ano, gastou outros 58 mil reais viajando para Veneza. Faça as contas e veja quanto isso custa aos cofres públicos, uma vez que todos os ministros possuem esse privilégio.

Enquanto castas privilegiadas surfam nababescamente worldwide em padrão oligarcas russos ou potentados árabes, o Brasil mantém-se um dos países com a pior distribuição de renda no mundo. Com efeito, ao mesmo tempo em que poderosos usufruem de vida luxuosa (com dinheiro público, evidentemente), a grande maioria da população leva uma vida de privações, tentando garantir o mínimo para sobreviver à base de salário mínimo ou bolsa família.

Um entre centenas de casos, refere-se à estatal EBC [Empresa Brasil de Comunicação ], responsável pela TV Brasil, transformada pelo PT em cabide de empregos para defensores e amigos de Dilma e Lula. O presidente Michel Temer chegou a ordenar uma 'devassa' na farra petista que se instalara no governo federal mas sem muito resultado.

Milhões e milhões dos contribuintes foram jogados fora em programas de amigos da corte, blogs chapas branca, ongs parceiras. Um desses casos foi o do diretor de teatro Aderbal Freire Jr, casado com a atriz Marieta Severo. Ele recebia da EBC a bagatela de R$ 91 mil por mês, valor cinco vezes maior do que o salário do presidente da própria Empresa

Marieta está entre o grupo de artistas que em 2014 assinou manifesto em apoio à reeleição de Dilma Rousseff. "O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros", chegou a dizer a atriz na ocasião. Bem, florida primavera ao menos para ela e sua turma de privilegiados.

Indo-se a outras instâncias da República - Poder Judiciário, Legislativo, Tribunais de Conta e empresas estatais -,constata-se profusão de benesses, vantagens auferidas indevidamente, muitas vezes sem trabalho ou empenho nem de longe correspondentes aos valores que mensalmente, faça chuva, faça sol, caem em suas contas bancárias. Simplesmente por serem amigos do rei.

Dados da DAGOBAH (Inteligência Democrática), dão conta de que todo poder legislativo federal, estadual e municipal somado gasta menos de R$ 13 bilhões. Quase todo poder judiciário somado, ou seja, seus 90 tribunais (excetuando STF e CNJ) gasta quase R$ 85 bilhões. Os dados do legislativo não estão atualizados e são da Transparência Brasil. Se referem a anos diferentes, mas dão para se ter uma ideia de proporção.

O relatório JUSTIÇA EM NÚMEROS 2017, do CNJ, reúne dados de 90 tribunais: 4 tribunais superiores; 5 tribunais regionais federais; 24 tribunais regionais do trabalho; 27 tribunais regionais eleitorais; 3 tribunais de Justiça Militar estaduais; 27 tribunais de Justiça. Deixa de fora apenas o STF e o próprio CJN. Vejamos o que ele diz.

O Poder Judiciário teve uma despesa total de R$ 84,8 bilhões em 2016, um crescimento de 0,4% em relação ao ano anterior. As despesas totais do Poder Judiciário correspondem a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Inexplicavelmente, os andares inferiores da sociedade, dos que batalham, que se encontram no desemprego e que de uma maneira ou de outra pagam as contas, encontram-se divididos, visceralmente antagonizados, envoltos em batalhas ideológicas intermináveis e nada construtivas via redes sociais, nos bares, nas fábricas, nos shoppings ou nas universidade.

Ao mesmo tempo em que escoiceia, xinga, insulta e esbraveja sobre Cuba, China, Rússia, Estados Unidos, Europa, ditaduras e democracias ao redor do mundo, comunismo x liberalismo, Champions League x falência do futebol brasileiro, carnaval ou boi os privilégios - poderosos, inatingíveis -, permanecem, se renovam e se perpetuam graças, contraditoriamente, ao coitadismo, à leniência, à tolerância da própria sociedade.

Enquanto isso, felinianamente, la nave va...



João Gilberto parte desta vida para retomar geniais parcerias com Tom e Vinicius - Em 06/07/2019

Responsável por uma revolução na maneira de cantar e tocar violão que mudou tudo na música brasileira, João Gilberto morreu neste sábado, 6, aos 88 anos . A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele deixa três filhos, João Marcelo, Bebel e Luisa.

Graças a ele, a bossa nova se consolidou e a música brasileira teve portas abertas para conquistar seu lugar no mundo. A brilhante geração de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque não teria ido tão longe se não fosse a inspiração de " Chega de saudade ", disco que João lançou em 1958.

João iniciou um longo e tortuoso caminho de quase dez anos, desde Juazeiro, Bahia, vivendo da caridade dos amigos, ora aqui, ora acolá, sempre mudando-se de várias casas. Chegou a ser internado num sanatório psiquiátrico, mas a tudo superou até chegar a criar a batida de violão - a bossa nova - que maravilhou o Brasil e o mundo.

Fragmentos de uma vida pessoal tão enigmática que alimentaram o mito explicam como um jovem, inexpressivo na escola, ao final dos anos 50 se converteu na maior referência da música brasileira do século XX.

João Gilberto fez parte do mais importante grupo que revolucionou a música popular brasileira: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Donato, Roberto Menescal, Nara Leão, Carlos Lira, Edu Lobo, Ronaldo Bôscoli, dentre outros.

Essa formação original da bossa nova influenciou a geração de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento, Maria Bethania, Johnny Alf, Elizeth Cardoso, Alaíde Costa, Agostinho dos Santos, além de outros importantes nomes da MPB.

As músicas do cantor/compositor chegam a quase 120. Sucessos como Chega de Saudades, O Pato, Garota de Ipanema, Aos Pés da Cruz, Rosa Morena, Insensatez, Corcovado, No Tabuleiro da Baiana, o Barquinho, Bolinha de Papel, Maria Ninguém, Lobo Bobo, Só Danço Samba, Doralice, É Luxo Só, Eu e a Brisa, Meditação, dentre muitas outras, cravaram marcas indeléveis nos corações e mentes daquela juventude dos anos 60 e 70. Símbolo inconteste de minha geração.

Segundo Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudades, "a voz de João Gilberto era em si um instrumento de altíssima precisão. Deixava esparramar cada sílaba sobre cada acorde como se as duas coisas tivessem nascido juntas. João repetia os ensaios cinco seis vezes, com mínimas alterações, mas o problema é que cada versão parecia melhor que a anterior".

Gilberto, que não dava o menor valor a coisas materiais, usava roupas, sapatos, o que fosse, dos outros sem qualquer constrangimento. Assim como chegava na casa de um amigo, declara-se hóspede até ser expulso, normalmente por indisciplina. Entretanto, suas excentricidades revelaram um músico que escreveu um novo capítulo e elevou ao píncaros a MPB.

Inspirando-se no banquinho e no seu violão não houve mais nenhum outro jovem artista, como escreveu Ruy Castro, que não tenha tentado extrair do instrumento o som secreto da mão direita, cantar baixinho e até se comportar como João Gilberto.

Ele saiu de sua terra natal, Juazeiro da Bahia, às margens do rio São Francisco, em frente a Petrolina, Pernambuco, aos 18 e lá nunca mais voltou.

Como disse Drummond, por quem ele dedicava verdadeira adoração: Vai, João, ser gauche na Vida. Ele foi e se tornou um mito que marcará para sempre na história da música popula brasileira.

Descanse em paz João Gilberto!


Moral, ética e dignidade na política brasileira - Em 23/06/2019

Entende-se costumeiramente, sem querer mergulhar em profundidades conceituais restritas a filósofos ou sociólogos, que valores morais estão associados a noções de conceitos, juízos e pensamentos que a pessoa educada e consciente considera "certo" ou "errado". Usualmente, valores morais transmitem-se às pessoas nos seus primeiros anos de vida, através do convívio familiar.

Com o passar do tempo, o indivíduo, o ser social, vai aperfeiçoando seus valores a partir de observações e experiências obtidas no quotidiano da vida. Fundamentalmente, baseados em diversos fatores, tais quais: cultura, tradição, religião e educação. Muitas vezes tais valores vão se deteriorando ao longo do tempo, dependendo do caráter do indivíduo. Quando fraco, típico de seres subservientes, bajuladoras, servis, tendem a tornar-se párias da sociedade, inconfiáveis, canalhas.

Ao contrário de cidadãos de bem que respeitam idiossincrasias, segundo a Sociologia, a particularidade comportamental e própria de um indivíduo ou de um grupo de pessoas. Estes os cidadãos dignos, íntegros, honestos. Os que veem o seu semelhante com respeito e condescendência, complacência e espírito cristão, segundo princípios transmitidos por Jesus de Nazaré à humanidade por meio das escrituras.

Faço essas considerações a propósito do lamentável quadro de deterioração em que se encontra o universo da política brasileira. Sobretudo a partir da redemocratização de 1985, período em que desceu ao fundo do poço. Parcela ponderável da representação popular caiu nas malhas da Operação Lava Jato, revelando o submundo imperante no Congresso.

A imagem do político é a pior possível, mesmo a despeito de que velhas raposas terem sido despejados das cúpulas côncava e convexa do Parlamento nas últimas eleições. Persiste, porém, a velha prática do toma lá dá cá, em que a sociedade simplesmente é posta de lado em favor de interesses pessoais. Mesmo os novos nomes não dão pista de assumirem compromissos com uma nova política. Mateus primeiro os meus, diz ancião brocado português.

Um deputado ou um senador, hoje, são figuras que fazem do Congresso balcão de negócio, impondo medidas de autoproteção e defesa de seus negócios.A grande maioria, evidentemente. Respeite-se a propósito a dignidade de alguns que continuam fazendo da ação política instrumento de transformação social. Expressiva parcela, todavia, não merece respeito. Tem-se notícias de parlamentares que achacam, extorquem prefeitos e governadores com a alocação de recursos de emendas parlamentares impositivas, das quais levam comissões exorbitantes.

Alguns fizeram fortunas. Ilícitas, evidentemente, e desfilam como bons moços, frequentam igrejas, passam por benfeitores, quando na verdade são lobos em pele de cordeiros. O que tranquiliza é que a Operação Lava Jato tarda mas não falha. E alguns desses figurões, na verdade bandidos da ação parlamentar, já foram alcançados pela justiça e encontram-se presos. Da parcela que consegue fugir ao tacão da lei, expressiva maioria vive nababescamente em decorrência de fortunas adquiridas de forma suspeita, muitas vezes por meio de práticas ilícitas de desvios de recursos públicos.

Campo fértil para falsos moralistas, que, desprovidos de ética confunde respeito com hipocrisia, vai à igreja, ajoelham-se perante o altar, canta hinos religiosos, mas sai do templo e apunhala amigos, parentes, colegas de trabalho e profissão; rouba, dá desfalques em órgãos públicos, denigre a ação política, contribuindo, assim, para a degeneração ética e moral da nação. Tudo por conta de que, para indivíduos dessa espécie, não o ser, mas o ter, o poder, são os valores que se lhes parecem fundamentais para amoldamento de caráter.

Ética e moral para tais classes de abjetos seres vivos não passam de ficção. Nesse sentido, não temo em afirmar: um cão tem mais dignidade do que qualquer um desses exemplares de má formação moral e humana.


Marginália política ataca Mora com força máxima - Em 10/06/2019

Representantes dos três Poderes da República deverão assinar, na semana que vem, um "pacto de entendimento" visando ordenar as ações modernizantes do governo Federal em favor da retomada do crescimento do país. A ação republicana visa, em última instância dar uma resposta contundente à nação em relação ao caos instaurado pelo governo petista em seus 15 anos de poder, quando demoliram as contas públicas marcadas por monumentais déficits públicos, deixaram cerca de 5 mil obras paralisadas, desmoralizaram o Minha Casa Minha Vida, partidarizaram o Bolsa Família, provocaram a mais profunda recessão econômica e permitiram a instituição do maior esquema de corrupção como jamais antes visto na história deste país.

A marginália política brasileira, comandada pelo PT, PCdoB et caterva, no intuito de desmoralizar a Operação Lava Jato e libertar a bandidagem encarcerada, se insurge contra as reformas em implantação, porque assim é mais conveniente para o alcance de seu magno objetivo: a desmoralização do governo. Em consequência, o enfraquecimento das reformas estruturantes, como a Trabalhista, da Previdência e a Tributária, que virá em seguida. Desta forma, viabilizar a instalação do caos político e econômico, território fértil do tal socialismo bolivariano que Lula da Silva e seus comandados tentam implantar no Brasil.

Chega a soar ridículo dar credibilidade a um site marginal de extrema-esquerda, The Intercept, dirigido por certo Glenn Greenwald, casado com um tal de David Miranda, do PSOL, inteiramente desconhecidos do mundo das comunicações sérias, e que ora são acusados de atentar contra a segurança pública do Reino Unido. Padrão Wikileaks ou Edward Joseph Snowden , espião norte-americano que se encontra refugiado na Rússia, sob proteção do governo Putin.

As "revelações" são estrategicamente formuladas. A questão é: por que só agora esse site aparece como defensor da moral e dos bons costumes da nação? Por que, junto com a OAB petista não denunciou a bandidagem instalada no governo Lula, o maior chefe de quadrilha que, em conluio com empreiteiras, saqueou a Petrobras, a Caixa, diversos ministérios, fundos de pensão, agências regulatórias e transformou o Planalto num imenso mar de lama?

Não è à-toa que, como nunca antes visto neste país, Lula foi condenado e preso, aguardando julgamento de mais 11 processos; governadores como Sérgio Cabral, Pezão e Garotinho, prefeitos, deputados, senadores, dirigentes partidários, ex-ministros também condenados e encarcerados. A marginália política "libertadora" (de quem e de que?), sub-comandada por Zé Dirceu e sua tropa de choque não perdoa a perda de imensos privilégios, como milionárias verbas para centrais sindicais, ongs, blogs (alguns levavam mais de um milhão de reais por mês), imprensa marrom, cargos em estatais, mamatas em licitações, negociatas com merenda escolar, medicamentos, e obras que jamais saíram do papel mas custam aos cofres públicos bilhões de reais/ano, como a famosa companhia do trem bala, do poste Dilma Rousseff.

Tudo isso junto levou o Brasil ao fundo poço, paralisando a economia, depreciando patrimônios, provocando perdas de competitividade. Medidas do governo Federal corretoras de tais distorções, entretanto, são torpedeadas no Congresso. Na Câmara Federal chegam a se comportar como cães raivosos, irracionalmente contrários a tudo que soa modernização. Bem ao estilo petista, partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer e o Programa de Privatizações.

Atitudes políticas desse jaez nada constroem. O Brasil precisa superar esse primitivismo político que impedem nossas instituições sejam respeitadas e leis justas e construtivas aprovadas e implantadas. O Brasil precisa pensar grande, modernizar-se para poder acompanhar a evolução tecnológica que se processo no mundo da revolução industrial 4.0. O retrocesso político, moral e ético só interessa aos que contam com o caos para melhor locupletar-se com recursos públicos e fortalecer seus nanicos e danosas agremiações políticas que sobrevivem, não alicerçados em princípios mas em verbas partidárias que alimentam orçamentos pessoais de seus dirigentes.

Chega! Vamos pôr ordem no Congresso e no Judiciário e escoimar o Executivo de heranças deletérias e ruinosas. O país precisa crescer, porque só assim poderá gerar emprega e renda para seus cidadãos. Mas, ao que tudo indica isso não interessa à raivosa oposição, apegada a retrógrados dogmas superados no mundo moderno, que, tal qual parasitas, que se instalam sobre outra planta ou árvore e se alimentam de sua seiva, ou, no fundo dos mares, as rêmoras, peixes que que se alimentam de restos descartados pelo tubarão.


Educacão no Brasil, razão e (in) sensibilidade - Em 17/05/2019

Espraia-se no Brasil a noção - e o temor - de que o quadro político nacional é catastrófico. E sem porta de saída. Aqui e ali lê-se estudos e artigos dando conta da forma repugnante como a ação política vem sendo exercida. Qual a marca mais expressiva desse quadro? A corrupção e a falta de decoro parlamentar.

Na imensa maioria dos casos por uma razão em especial: deformações psicológica, moral e de caráter invadiram nestes últimos quinze anos importantes instâncias do Executivo e de certos setores dos Poderes Legislativo e Judiciário. O mais grave: situação aceita e aparentemente aplaudida por milhares de eleitores que elegem e reelegem candidatos ineptos, incompetentes e fichas sujas eleições após eleições.

Questiona-se, sabendo-se de antemão a resposta: que candidato no Brasil de hoje se elegeria falando a verdade, não mentindo, não ludibriando o eleitor com promessas vãs, simplesmente eleitoreiras, irrealistas e irrealizáveis? A prática política está de tal maneira deformada que o candidato entra no jogo consciente de que terá de escamotear a verdade, prometer ações inexequíveis, quiméricas, utópicas porque sabe que depois de eleito terá um milhão de desculpas para justificar a "frustração de suas promessas", vale dizer, concretamente, crime eleitoral pelo qual jamais será punido.

A falta de efetiva renovação dos quadros políticos vem afetando gravemente a vida nacional, o desempenho da economia, da gestão pública, os avanços sobre a modernização tecnológica. É abissal o afastamento do Brasil das economias líderes do crescimento mundial. Inversamente, significativa vem se tornando a proximidade política, e daqui a pouco, certamente, econômica, de sub democracias campeãs do desemprego e da miséria.

Condição que se reflete no baixo nível educacional, da saúde, da segurança, do saneamento básico, na precariedade da infraestrutura de transporte, portos e armazenamento. É grave, por outro lado, a deterioração do sistema previdenciário, da gestão das contas públicas nos três níveis de governo e da representatividade política.

No tocante ao panorama da Educação no Brasil, vis-a-vis as manifestações contra os "cortes" de verbas da educação, permito-me focar a análise no quesito "evasão escolar". Efetivamente um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro, não se concentra apenas no ensino médio, cujo currículo é desconectado das necessidades do mercado de trabalho, nem no ensino fundamental. Afeta sobremaneira o nível superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar.

Segundo o estudo do Inep, entre 2014 e 2015, 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio abandonaram as salas de aula, o mesmo acontecendo com 12,1% dos matriculados na segunda série e 6,7% dos matriculados na terceira série. No ensino fundamental, a taxa de evasão na nona série - a última nesse ciclo educacional - foi de 7,7%, no mesmo período. Já no ensino superior, a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%.

Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de evasão foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. Os números também mostram que, nas instituições privadas, 30% dos alunos desistem do curso já no segundo ano, enquanto nas instituições públicas a taxa é de 19%. Nos anos seguintes as taxas de desistência vão diminuindo.

No caso específico das universidades federais, aponta o Inep, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 - uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular.

Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Como se pode observar de forma conclusiva, o grave déficit nos investimentos em políticas públicas privilegiando o aprimoramento do ensino compromete cabal e irreversivelmente o futuro do Brasil, econômica, social, educacional e culturalmente. A despeito das evidências e fragilidades estruturais do sistema brasileiro de ensino, agravado nos últimos 15 anos, mesmo assim, cumpre salientar, a hipocrisia, a irresponsabilidade, o radicalismo ideológico predominam junto a setores sindicais, que, deliberadamente - efeito manada -, se omitem em relação à causa maior da ineficiência e baixa qualidade do ensino no Brasil.

É evidente que os problemas enfrentados pelo setor não se originaram este ano, nos primeiros quatro meses do atual governo, mas se arrastam há décadas. No Amazonas, para não irmos longe, a maioria (nem sei se há algum estruturalmente íntegro) dos tradicionais colégios públicos, nos quais estudamos, encontram-se prestes a cair. Mesmo assim, nenhuma passeata foi organizada para denunciar o descaso, a irresponsabilidade de governos apoiados pelos mesmos salvadores da pátria ora em praça pública denunciando o óbvio.

O quadro é grave certamente; maximizado, importante salientar, nos últimos quinze anos quando, nos governos petistas, mesmo com cartilha de Paulo Freire à mão, investimentos diretos em modernização do ensino - do básico ao universitário -, foram tragados por politicas populistas-bolivarianas descompromissadas com o futura da nação, mas única e intransigentemente com a perpetuação no poder.




Congresso brasileiro Ltda. - Em 10/05/2019

Foi aprovada ontem (09/05), em comissão da Câmara dos Deputados, emenda que limita a competência dos auditores da Receita à investigação de crimes tributários, incluída na medida provisória que modifica a estrutura do governo.

A decisão da Câmara é parte de um ataque à Receita por "poderosos afetados pelas investigações". Vale salientar a propósito haver cerca de 100 parlamentares que já foram autuados ou estão sendo investigados pelo fisco, inclusive alguns que votaram ontem.

Claro e insofismável, em causa própria, driblando abertamente, com cobertura do STF, instituições de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

A decisão de retirar o COAF da alçada do Ministério da Justiça não tem outro propósito: a não ser o de enfraquecer o órgão, que, na aba do Ministério da Economia não terá o mesmo ânimo e a mesma força operacional com que conta hoje na estrutura do MJ.

Trocado em miúdo, setores influentes da Câmara e Senado ontem disseram exatamente a que propósitos se destinam: apenas o de defender conveniências e causas próprias, tangendo os interesses da nação porta a fora da decência e da moralidade que deveria prevalecer no Congresso Nacional.

Na ânsia de mais poder, aprovaram ainda o desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional para recriação das pastas das Cidades e a Integração Nacional. Simples moedas de troca para a aprovação da Reforma da Previdência.

O quadro político nacional é o seguinte, ao que claramente me parece: o Brasil está entregue a uma quadrilha composta por facínoras travestidos de parlamentares que não dão a menor bola aos compromissos de moralidade e modernização do Parlamento assumidos em praça pública quando das campanhas eleitorais.

Além das emendas parlamentares (impositivas) ainda contam com mais de 8 bilhões de reais do Fundo Partidário.

Como fecho da tragicomédia, o presidente do Supremo Tribunal estende, autocraticamente, imunidade parlamentar a deputados estaduais.

O que efetivamente move essa gente?

E como a sociedade as tolera?


Canção de fé e esperança, por Carmen Novoa da Silva - Osiris Silva - Em 23/04/2019

Acabo de ler "ALVARO MAIA - Canção de Fé e Esperança - 90 Anos Depois", de Carmen Novoa Silva, livro editado pela Academia Amazonense de Letras (Coleção Pensamento Amazônico), da qual a brilhante escritora é integrante.

Álvaro Botelho Maia, então um jovem de 30 anos, declamou o histórico poema no Teatro Amazonas na noite de 9 de novembro de 1923, em que se celebrava o centenário da adesão do Amazonas à Independência do Brasil. Portanto, mais de um ano após o Grito do Ipiranga, de D. Pedro I, proclamado em 7 de setembro de 1822.

Carmen Novoa e Silva homenageia o "Príncipe dos Poetas" amazonense levando em conta a grandeza de sua obra como escritor e poeta, político - deputado Federal, senador, Interventor Federal (1930-1933) e governador do Amazonas (1951-1954).

O poeta de "Buzina dos Paranás" e "Beiradões", com a "Canção da fé e esperança", segundo Carmen "gravou em perenidade uma página antológica", que, mesmo hoje, 96 anos depois, em relação à nossa geração, "ainda pode ser compreendida pela atual em muito de seus aspectos, principalmente sociais".

Carmen salienta em sua obra, oportunamente, que "um povo dito ético e que honra suas raízes e seus vultos heróicos e históricos é um povo que vence obstáculos porque segue os moldes da ancestralidade". E ressalta: "um povo sadio é feito de sonhos".

À propósito, merece destaque o seguinte trecho do poema de Álvaro Maia:

"Os amazonenses não sonham muralhas para o Amazonas. O sectarismo não encontra adeptos aqui. Desejam que homens de todos os climas selecionados procurem estes rios, purifiquem a raça e abram sulcos para as sementes. (...) Querem apenas pudor, querem brio, querem competência, palavras incolores e vagas, que passaram a ser verdadeiros milagres!"

Álvaro Maia dirige-se aos jovens, conclamando:

"Aos moços amazonenses - homens em botão e mulheres em manhã - cabe arquitetar a obra ressurgente, em qualquer profissão que tentarem, mas principalmente no trabalho de ensinar criança, de formar alma e modelar caracteres". Nesses termos, proclama: "Não morre o povo que se nutre dos exemplos grandiosos dos mortos".

No Prefácio, o poeta e acadêmico Zemaria Pinto afirma tratar-se o livro de "um documento de importância histórica indiscutível, especialmente pelo que tem de didático: mudaram-se os tempos, mas não se mudaram as vontades - o bom combate travado por Álvaro Maia, que então dava os primeiros passos na política, atacando a corrupção desenfreada, continua atualíssimo".

Zemaria Pinto considera, ainda, que o clamor do poeta do rio Madeira, lançado perante a sociedade e a intelectualidade amazonense naquela noite de 9 de novembro 1923, no Teatro Amazonas, "é também - numa época em que as imagens se sobrepõem às ideias e a retórica se torna obsoleta - um exemplo manifesto de bom uso da palavra, com brilho e coragem".

OPOSIÇÃO À AUTOANTROPOFAGIA COLETIVA

O médico e escritor João Bosco Botelho, sobrinho legítimo de Álvaro Maia, no artigo "Estudantes, a razão maior da Canção de fé e esperança", que integra os textos originais do livro, sublinha:

"A extraordinária Canção de fé e esperança, na briosa edição de Carmen Novoa e Silva ressalta a angustiada, mas firme posição de Álvaro à sociopatia coletiva manauara, espécie de autoantropofagia coletiva, como uma das mais nefastas heranças coloniais, onde a perfídia e a inveja trombam para recusar aceitar o sucesso, a competência do conterrâneo, fomentando no conluio arredio à destruição dos que se destacam".

Ainda segundo Botelho, "também não é difícil identificar o alerta de Álvaro, na Canção de fé e esperança, aos que semeiam ódio e a inveja doentia, mas certo de que seriam vencidos sem deter a grandeza do Amazonas, trazendo melhorias à mocidade amazonense, para a qual se dirigia".

NATIVISMO DE ÁLVARO MAIA

O poeta e ensaísta, Elson Farias, da Academia Amazonense de Letras, no artigo "O Nativismo de Álvaro Maia e o petróleo de Isaac Sabbá", publicado no Blog do Francisco Gomes (https://www.franciscogomesdasilva.com.br) em 18 de julho de 2014, enfatiza aspectos históricos e poéticos transcendentes do discurso de Álvaro Maias.

Segundo Farias, o "príncipe dos poetas" amazonenses, em seu discurso "exorta por um renascimento dos valores da terra e um melhor aproveitamento dos seus filhos. Celebra o sentido heroico dos desbravadores da Região. Do passado e do presente. Denuncia o abandono em que vive a terra em relação aos poderes da República", e desabafa: "O Amazonas deve o seu progresso exclusivamente ao esforço próprio, venceu só, ao impulso de seu comércio e de suas classes laboriosas".

Essa peça oratória, na visão de Elson Farias, "converteu-se num autêntico ideário de vida, sempre lembrado pelos intelectuais, programa de ação a orientar a vida política do Estado que, em seguida, voltou às mãos dos amazonenses por um longo período. Aos 35 anos de regime republicano o glebarismo foi o movimento mais significativo na vida política da Amazônia Ocidental, produto do poder criador do povo tão bem polarizado pelo cantor de "Sobre as águas barrentas".

Farias ressalta, por outro lado, um aspecto marcante da personalidade de Álvaro Maia: embora "aureolado pelo triunfo político que o consagrou com a função de Interventor Federal e com o mandato de Deputado, Senador da República e Governador do Estado, jamais saiu de sua terra e andava a pé, como o mais simples dos cidadãos, na Manaus que se transformava no início da Zona Franca".

MEMORIAL ÁLVARO MAIA

Conforme depoimento do advogado e escritor Erasmo Alfaia nas páginas introdutórias do livro de Carmen Novoa Silva, "no dia 6 de setembro de 1991, o então prefeito de Manaus, cargo que novamente hoje ocupa, Arthur Virgílio Neto, homenageou o inesquecível líder amazonense com a inauguração do Memorial Álvaro Maia, que reunia importante acervo biográfico e literário sobre a vida do grande político e homem de letras".

O memorial, edificado no Parque 10 de Novembro, em decorrência de ato de extremo vandalismo perpetrado por mentes assoladoras, o memorial foi vergonhosamente profanado e destruído, fazendo desaparecer livros e fotografias doados pelo próprio Erasmo, além de outros importantes documentos ilustrativos da vida de Álvaro Maia e da própria história do Amazonas.

RESGATE

A obra de Carmen Nova e Silva resgata com simplicidade e coerência histórica o contexto poético da obra literária e política de Álvaro Maia. O poema "Canção de Esperança e fé" é um chamamento, uma exortação a todos, especialmente à nova geração, que precisa ler e absorver as lições de amor aos nossos valores, à nossa memória histórica, à missão conferida a todos os amazonenses no tangente ao desafio maior de lutar, de forma integrada, pelo desenvolvimento desta terra.

ÁLVARO MAIA

O ex-deputado federal, senador, Interventor e governador Álvaro Botelho Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Considerado o príncipe dos poetas amazonenses, publicou vários livros: "Cabelos Negros", "Na Vanguarda da Retaguarda", "Gente dos Seringais", "Buzina dos Paranás", "Nas Barras do Pretório", "Beiradão", "Banco de Canoa", "Defumadores e Porongas", "Tenda de Emaús". Escreveu poesias, crônicas, ensaios, teses, discursos e conferências.


General Mourão, a ZFM e a Amazônia

Em palestra proferida esta manhã no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM) sobre "A Importância Estratégica da Amazônia Para o Brasil", o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão afirmou de início que "a Zona Franca de Manaus continua sendo prioritária para o governo, precisamos apenas melhorar o que já existe aqui".

Reafirmou a decisão do governo sobre o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), antiga reivindicação do povo amazonense que vem sendo negligenciada governo após governo.

Em apenas 45 minutos de palestra, o general Hamilton Mourão, de 66 anos, demonstrou-se dotado de excepcional poder de comunicação, fortes convicções, personalidade marcante, ampla visão do mundo contemporâneo, dos problemas do Brasil, das dificuldades da Amazônia e a da Zona Franca de Manaus. Sua fala, de maneira direta e sem rodeios transmite segurança e confiabilidade.

O general Mourão esteve reunido em Manaus com o prefeito Arthur Neto, autoridades do governo do Estado, o superintendente da Suframa, Alfredo Menezes Júnior, e com lideranças empresariais e politicas. O governador Wilson Lima, por encontrar-se tomando parte de uma reunião de governadores no Amapá, foi representado pelo vice, Defensor Carlos Almeida, que, por sinal fez um vigoroso pronunciamento pelo fortalecimento da ZFM e a exploração sustentável dos recursos de nossa biodiversidade. Aliás, um jovem competente, por sinal. De uma boa e promissora safra.

Durante sua palestra, afirmou que, após amainadas as tempestades que o Executivo ora enfrenta não tem a menor dúvida de que o presidente Jair Bolsonaro fará um grande governo, cumprindo importantes metas de obras e serviços em favor do povo brasileiro. Sem corrupção, complementou.

Meio gaúcho meio amazonense

Tendo servido três anos em Manaus e dois como comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus), o general Hamilton Mourão, nascido no Rio Grande do Sul, é filho do general de divisão Antonio Hamilton Mourão e de Wanda Coronel Martins Mourão, ambos amazonenses.

Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) foi declarado aspirante a oficial da Arma de Artilharia. Sua carreira tem por base os chamados altos estudos militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, além do curso de Guerra na Selva.

Atuou como comandante militar em Angola, Venezuela, Ijuí, RS e São Gabriel da Cachoeira, AM e na 6.ª Divisão de Exército, em Porto Alegre. Sua experiência passa ainda por Educação e Cultura, Economia e Finanças. Foi Comandante Militar do Sul entre 28 de abril de 2014 e 26 de janeiro de 2016.


150 anos do Pedro II - símbolo da educação no Amazonas - Em 14/03/2019

O Colégio Amazonense Pedro II é sem dúvida o marco do ensino público e da memória cultural no Amazonas. Uma trajetória plena de história pura, como relata em livro o escritor Mário Ypiranga Monteiro. Fatos e versões complementados pelos gymnasianos do nosso tempo do Colégio Estadual do Amazonas - CEA, turmas do final dos anos 1950 até a primeira metade dos 60.

Os ginasianos, conforme reportagem assinada pela jornalista Karol Rocha, do jornal A Crítica, desta quinta-feira, consideravam-se os mais importantes representantes da classe de estudantes secundaristas do Amazonas. O que faziam, agiam e decidiam era cumprido pela turma do Colégio, que liderava os demais colégios da cidade. Por isso eles tomaram parte nas lutas da Revolução de 1930 e 1935".

O Colégio Estadual, no nosso tempo, nas décadas de 1950, 60 e 70, formava aqueles que viriam a ser as maiores lideranças do Estado, tanto na classe empresarial, profissional liberal quanto política. O padrão do ensino de então permitia a formação dessa elite.

Pessoalmente, desde que entrei no CEA em 1957 e de lá saí para a Universidade em 1963, ali vivi, com meus colegas de turma, no curso ginasial (ensino médio) ou científico (segundo grau), os momentos mais dignificantes de minha geração. Lá aprendemos noções de caráter, respeito, amor aos mestres, à família, à pátria.

Todas as terças-feiras a direção do Colégio reunia os alunos no Pátio Interno para cantarmos o Hino Nacional e celebrar a pátria. Tínhamos aulas de educação moral e cívica, práticas esportivas. Éramos campeões imbatíveis de futebol de salão e outros esportes. Destaque também para os desfiles do 5 e 7 de Setembro. Uma honra formar em nossos pelotões e desfilar em homenagem ao Dia do Amazonas e ao Sete de Setembro.

Era de alto nível o padrão educacional da época, destacando-se o rigor dos professores, alguns deles, intransigentes, conduziam a turma em nível máximo de atenção às aulas, porque nas provas não havia jeitinho. Estudava passava, não estudava, bomba. A maioria de nós ao sair de Manaus (não havia universidade ainda, à época), para fazer faculdade fora (isto é, os que tinham famílias em condições de bancar os custos de estudar fora) passávamos sem necessidade de cursinho.

Daquelas décadas saíram os profissionais de maior destaque do Amazonas, em qualquer campo que se considerar. Tivemos grandes mestres, que davam aula de paletó e gravata e mantinham com dignidade suas famílias.

Sobre os colegas, a imensa maioria triunfou na vida. No meu livro GYMNASIANOS listo cerca de 800 nomes que podem ser cotejados nesse sentido.

Para efeito de registro, cito alguns nomes (vivos e mortos), que ocuparam posições de destaque em suas carreiras profissionais ou políiticas: o advogado e empresário Francisco Antonio Marques da Cunha, os advogados Alberto Petronio de Carvalho, José Vasconcelos e Felix e Antonieta Valois Coelho, seu irmão o médico Raimundo Valois, senador Fábio Lucena, o advogado e desembargador do Trabalho Raimundo Silva, os advogados Paulo Figueiredo, Azize Dibo Neto, o escritor e poeta Donaldo Mello, os engenheiros Vladimir Paixão e Silva, Paulo Paes Barreto, Armando Cordeiro, Amaury Veiga, Ernani, Orlando e Vilar Câmara, os empresários Frank Benzecry, José Henrique da Fonseca, Pedro Vieira de Castro, os militares Ozório Fonseca, Ilmar Faria, da PM, e o general Jeannot Jansen.

Cito também os colegas economistas Manoel Alexandre, Marcelo Castro Lima, Antonio Gadelha, destacando ainda diversos escritores e artistas plásticos, arquitetos, como a professora e historiadora Etelvina Garcia, os desembargadores Divaldo Martins da Costa, e, no Rio de Janeiro, Nildson de Araújo Cruz, os médicos Marcus Barros, Horlando Araújo da Silva, Jaime Covas, Luis Carlos Avelino, Paulo Pinto, Raul Brasil, Roberval Tavares, diversos professores da UFAM, os jornalistas Phelippe Daou, Guilherme Aluizio, Hermengarda Junqueira e Aldísio Filgueiras, e o mais importante de todos os políticos daquela geração, o ex-prefeito de Manaus e governador do Amazonas, Amazonino Mendes.

A Associação dos ex-Alunos do Pedro II (ASEA), fundada em fevereiro último, tem muito trabalho ao longo deste ano no cumprimento de extensa programação comemorativa do Sesquicentenário, que certamente contará com o apoio do Executivo Estadual por meio das Secretarias de Educação, da Secretaria de Cultura e da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (FUNTEC).

A ASEA irá procurar também apoios junto a Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), à ALCEAR e demais entidades culturais do Estado.


Privilégios inaceitáveis - Em 11/02/2019

Na Suécia, na Alemanha, no Japão, na Inglaterra (observe-se a informalidade com que se realizam as sessões da Câmara dos Comuns, equivalente à Câmara Federal no Brasil). Nos países desenvolvidos de modo geral vereadores e deputados regionais (estaduais) não recebem salários, nem possuem carros com motoristas e devem usar os seus próprios celulares.

Mais: eles não têm secretárias particulares e muito menos uma multidão de assessores parlamentares. O prefeito da Capital anda de ônibus. Primeiro-ministro? Esse circula de metrô ou de bicicleta.

Ah, e quanto aos deputados federais? Moram em apartamentos funcionais de 16 metros a 46 metros quadrados, lavam e passam as suas próprias roupas.

A internet está cansada de mostrar fotos do prefeito de Londres indo trabalhar de ônibus ou metrô.

Enquanto isso, na "milionária" Manaus um vereador custa em torno de 1.200.000,00 por ano aos cofres municipais. Multiplicando-se por 41 edis, o plantel da CMM, o total despendido gira em torno de R$ 49,2 milhões anuais.

A Câmara Municipal não funcionaria melhor com não mais de 10 a 12 parlamentares, reunindo-se duas a três vezes na semana com direito a um salário de professor?

Comparemos seu papel na sociedade com o de um professor de qualquer nível para constatarmos o absurdo, o abissal distanciamento em termos sociais de uma e outra classe. Avalie-se o grau de desperdício mensal e anual desses gastos e, por outro lado, se tais recursos não estariam muito melhor aplicados na saúde, na educação, no saneamento, na infraestrutura urbana?

Aqui entre nós, o que um vereador faz efetivamente para custar tanto? Alguns sinais de evidente apatia da Câmara Municipal: a) não se sente a presença concreta da grande maioria dos edis em relação à Zona Franca de Manaus e suas perspectivas no horizonte 2073; b) não se percebe ações de vereadores em torno de questões alusivas à educação comunitária; c) promovendo encontros para discussão de questões transcendentais à cidadania; c) sobre saneamento e conscientização do povo em relação à lixo, limpeza e qualidade das águas dos igarapés que entrecortam a cidade

Na verdade, regra geral, nunca o povo (que elege) esteve tão distanciado das ações parlamentares dos supostos representantes da municipalidade, raciocínio que igualmente pode se estender, além de vereadores, a deputados (estaduais e federais) e senadores.

Enquanto isso seus gabinetes estão abarrotados de diretores, secretárias, assistentes, assessores parlamentares, "aspones", o escambau; no frigir dos ovos, parentes e cabos eleitorais premiados com cargos públicos regiamente remunerados.

A verdade nua e crua: a imensa maioria dos eleitores um a dois anos após as eleições não recorda sequer em quem votou. Isso precisa mudar. O sistema representativo também e sobretudo precisa ajustar-se ao Brasil século XXI.

As reformas, para ser completa, justa e eficaz, necessariamente terá de alcançar indistintamente a todos os poderes da República.


José Saramago, de saloio a prêmio Nobel - Em 01/02/2019

Menino pobre, extremamente pobre, de família miserável, sem perspectivas na vida, José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, filho de José de Sousa, jornaleiro, e Maria Piedade, dona de casa no concelho ribatejano da Golegã, Portugal. Camponeses humildes e analfabetos, o avô materno era guardador de porcos, viviam numa casa paupérrima de chão batido.

Além das adversidades sociais de origem, enfrentou outro problema inusitado, tragicômico, na verdade. Seu sobrenome não era Saramago, mas Sousa, do pai. Por erro de registro, ao seu nome verdadeiro - que seria José de Sousa - foi acrescido pelo Cartório o Saramago, fato não observado pelos pais até a apresentação obrigatória da certidão de nascimento para efeito de matrícula no primeiro ano escolar.

Na verdade, segundo o próprio Saramago, tal incidente foi causado pelo funcionário do Cartório, um certo Silvino, que, encontrando-se bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre seu pai) e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse percebido da "onomástica fraude, decidiu por conta e risco acrescentar Saramago ao lacônico José de Sousa que o meu pai pretendia que eu fosse", segundo relato do próprio escritor em seus diários. O pai teve justa razão de ficar aborrecido com o insólito incidente, visto tal nome "jocoso aludir a uma espécie de erva ruim que nasce espontaneamente nos campos e equivaler a denegrimento da família entre os vizinhos da aldeia natal".

Sobre estes e alguns outros detalhes da vida do prêmio Nobel de Literatura de 1998, uma escolha quase consensual, praticamente sem levantar nenhuma polêmica nos meios literários internacionais, farei nesta crônica alusões com base no livro SARAMAGO Biografia (2009), de José Marques Lopes, doutor em Literatura Brasileira, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Livro discreto, muito bem escrito, aborda detalhes essenciais da vida do escritor, oferecendo uma visão em preto e branco do convicto comunista, que aderiu a essa corrente político-filosófica desde tenra idade, movido pelo ódio à ditadura fascista que subjugava Portugal e a miséria a que se encontrava submetido o país.

Diferentemente dos tempos de hoje, Portugal nos idos do fascismo lusitano e do autoritarismo disseminado por toda a Europa nos primórdios do nazismo de Hitler, relata o biógrafo Marques Lopes, em 1930, quando o menino José de Sousa Saramago já tinha oito anos, 80% dos portugueses viviam no meio rural, com cerca de 50% da população empregada na agricultura. A maioria "do quase 1,3 milhão dos camponeses empregados na agricultura era constituída por pequeníssimos proprietários ou assalariados que viviam com grande dificuldades". A taxa de analfabetismo girava em torno de 61,8%; a de mortalidade infantil situava-se em 143,6 por mil, e a expectativa média de vida era apenas de 47 anos. Efetivamente, uma realidade idêntica a do Brasil no mesmo período. Mas, com as perspectivas econômicas oferecidas pela ex-colônia imensas hordas de "patrícios" para cá imigraram e se tornaram ricos em diversos setores: casas de ferragens, panificadoras e no comércio, principalmente de estivas, atacado e varejo.

Saramago escreveu alguns magistrais romances, sempre de cunho histórico-filosófico; foi membro do Partido Comunista Português desde sempre e até a sua morte, em 18 de junho de 2010, aos 87 anos. Fiel aos princípios marxistas, neles se inspirou para escrever praticamente todos os seus romances, dentre os quais cito o Memorial do convento (1982), O evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995), O homem duplicado (2002), A intermitência da morte (2005), os Cadernos de Lanzarote (Volumes I ao V), As pequenas memórias (2006) e a Viagem do elefante (2008). Era de tal ordem arraigado aos inabaláveis princípios da esquerda radical que recusou um contrato de 500 mil euros, oferecido por um produtor hollywoodiano pelos direitos de adaptação ao cinema da obra "Memorial do convento).

Com a queda do Muro de Berlim e o consequente colapso da União soviética a partir de 1989, Saramago expressou em diversas oportunidades sua imensa frustração com o fim de um regime sob o qual alimentou os mais puros (e radicais) ideais socialistas até o último suspiro. A biografia de Saramago registra em detalhes esses momentos, ao observar: Quem poderia prever que, entre 1989 e 1991, todo o "socialismo real" "se pulverizasse por ação das próprias massas populares descontentes com o que parte importante das classes operárias e populares do Ocidente identificava como sociedade-modelo?"

Os efeitos foram de tal ordem devastadores para a esquerda internacional e em particular para o movimento comunista em todo o mundo, que a social democracia passou a girar "à direita, aplicando políticas de enfraquecimento  do Estado-providência e privatizando como os liberais declarados". Com efeito, de acordo com Marques Lopes, revelando sentimentos íntimos de Saramago a respeito, "o aparelho mundial centralizado no Kremlim se desfez. O Partido Comunista Italiano, o maior do mundo ocidental, desapareceu, e a maior parcela alinhou-se com a social democracia. Os que assistiram ao filme alemão "Adeus Lenin", de 2003, dirigido por Wolfgang Becker, sobre os tempos da guerra-fria haverão certamente de entender melhor o quadro conjuntural que levou o taciturno e pouco comunicativo José Saramago a se fechar ainda mais para o mundo.

Independentemente das frustrações ideológicas, Saramago não pôde reclamar da vida comercial. Após o Nobel de 1998, tornou-se um superstar, fenômeno literário, expoente de vendas de livros tanto em Portugal quanto no exterior. Seus livros que vendiam dois a três mil exemplares nos lançamentos, após o "efeito Nobel" alcançaram números estratosféricos. Entre outubro e dezembro de 1998, no auge do fenômeno, a Editorial Caminho, de Lisboa, teria vendido cerca de 300 mil livros do escritor em Portugal e reeditado todas as obras. Até 2004, o total de livros vendidos calculadamente chegou a 2,5 milhões só em Portugal, com o "Memorial do convento" alcançando a soma de 400 mil exemplares vendidos (estima-se que haja superado a casa de 1 milhão). Os números das vendas internacionais são astronômicos. Saramago só perde para Paulo Coelho e J. K. Rowling.

Enfim, a biografia do extraordinário José Saramago, para quem conhece e leu seus livros é uma daquelas obras adoráveis. Leitura obrigatória, posso dizer. Agradeço ao meu amigo, poeta Julio Rodrigues Correia, de quem recebi tão precioso presente, que guardo entre os meus preferidos em local incerto e não sabido.


Roberto Campos, símbolo de uma geração - Em 23/01/2019

Por favor, não deixem de ler, abaixo, o brilhante artigo, Leis da Política, de Roberto Campos*.

Um artigo, aliás, destinado a pessoas dotadas de apurado discernimento, inteligência acima da média e comprometimento político com o Brasil.

O economista Roberto Campos, foi uma das mais emblemática personagem do universo político, econômico e universitário do Brasil no Século XX, fundamentalmente em função de sua vasta inteligência e cultura.

Uma das mais fulgurantes expressões do pensamento liberal dos anos 60 em diante, ocupou os mais expressivos cargos do governo federal, dentre eles o de ministro de Planejamento, que, em 1965/66, reestruturou, junto com o extraordinário Ministro da Fazenda, Octavio Gouveia de Bulhões, o sistema financeiro do país, ajudando a criar o BNDES, o BNH, fundou o Banco Central, criou a Correção Monetária e o FGTS, dentre tantas obras legadas aos pósteros.

Roberto Campos (tão vilipendiado em vida, tão cultuado pós-morte) deixou um legado extraordinário de obras, pensamentos e ações, também no Parlamento, muito difícil de ser sequer igualada, sobretudo hoje, quando o pensamento, a cultura e a obra intelectual pouco valem.

Um mundo em que políticos e ocupantes de cargos públicos vendem a alma para permanecer em seus postos, entrem ou saem governos. São pródigos na adoção de estratégias ilusionistas, revelando, adicionalmente, comprovado dom da ubiquidade (conseguem estar em lugares diferentes ao mesmo tempo) e também extraordinária maleabilidade política ao servirem a dois senhores, a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.

Muitos, ainda, conseguem ocupar cargos públicos quase que vitaliciamente, enquanto exploram concessões públicas, além de outros que manipulam tribunais e parlamentos, movidos por único compromisso, o do interesse pessoal, corporativo e familiar.

A geração de Roberto Campos, Octavio Gouveia de Bulhões, Juscelino Kubistchek, Getúlio Vargas, Benedito Valadares, José Maria Alckmin, Carlos Lacerda, San Tiago Dantas, Milton Campos, Celso Furtado, Mario Henrique Simonsen, Eugenio Gudin, Delfim Netto, D. Helder Câmara, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, definitivamente passou. E o pior, deixando enorme vazio, até hoje não preenchido, a espera de reposição...

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Leis da política (19/12/1999)

Roberto de Oliveira Campos*

Era uma crespa noite de inverno londrino. Eu tinha convidado para um jantar na embaixada brasileira, ao fim dos anos 70, o grande filósofo liberal francês Raymond Aron e dois sociólogos radicados na Inglaterra, Ralf Dahendorf e Ernest Gellner, este último professor de José Guilherme Merquior, meu conselheiro de embaixada.

Na curva do conhaque, quando filosofávamos sobre nominalismo, realismo e existencialismo, contei uma piada que Aron achou divertida. Era a definição de "realidade" por um irlandês, revoltado pela interrupção de suas libações alcoólicas à hora do fechamento dos pubs. "A realidade", disse ele, "é uma ilusão criada por uma aguda escassez de álcool".

Quando partiram os hóspedes, resolvemos, Merquior e eu, em rodadas de uísque, testar duas coisas. Primeiro, a teoria irlandesa do realismo alcoólico. Segundo, nossa capacidade de recitarmos, de memória, aquilo que poderíamos chamar de "leis de comportamento sociopolítico" de variadas personagens e culturas. Alternávamos nas citações, que registrei num alfarrábio que outro dia desenterrei numa limpeza de arquivos. Ei-las:

A lei de Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa. Tão preciosa que é preciso racioná-la".

A lei de Stalin: "Uma única morte é uma tragédia; 1 milhão de mortes é uma estatística".

A lei de Krushev: "Os políticos em qualquer parte são os mesmos. Eles prometem construir pontes mesmo quando não há rios".

A lei de Henry Kissinger: "O ilegal é o que fazemos imediatamente. O inconstitucional é o que exige um pouco mais tempo".

A lei de Franklin Roosevelt: "Um conservador é um homem com duas excelentes pernas, que contudo nunca aprendeu a andar para a frente".

A lei de Lord Keynes: "A dificuldade não está nas idéias novas, mas em escapar das antigas".

A lei de Bernard Shaw: "Patriotismo é a convicção de que o país da gente é superior a todos os demais, simplesmente porque ali nascemos".

A lei de Hayek: "Num país onde o único empregador é o Estado, a oposição significa morte por inanição. O velho princípio de quem não trabalha não come é substituído por um novo princípio: quem não obedece não come".

A lei de Mark Twain: "Um banqueiro é um tipo que nos empresta um guarda-chuva quando faz sol, e exige-o de volta quando começa a chover".

A lei de Lorde Kelvin: "Grandes aumentos de custos com questionável melhoria de desempenho só podem ser tolerados em relação a cavalos e mulheres".

A lei de Charles De Gaulle: "As promessas só comprometem aqueles que as recebem".

A lei de John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia: "O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros".

A lei de Getúlio Vargas: "Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo".

A lei do governador Mario Cuomo, de Nova York: "Faz-se campanha em poesia e governa-se em prosa".

A lei de John Kenneth Galbraith: "A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso".

A lei de Sócrates: "No tocante a celibato e casamento, é melhor não interferir, deixando que o homem escolha o que quiser. Em ambos os casos, ele se arrependerá".

No último uísque, Merquior me contou um chiste anônimo, que circulava em Londres: "A natureza deu ao homem um pênis e um cérebro, mas insuficiente sangue para fazê-los funcionar simultaneamente".

Ao confidenciar a Merquior que pretendia aposentar-me do Itamaraty para ingressar na política, lembrou-me ele a lei de Hubert Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos na administração Lindon Johnson, que dizia: "É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados".

Tendo em vista minhas ambições políticas, combinamos fabricar conjuntamente uma lei, que passaria à posteridade como a lei Campos/Merquior: "A política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem".

Ao nos despedirmos, já mais sóbrios, lembrei-me de duas leis. A lei do King Murphy, que assim reza: "Não estão seguras a vida, a liberdade e a propriedade de ninguém enquanto a legislatura estiver em sessão". E a lei do sábio Montesquieu, o inventor da teoria da separação de poderes: "O político deve sempre buscar a aprovação, porém jamais o aplauso".

Em minha vida política no Senado e na Câmara procurei descumprir a lei do King Murphy e cumprir a lei de Montesquieu. Sem resultados brilhantes nem num caso, nem no outro...

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* Defensor apaixonado do liberalismo. Economista, diplomata e político também se revelou um intelectual brilhante. De sua intensa produção, resultaram inúmeros artigos e obras como o livro A Lanterna na Popa, uma autobiografia que logo se transformou em best-seller. Foi ministro do Planejamento, senador por Mato Grosso, deputado federal e embaixador em Washington e Londres. Sua carreira começou em 1939, quando prestou concurso para o Itamaraty. Logo foi servir na embaixada brasileira em Washington, e, cinco anos depois, participou da Conferência de Bretton Woods, responsável por desenhar o sistema monetário internacional do pós-guerra.


Bolsonaro e a expectativa da sociedade sobre um novo Brasil - Em 04/01/2019

Correntes da sociedade ligadas à esquerda, ao petismo e a segmentos ideológicos radicais, fanáticos e retrógrados aparentemente julgam o presente momento político torcendo pelos russos. Contra os interesses da nação. Dito de outra forma: ocorreu no Brasil apenas uma mudança de governo. O rei morreu, viva o rei! Assumiu o poder novo grupo político representante da imensa maioria da sociedade que resolveu dar um basta no estado de aflição social, corrupção e retração econômica geradas nos últimos quinze anos, exatamente pelos sucessivos governos do PT.

Uma das afirmativas mais insanas que li de um leitor diz o seguinte: "Como todo medíocre, Jair Bolsonaro arrota ignorância como se fosse sabedoria. Mas, também como todo medíocre, no fundo, bem no fundo, ele suspeita que é medíocre. E busca desesperadamente a aprovação dos adultos. No momento, Bolsonaro está encantado por ter um intelectual ligado à Escola de Chicago dizendo a ele o quanto é especial. Um herói da Operação Lava Jato lhe tecendo elogios. E, principalmente, generais batendo continência ao capitão. Mas a realidade é implacável com as ilusões. Outra frase desatinada: "Nossa democracia corre riscos sérios com Bolsonaro".

Ora, nada mais medíocre do que a mediocridade. Nada mais intolerante do que a intolerância, nada mais destrutivo do que o rancor, o despeito, o sentimento de frustração, a inveja. Na verdade, quem quebrou o país foi o PT, quem descontrolou as contas públicas e a Previdência foi o PT, quem implantou a maior quadrilha de assaltantes dos cofres públicos, quem engendrou os grandes e espúrios acertos com empreiteiras, governos cubano e africanos, como nunca antes na história deste país, foi o PT.

Portanto, no lugar de jogar contra, as esquerdas, esmagadoramente derrotadas pelo povo deveria estar analisando o evoluir da formação do governo Bolsonaro, a equipe montada, os planos de curto, médio e longo prazos, as medidas saneadoras, as reformas como elementos fundamentais para a estabilidade econômica. Não se pode avaliar o que ainda não ocorreu. Avaliação, em qualquer campo de atividade é um processo sistematizado de registro e apreciação de resultados obtidos em relação a metas estabelecidas previamente. Inexistindo a razão fundamental da avaliação, esta é falsa, má intencionada, negativista.

O negativismo, convém salientar, significa atitude de quem não acredita em nada nem em ninguém, é tido como "sempre do contra", sempre diz não vai dar, não vai conseguir, não vai funcionar e se algo dá certo, essa pessoa diz daqui a pouco vai quebrar, já já vai parar, vai se arrepender. Antes de mais nada uma atitude burra, precipitada, radical. Por isso Nelson Rodrigues notabilizou-se por uma de suas frases mais contundentes ao afirmar que "a burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza".

Vamos pensar a respeito e torcer para o Brasil dar certo. É nossa obrigação como indivíduos que, membros de um Estado, usufruem de direitos civis e políticos por este garantidos. Não é possível que tantos cidadãos de elevada formação técnica, cultural e política venham que passaram a formar a equipe do governo Bolsonaro venham a cometer desatinos, como permitir que se repita o Mensalão, o Petrolão e os atos de de corrupção quase que generalizados cometidos em áreas estratégicas do Palácio do Planalto,.

Enfim, os problemas mal resolvidos do PT são dos petistas, não dos brasileiros. Não se pode admitir que conveniências partidárias sectárias e hipócritas, alimentadas por dógmas fanáticos ideológicos se sobreponham aos interesses da sociedade. A vitória de Bolsonaro foi apenas um passo em torno da alternância de poder, um dos fundamentos mais importantes da democracia. Nada mais. As oposições precisam ter isso em conta. Sair atirando indiscriminada e precipitadamente contra um governo ainda em implantação é jogar contra o Brasil. Mesmo do lado dos russos, no fim novamente perderão.


Declaração dos Direitos Humanos da ONU e as conquistas sociais - Em 11/12/2018

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) completa, neste 10 de dezembro de 2018, 70 anos de vigência, criada que foi em 1948 em resultado das tratativas diplomáticos dos Aliados (à frente Estados Unidos, Inglaterra e Rússia) empreendidas com vistas aos acordos de paz resultantes das rendições de Alemanha, em 8 de maio de 1945, e do Japão, ocorrida meses depois, no dia 2 de setembro de 1945, quando o país enfim assinou o ato de capitulação.

A data tornou-se conhecida como Vitória sobre o Japão, ou Dia V-J, e marcou o fim da Segunda Guerra e o início de um longo processo de recuperação econômica do combalido Japão. Os nipônicos relutaram muito em aceitar a derrota, só o fazendo após duríssimos massacres infringidos ao país pelas forças norte-americanas, incluindo as duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, e por último a ocupação de Tóquio encabeçada pelos Estados Unidos, Austrália, Índia, Nova Zelândia e Reino Unido.

A Declaração dos Direitos da ONU, verdadeiro hino à paz, tomou como modelo a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, de 4 de julho de 1776 - um dos mais belos manifestos em favor da condição humana -, que, em seu Art.1º, dispõe:: "Consideramos estas verdades por si mesmo evidentes, que todos os homens são criados iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos direitos inalienáveis, entre os quais se contam a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade".

Por seu turno, a Declaração da ONU, proclama:

"A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.


Dispõem seus três primeiros artigos:

Artigo I

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal".

A questão dos "direitos sociais", por conseguinte, constitui o âmago da luta do homem em busca de condições dignas de vida, para si, sua família e a comunidade a que pertence. Desde a Pré-história também tem sido a motivação subjacente ao esforço que nossos ancestrais empreendiam no sentido de satisfazer suas necessidades básicas: habitação, alimentos, segurança. Naquela época enfrentavam seus semelhantes, os inimigos naturais, além das intempéries. Tudo com o objetivo de satisfazer as necessidades dos seus dependentes. Afinal, precisava, a qualquer custo, sobreviver.

A partir dessa gênese, tais necessidades e os diferentes métodos de satisfazê-las derivam, num raciocínio simplificado, o conceito de direitos sociais. De acordo com estudos divulgados pela ONU, "constituem, em essência, a forma de garantir, de modo civilizado e legal, aos indivíduos, condições materiais tidas como imprescindíveis para o pleno gozo dos seus direitos". No sentido lato, ainda segundo a ONU, os direitos sociais do homem consistem em: o direito à vida (direitos da mãe, direitos da infância, direito das famílias numerosas); direito à igualdade do homem e da mulher; direito a uma educação digna do homem; direito de imigração e de emigração; direito de livre escolha para aderir às diversas associações econômicas, políticas e culturais.

Contemporaneamente, o conceito de direito social tem como origem as profundas mudanças sociais, econômicas e culturais decorrentes da Revolução Industrial deflagrada na Inglaterra, no século XIX, a partir da descoberta do vapor como força dinâmica. O uso de máquinas a vapor na indústria e nos transportes, basicamente, gerou conflitos de intensa e incessante evolução. Na Inglaterra e na Europa, principalmente, os danos foram mais imediatos. Desemprego em massa, motivado pela migração do homem do campo dos feudos para os burgos e depois para as cidades florescentes, foram se agravando.

Com esse fenômeno, formaram-se cinturões urbanos de miséria resultantes do excedente de mão de obra produzida nesse processo. As desigualdades sociais, de forma contundente, foram se agravando, um fenômeno que até então o homem desconhecia na forma da virulência com que passou a se apresentar. O Estado foi instado a agir. Passou a buscar mecanismos para fazer frente, eficazmente, a esse novo cenário de tal sorte a gerar instrumentos de proteção ao trabalho, e, num conceito mais amplo, aos direitos sociais que se foram constituindo explicitamente.

Conceitualmente, os direitos sociais começaram a ser estruturados a partir da fundamentação teórica a respeito do "contrato social" difundida entre os séculos XVI e XVIII. O objetivo: "explicar ou postular a origem legítima dos governos e, portanto, das obrigações políticas dos governados ou súditos, tendo em Thomas Hobbes (1651), John Locke (1689) e Jean-Jacques Rousseau (1762) os mais famosos filósofos do Contratualismo.

Pessoalmente, entendo que os direitos sociais têm origem ainda mais distante. Precisamente, a partir de Confúcio (551 a.C. - 479 a.C), que exerceu forte influência política e filosófica sobre a China e toda a Ásia oriental. Enfatizava o Confucionismo "a moralidade pessoal e governamental, a exatidão nas relações sociais, a justiça e a sinceridade". Preconizava, em termos práticos, "a ascensão do indivíduo na sociedade pelo próprio mérito e não por linhagem sanguínea, como praticado pela nobreza ocidental".

Tais fundamentos constituíram a base filosófica que impulsionou aquele continente e que, por exemplo, é o fundamento da força econômica, educacional, urbana e tecnológica da China contemporânea. Ainda hoje os gestores públicos chineses são escolhidos segundo o critério da meritocracia, não de indignos privilégios cartoriais derivados do nepotismo, sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público, largamente praticado no Brasil

Na perspectiva brasileira, "a Constituição Federal (dita cidadã), de 1988, estabelece, no artigo 6º, que "são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição" - redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010. Evidentemente, o governo federal tem-se mantido incompetente no sentido de prover ao povo a excelência desses serviços.

O Brasil continua um país injusto e fragmentário, no qual o cidadão comum ainda se priva de condições básicas em relação a esses serviços, sobretudo no que tange à saúde pública, educação de qualidade, habitação popular, previdência social, saneamento básico, mobilidade urbana e infraestrutura física portuária, de transporte aeroportuário, rodoviária e ferroviário.

Em termos de condições sociais dignas oferecidas ao cidadão, permanecemos um país em lento processo de construção. Quem sabe um dia essa obra venha a ser concluída.


Saraiva  em recuperação judicial - Em 25/11/2018

Se a situação do escritor já estava difícil, hoje, com a quebradeira que vem atingindo as livrarias tornou-se pior ainda. Escrever livro é tarefa difícil, sofrida. O escritor se dedica de corpo e alma a escrever uma obra, quando conclui começa outro calvário: conseguir recursos para produzir editorialmente e imprimir, depois conseguir uma livraria que aceite colocar seu livro em suas prateleiras a taxas exorbitantes.

De acordo com informe divulgado nesta sexta-feira, 23, pelo Estado de S. Paulo, mais uma livraria é abatida pela séria crise econômica que se abateu sobre o Brasil nesses últimos anos. A rede Saraiva, à exemplo da Cultura, pede recuperação judicial. Com dificuldade para honrar dívidas que chegam a R$ 674 milhões, a maior rede de livrarias do país, com fortes dificuldades financeiras, agora em concordata acredita que, livre de compromissos de curto prazo, possa se reestruturar e assim voltar a pagar seus fornecedores.

A Saraiva, líder do mercado livreiro no Brasil, já fechou cerca de 20 lojas, demitindo 700 funcionários. A empresa, segundo a matéria do Estadão "é a segunda empresa do setor em pouco mais de um mês a pedir proteção da Justiça para reestruturar débitos e tentar seguir em operação. A Cultura está em recuperação judicial desde o mês passado".

Informa o Estado de S. Paulo que "as dificuldades da Saraiva ficaram evidentes no início deste ano, quando a companhia atrasou pagamentos às editoras de livros - suas principais fornecedoras. A companhia voltou a ter dificuldades nos últimos meses, e foi iniciado um novo período de negociações. Após não conseguir fechar acordo, a companhia decidiu pela recuperação judicial".

Situação preocupante

O reflexo da crise que se abateu sobre as duas principais redes, acende a luz vermelha para a fragilidade do mercado editorial brasileiro. Situação que se agrava em decorrência da baixa média anual de leitura de livros no país. O brasileiro, regra geral, não gosta de ler. Quando lê opta preponderantemente por livros de orientação religiosa, auto ajuda, aventuras fantásticas, de cunho erótico; sub literatura, enfim.

Segundo o Portal T5 Paraíba, em estudo publicado em abril deste ano, o brasileiro, por ano, lê em média 2,43 livros, como mostrou a pesquisa divulgada na 4ª edição dos "Retratos da Leitura no Brasil", desenvolvida em março de 2016, pelo Instituto Pró-Livro. De acordo com a instituição, vários fatores podem contribuir para a falta de costume em ler, como a desigualdade social, o analfabetismo, a falta de estrutura familiar e o educacional.

O estudo revelou ainda que 30% da população nunca comprou um livro. Para o Instituto, não é difícil de entender esse quadro social, já que no Brasil o analfabetismo ainda é uma realidade que atinge 11,8 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017.

De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), apesar do percentual da população alfabetizada funcionalmente ter passado de 61% em 2001 para 73% em 2011, apenas um em cada 04 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. Ou seja, o aumento da escolaridade média da população brasileira teve um caráter mais quantitativo (mais pessoas alfabetizadas) do que qualitativo (do ponto de vista do incremento na compreensão leitora).

O estudo levou em conta que, em 2015, 56% da população brasileira com cinco anos ou mais é considerada leitora de acordo com os critérios da pesquisa (ter lido ao menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa).

Mercado de discos

O mesmo fenômeno ocorre no mercado de discos, cujas grandes redes, espalhadas por todo o país evaporaram-se dos anos 1990 para cá em consequência da evolução tecnológica das mídias. Nesse processo foram banidos do mercado os LPs, substituídos pelos CDs, já desbancados por plataformas digitais, cujo acesso universal e direto dispensa a compra de CDs.

Na esteira alucinante dos avanços tecnológicos, a maior vítima é a própria música. Hoje no Brasil a maioria dos jovens desconhece os grandes compositores e intérpretes de canções românticas e da Música Popular Brasileira (MPB). Ouvir falar certamente já ouviram, mas quantos chegaram a comprar um CD de Elis Regina, Milton Nascimento, João Gilberto, Edu Lobo, João Donato, Elizete Cardoso, Beth Carvalho, Vinícius de Moraes, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola ou Tom Jobim?

Enquanto isso, explodem na mídia e no showbiz imensa quantidade de intérpretes bregas que hoje dominam o mercado de discos no Brasil. Entre essas "celebridades", cito algumas: Abel & Caim, Alex & Yvan, Amado & Antônio, As Galvão, Cacique & Pajé, Cascatinha & Inhana, Vítor e Leo, Pablo Vitar, Anitta, Jojó Todinho, Jacó e Jacozinh, etc. No conjunto dessa estirpe de sertanejos modernos, pioneiros como Alvarenga e Ranchinho, Jararaca e Ratinho, Toninho e Tinoco, absolutamente não têm vez.

Na verdade, país inculto não lê nem ouve música de qualidade. A mediocridade, competentemente, ocupa os espaços que a ignorância lhe abrem.

Defasagem de preços

A reportagem do Estadão salienta, por outro lado, que, "apesar de a venda de livros apresentar uma pequena alta em 2018 - de cerca de 5% em valores, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) -, a Saraiva lembrou que o preço do produto tem subido bem menos do que a inflação. Segundo a companhia, enquanto o IPCA - índice oficial de inflação - subiu 53,8% de 2000 a 2017, o valor unitário do livro caiu 8%, na mesma comparação".

Outro segmento que já foi a segunda maior fonte de receitas para a Saraiva - música e filmes - foi bastante afetado por avanços tecnológicos, segundo a companhia, que cita no documento de pedido de recuperação a emergência de serviços como Netflix e Spotify nessa área, conclui o Estado de S. Paulo..

Histórico

Fundada em 1947, a origem da Saraiva remonta, no entanto, a 1914, quando o livreiro Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva, um imigrante português, abriu uma pequeno sebo na rua do Ouvidor, em São Paulo, chamado Saraiva & Cia. A Saraiva é uma companhia aberta desde 1972. Em 2008, adquiriu a rival Siciliano.


Fascismo no Brasil, realidade ou mito? Em 26/10/2018

Tomou corpo, do lado das esquerdas, acusações abertas de que o partido e os apoiadores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, são fascistas. Por qual razão? Pelo fato de ele ser militar? Por sustentar duro discurso contra o desmonte do Estado empreendido nos governos do PT desde 2003? Por denunciar a prática do toma lá dá cá institucionalizado na Nova República comanda o relacionamento Legislativo/Executivo?

Por se declarar ostensivamente contrário aos desvirtuamentos de programas econômico-sociais como bolsa família (R$ 1,4 bilhão de desvios), minha casa minha vida, transposição do rio São Francisco? Obra que, desde o início do governo Dilma Rousseff pulou de uma estimativa de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões em 2012. Hoje na casa de R$ 12 bilhões, se concluída deverá ultrapassar R$ 20 bilhões. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressalte-se, previa inaugurar a obra em 2010. Já estamos em 2018 e sabe-se lá Deus quando estará concluída.

Bolsonaro, na verdade, apenas segue a onda popular que se opôs manifestamente ao fanatismo ideológico que se apossou dos governos petistas. A tal ponto que, na busca de usurpar o poder a qualquer custo (José Dirceu recentemente confessou o propósito em entrevista ao jornal espanhol El País), permitiu a instalação de cerca 16 mil sindicatos, base da república sindicalista que, inspirada na ditadura bolivariana de Hugo Chávez, na Venezuela, e Bolívia, o PT e seus aliados tinham em mente implantar no Brasil.

Visto por esse prisma, o discurso atribuído a Jair Bolsonaro, efetivamente não é só dele, mas do povo. Concretamente, o brasileiro, consciente do desastre iminente, a partir de 2013 começou a ir às ruas se manifestar contra o estado de descalabro das contas públicas e a possibilidade de falência do Estado. Organizado sem tutela partidária de qualquer tendência ou cor, declarou-se disposto a dar cobro à forte escalada do mar de corrupção que tomou Brasília de assalto e ao aparelhamento do governo.

Estado tal de desgoverno que quase põe a pique empresas como Petrobras, BNDES, Caixa Econômica; desmoralizou as agências reguladoras, gerou 14 milhões de desempregados, camuflou a reforma agrária com subvenções a movimentos terroristas, como o MST, que dá suporte, em grande monta, à agricultura familiar. O movimento tomou corpo, cresceu e levou a termo o "Fora Dilma", que resultou no processo de impeachment de Dilma Rousseff e seu definitivo afastamento da chefia do governo.

Nazifascismo

Mas, o que efetivamente significa fascismo? Em termos simples e direto trata-se de um regime político de direita, anticomunista, autoritário, totalitarista e fortemente nacionalista. Suas ideias defendem o sistema capitalista e suas propagandas exaltam o movimento. Liderado por Benito Mussolini, o movimento fascista cresceu na Itália em meio à crise econômica e social gerada pela Primeira Guerra (1914-18).

Com promessas nacionalistas e militaristas de resgatar a grandiosidade do antigo império romano, chegou ao poder em 1922 após a "Marcha sobre Roma". Implantou um regime ditatorial com censura a imprensa, controle ideológico, eficiente propaganda, repressão aos movimentos sociais e leis trabalhistas corporativistas (Carta Del Lavoro).

O nazismo se estabeleceu na Alemanha com a crise mundial de 1929. Expressão política da doutrina, o Partido Nazista cresceu e se solidificou sob o comando de Adolf Hitler. Líder carismático e brilhante orador, em 1933 foi nomeado chanceler pelo presidente Hindemburg, logo tornando-se o fuhrer (líder) e ditador.

Com apoio de uma eficiente propaganda, comandada por Goobels, Hitler manipulou as massas e implantou um Estado Totalitário baseado no racismo, anti-semitismo, campos de concentração e extermínio, culminando com o Holocausto durante a Segunda Guerra, quando 7 milhões de judeus foram mortos em câmaras de gás.

Esquerda-comunismo-direita

Há evidentes e fortes liames entre os métodos operacionais do fascismo e os preconizados pelas esquerdas, que se conduzem pela ideologia comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, doutrina sistematizado no século XIX, quando da deflagração da Revolução Industrial inglesa.

Diferentemente do nazifascismo, as principais características do comunismo resumem-se aos pontos a seguir: a) os meios de produção são socializados, pertencem a todos, b) o resultado do que é produzido é dividido entre todos os membros da sociedade, c) economia coletivizada, a produção deve ser apenas o suficiente para a manutenção da sociedade, e d) não existe o conceito de propriedade privada. O Estado é o todo poderoso, tudo vê e tudo controla. Por isso tais métodos não se adequaram a país algum que haja tentado implantar o regime, como União Soviética, China, Vietnã, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela, etc.

Quanto à direita, trata-se de regime liberal. Defende que o Estado apenas se ocupe de setores fundamentais, como educação, saúde pública, saneamento, segurança, etc., deixando a produção industrial e agropecuária a cargo da iniciativa privada - micro, pequenos, médios ou grandes empresários. Esses conceitos precisam estar realmente claros para o cidadão que, muitas vezes se deixando levar por propagandas fantasiosas, compra gato por lebre.

Particularizando a questão, o que enfim pretende a esquerda no Brasil? A militância realmente está consciente dos propósitos desse movimento? Um governo de esquerda significa obediência cega a um regime onde o estado controla tudo: desde a mente das pessoas, a economia, a infraestrutura, o transporte, a política salarial, educacional, de saúde, de segurança, os meios de produção via empresas estatais; sanha dominante que inclui, e principalmente, os meios de comunicação, acabando com a liberdade de imprensa.

Onde viver?

Em conclusão, cito vinheta em circulação na internet dando conta do seguinte: para saber se um cidadão realmente simpatiza com a esquerda ou a direita, pergunte-lhe: Se tivesse que se mudar do Brasil, que outro país escolheria para viver? Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Canadá, Chile; ou Cuba, Venezuela, União Soviética, Coreia do Norte?




PT fora da campanha de Haddad - Em 16/10/2018

Representação do Partido na Câmara dos Deputados:

Líder:

PAULO PIMENTA

Vice-Líderes:

ERIKA KOKAY

VALMIR PRASCIDELLI

JOÃO DANIEL

LEO DE BRITO

PAULÃO

ZÉ GERALDO

CARLOS ZARATTINI

NILTO TATTO

HENRIQUE FONTANA

SÁGUAS MORAES

MARIA DO ROSÁRIO

JORGE SOLLA

NELSON PELLEGRINO

PATRUS ANANIAS

ANGELIM

MARCO MAIA

WADIH DAMOUS

AFONSO FLORENCE

Estranhamente, porém, nenhum desses líderes partidários está engajado na campanha de Fernando Haddad à presidência da República.

Fora também Gleisi Hoffmann (PR), Lindbergh Farias (RJ), Paulo Pimenta (RS), Vanessa Grazziotin (AM), Wadih Damous (RJ), Dilma Rousseff (MG), Eduardo Suplicy (SP), Fernando Pimentel (MG), Paulo Paim (RS), Ideli Salvatti (SC), Ana Júlia Carepa (PA), Aloizio Mercadante (SP), Serys Slhessarenko (MT), Jacques Wagner.

Indiferentes à campanha, igualmente, expressões históricas como João Paulo Cunha, Wellington Dias, Jorge Viana, Zeca do PT, Luis Marinho, Zé Dirceu, José Genoino, Rui Falcão, dentre outros líderes do partido no Nordeste, os governadores do Ceará e Piaui.

Importantes componentes da cúpula petista estão omissos desse rol por se encontrarem presos ou em fase final de julgamento pela Operação Lava Jato.

Na verdade, Haddad está só, por sua própria conta. Abandonado por Lula e líderes de forças aliadas, como o fanfarrão Ciro Gomes, que, vendo o barco petista fazer água, tomou o rumo da Europa para evitar assistir ao vivo a derrocada final da candidatura a qual tanto se opôs e detonou em contundente discursos, como o mais recente de seu irmão Cid Gomes em Fortaleza.

O PT foi fundado por um grupo heterogêneo, formado por militantes de oposição à Ditadura Militar, sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo.

O partido foi fruto da aproximação entre os movimentos sindicais da região do ABC, que organizaram grandes greves entre 1978 e 1980, e militantes antigos da esquerda brasileira, entre eles ex-presos políticos e exilados que tiveram seus direitos devolvidos pela lei da anistia.

Desde a fundação, assumiu a defesa do socialismo democrático, mas rendeu-se ao socialismo bolivariano (ou sei lá o que isso signifique) implantado na Venezuela por Hugo Chávez, que quebrou o país.

Efetivamente, seus ideais socialistas ruíram quando a nação tomou ciência do imenso esquema de corrupção instalado na cúpula partidária alcançada e denunciada pela Operação Lava Jato, que está levando a prisões federais lideranças históricas, a partir do ex-presidente Lula da Silva.



Brasileiro, domingo, vota contra a intolerância e a corrupção - Em 04/10/2018

A sociedade brasileira que apoia Jair Bolsonaro, do PSL, e se opõe ao candidato Fernando Haddad, do PT, não é belicosa. Não defende nem apoia a bancada da bala como afirmação de suas convicções políticas, não quer o armamento da população pelo simples prazer de usar armas, não defende golpe militar nem violência ou intolerância contra opositores. O brasileiro é da paz, sempre foi. Tolerante, gosta de futebol, carnaval, churrasco, chopp e jogar conversa fora em boteco. Quem não gosta de nada disso, salvo de mesa de bar, é a militância raivosa do PT e seguidores.

Estes detalhes precisam ser esclarecidos urbi et orbi, a todo o universo. Há equívocos substantivos por parte de simpatizantes das "esquerdas", mais ainda de certos setores da imprensa internacional a respeito do quadro político nacional. Segundo o Le Monde, o Brasil, repudiando Lula e o petismo, derrotando Haddad, estaria se aliando à extrema direita, rejeitando "avanços" das esquerdas a partir da era Lula. Informação fake, distorcida da realidade brasileira.

Contrariando o título de uma de suas últimas matérias - "Ódio ao PT impulsiona extrema direita no Brasil" -, o jornal francês cita o depoimento de "um típico representante da pequena burguesia paulista hermética às ideias de esquerda", um cabeleireiro de São Paulo. Para ele, Lula e o PT "criaram um bando de vagabundos que não querem trabalhar", ao distribuir o Bolsa Família". O brasileiro em verdade cansou do populismo irresponsável e quer o fim da intolerância, do radicalismo ideológico vazio e improdutivo, do mar de corrupção desenfreado que invadiu Brasília. O brasileiro quer, enfim, seu país de volta para, dentre outras razões para vencer a intolerância, o radicalismo e reposicioná-lo na via do crescimento.

O Le Monde, por fim, rende-se à realidade política nacional, ao afirmar: "mesmo se quase nenhum partido sai incólume do escândalo Lava Jato, o PT e Lula viraram símbolos da corrupção, alimentando o rancor em relação ao partido de esquerda. A crise econômica também aumenta o desgosto da pequena burguesia, explica ao Monde, Daniel Pereira, professor de sociologia da FGV-SP". Estes, efetivamente, os pontos transcendentais por detrás do "PT nunca mais", que cresce como um tsunami por todo o Brasil.

Em realidade, a situação política no Brasil chegou a tal nível de extremismo que o cidadão de bem resolveu dar um basta nesse estado de coisas. Em consequência, os petistas estão acuados, certos de que serão derrotados no pleito de domingo. Acreditam que a causa da rejeição do eleitorado provém de uma "sociedade conservadora", que se deixou seduzir por discursos de intolerância. A mesma sociedade, cabe salientar, que elegeu o PT quatro vezes seguidas para a Presidência.

Mutatis mutandis: se outros o rejeitam, repudiam seu comportamento e seus métodos políticos, o problema está nos outros, não em você.

Petistas independentes, alguns deles expulsos do partido ou que dele se afastaram por decisão própria, pragmaticamente avaliam que o PT fracassou porque, uma vez no poder, teria sido obrigado a ceder em nome da "governabilidade", eufemismo para "corrupção". O velho e cansado "toma lá, dá cá" pefelista, método que tanto rejeitaram e combateram em nome do purismo ideológico que imaginavam incorporar.

Lobos em pele de cordeiro, na verdade seu foco principal sempre foi o poder absoluto, ditatorial, bolivariano, objetivos, aliás, instalados no DNA das "esquerdas". Jurássicas, equivocadas e fora completamente do contexto do socialismo moderno, cujo sistema de governo concilia, quando o caso, "soft power", poder brando ou poder de convencimento, com o "hard power", impositivo, coercitivo, imperante no mundo globalizado, neoliberal.

Nesse contexto, "sociedades complexas" geram condições essenciais à evolução tecnológica dos meios de produção e dos sistemas gerenciais; da dinâmica comercial, da logística de transporte, que inovam e, consequentemente, lideram os mercados mundiais. Na outra ponta da régua, as "sociedades simples", dependentes do andar de cima, historicamente vocacionadas ao subdesenvolvimento.

O Brasil, de fato, gradativa e evolutivamente vem rejeitando tais determinismos ideológicos e, por outro lado, mostrando-se menos tolerante em relação a um dos mais deletérios efeitos do totalitarismo bolivariano: a corrupção. Fator que configura sem dúvida uma das mais importantes causas da rejeição do petismo. Mas não a principal. A real causa do desprezo que os brasileiros assumem em relação ao PT encontra-se nos meios e métodos como a militância e simpatizantes, radicais, intolerantes, totalitaristas, bandeiras vermelhas em punho e raivosas palavras de ordem, agridem quem eventualmente não concorda com eles.

Em termos práticos, se você não segue o óbvio pensamento dito de esquerda, com raciocínios do tipo "pobre é bom, rico é ruim" e outros estereótipos do gênero, você será, pontualmente homofóbico, elitista, machista, racista dentre outras imputações intolerantes-pejorativas.

De acordo com estudo publicado no site Jusbrasil, de Roberto de F. Macedo, a nação brasileira do século 21 está marcado pelo estabelecimento de uma certa polícia comportamental. São os vigilantes da moral, os caçadores de preconceitos. Nunca as pessoas foram tão rotuladas no país. Se você não concorda com um militante, ele não diz que vocês têm pontos de vista diferentes, nem mesmo diz que você está enganado: ele diz que você expressa essa opinião, no mínimo, por ter se vendido para as elites. Ou seja: por ser desonesto. Para o esquerdista brasileiro, é impossível que alguém discorde genuinamente do que ele jura ser A Verdade.

Recorte indispensável ao discurso daquela socióloga petista que odeia a classe média, sob aplausos da cúpula petista. Lula, tolerante com tais agressividades, avisa, por outro lado, que vai convocar o exército do Stédile para atacar a oposição ao PT, e o exército do Stédile vai às ruas e fecha estradas e toma prédios públicos e destrói pesquisas científicas. Agências de guerrilha virtual recebem fortunas para acabar com a reputação de adversários políticos.

Com toda autoridade de um dos mais importantes líderes do PT, o ex-ministro José Dirceu disse ao jornal "El País", que "é uma questão de tempo" para o PT tomar o poder no Brasil. Textualmente: "Dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse ele, quando questionado sobre o que acha da possibilidade de o PT "ganhar mas não levar" as eleições.

Há cerca de oito anos, Diogo Mainardi mal conseguiu falar num evento da PUC, porque esquerdistas gritavam que ele é "traidor da América Latina". Em suma, quem fala contra os métodos petistas é vaiado, injuriado e difamado com toda violência. Situação ocorrida com aquele cidadão que por acaso passou pela manifestação contra a prisão de Lula em São Bernardo do Campo, SP, e foi agredido e impiedosamente esmurrado por um ex-vereador petista e seu filho até desmaiar.

Onde a tolerância, o amor ao próximo, a solidariedade, a cooperação, a reciprocidade? Recorrendo a Shakespeare: palavras, palavras, não mais do que palavras.

Afirma em conclusão o Jusbrasil: durante todos esses anos, a classe média, formada quase que totalmente por trabalhadores, foi odiada, rotulada, julgada e condenada por uma suposta elite intelectual de esquerda. Ao proceder assim, essa esquerda jogou o Brasil à direita. A arrogância da esquerda chocou o ovo da serpente e pariu a nova direita. Que já está vicejando e mais ainda vicejará, se não se comportar com igual arrogância. Há motivo para o ódio e a intolerância. Não é caso de política, é caso de física básica. Não é caso da lei brasileira, mas da terceira lei de Newton: não existe ação sem reação.


Sem pacto de governabilidade, Brasil quebra - Em 27/09/2018

O Brasil encontra-se dividido "entre pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros, corruptos)". A frase, citada aqui e ali, no fundo revela perigoso grau de intolerância que vem permeando a sociedade brasileira, processo recrudescido com a ascensão ao poder das "esquerdas", tendo à frente PT, PCdoB e aliados.

Utilizando métodos e instrumentos do chamado socialismo bolivariano instalado por Hugo Chávez, na Venezuela e por Evo Morales, na Bolívia, os governos de Lula da Silva, Dilma Rousseff e seguidores deixaram claro que eles eram "os bons", e toda a população oposicionista "os maus" (coxinhas, direita burguesa, capitalistas selvagens, etc.). A situação chegou a tal ponto que qualquer pensamento diferente é imediatamente interpretado como inimigo. Diferente de tempos passados, quando o brasileiro era predominantemente tolerante, bem humorado, aberto, boa praça, como se dizia.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só um pacto político de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa poderá aliviar as tensões. E com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o alto índice de desemprego, a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

Segundo editorial do Estado de S. Paulo deste domingo, 23, "todos os candidatos a presidente, pelo menos é o que se imagina, estão interessados não apenas em ganhar a eleição, mas em governar o País. Sendo assim, descontados os naturais arroubos de campanha, todos precisam se importar com as condições mínimas de governabilidade, e a principal delas é o equilíbrio das contas públicas. Para isso, uma vez fechadas as urnas, será necessário promover um grande entendimento nacional, que só funcionará, antes de mais nada, se vencedores e vencidos reconhecerem o quadro de descalabro fiscal e a necessidade de superá-lo. Esse consenso básico nada tem a ver com este ou aquele programa de governo, pois nenhuma proposta apresentada hoje pelos candidatos, independentemente de sua qualidade, poderá ser implantada sem que se promovam reformas que ajustem o Estado à realidade e, assim, permitam o crescimento sustentável da economia".

Vai mais além o Estadão: Em meio à balbúrdia dos palanques, animada por uma batalha ideológica entre esquerda e direita como raras vezes se viu no Brasil, corre-se o risco de perder a perspectiva do desastre econômico que se avizinha. Os números, que não têm partido ou candidato, falam por si. As contas públicas saíram de um superávit primário (sem contar os juros, em valores atuais) de R$ 130 bilhões em 2002, antes da era petista, para um déficit de R$ 159 bilhões, valor estabelecido como limite para este ano. Sem superávit fiscal, a dívida bruta do setor público atingiu cerca de 75% do PIB, subindo em velocidade acelerada - estava em 70% do PIB apenas dois anos atrás.

As despesas públicas crescem 6% ao ano em termos reais, muito acima da expansão da economia. Funcionalismo e Previdência Social, somados, correspondem hoje a 70% do Orçamento e, sem reformas que contenham seu ímpeto, continuarão a se dilatar. Em breve, não sobrarão recursos para realizar o mínimo necessário de investimentos - rubrica que apresentou queda de cerca de 30% - e tampouco haverá dinheiro para custear o funcionamento corriqueiro da máquina pública.

É por essas razões, entre outras tantas, que o atual governo implantou um teto para frear a gastança. Esse mecanismo obriga o poder público a racionalizar as despesas para que todas caibam no Orçamento - algo que deveria ser óbvio. No entanto, salienta o editorial do Estadão, justamente por impor limites à imaginação populista, o teto dos gastos está sob risco - quase todos os candidatos a presidente já disseram que pretendem abandonar essa restrição.

O resultado será, inevitavelmente, agravado pela ausência das reformas de base, implicando na falência total do Estado brasileiro. É pagar para ver. Vamos, com efeito, iniciar processo de mergulho nas profundezas do desconhecido, mas continuar intransigentemente divididos, sem se dar conta de que, em política, convicções fortes, tolerância, capacidade de negociação são faces da mesma moeda. Estados civilizados, dotados de estruturas complexas, crescem, se desenvolvem. O contrário configura a máxima expressão do caos social, político e econômico.

Carta de FHC

Em carta dirigida à nação, na última sexta-feira, 21, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, extemporaneamente, saliente-se, observa que diante de tão dramática situação, quase nenhum candidato à Presidência tem coragem e condição política de assumir a real situação das contas públicas e do caos político. No geral, afirma categoricamente, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas.

Fernando Henrique, em 2002, preterindo José Serra, o candidato natural do PSDB, entregou de bandeja a presidência da República a Lula da Silva, por simples questão de vaidade: a de passar a faixa presidencial a um metalúrgico semi analfabeto, fruto do populismo sindical. Deu com os burros n'água. Lula procurou destruir as reformas do Plano Real, sobretudo a Lei de Responsabilidade Fiscal e as privatizações, e assumiu, sob a égide do Foro de São Paulo, aberto e desbragado populismo bolivariano. O mega projeto de perpetuação no poder das hostes petistas. Para completar elegeu o poste Dilma Rousseff, que completou sua obra de quebrar o Brasil. Quase conseguiu.

O brasileiro precisa ter noção exata desses movimentos. Simplesmente denotam que a política no Brasil é exercida em função de conveniências partidárias mesquinhas, em que os interesses da nação são ostensiva e abertamente ignorados

Pedro II, resgate histórico - Em 24/09/2018

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu extraordinário livro "Uma breve história da humanidade - SAPIENS", 2017, há cerca de 13,5 milhões de anos havia tão somente matéria, energia, tempo e espaço que se aglutinaram no chamado Big Bang. Harari não explica como e de onde surgiram esses elementos da natureza. Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, matéria e energia, combinadas, produzem os átomos, que se combinam em moléculas. Há aproximadamente 3,8 milhões de anos, a combinação de certas moléculas começam a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas organismos. Prossegue o autor: há cerca de 70 mil anos, os organismos pertencentes à espécie "Homo sapiens" começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas.

O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominado história. Para completar o preâmbulo, reproduzo o raciocínio de Harari, segundo o qual três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos. A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás, e a Revolução Científica, iniciada há apenas 500 anos, nos conduziu ao mundo contemporâneo e suas fantásticas tecnologias presentes na informação, no ensino, na cultura, na circunavegação, na engenharia, na medicina, na biotecnologia, nas conquistas espaciais, na produção de alimentos e produtos agroindustriais; na imprensa, esteio do Renascimento; na geração de novas tecnologias (investimentos em P,D&I), e assim por diante.

Como se pode observar claramente, a história e a cultura sempre estiveram no cerne dos processos criativos e de conquistas humanas. O movimento desencadeado por meio do lançamento do livro GYMNASIANOS, de minha autoria, visa fundamentalmente isso. Trabalhar em torno do resgate do papel central do histórico Colégio Estadual do Amazonas em relação ao padrão do ensino no Amazonas, que por décadas liderou. A proposta consiste, em síntese, da criação da Associação dos Ex-Alunos, e, por seu intermédio, juntar-se à direção do Colégio e às secretarias de educação e cultura do Estado e do Município nos preparativos da celebração dos 150 anos de fundação do Gymnasio Amazonense Pedro II, em 1869, centro da política Imperial de instituir e consolidar padrão de ensino e fomento à cultura por todo o país.

A história do Colégio Amazonense Dom Pedro II (denominação oficial atual), desde sua instalação é marcada por lutas de gerações em torno de ideais libertários e renovadores. O gymnasiano celebrizou-se como protagonista da ação política, em inúmeras contendas em torno desses ideais, , contando para tal com o entusiasmo e a coragem de uma juventude em ebulição. A mais célebre dessas lutas teve campo na Revolução de 30. Movimento que, pela força das armas, depôs o presidente Washington Luís, e, com apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e estados nordestinos, levou Getúlio Vargas ao poder, que exerceu por 19 anos (Era Vargas). Os gymnasianos apoiaram as forças insurgentes contra São Paulo numa luta ferrenha que deixou marcas de balas visíveis no colunato frontal externo do histórico edifício.

Independentemente do espírito libertário e contestatório do gymnasiano, o Colégio ocupou desde início papel preponderante em relação ao padrão de ensino do Amazonas. Quadro que perdurou até meados dos anos 1970. Posteriormente, tornou-se um colégio comum, sem expressão política, educacional e cultural. É anseio de um grupo de ex-alunos, professores e estudantes do Pedro II lutar pelo resgate dessas tradições e do padrão de ensino que sustentou. Objetivo factível tendo em vista que muitos nomes do empresariado, da política, da cultura, da universidade, dos profissionais liberais são egressos do Casarão da Sete de Setembro. A começar pelo governador Amazonino Mendes, gymnssiano que, como eu foi presidente do Centro Estudantal "Plácido Serrano", há muitos anos desativado. Uma imposição histórica à qual não podemos nos omitir.

Manaus, 24 de setembro de 2018.


Gymnasianos e o sesquicentenário do Pedro II (1)

GYMINASIANOS, em essência, a nova versão da mesma obra, lançada em 2011, revisada e ampliada. Uma crônica narrativa de momento especial de transição da adolescência para a juventude, final dos anos 1950, início dos 1960, de um grupo de jovens alunos do Colégio Estadual do Amazonas (CEA) - a primeira geração nascida no fim da World War II (1939-1945) -, comprometido com um futuro melhor para o Amazonas e o Brasil.

Como característico do estilo literário adotado, o livro utiliza linguagem simples e direta, tanto em primeira quanto em terceira pessoa, não raro recorrendo ao humor de que diversos episódios narrados se revestem. Sobretudo em relação aos "causos" protagonizados por alunos entre si, com professores e bedéis, os inspetores disciplinares.

Embora de fácil leitura, o GYMNASIANOS não se descuida do rigor analítico, especialmente no que toca aos aspectos que dão sustentação à narrativa de fatos históricos relevantes, como no que diz respeito aos planos de governo do período pós 1945 (especialmente dos governos Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek) e aos movimentos políticos que viriam a deflagrar o Golpe Militar de 1964 e os envolvimentos estudantis no processo.

A segunda edição do GYMNASIANOS assume particular magnitude ao registrar que, em setembro de 2019, o Colégio Estadual do Amazonas, o histórico GYMNASIO Amazonense Pedro II, completará 150 anos. Desta forma, o autor e seus colaboradores alimentam a expectativa de que o livro possa se transformar em fator de mobilização dos que se sentaram em seus bancos escolares para constituição da Associação de Ex-Alunos. A ideia central é que a Associação possibilite trabalhar junto à Direção do Colégio e ao governo estadual uma programação comemorativa do jubileu consentânea à importância de uma instituição que, por um século e meio vem formando cidadãos, na sua grande maioria identificados com a vida política, social, cultural e econômica do Amazonas.

O lançamento da primeira edição do GYMNASIANOS, em 2011, constituiu, seguramente, uma epifania cívico-cultural, que agitou Manaus por meses. E que restabeleceu o elã, a centelha latente no sentimento de ex-alunos, mestres e funcionários no tocante ao significado histórico da instituição. Comunidade que viveu magníficas experiências de vida naqueles anos 1950/1960 numa Manaus ainda bucólica, inocente, despojada de maiores ambições, talvez até exageradamente acomodada com os infortúnios sociais e econômicos herdados da debâcle do período áureo da borracha.

Centro urbano perdido no coração da floresta amazônica, mas dotado de infraestrutura de boa qualidade, um grande templo de artes e cultura, o majestoso Teatro Amazonas; palácios, palacetes, bungalows, avenidas, praças e largos em estilo francês, bondes, cafés e confeitarias, magazines ainda com cheiros e traços de Paris e Londres. Cidade que seguia seu rumo, vivendo modestamente, sem maiores expectativas em relação ao seu destino até então incerto, mas preocupada com a formação educacional de seus jovens.

Escrever um livro é um desafio que exige desprendimento e discernimento para fugir de certas armadilhas, como o fácil e pedante autoelogio. Por isso abri o GYMNASIANOS aos colegas. Ofereci espaços para crônicas e registros de impressões, com interessantes e criativos resultados. Nesse sentido, recebi importantíssimas colaborações, dispostas ao longo desta segunda edição, especialmente no Post Scriptum, integrado de textos de alta qualidade e valor histórico significativo. Registre-se, a propósito, que o Colégio Estadual do Amazonas formou grandes cabeças, profissionais de destaque nos mais diversos campos de atividades. - médicos, engenheiros, professores, economistas, advogados, assistentes sociais, odontólogos; políticos de destaque nos legislativos municipal, estadual e Federal além de inúmeros prefeitos e governadores.


* O texto é uma réplica adaptada da Apresentação do GYMNASIANOS, Segunda Edição.



Ditadura de Maduro esmaga e afugenta povo venezuelano - Em 24/08/2018

Diante da escalada da crise na Venezuela que leva cada vez mais venezuelanos a cruzarem as fronteiras rumo ao Brasil em busca de uma vida melhor, o Governo de Michel Temer assinou um decreto reconhecendo a "situação de vulnerabilidade" em Roraima. O Estado é a principal porta de entrada dos imigrantes que fogem da crise de abastecimento de alimentos, do colapso dos serviços públicos e de uma inflação de 700% no país vizinho.

O presidente ainda editou uma medida provisória (MP) que acena com ações de assistência emergências para imigrantes venezuelanos no Estado em diversas áreas, como proteção social, saúde, educação, alimentação e segurança pública. Elas serão coordenadas por um comitê federal composto por representantes de distintos ministérios e conduzidas em parcerias entre União, Roraima e municípios.

A prefeitura de Boa Vista estima que mais de 130 mil venezuelanos já tenham entrado no Estado, o que representa mais de 39 % dos cerca de 330.000 habitantes da capital. Todo o Estado tem 522 636 habitantes. Muitos desse contingente já deixaram Roraima deslocando-se para outras regiões do país e países vizinhos, como Colômbia e Guiana.

Mesmo assim, cerca de 500 venezuelanos continuam entrando em Roraima via Pacaraima todos os dias. O Comando Militar da Amazônia estima que mais de 2.000 deles estejam dormindo em barracas ou bancos de praças públicas a céu aberto. São basicamente refugiados que escapam da crise humanitária e política que vem devastando a Venezuela governada pelo sanguinário ditador bolivarianista Nicolás Maduro. Insensivelmente, responde pelo desabastecimento, a extinção do emprego, a violência contra oposicionistas e uma crise econômica sem precedente que quebrou o país e gerou uma inflação de 1.000.000 % este ano.

A forte imigração impacta ainda os serviços de saúde e educação, que estão entrando em colapso. Segundo o governo de Roraima, o Estado tem apenas um hospital de alta complexidade e atualmente metade da capacidade de atendimento da saúde está sendo ofertada aos estrangeiros. "Desde o início, avisamos que isso levaria a um colapso social, porque Roraima já é muito vulnerável, um dos mais pobres. Cobramos uma atitude do Governo Federal, mas ele foi negligente. Essa crise já se arrasta há dois anos e só agora chegam essas medidas?", alerta um comunicado oficial.

Vale salientar que no auge do fluxo migratório dos imigrantes vindos do Haiti, após o terremoto de 2010, o Governo do Acre chegou a despachar diversos ônibus com refugiados haitianos para São Paulo sem a menor coordenação com as autoridades do Estado. As pessoas chegavam e não tinham sequer um primeiro local de abrigo, sendo colocadas outra vez em uma situação bastante vulnerável. O que fazer em circunstâncias desesperadoras como estas?

Não raro a questão dos refugiados, em plano mundial, regra geral é tratada hipocritamente por ONGs e entidades de direitos humanos. No caso dos venezuelanos, em síntese, está sendo absorvido e administrado, "por questões humanitárias", pelo governo e o povo brasileiro, basicamente o cidadão roraimense. Enquanto isso, nada acontece ao ditador Maduro, que destruiu a economia do país e levou a esse estado de indigência e de desesperança do povo venezuelana? Os países precisam ajudar humanitariamente refugiados, normalmente tangidos de suas pátrias por injunções políticas ditatoriais (vide Cuba, Líbia, Síria, Oriente Médio e países africanos).

O que não se admite é deixar que ditadores prossigam impunemente cometendo crimes políticos, econômicos e humanitários contra seus povos. Onde se encontram neste momento a ONU, a OEA e o Foro de São Paulo? A questão é gravíssima. Um povo sendo massacrado e humilhado pelo seu próprio governo. Observe-se que, enquanto em toda a Europa o movimento migratório recente envolveu cerca de 1,8 milhão de refugiados, na Venezuela esse número já ultrapassou 2,3 milhões.

Enquanto isso, centenas de representantes de movimentos e organizações sociais, intelectuais e personalidades ditas "democráticas" de 12 países da América Latina e do Caribe reuniram-se na Cidade do México, às vésperas da 47ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), levada a cabo em junho de 2017. Os trabalhos da OEA se iniciaram com uma Reunião de Consulta de Ministros de Relações Exteriores visando a aplicação da chamada "cláusula democrática", uma espécie de censura pública contra o país, ardentemente desejada pela oposição venezuelana.

A proposta foi rechaçada por imensa maioria das forças "revolucionárias" de nosso Continente, que transformou a Assembleia da OEA numa reunião de solidariedade à Venezuela. Do ponto de vista bolivariano "um grande acontecimento político que denunciou de forma veemente o apoio da OEA à intentona fascista da direita venezuelana, desnudou o caráter servil desta organização e expressou um firme apoio à revolução bolivariana". O evento foi denominado de "Encontro dos Povos pela Paz, a Soberania e o Futuro" e reuniu, além do país anfitrião e da própria Venezuela, representantes da Bolívia, Brasil, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Peru e República Dominicana.

Para essa linha embalada por sectarismo ideológico desmedido, irresponsável e deslocada do mundo socialista moderno liderado por China, Rússia e Vietnã, o jurássico Maduro está certo, o povo faminto e sem horizontes errado. Não deixam dúvidas ao proclamarem com toda convicção: "Dane-se a nação, viva o bolivarianismo!". É isso que interessa. E assim a situação se agrava a cada dia. O curioso é que bolivianos, cubanos, salvadorenhos, guatemaltecos, nicaraguenses, panamenhos e dominicanos não querem nem ouvir falar de refugiado venezuelano. O problema esquenta como batata quente nas mãos de brasileiros, colombianos, peruanos e equatorianos.

Chega de hipocrisia! O Brasil convive com uma grave crise econômica que produziu contingente superior a 13 milhões de desempregados e uma inadimplência monstruosa dos consumidores. O número de brasileiros comcontas em atraso e restrições de crédito no comércio alcança cerca de 61,7 milhões de cidadãos. O número de inadimplentes, segundo estimativa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), corresponde a 40,5% da população com idade entre 18 e 95 anos.

Ora, se não resolvemos nossos próprios problemas - emprego, educação, prover saúde pública, segurança e saneamento básico aos nossos cidadãos - como nos arvorar a solucionar os do vizinho? Ajudar venezuelanos, inquestionavelmente é obrigação do Brasil; todavia, que o ditador Maduro pague a conta! O problema é dele não da América Latina. A conta, no entanto, segundo o Palácio do Planalto já é superior a R$ 200 milhões, que a sociedade brasileira vem bancando.


Açaí, ouro negro da Amazônia - Em 13/08/2018

O paraense José Maria Cardoso da Silva, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade de Miami, Coral Gables, um dos co-autores do livro PAN-AMAZÔNIA, Visão Histórica, Perspectivas de Integração e Crescimento (2015), organizado por mim e o pesquisador da Embrapa Alfredo Homma, define biodiversidade como toda a variação de espécies e ecossistemas que existe no planeta, que inclui variedade dentro das espécies, entre as espécies, dentro de ecossistemas e entre os ecossistemas. Esta enorme variação, resultado de bilhões de anos de evolução, é que permite a nossa sobrevivência. Sem ela, afiança Cardoso da Silva, não seríamos o que somos e sem ela não poderíamos realizar todo o nosso potencial.

Por sua importância relativa à cadeia alimentar e da saúde, o açaí desponta como uma das estrelas do universo bioeconômico da região. Segundo estudos orientados pelo médico Euler Ribeiro, diretor da UnATI-UEA, Ivana da Cruz, bióloga da Universidade de Santa Maria (UFSM) e Ana Andreazza (Universidade de Toronto), o açaí demonstrou capacidade de proteger e recuperar condições normais de neurônios (células do cérebro) com alterações adversas em seu funcionamento encontradas em pessoas com transtorno bipolar.

De acordo com as pesquisas da UnATI-UEA/UFSM, efeitos positivos do açaí parecem resultar de grande quantidade de nutrientes ditos funcionais, os quais conseguem proteger as células dos radicais livres. Os resultados dessa pesquisa sugerem que o açaí é um alimento que, desde que indicado por profissionais da saúde, poderia ser adicionado à dieta de pessoas portadoras de problemas de saúde em diversos campos. De acordo com Euler Ribeiro e Ivana Cruz, a polpa do açaí tem recebido cada vez mais atenção na Amazônia e em todo o mundo de tal sorte que hoje em dia é considerado uma superfruta, recebendo ainda o título de fruto mais completo do mundo, autêntico ouro negro.

Em virtude de sua atividade antioxidante, ou seja de combate a moléculas que causam danos ao organismo e levam ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças, o consumo de açaí tem sido eficaz como preventivo de doenças cardíacas. Estudo desenvolvido na Universidade de Arkansas- Estados Unidos concluiu que o consumo rotineiro de suco de açaí reduz os riscos de aterosclerose, o acúmulo de placas de gorduras nas artérias que pode levar ao Infarto e ao Acidente Vascular Cerebral.

Adicionalmente, o açaí apresenta atividade de proteção do cérebro contra a doença de Alzheimer, diminui a duração de convulsões em ratos e é capaz de prevenir danos no cérebro. Diante de tantas evidências dos benefícios do açaí, a parceria UEA-UnATI, Universidade Federal de Santa Maria e Universidade de Toronto, firmada em 2015, já apresenta importantes resultados. Um dos estudos realizado no Canadá, pelo aluno da UFSM Alencar Kolinski Machado, está publicado na revista científica inglesa Oxidative Medicine and Cellular Longevity.

Todos os estudos levados a cabo por diversas instituições de pesquisa atestam que o açaí possui 10-30 vezes mais antioxidantes que o vinho tinto; promove ótimo equilíbrio entre gorduras insaturadas e fibras, que ajudam a proteger a saúde do coração e do aparelho digestivo, uma combinação perfeita de aminoácidos e minerais, fundamentais para a regeneração e desempenho muscular. Além do mais, o açaí é altamente energético e protege todo o organismo contra o ataque de doenças.

Saliente-se, oportunamente que, por por deficiência de acuidade sobre extenso elenco de produtos amazônica estratégicos, perdemos os mercados da borracha, do pau rosa, das essências vegetais e de outros recursos de alto valor econômico de nossa biodiversidade. Nesse sentido, o Prof. Cardoso da Silva é conclusivo: precisamos bater na tecla de que somente os amazônidas podem desenvolver a Amazônia. Estratégias alternativas (modelos desenhados fora da região) não funcionam e nunca funcionarão. Cumpre apenas nos conscientizarmos dessa verdade elementar.


O caos da corrupção, da violência e a fuga de cérebros - Em 03/08/2018

O Brasil, de 2017 para 2018 regrediu dramaticamente no ranking que avalia a percepção da corrupção no mundo divulgado pela Transparência Internacional em fevereiro deste ano. O país caiu 17 posições em comparação ao ano anterior e ocupa o 96° lugar na lista de 2017, que avaliou a corrupção do setor público em 180 países. Na escala que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto), o Brasil aparece com 37 pontos, três a menos que em 2016.

O Brasil também se encontra na pior situação dos últimos cinco anos. Atualmente, divide a 96ª posição com Colômbia, Indonésia, Panamá, Peru, Tailândia e Zâmbia. E fica atrás de países como Timor Leste, Sri Lanka, Burkina Faso, Ruanda e Arábia Saudita. Desde 2014, o índice de percepção da corrupção (IPC) vem piorando no Brasil, que também deteriorou sua posição relativa a outras nações em desenvolvimento, como, por exemplo, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O país está agora à frente apenas da Rússia, que alcançou 29 pontos.

Segundo a avaliação da Transparência Internacional, a trajetória de queda observada nos últimos anos pode ser explicada pelos efeitos da Lava Jato e outras grandes operações que mostram um esforço em enfrentar o problema. O efeito inicial de agravamento da percepção de corrupção é comumente observado em países que começam a confrontá-la de maneira eficaz, pois traz o problema à luz em toda a sua dimensão. No entanto, se o país persiste no combate à corrupção, o efeito negativo começa a se reverter numa percepção de maior controle da corrupção. O que não está acontecendo no Brasil.

No lado oposto, Nova Zelândia e Dinamarca ocuparam as primeiras posições, com a pontuação de 89 e 89 respectivamente. Síria, Sudão do Sul e Somália se posicionaram nos postos mais baixos, com pontuações de 14,12 e 9. Em 2017, mais de dois terços dos países obtiveram uma pontuação inferior a 50- que demonstra que o país está falhando em lidar com a corrupção-, e a pontuação média foi de 43. Na América do Sul, apenas o Uruguai e o Chile conseguiram uma nota maior que 50. O índice é feito a partir de estudos comparativos de diversas instituições e organizações que analisam a opinião do setor privado sobre a corrupção no setor público.

Os brasileiros não têm qualquer dificuldade em constatar a veracidade das estatísticas da Transparência Internacional, organização global com sede na capital da Alemanha, Berlim. Na verdade não precisa ir tão longe. Basta assistir aos noticiários das rádios e TVs, ler jornais e revistas para se deparar com avalanche diária de notícias sobre roubos, furtos, guerras de gangues de morros e colarinhos brancos, assaltos a mão armada, pivetes arrancando relógios, cordões e celulares de pessoas em plena via pública, assim como desvios, desfalques, roubos aos cofres públicos de autoridades governamentais, prefeitos, vereadores, deputados, presidentes e diretores de agências reguladoras, fundações, autarquias. Anomalias que viraram rotina.

Os noticiários da mídia praticamente se resumem a esse tipo de noticiário. Chega a cansar, além de envergonhar o cidadão de bem diante do ridículo quadro que o Brasil se expõe ao mundo todo santo dia. A bandidagem, armada até os dentes, não se intimida. Vai em frente. Organiza-se, fortaçece-se via o tráfego de drogas e de armas de grosso calibre. A sensação popular é a de que, em alguns casos, como a maioria das capitais brasileiras, o Rio de Janeiro no destaque, a situação, supostamente chegou a nível de absoluto descontrole. A autoridade policial encontra-se impotente, amedrontada, indefesa (cerca de 500 mil deles morrem por ano no Brasil) e minada pela infiltração de inimigos de múltiplas procedências e organizações: da própria polícia, presídios, Congresso Nacional. O inimigo na verdade mora ao lado. Literalmente.

Brain drain

A consequência mais danosa do estado de calamidade que os últimos governos legaram à nação reflete-se na debandada de cidadãos para países estáveis e progressistas, como Estados Unidos e Portugal na preferência do brasileiro. O processo migratório atinge indistintamente todas as classes sociais. Uma em particular, porém, é desastrosa: a fuga de cérebros. O brain drain a que o país está submetido especialmente vem se intensificando a cada ano sobretudo a partir de 2011. Desse ano até 2017 deixaram o Brasil, com passagem aérea só de ida, portanto em caráter definitivo, cerca de 100 mil profissionais emigraram apenas para os Estados Unidos. Só no ano passado, segundo a Receita Federal, foram mais de 21 mil.

Fugas de de cérebros são extremamente comuns entre os países mais pobres do planeta, e também entre as nações em desenvolvimento, como países africanos, ilhas do Caribe, países da América latina. O Brasil vem se destacando nesse vergonhoso ranking por não conseguir reter seus melhores quadros, face à extrema carência de investimento em pesquisa da ciência e tecnologia. As razões mais comuns alegadas pelos cidadãos que decidem mudar para outro país são diversificadas. Desde segurança precária e violência, instabilidade política, instabilidade econômica e baixa qualidade de vida, insegurança quanto a poder oferecer um futuro melhor a sua família.

O futuro do Brasil, em tais circunstâncias, encontra-se completamente desestabilizado, sem perspectiva, comprometido negativamente quanto ao desenvolvimento nacional. Não é possível conviver com quadro de tamanha calamidade passivamente. A sociedade precisa se pronunciar, voltar às ruas, exigir decência, o fim da corrupção e da violência. Uma luta hercúlea que o brasileiro precisa enfrentar custe o que custar.




União Europeia e Japão juntos. Mercosul e Brasil quem sabe depois? - Em 17/07/2018

União Europeia (UE) e Japão assinaram nesta terça-feira (17/07) um acordo comercial que deve eliminar quase todas as tarifas aduaneiras, estimadas em mais de 1 bilhão de dólares por ano. Autoridades de ambos os lados disseram que o pacto de livre-comércio faz frente ao protecionismo aberto e ilimitado do presidente norte-americano, Donald Trump.

De acordo com autoridades da UE, o Acordo de Parceria Econômica (EPA) é o maior pacto econômico já negociado pela Comunidade Europeia. Criará um dos maiores blocos comerciais do mundo, abrangendo 600 milhões de pessoas e cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Tóquio para assinar o documento, durante a 25ª cúpula UE-Japão. Resultado de quatro anos de negociações, o EPA foi finalizado no fim de 2017, e a expectativa é que entre em vigor até o fim do mandato atual da Comissão Europeia, no segundo semestre de 2019. O volume total de comércio de bens e serviços entre o bloco europeu e o Japão é de 86 bilhões de euros (cerca de 100 bilhões de dólares).

Autoridades da UE e do Japão afirmam que o acordo demonstra o comprometimento dos dois blocos no tocante à redução de barreiras comerciais num momento em que Trump avança com sua política de America First. A União Europeia - o maior mercado comum do mundo, com 28 países e 500 milhões de pessoas - está tentando fechar mais alianças diante do protecionismo de Trump. Dentre outras possibilidades, com o trôpego e combalido Mercosul.

Donald Trump vem inquietando aliados dos EUA, incluindo UE e Japão, e provocando a ira de rivais com pesadas tarifas e ameaças de uma guerra comercial com a China. Basicamente ante a imposição, pelos Estados Unidos, e de forma unilateral, tarifas de 25% sobre importações chinesas, no valor de 34 bilhões de dólares. Ao que Pequim respondeu na mesma moeda, impondo sobre taxas equivalentes em relação a produtos norte-americanos no mesmo valor.

De produtos agrícolas a automóveis

De acordo com os termos do Acordo publicados nesta terça-feira, 17, por toda a imprensa internacional, o EPA deve eliminar 99% das tarifas sobre mercadorias japonesas importadas pela UE, e, inicialmente cerca de 94% para as importações europeias pelo Japão, até chegar a 99% nos próximos anos. O acordo deve impulsionar as exportações agrícolas da UE, pois a previsão é que as tarifas japonesas sobre queijos, vinhos e carne de porco sejam eliminadas. De acordo com a Comissão Europeia, as exportações de comida processada poderiam aumentar até 180%.

O EPA também abrirá o mercado japonês para mais serviços baseados na UE e dará a desenvolvedores europeus acesso a projetos públicos de infraestrutura no Japão, como estradas. O acordo também deve aumentar exportações do setor químico da UE para o Japão em 22%. As indústrias japonesas de computadores, eletrônicos e automóveis, por sua vez, devem se beneficiar do acordo. As tarifas europeias sobre carros japoneses, que atualmente são de 10%, devem ser gradualmente reduzidas, até a eliminação completa.

Mercosul

Não obstante as expectativas das negociações em curso, a possibilidade de um acordo da União Europeia com o Cone Sul é praticamente zero. O bloco europeu no momento devota prioridade máxima a pacto com o Japão. O México e o Mercosul vêm logo atrás, talvez em 2019 ou 2020. "O pacto UE-Mercosul ressuscitou depois do intercâmbio de ofertas no ano passado. A Europa quer um acordo ambicioso e equilibrado, segundo as fontes consultadas: isso incluiria solucionar alguns dos problemas que continuam sobre a mesa. Os principais, segundo o lado europeu, são as tentações protecionistas de alguns dos sócios do Mercosul, Brasil à frente.

Os europeus querem garantir que suas empresas possam concorrer em pé de igualdade nas licitações públicas, algo que dificilmente acontece atualmente. Outro ponto conflitivo é o reconhecimento de padrões de produção e de patentes. Pelo lado sul-americano, o principal entrave é o protecionismo agrícola. A Europa precisará suspender as barreiras a alguns dos produtos que representam a maior força das nações do Mercosul. Mas, mesmo por esse lado, busca concessões, pois pretende penetrar mais no mercado sul-americano com produtos como o azeite de oliva, vinhos e laticínios.

Brasil fora

Fragilizado politicamente, o Brasil de hoje não é parceiro prioritário no cenário econômico mundial. Distante da corrida tecnológica, o país não oferece mínimas garantias de estabilidade em relação a respeito de patentes e a cumprimento de contratos. Condições fundamentais que permitem, como na grande maioria dos países civilizados, avançar tratados de cooperação de ponta. Sem condições de negociar alianças internas que conduzam à estabilização política e econômica, o governo brasileiro, vítima de uma pletora de partidos, a maioria sem a menor representação popular, e ainda refém (e protagonista, desde 2003) do mar de lama que avançou sobre Brasília em volume jamais antes conhecido na história do país, também não tem autoridade reconhecida extra-fronteiras para negociar acordos de expressão, isoladamente ou via Mercosul.

Até quando durará essa agonia? Difícil de prever. Sobretudo ante a crescente deterioração do quadro político nacional. Não restrita a partidos de direita, antes, e apenas eles desacreditados, inconfiáveis. Os ventos de mudança que, embora timidamente, começam a soprar sobre o Brasil detonam também os partidos ditos de esquerda, na acepção tupiniquim, vale dizer, sem muita credibilidade internacional. A tal ponto chegaram as incertezas sobre o futuro do país, que as opções relativamente às eleições presidenciais de outubro resumem-se a Bolsonaro, Ciro Gomes, Alckmin ou Marina da Silva.

As "esquerdas" só pensam naquilo. Na verdade, em libertar o ex-presidente Lula encarcerado em Curitiba, não importando se, na empreitada, a Constituição e as leis venham a ser  avacalhadas,  denegridas.

Quanto ao futuro do país, bem, isso pode ficar para depois.

Fontes dos dados: Deutsche Welle, da Alemanha, El País, da Espanha e Público, de Portugal.


Brasil, além da Copa perde rumo do futuro - Em 07/07/2018

Espraia-se no Brasil a noção - e o temor - de que o quadro político nacional é catastrófico. E sem porta de saída. Aqui e ali lê-se estudos e artigos dando conta da forma repugnante como a ação política vem sendo exercida. Qual a marca mais expressiva desse quadro? A corrupção e a falta de decoro parlamentar. Deformações psicológica, moral e de caráter que tomam conta de quase todas as instâncias do governo e de certos setores dos Poderes Legislativo e Judiciário. O mais grave: situação aceita e aparentemente aplaudida por milhares de eleitores, uma vez que elegem e reelegem candidatos ineptos, incompetentes e fichas sujas, eleições após eleições.

A falta de renovação dos quadros políticos vem afetando gravemente a vida nacional, o desempenho da economia, da gestão pública, os avanços sobre a modernização tecnológica. É abissal o afastamento do Brasil das economias líderes do crescimento mundial. Inversamente, significativa vem se tornando a proximidade política, e daqui a pouco, certamente, econômica, de sub democracias campeãs do desemprego e da miséria. Condição que se reflete no baixo nível educacional, da saúde, da segurança, do saneamento básico, na precariedade da infraestrutura de transporte, portos e armazenamento. É grave, por outro lado, a deterioração do sistema previdenciário, da gestão das contas públicas nos três níveis de governo e da representatividade política.

Por falta de lideranças autênticas e de estadistas, sobretudo, a sociedade brasileira, em grande medida, penso eu, inconscientemente vem rejeitando o capitalismo de mercado, optando pelo compadrio, o apadrinhamento. Em certo sentido e em determinadas camadas sociais, políticas e culturais evidencia-se preferência pelo capitalismo cartorial, mantido à base de benefícios e subsídios públicos. Há claros sinais, principalmente junto aos jovens, a faixa etária mais promissora da População Economicamente Ativa (PEA), de desencanto com o futuro do país. Comportamento que se reflete nas elevadas taxas de abandono que vêm se observando em praticamente todos os níveis do ensino.

Em editorial publicado em fevereiro deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo constata que "evasão escolar, que é um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro, não se concentra apenas no ensino médio, cujo currículo está desconectado das necessidades do mercado de trabalho, nem no ensino fundamental. Ela também afeta de modo preocupante o ensino superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar".

Segundo o estudo do Inep, entre 2014 e 2015, 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio abandonaram as salas de aula, o mesmo acontecendo com 12,1% dos matriculados na segunda série e 6,7% dos matriculados na terceira série. No ensino fundamental, a taxa de evasão na nona série - a última nesse ciclo educacional - foi de 7,7%, no mesmo período. Já no ensino superior, a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%. Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de desistência foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. Os números também mostram que, nas instituições privadas, 30% dos alunos desistem do curso já no segundo ano, enquanto nas instituições públicas a taxa é de 19%. Nos anos seguintes as taxas de desistência vão diminuindo.

No caso específico das universidades federais, aponta o Inep, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 - uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular. Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Os números inéditos apresentados pelo Inep, com base em metodologia de acompanhamento dos estudantes que vem sendo adotada pelo Censo Escolar desde 2007, segundo o Estadão, "ajudam a compreender os gargalos do ensino superior brasileiro. Também permitem a especialistas em educação definir melhor o foco de seus estudos. É esse o caso, por exemplo, do ex-reitor da USP Roberto Lobo, cujas pesquisas revelam que os cursos com maior evasão foram os de matemática, computação e jornalismo, nas universidades privadas, e de matemática e computação, nas universidades públicas".

Como se pode observar de forma conclusiva, o grave déficit nos investimentos em políticas públicas privilegiando o aprimoramento do ensino compromete cabal e irreversivelmente o futuro do Brasil, econômica, social, educacional e culturalmente. O Atlas da Violência demonstra claramente o reflexo da gravidade do quadro conjuntural brasileiro. Segundo o documento, de responsabilidade do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.

Perda da Copa da Rússia

Por fim, mas não por último, a derrota do Brasil na Copa da Rússia, ao que presumo, é apenas um reflexo das adversidades políticas e do estado de desgoverno que vem afetando severamente a vida da nação. Do meu ponto de vista, o Brasil, num jogo sem violência, perdeu com dignidade para uma grande seleção, tão competente quanto a brasileira, com uma diferença fundamental: a Bélgica não conta com 2% dos problemas políticos, econômicos, educacionais, sociais e infraestruturais de nosso vilipendiado, humilhado e injuriado país. Situação aceita e tolerada pela própria sociedade, vítima da ganância e mediocridade da classe política e de nossa combalida e desmoralizada estrutura governamental.

STF - esfaqueado em plena Copa -Em 29/06/2018

A Copa do Mundo 2018 tem se demonstrado uma das mais difíceis da história. Bem equilibrada, placares apertados. Imprevisíveis mesmo. Países de menor importância no cenário mundial do futebol, como Islândia, Japão, México e Coreia do Sul têm feito frente a gigantes como Argentina, Alemanha, Espanha e Brasil. Com certeza a vitória do México sobre a atual campeã do mundo não foi prevista em muitas apostas. Brasil empatando com a Suíça? Itália, Estados Unidos e Holanda fora da Copa?

Ocorre que o futebol definitivamente se globalizou, se modernizou, adotou sistemas gerenciais e técnicos desenvolvidos pelas grandes potências. Mesmo equipes conceitualmente de menor porte contam com jogadores de alta linhagem em clubes competitivos da Europa (além dos técnicos). A Premier League (campeonato inglês), a La Liga espanhola, a UEFA Champions League estão entre as mais competitivas do mundo. O bom é que se pode acompanhar os jogos através da TV ou da internet. Esquemas táticos não são segredo para ninguém mais. Todo mundo sabe o que todo mundo está fazendo, e isso favorece a estratégia das equipes menores.

Jogadores atingem valores astronômicos no mercado da bola. Vendidos por 80, 120, 200, 250 milhões de euros. Mesmo assim, equipes de menor porte têm consciência de seu tamanho, mas não se amedrontam na frente dos gigantes. Dão seu jeito nos enfrentamentos. Jogam na retranca dando todo o gás para parar os ataques potentes e aproveitam aquele contra-ataque, aquela única bola que, quando bem utilizada, coloca a seleção pequena na frente e joga toda a pressão para quem "deveria ganhar a partida".

Disputam cada jogada da forma que podem, respeitando o adversário, é certo, mas com tal garra que conseguem produzir grandes resultados. Imagine-se o Irã tirando Portugal da Copa caso aquele chute do iraniano no final da partida tivesse entrado no gol? Espanha empatando com Marrocos; Alemanha perdendo para Coreia do Sul; Argentina empatando com Islândia e sendo derrotada pela Croácia. A guerra de foice que foi a partida do Brasil para derrotar Costa Rica.

Enquanto isso, no coração do Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) aproveita a euforia gerada pela Copa do Mundo, torneio que mobiliza e prende o torcedor brasileiro de tal sorte que o faz esquecer o desemprego, déficit público, inflação, baixo crescimento econômico, o estado de corrupção endêmica que se apossou de Brasília, para tramar contra a segurança jurídica do país. Ao determinar, não na calada da noite, mas abertamente a libertação de presos condenados e "recondenados" em Segunda Instância, confirmada pelo próprio Supremo, a Segunda Turma assim desmoraliza sem rodeios ou meias palavras o próprio STF.

A libertação de José Dirceu e outros próceres políticos do Partido dos Trabalhadores e aliados confirma a evidência. Com efeito, quem garante que a Suprema Corte não está preparando terreno para o próximo e ousado passo: a libertação de Lula, do governador Sérgio Cabral, do ex-presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, diretores da Petrobras e senadores, dentre "tantas vítimas" alcançadas pela operação Lava Jato?

Movimentos e decisões suspeitas de alguns de seus integrantes, como dos ministros Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello, Dias Toffoli, ex-advogado do PT, não deixam dúvida. São sempre os mesmos encarregados de soltar corruptos em tramas muito bem armadas, orquestradas e executadas. Cabalam deliberada e abertamente contra a ordem jurídica nacional com um propósito claro: anular a pena de prisão em regime fechado imposta ao ex-presidente Lula. Para quem observa atentamente as manobras em curso, uma possibilidade concreta. Os sinais são por demais evidentes.

Basta que se atente aos detalhes da concessão do habeas-corpus ex-officio pelo ministro Toffoli em favor de Dirceu.

A decisão em lide extrapola o mínimo de decência e discrição exigidos pelo cargo ocupado por um ministro do STF ao ignorar, estapafurdiamente, o pedido de vistas do ministro Fachin. Ao passar por cima de um pedido legítimo de um colega de toga, Toffoli fez predominar autoritariamente o entendimento segundo o qual, acatando ex-officio o pedido de habeas-corpus dos advogados do ex-ministro de Lula e ex-presidente do PT possibilitou-lhe responder em liberdade aos processos nos quais se encontra incursos na Lava Jato. Simultaneamente, abrem-se-lhe as porteiras para que José Dirceu permaneça em liberdade até o julgamento de seus últimos e infinitos recursos.

A pizza está no forno. Por conseguinte, pleno e irrecorrível processo de desmoralização do STF bate à porta da nação e esbofeteia o indefeso e pacífico cidadão brasileiro. Como diz o vulgo: no Brasil tudo é possível. Até boi voar. O que me levou a mais uma vez recorrer a Il Gattopardo, de Tomasi di Lampedusa, na busca de instrumentos para melhor entender a balbúrdia que ora toma conta das leis brasileiras. Numa de suas mais brilhantes passagens, destaco o célebre diálogo de D. Fabrizio com o amado sobrinho Tancredi. Em dado momento, o Príncipe fala a Tancredi: "Se não estivermos lá também nós, eles acabam fazendo a república. Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude. Consegui me explicar?"

Incoerência política - Em 11/06/2018

Algo está fora de sintonia em relação às convicções do eleitor brasileiro. O cenário político é incerto. Mais ainda, confuso. Muitos e diversificados são os fatores que contribuem para o processo de ambiguidade e incertezas que toma conta do país. Marcado por quadro de corrupção e desgoverno que se irradia junto à maioria das instituições e quadros políticos, vem deixando a população em estado de prostração e insegurança quanto ao presente e ao futuro.

Do lado do Executivo, as decepções são monumentais. E se agravam face às quase diárias denúncias de roubos, descaminhos e golpes desferidos contra o erário e a máquina pública de modo geral. De tal sorte grave se encontra a conjuntura nacional, que hoje não se confia na maioria dos políticos e autoridades governamentais ou do Poder Judiciário. Não que esse estado de indigência tenha se iniciado hoje. Vem de há pelo menos 10, 15 anos em que governos populistas solaparam as esperanças do brasileiro confiante em propostas de mudanças que tornariam o Brasil progressista, independente, economicamente forte e socialmente justo.

Não é à toa que mais de 90% dos vídeos de 15 segundos (postados pela Rede Globo em seus telejornais) enviados por telespectadores manifestando-se sobre "Que Brasil você quer para o futuro" apontam, como prioritários, a adoção de políticas públicas direcionadas ao fim da corrupção, dos assaltos aos cofres públicos, ao toma lá dá cá imperante no Congresso, ao grave déficit de lideranças políticas confiáveis, à necessidade premente de investimentos em saúde, educação, saneamento, obras públicas de qualidade, no fim da violência, e o respeito ao direito do cidadão

O recado é claro e insofismável. Mas encerra intrigante contradição. Se o brasileiro quer de fato o fim da corrupção e mudanças no perfil político do Congresso e do governo, como explicar o resultado de mais uma pesquisa Datafolha com vistas às eleições 2018, recém publicadas mantendo Lula com 30% das intenções de votos, contra 17% para Bolsonaro, 10% para Marina, 10%, aponta pesquisa Datafolha para 2018. A Pesquisa também trabalhou cenário com Haddad no lugar de Lula. Neste caso, Bolsonaro lidera com 19%, Marina tem 15%, Ciro Gomes, 10% e Geraldo Alckmin, 9%.

Ou seja, mesmo após condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), como justificar que o ex-presidente Lula mantenha os mesmos índices de intenção de voto na corrida presidencial apresentados em dezembro de 2017, segundo pesquisa do mesmo Instituto Datafolha?

Afinal, o Brasil quer ou não mudar? Na hipótese mais plausível de propugnar por mudanças efetivas e urgentes, em quem confiar? Em quem votar? Que nomes se apresentam como líderes capazes de mobilizar forças de mudanças pelas quais a sociedade tanto anseia? Confiar em candidato condenado pela Justiça e preso? Não faz sentido, ao que suponho.

Certamente, a pesquisa em si não reflete exatamente o pensamento do eleitor consciente, sensível aos problemas mais agudos do país. A menos que prevaleça a tese de que o brasileiro não sabe o que quer, que suas convicções políticas flutuam impulsionadas pelo usufruto de bolsas sociais, efetivamente simples panaceias populistas travestidas de medidas de combate à pobreza. Na verdade, artifícios que se destinam, ao contrário, apenas a manter os menos favorecidos presos a muletas sociais e delas ainda mais dependentes. Pior: sem porta de saída, sem a qual em hipótese alguma sairão da cruel estatística que os mantêm ligados à linha de pobreza...

Estaria o eleitor efetivamente plugado aos casos de corrupção mais chocantes, como o mensalão e o petrolão, alvos das operações Lava Jato e Zelotes. A apuração de desvios e eventos imorais, estaria de fato sendo acompanhada atentamente pelo olhar mais apurado do eleitor? Questionamentos que deverão se agravar face à explícita carência de opções de nomes novos e confiáveis. Lideranças que possam promover mudanças efetivas e revolucionárias capazes de tirar o Brasil do atoleiro político em que está metido desde a redemocratização de 1985.

Face aos resultados do último Datafolha, tudo indica que o quadro não sofrerá mudanças de porte. A pesquisa, em tais circunstâncias, estaria desfocada dessa realidade? Que ilações dela se poderia extrair em relação a noções exatas sobre o bom e o mau político? O enganador ou o que nele se pode confiar? De como o eleitor estaria avaliando perfis de candidatos sem ideias precisas e convincentes na cabeça? O eleitor, contudo, ao que as pesquisas demonstram, mesmo protestando, manifestando apreensões, incompreensões e descontentamentos, continuarão a votar em muitos candidatos, nos mesmos nomes que o vem ludibriando desde sempre.

Lamentavelmente, em raros momentos de nossa história tivemos estadistas no comando da nação. Tem sido assim na República brasileira desde sua proclamação em 1989.


Brasil, sistema de transporte fora da curva - Em 26/05/2018

A sociedade vem pagando alto preço pelo Brasil haver se deixado entrelaçar na armadilha de um sistema de transporte predominantemente rodoviário implantado no país ao final dos anos 1920.

"Governar é abrir estradas", proclamou o presidente Washington Luís, em 25 de agosto de 1928, com a inauguração da Rio-Petrópolis, a primeira rodovia asfaltada do país.

Até então, a ligação entre a capital federal e a cidade imperial era feita por caminhos de terra, que, não raras vezes, ficavam intransitáveis após temporais.

Desde então os governos brasileiros renderam-se a esse modal, bem mais caro, em detrimento dos mais competitivos sistemas ferroviário e fluvial, adotados nos países desenvolvidos.

Na Alemanha 25% do transporte de cargas é fluvial.

No Japão 300 Shinkansen (trens balas), de passageiros, circulam diariamente por suas ferrovias a velocidades que muitas vezes superam 350 km por hora.

O Japão tem 128 portos, base para 99% do comércio exterior do Japão e de 42% da sua distribuição doméstica. Por meio das baías de Tóquio, Osaka e Ise,

A Baía de Tóquio (seis ancoradouros, incluindo o de Yokohama e o de Tokyo), a Baía de Osaka (cinco ancoradouros, incluindo Kobe e Osaka) e a Baía de Ise (cinco ancoradouros, incluindo Nagoya) são conhecidas como as Três Grandes Baías. Por elas transitam aproximadamente 35% de todo o transporte de cargas do Japão.

Na Austrália, EUA, Canadá e China os números relacionados a transporte de carga em rodovias caem muito, em benefício do modal ferroviário, o principal meio de transporte nesses países, sobretudo quando se trata de grandes distâncias.

Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, 42,8% das cargas são transportadas por ferrovias e 26,6% por via rodoviária, contra 12,6% e 62,8% no Brasil, respectivamente.

Não por acaso, segundo estudo publicado no Site ILOS - Especialistas em Logística e Supply Chains, o Brasil ocupa a posição 103 no quesito qualidade da infraestrutura rodoviária, de acordo com o ranking organizado pelo Fórum Econômico Mundial, que reúne 137 países analisados.

Na pesquisa, o Brasil recebeu nota 3,1, em uma escala que varia entre 1 (estrutura extremamente subdesenvolvida) e 7 (estrutura extensa e eficiente), enquanto o Chile lidera na América do Sul, com nota 5,2 (24ª posição no ranking geral).

A matriz inadequada e a má qualidade das rodovias brasileiras também explicam, em parte, a má colocação do Brasil no ranking de Comércio Internacional organizado pelo Banco Mundial.

O caos ora imperante no transporte brasileiro não é casual. É consequência. Tem origem, meio e fim bem conhecidos. O país apenas não tem governo suficientemente competente para ver a realidade, enxergar um palmo diante do nariz, como diziam os antigos.


Brasil, suicidamente dividido - Em 18/05/2018

O Brasil encontra-se dividido "entre as pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros, corruptos)". A frase, citada pelo jornalista Luiz Ruffato, em artigo publicado no jornal espanhol El Pais, no fundo no fundo revela perigoso grau de intolerância que vem permeando a sociedade brasileira, processo recrudescido com a ascensão ao poder das "esquerdas", tendo à frente PT, PCdoB e aliados.

Utilizando métodos e instrumentos do chamado socialismo bolivariano instalado por Hugo Chávez, na Venezuela e por Evo Morales, na Bolívia, os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff e seus seguidores deixaram claro que eles eram "os bons", e toda a população oposicionista "os maus" (coxinhas, direita burguesa, capitalistas selvagens, etc.). A situação chegou a tal ponto que qualquer pensamento diferente é imediatamente interpretado como de inimigo. Diferente de tempos passados, quando o brasileiro era predominantemente tolerante, bem humorado, aberto, boa praça, como se dizia.

No artigo do El País mencionado, Ruffato afirma que "a partir desse dualismo primário temos redefinido nossas amizades, amores e visão de mundo". Aceitar tal maniqueísmo, no entanto, é seguramente trilhar caminho pantanoso da mediocridade, do baixo nível, da visão curta, da falta de argumentações que possam, de forma inteligente, confrontar as divergências. Sobretudo em relação a questões políticas, "liberdade sexual" e sobre "diversidade de composição étnica". O racismo no Brasil sobre esses traços culturais usualmente descamba para terreno pantanoso, muito perigoso.

Ruffato argumenta em seu texto que estereotipada argumentação prevalente no Brasil dificilmente resistiria a contra argumentações sobre racismo, quando nos deparamos com crescentes estágios de discriminação contra descendentes de africanos e índios; de machismo, quando cerca de cinco mil mulheres são mortas por ano, o quinto maior índice de feminicídio do mundo; homofóbicas (líder mundial de assassinatos de homossexuais), xenófoba (no caso, nossa intransigência é seletiva, apenas contra imigrantes pobres).

De alta relevância igualmente, aponta o jornalista de El País, descobriu-se há não muito tempo elevado grau de fascismo. Particularmente, por constituir tal conceito "uma atitude autoritária tentar impor nossas opiniões ao outro, e, quando frustrados, procurarmos desclassificar agressivamente nosso interlocutor". Na verdade, o totalitarismo não tem lado - ceifa à esquerda e à direita com a mesma intensidade, conclui o jornalista.

Sociólogos atribuem a esse processo divisiionista estado de clivagem social, termo empregado frequentemente nas Ciências Sociais para se referir ao processo de fragmentação ou divisão das classes sociais existentes, as quais podem ser classificadas em grupos ou subgrupos, e as motivações para tal ação podem ser das mais diversas. No plano político-econômico, esse processo se faz notório no confronto de classes geralmente levantadas por questões religiosas, ideológicas, étnicas, econômicas e culturais.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só um pacto político de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa poderá aliviar as tensões e com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o alto índice de desemprego, a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

O Pacto de Moncloa (originário do Palacio de la Moncloa, sede do governo espanhol, em Madri, onde foi assinado), refere-se a um marco da redemocratização da Espanha, que pôs fim a um dos mais difíceis momentos da história política nacional que se seguiu à morte do fascista Francisco Franco, morto em 1975. Integrante do golpe de Estado de julho de 1936 contra o governo da Segunda República, o qual deu início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939. Franco, com apoio do nazismo alemão de Hitler e do fascismo italiano de Mussolini, governou ditatorialmente a Espanha entre 1938 e 1973.

A Espanha de então se encontrava tão dividida quanto o Brasil contemporâneo. O célebre acordo foi assinado em 25 de outubro de 1977 por partidos políticos, sindicatos e empresários. A articulação política envolveu o próprio Rei Juan Carlos, fiador da volta da democracia, o primeiro-ministro Adolfo Suárez e Santiago Carrillo, secretário do Partido Comunista Espanhol, na época, legalizado.

O pacto de governabilidade tinha três grandes objetivos: político, o mais importante, econômico e social. Participaram das negociações o governo, todos os partidos políticos criados ou autorizados pelo plebiscito e pela nova constituição, os sindicatos influenciados por comunistas (organizações obreras) e socialistas (a União Geral dos Trabalhadores, a UGT) e a poderosa associação de empresários do país: Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, a CEOE.

Creio que o Brasil, com visão patriótica, boa vontade, discernimento e honestidade política também poderá chegar a tal nível de entendimento. E deixar o divisionismo, o ódio, a intolerância para trás, dando início a novos tempos de paz, justiça social, equilíbrio fiscal, progresso e crescimento econômico.


Pequenos partidos, grandes negócios - Em 04/05/2018


Dos 35 partidos existentes no Brasil, 26 hoje possuem representação na Câmara Federa. Consta, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) haver outras 56 legendas partidárias em fila para registro. Um absurdo que só tem uma explicação: exatamente o interesse de negócios que as siglas proporcionam.

A grande maioria dessas legendas, na verdade, só existem em função das chances de comercialização, como uma mercadoria qualquer, de seus tempos de TV para os grandes partidos. Além de poderem participar do bolo do Fundo Partidário, de cujas cotas seus dirigentes particularmente usufruem livremente, numa tremenda confusão do público com o privado.

O sistema político brasileiro permite que os partidos de maior expressão possam agregar "nanicos" às suas coligações para ganhar segundos a mais de propaganda. Lamentavelmente, porém, a quantidade de partidos desmerece o sistema político, alvo de críticas da sociedade, cientistas políticos e até de caciques das grandes agremiações. Criticam, mas toleram. Nunca se sabe; quem sabe a inconveniência de hoje possa se tornar fator de lucro amanhã?

A questão está na ordem do dia. Há inúmeros projetos de lei em tramitação no Congresso tentando pôr um ponto final nessa esbórnia. Perniciosa realidade que compromete a lisura e a respeitabilidade do Parlamento nacional. A farra precisa acabar, é certo, mas depende das lideranças partidárias majoritárias. O que leva a tornar prioritários a aprovação da cláusula de barreira e o fim das coligações nas eleições proporcionais.

São tantos os partidos que dificilmente um cidadão razoavelmente bem informado consiga se lembrar de todos eles. E, no meio de um emaranhado de letras e siglas, por vezes é ainda mais difícil diferenciá-los do ponto de vista ideológico, valor quase sempre muito distante dos objetivos e convicções de suas lideranças e militância.

A pluralidade de legendas, por um lado, pode indicar um avanço para a democracia, defende . o professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), João Feres Júnior. "Eu me oponho à visão de que o grande número de partidos é necessariamente um mal ou um problema. Essa pulverização reflete a diversidade do Brasil, tanto ideológica como regional", afirma.

Feres Júnior salienta haver pouco mais de uma dezena de siglas com influência no Congresso, o que já pode ser considerado um número expressivo, comparado a outros lugares do mundo. As outras são agremiações com baixo impacto eleitoral, que não têm relevância direta para o funcionamento das instituições democráticas. Feres cita o exemplo do PEN, PHS, PSL e PRTB, que perderam seus parlamentares para outras legendas, ficando sem representantes na Câmara dos Deputados.

Em artigo assinado pela especialista Maíra Streit, publicado na Revista Fórum Semanal, ela questiona: quais de fato os motivos para pequenos partidos se manterem há tanto tempo nas disputas eleitorais, mesmo sem chances de vitória? Da defesa de uma ideologia ao oportunismo, as explicações são as mais variadas. Com candidatos próprios ou apoiando outros, são diversas as razões para disputarem eleições a cada dois anos. Algumas legítimas, outras nem tanto. Não dá para negar que o compromisso em defender uma linha de pensamento é um fator preponderante para parte deles.

Segundo o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Campinas (Unicamp), Wagner de Melo Romão, um dos critérios utilizados como parâmetro para a definição dos pequenos partidos é ter um índice abaixo de 5% de representação no Congresso Nacional. Para o especialista, não se pode diminuir a importância dessas siglas no cenário mais amplo da política brasileira. "[Eles] são relevantes no contexto das disputas entre situação e oposição no governo federal, e se tornam também relevantes nos momentos eleitorais, seja por mobilizarem setores sociais específicos, como religiosos e sindicais, seja por controlarem os governos estaduais", explica.

Na verdade, na maioria das situações prevalecem motivações oportunistas, combustível para artimanhas dos bastidores políticos. Diversos estudos apontam que muitas negociações têm como uma das moedas de troca o tempo na propaganda eleitoral gratuita, já que a adesão de um partido a mais, mesmo que pequeno, significa ampliar os programas no rádio e na televisão.

Outro fator preponderante: informações levantadas sobre o assunto mostram ainda que os recursos do Fundo Partidário acabam sendo chamarizes para a manutenção de siglas sem muita representatividade ou expressão no Legislativo. O dinheiro destinado ao Fundo é extraído dos cofres da União para ser dividido entre todos os partidos, com o objetivo de aumentar a competitividade entre eles.

Em artigo publicado em O Globo - Grandes negócios, pequenos partidos, de 2016 -, o jornalista Ilmar Franco, dá a pista certa: Os sete grandes partidos - aqueles que têm mais de 30 deputados - receberão juntos uma bolada de R$ 1,7 bilhão na eleições de 2018. Esses partidos ficam com a parte do leão do Fundo Partidário, distribuído a cada ano, e, em 2015, receberam R$ 482,3 milhões.

Já os 15 partidos com bancadas inferiores a 15 deputados federais receberão juntos R$ 629,4 milhões, salienta Franco. Efetivamente, o volume de recursos mobilizados entraria na caixa desses partidos a cada ano eleitoral - como neste ano ou no pleito de 2018. E, viria ampliar o que eles já recebem a cada ano do Fundo Partidário, cuja soma em 2015 foi de R$ 170,3 milhões.

De acordo com Ilmar Franco, "num ano eleitoral, esses 15 partidos receberiam um total de R$ 700,7 milhões - Fundo Eleitoral de R$ 629,4 milhões, além do Fundo Partidário de R$ 170,3 milhões (aos valores de 2015)".

Apenas os seis partidos micro-nanicos deverão receber, para as eleições gerais de 2018, a bagatela de R$ 111,9 milhões de Fundo Eleitoral e mais cerca de R$ 30,2 milhões de Fundo Partidário. Somando os dois Fundos, a expectativa é a de que entrem no caixa desses seis partidos, um volume de dinheiro público da ordem de R$ 142,1 milhões em anos eleitorais.

Cá entre nós, qual negócio no Brasil, hoje, oferece tamanha lucratividade, limpa, a custo zero?

Nenhum país refém de sistema político tão desmoralizado e corrupto como o brasileiro, pode dar certo. Nem hoje nem nunca!


Não roubarás - Em 20/04/2018

A prisão de Lula da Silva é uma sinalização clara e evidente de que o Brasil começa a pender para o lado da moralização pública. O ex-presidente passou a fazer companhia a cerca de 80 outros presidiários condenados pela Operação Lava Jato. Ex-ministros, líderes partidários, parlamentares e executivos das maiores empreiteiras e do maior conglomerado de carnes do país.

O difícil ato de condução de Lula à cadeia em Curitiba, todavia, não é um fato inédito. Ex-mandatários também foram ou estão presos no Brasil e em alguns países do mundo. Ao longo de nossa capenga República foram aprisionados. Oito anos após deixar o poder o marechal Hermes da Fonseca, durante os levantes de 1922. Washington Luís, além de deposto, foi preso pela Revolução de 30. Idem Juscelino Kubistchek, pelo regime militar em 1964.

A diferença é que tanto Hermes da Fonseca, Washington Luís e Juscelino foram presos por razões políticas, Lula da Silva foi preso por crimes de corrupção, além de estar incurso em sete outros processos na Lava Jato. Encontra-se, assim, em situação muito delicado que pode haver determinado o fim de sua vitoriosa carreira política. E também obrigar a reestruturação do Partido dos Trabalhadores e a repensar seus projetos bolivarianos para o Brasil.

Sem novidades, outros ex-presidentes já foram presos em outros países, seis deles na América Latina. A começar por Ollanta Humala e sua mulher Nadine Heredia (em 2017), Alejandro Toledo (foragido) e Alberto Fujimori (em 2009), todos do Peru; Francisco Flores, de El Salvador; Otto Molina, da Guatemala, Rafael Callejas , de Honduras; Ricardo Martinelli, do Panamá; Carlos Menem (Argentina, preso em 2001) e Park Geun-hye (Coreia do Sul, presa em 2017).

Todos julgados e condenados por crime de corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, ou facilitação a tráfico de drogas.

Na verdade, o ex-presidente Lula, conforme comprovado pela Justiça, chefia poderosa quadrilha de salteadores dos cofres públicos com motivações políticas ou de enriquecimento ilícito. Acredito mais na segunda hipótese.Veja-se o caso do ex-ministro Paulo Bernardo que responde a processo acusado de receber entre 150.000,00 e 200.000,00 reais por mês em propinas (chegou a ser preso, mas foi solto provisoriamente).

A Lava Jato descobriu que Bernardo e sua mulher, senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, recebeu R$ 7 milhões de um esquema de corrupção da Consist, uma empresa paulista escolhida para administrar a lista de funcionários públicos, pensionistas e aposentados endividados que recorriam a empréstimos consignados.

Está tudo nas denúncias do Ministério Público e na imprensa: Gleisi Hoffmann também foi acusada de receber R$ 23 milhões do esquema de corrupção baseado no Ministério do Planejamento (chefiado por seu marido, Paulo Bernardo), da Odebrecht, JBS e Petrobras. Deverá, por essa razão ser a primeira senadora a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em situação semelhante encontram-se outros parlamentares, como o ex-presidente do PSDB, Aécio Neves, flagrado pedindo R$ 2 milhões da JBS, segundo ele para pagar advogados. Considerado réu pelo STF por corrupção e obstrução da Justiça em breve estará sendo submetido a julgamento. Há, dentre muitos outros, crimes de colarinho branco que levaram quase 20 anos para serem executados, como o do ex-senador Luiz Estêvão.

A Lava Jato, em cinco anos, está contribuindo fortemente para mudar a cara do Brasil. Tarefa difícil, considerada a chuvarada de prisões e de operações deflagradas pela Polícia Federal praticamente todos os dias por todo o país, recorrentemente baseadas em crimes de corrupção abrangendo praticamente todas as áreas do serviço público.

A sociedade acredita, no entanto, que, predominante na nossa representação político-partidária contemporânea, o maniqueísmo, doutrina difundida no Império Romano fundamentava-se na "existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal)", poderá, em prazo não tão distante, vir a ser vencido pelo Bem.

Os Dez Mandamentos ou o Decálogo, o conjunto de leis que, segundo a Bíblia, teriam sido originalmente escritos por Deus em tábuas de pedra e entregues ao profeta Moisés (Êxodo 20:2-17 e Deuteronômio 5:6-21) são fortemente desrespeitados pela humanidade ao longo dos tempos. No Brasil não é diferente.

Embora grande parte da sociedade não se aperceba, no Brasil vem adquirindo requintes provocativos, arrogantes, talvez, sobretudo no que diz respeito ao Sétimo Mandamento: "não roubarás". As Tábuas da Lei são aberta e ostensivamente descumpridas nesse ítem,, particularmente pela classe política, setores governamentais e por específicos segmentos do Poder Judiciário.

Caso, efetivamente, o Bem venha a vencer o Mal, o que a sociedade espera ansiosamente, com segurança o Brasil será um novo país, mais justo, respeitado e progressista em futuro não tão distante.

Lula, vítima da própria arrogância - Em 07/04/2018

Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado - Transcrição do diálogo de Lula da Silva com a presidente Dilma Rousseff, em 15 de março de 2016.

Para entender um pouco melhor o que se passa na cabeça do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT-SP) ante o fato inexorável de sua prisão determinada em primeira e segunda instância, conformada e reconfirmada pelo TRF 4, de Porto Alegre, e sob alvará de recolhimento do réu expedido pelo juiz Sérgio Moro, na tarde de ontem, recordo a reação do petista na oportunidade em que foi conduzido coercitivamente pela Operação Aletheia para depor em uma sala no Aeroporto de Congonhas.

Já havia declarado, na sede do PT, em São Bernardo do Campo, SP, ousada e debochadamente que 'a jararaca está viva'. Se querem matá-la, que a firam na cabeça, complementou. Lula foi pego em um grampo, com autorização do juiz federal Sérgio Moro. Dilma Rousseff, não era alvo da investigação, mas caiu na interceptação ao ligar do Palácio do Planalto para seu antecessor propondo-lhe uma nomeação fictícia no governo a fim de assegurar sua imunidade.

Na conversa com Dilma, o ex-presidente atacou os investigadores, o juiz federal Sérgio Moro, os tribunais superiores e a imprensa. Ele comenta, indignado, o fato de ter sido ouvido por quase três horas pela Polícia Federal sobre as atividades do Instituto Lula e de sua empresa, a LILS Palestras e Eventos.

"Se os canalhas tivessem mandado um ofício teria ido prestar depoimento. Eu já fui três vezes a Brasília prestar depoimento. Eu acho que o Moro quis fazer um espetáculo antes daquele negócio que tá pra decidir que tá no Supremo pra decidir, mas ele precisava fazer o espetáculo de pirotecnia", afirmou.

Lula reclama que a Polícia Federal fez buscas na residência de seus filhos e de quadros antigos do PT - Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, e Clara Ant, sua assessora. Dilma pergunta a Lula se ele não achou 'estranho' a publicação da Revista IstoÉ, na quinta-feira, 3, um dia antes da Aletheia, antecipando a delação do senador Delcídio Amaral, ex-líder do Governo.

"O sr não achou estranho?", perguntou a presidente. "É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida. É o seguinte: eles estão convencidos de que com a imprensa chefiando o processo investigatório eles conseguem refundar a República".

"Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos o PT e o PC do B começaram a acordar, um presidente da Câmara fudido, um presidente do Senado fudido, não sei quantos parlamentares ameaçados e fica todo mundo no compasso achando que vai acontecer um milagre", desabafou Lula, segundo transcrição da conversa dele com a então presidente Dilma vazada à imprensa.

Ao invés de, civilizadamente aceitar com altivez e recato a prisão enquanto seus advogados tratam do assunto tecnicamente, ingressando com os recursos possíveis, Lula esbraveja, ao contrário: ameaça, denigre a lei e as instituições, agride a imprensa, policiais federais, juízes e procuradores.

Atitude de claro e evidente desrespeito à sociedade, a quem, como ex-mandatário da nação deve respeito, comportamento moral e ético. Valores, contudo, dos quais não é dotado. Seu nível, por muito baixo, típico de mesa de botequim, revela que sua reação se eiva frequentemente da violência e do deboche barato.

Lula, está tudo provado, e seus imediatos - Zé Dirceu e Pallocci, dentre outros - chefiou a maior quadrilha de facínoras que já ocupou Brasília. Cerca de 80 de seus membros, dentre próceres do PT e aliados, empresários e executivos das maiores empreiteiras, apanhados na operação Lava Jato encontram-se na cadeia.

Só na PETROBRAS deram golpe de mais de R$ 8 bilhões, sem contar com falcatruas na Caixa, BNDES e diversos órgãos públicos.

Os que o defendem, como advogados pagos a peso de ouro e alguns membros da Suprema Corte, não se atêm aos fatos que determinaram seu julgamento e condenação, mas a filigranas jurídicas que podem detectar brechas capazes possibilitar eventual, e improvável, anulação de sua condenação, agora corroborada pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF).

Seu circo para se entregar à Policia Federal, como determinava o mandado judicial, foi manifestação acintosa de desrespeito à Constituição Federal e à lei penal. Um vexame, exemplo vergonhoso que dá à população, especialmente aos milhões que nele votam.

Bem na linha do bolivarianismo chavista que está levando a Venezuela à bancarrota.


Depois de Marielle, qual a próxima vítima? Em 16/03/2018

O assassinato da vereadora do PSOL carioca, Marielle Franco, 38 anos, e do motorista Anderson Pedro Gomes, 39 anos, é um alerta contundente, claro e direto à sociedade brasileira sobre o poder tentacular do crime organizado no Rio de Janeiro e em todo o país.

De acordo com a imprensa do Rio, Marielle, mãe, negra, ativista feminista, LGBT e dos direitos humanos, ela foi a quinta vereadora mais votada no Rio em 2016 e repudiou a violência policial na comunidade de Acari dias antes de morrer

Da mesma forma, a juíza Patrícia Acioli, numa madrugada de agosto de 2011 foi assassinada na porta de sua casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Foi atingida por 21 tiros, segundo a polícia.

Segundo a imprensa carioca só em 2017, 88 casos de feminicídio foram registrados no estado do Rio de Janeiro - em 2016, foram notificadas 54 mulheres assassinadas nestas condições.

Chocante crescimento de 62% nesse período. Apenas de casos notificados à Polícia, ressalte-se. Acredita-se que os números reais são ainda muito mais alarmantes.

De acordo com relato do Observatório Judicial da Violência contra a Mulher, órgão ligado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que reúne informações sobre a violência de gênero, também mostra o aumento de prisões resultantes de violência doméstica contra a mulher.

Entre 2011 e 2016, as prisões subiram de 550 para 1504; enquanto isso, somente no primeiro semestre de 2017, foram 531 casos, o que representa um terço das prisões registradas nos últimos seis anos. Os crimes são cometidos generalizadamente, alcançando homens, mulheres, crianças, independentemente de gênero, raça ou condição social.

Todos igualmente vítimas da violência, que vem deixando a sociedade desprotegida e exposta à sanha de criminosos, traficantes de drogas e contrabandistas de armas em disputa de poder nos morros e favelas. No rastro das hordas assassinas, não distinguem ninguém. Para eles bandidos e cidadãos têm o mesmo peso e o mesmo valor.

Segundo O Globo, num ranking das Nações Unidas o Brasil é o quinto país do mundo onde mais mulheres são assassinadas.

As garras do crime organizado vêm igualmente ceifando vidas de muitos policiais, em serviço ou à paisana. De acordo com a PM, apenas nos primeiros 19 dias de 2018, sete policiais militares foram mortos no estado do Rio. Só em 2017, o Estado do Rio teve 134 PMs mortos.

A execução da vereadora Marielle Franco, portanto, não é caso isolado; mas a expressão do estado de guerra civil não declarada que assola o Rio de Janeiro. Situação responsável pela manutenção da pulação acuada, amedrontada, insegura e que responde por assassinatos de pessoas, de todos os sexos, praticamente todos os dias.

Desta forma, o crime organizado no Rio - e no país como um todo - dá claro recado ao Brasil, e ao governo, em particular, sobre com quem as forças militares interventoras estão lidando. A ordem é confrontar, matar ou morrer.

Mais mortes, muitas mais, ainda estão por vir. Hoje, no fim de semana, na próxima quinzena, no mês seguinte. Tão certas quanto dois mais dois são quatro.

Independentemente de palavras ou protestos, as imagens, contundentes, falam por si.


Intervenção militar em nome da garantia e da ordem - Em 10/03/2018

Discussões a respeito da intervenção de forças do Exército brasileiro, determinada pelo governo Federal, na segurança do Rio de Janeiro vêm assumindo proporções que, perigosamente, extrapolam a realidade e o bom-senso. Na base da decisão governamental, a hipótese de que, disciplinados e competentes, os militares estão melhor preparados a pôr ordem no caos da segurança pública carioca.

O termo bom-senso, tão carente no Brasil, diz respeito ao conceito usado na argumentação subjacente às noções de sabedoria e de razoabilidade, e que define a capacidade média que uma pessoa possui, ou deveria possuir, de adequar regras e costumes a determinadas realidades considerando as consequências, e, assim, poder fazer bons julgamentos e escolhas.

O Brasil século XXI não busca o retorno do militarismo, nem os militares, por força de reiteradas declarações públicas dos comandos das Forças Aramadas, consideram concretamente essa hipótese. Não se trata de retorno da ditadura, mas do restabelecimento da ordem, do combate sistemático ao desgoverno, à corrupção no âmbito dos os três poderes da República, ao clientelismo, ao nepotismo, em prol da moralização política do país.

Independentemente dessas premissas, não se pode, contudo, menosprezar a realidade histórica brasileira marcada pela presença militar no Executivo desde a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1989.

Com efeito, os primeiros governos republicanos foram exercidos por militares: Marechal Deodoro da Fonseca (15 de novembro de 1989 a 25 de fevereiro de 1891); Marechal Floriano Peixoto ("Marechal de Ferro"), de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894; Marechal Hermes Fonseca, de 15 de novembro de 1910 a 15 de novembro de 1914.

Posteriormente, governaram o Brasil o Almirante Isaías de Noronha, de 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930; General Augusto Fragoso, de 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930; General Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de Getúlio Vargas, de 31 de janeiro de 1946 a 31 de janeiro de 1951. Durante seu governo, foi promulgada a Constituição de 1946, que devolveu a democracia ao país, depois do Estado Novo e a dita "constituição polaca" de Getúlio Vargas. O período também marca o alinhamento do Brasil aos EUA na Guerra Fria, posteriormente ao fim da II Guerra Mundial (1939-1945).

Seguem-se os governos do regime militar (1964 a 1985) do Marechal Castello Branco (15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967), do Marechal Costa e Silva (15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969) e da Junta Militar, por força do Ato Institucional No.12 (de 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969), integrada pelo General Aurélio Lyra, Almirante Augusto Rademaker e Brigadeiro Márcio Mello.

Na sequência vêm os mandatos do General Emílio Garrastazu Médici, no período30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974; do General Ernesto Geisel, período 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979 e do General João Baptista Figueiredo, que governou de 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985, fim do regime militar e começo da redemocratização.

Ao que, sem muita dificuldade, se pode inferir, a presença militar na vida política nacional remonta à derrubada da Monarquia e instauração da República em 1889. Governos de generais, almirantes ou brigadeiros não são, com efeito, anômalos, mas parte integrante do misto de democracia/regime ditatorial que permeia o sistema de governo brasileiro há quase 130 anos.

O protagonismo exercido por militares no governo de Michel Temer tem gerado incômodo nos corredores do Palácio do Planalto, segundo o Estadão, desta quinta-feira, 8. "A reação, ainda velada, vem de auxiliares e aliados, que argumentam não ser bom para o presidente ter a sua imagem atrelada à dos militares. Contudo, o que tem mais pesado é o temor de perderem espaço político ao lado de Temer com a ascensão de generais a postos estratégicos", afirma o jornal. Se preocupa aliados do governo, mais ainda as oposições.

Não reconhecem que os problemas que, majoritariamente, afligem a nação, em praticamente todos os setores da vida pública foram sobretudo causados pela incompetência e a ganância de governantes e parlamentares mais preocupados com seus "negócios" políticos do que com a moralidade e o interesse da coletividade. Em essência, a gênese do exacerbado quadro de corrupção que domina a vida nacional, com monumentais prejuízos ao Estado e ao povo.

Em mais de um século os políticos brasileiros, excetuando-se breves momentos, como no governo de Juscelino Kubistchek, além de alguns na primeira República, não foram capazes de sustentar padrão de governança confiável merecedor do respeito da nação. Particularmente após a redemocratização de 1985. Efetivamente, há de se reconhecer, o Brasil, na volta ao poder civil piorou.

Desde Sarney e Collor, respeitados os governos de Itamar Franco e FHC, passando pelos governos petistas, especialmente, abriram rombos no sistema político e econômico, culminando com a maior recessão da história, de quase três anos, que está exigindo esforço hercúleo e tempo para serem sanados.

Por que então tanta resistência à presença militar no Rio? Não se devia estranhar, muito menos manifestar rejeição tão radical como a que se vem registrando por parte de certos setores da imprensa, da classe política, da OAB, movimentos sociais de direitos humanos e de outras entidades representativas de classes. Chegou ao ponto de se anunciar que o TCU estaria propenso a "vigiar" os gastos dos militares nos morros cariocas.

Idêntico rigor tais representações não reclamaram dos governantes responsáveis pelo caos implantado não só no Rio, mas na segurança, na educação, na saúde, no saneamento básico, no transporte em todo o Brasil.

Na verdade, convém salientar, os morros cariocas estão sob intervenção há décadas. Só que do comando do tráfico, que subjuga moradores e autoridades com força desproporcional e o emprego de violência inaudita.

Ao menos desde que o governo populista de Leonel Brizola, em seus dois mandatos (de março de1983 a março de 1987, e de março de 1991 a abril de 1994), impediu a polícia de subir os morros.

Ao que parece, esses determinados segmentos políticos e sociais torcem pela bandidagem. Diante da violência incontrolável espalhada por todo o país, calam-se, encolhem-se, omitem-se, silenciam.

Basta que se tente implantar medidas saneadoras e corretivas para surgirem salvadores da pátria; na verdade, oportunistas, demagogos e aproveitadores questionando e condenando o esforço público em busca de soluções.

Diante de intensa promiscuidade entre interesses públicos e privados que alcança a grande maioria dos poderes federais em praticamente todos os estados, escândalos de corrupção ativa e passiva, roubos de bens públicos, desvios de medicamentos, de materiais escolares, assaltos a cofres de estatais e autarquias, conluios com empresários no desvirtuamento de normas de sanidade de alimentos e de fundos de pensão, crimes de evasão de divisas, desfalques.

Enfim, toda essa gama de delitos virou rotina, ocupam imensos espaços da mídia por todo o país, diariamente, deixando tais "arautos do bem comum" imobilizados, passivos, tolerantes, acovardados, coniventes.

Garantia da Lei e da Ordem (GLO)

As ações designadas pelo governo Federal no Rio, enfim, encontram respaldo no princípio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), operações realizadas exclusivamente por ordem expressa da Presidência da República e ocorrem nos casos em que há esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em situações graves de perturbação da ordem.

A GLO, regulada pela Constituição Federal em seu artigo 142, pela Lei Complementar 97, de 1999, e pelo Decreto 3897, de 2001, concede aos militares a faculdade de atuar com poder de polícia até o restabelecimento da normalidade.

Segundo especialistas, a GLO é uma operação militar conduzida pelas Forças Armadas de forma episódica, em que os militares agem em uma área restrita e por tempo determinado.

De acordo com o Ministério da Defesa, apesar do emprego das Forças Armadas, a GLO é considerada um tipo de operações de "não guerra", pois não envolve o combate propriamente dito, mas permite o uso da força de forma limitada caso seja necessário.

De acordo com a Constituição, esse tipo de operação é permitido quando "agentes de perturbação da ordem" coloquem em risco a integridade da população e o funcionamento das instituições.

"A diversidade de missões a serem executadas e a variedade de situações que poderão ocorrer exigirão, em cada caso, um cuidadoso estudo das condicionantes para o emprego das FA", diz o manual de implantação da Garantia da Lei e da Ordem.

Desta forma, Marinha, Exército e Aeronáutica poderão ser empregados de forma conjunta ou singular nas operações, sob coordenação do Ministro da Defesa.

O emprego das Forças Armadas na GLO abrange situações previsíveis, que admitem um planejamento deliberado; e imprevisíveis, caracterizadas por crises repentinas, que exigem um planejamento emergencial.

Tudo ao amparo da Carta Magna brasileira de 1988, a cidadã.


Movimento "Não reeleja ninguém" cresce nas redes sociais - Em 2/02/2018

A sete meses das eleições de outubro o brasileiro não tem candidato a presidente, o amazonense não tem candidato a governador. A rejeição a nomes postos, como o de Lula, condenado em segunda instância pela Justiça, cresce significativamente. O projeto de líder e estadista esvai-se como espuma do mar na areia da praia.

Enquanto isso, nomes como de Jair Bolsanaro, João Doria e Geraldo Alckmin não preenchem expectativas do eleitor. Nesse vácuo o prefeito de Manaus, Arthur Neto, luta legitimamente - o que impede? - por um espaço no cenário nacional como postulante a candidatura à presidência da República, enfrentando forte rejeição dos caciques do próprio PSDB, seu partido.

Frustrado, decepcionado, envergonhado e revoltado com suas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e Congresso Nacional, cresce junto ao eleitorado a tendência "não reeleja ninguém". A ideia tem conquistado simpatias nas redes sociais e a tendência é de crescimento exponencial.

Não votar em nenhum deputado ou senador significa, em última instância, voto de desconfiança no próprio sistema político nacional, uma forma de deixar claro a rejeição a no mínimo 80% dos nomes que hoje integram os parlamentos, no plano municipal, estadual e federal.

Na Câmara de Vereadores de Manaus, com 46 membros, cada edil custa aos cofres do Município em torno de R$ 100 mil reais por mês, aproximadamente R$ 1,2 milhão anual, num total de mais de 55 milhões de reais por ano. Isto configura intolerável afronta à decência e desrespeito ao bem comum. Afinal, qual exatamente a função de um vereador numa cidade como Manaus que justifique tal dispêndio de recursos públicos?

Nenhuma câmara de vereador ou assembleia legislativa, certamente, se ressentiria com a redução de 80% de seu tamanho atual, funcionando com cerca de 12 membros, cinco dias por semana, salários mensais, incluindo toda e qualquer vantagem, de não mais que R$ 10 mil reais. O salário de um professor universitário, com carga de 40 horas semanais.

Há de se questionar, a propósito, um vereador, que custa mais de 100 mil reais por mês ao Município, vale mais do que um professor? Este novo patamar de subsídios e a eliminação de campos de negociatas políticas afastaria de pronto uma carrada de picaretas que, consequentemente, não sentiria mais atratividade no exercício de mandato parlamentar, deixando-os à responsabilidade de cidadãos respeitáveis.

Em Londres o prefeito vai trabalhar de ônibus ou metrô, nos países nórdicos, na maioria dos europeus, no Japão, as mordomias e negociatas brasileiras somente são conhecidas via imprensa com a proliferação de escândalos. Por que não aqui?

No Brasil não há grandes distinções na forma como funcionam as Câmaras de Vereadores. As funções básicas do parlamento municipal são legislar e fiscalizar nos 5.570 do país e o orçamento de cada Casa é proporcional ao número de habitantes e às receitas municipais. Com apoio de análise efetuada em 2016 pelo jornal Gazeta do Povo de Curitiba, em resumo base da ação parlamentar em Nova York, Portugal e França.

Nova York, Estados Unidos

Em terras norte-americanas a remuneração dos representantes do povo também é um tema polêmico. Os legisladores nova-iorquinos, em número de 55, recebem o equivalente a cerca de R$ 40 mil por mês. Houve recentemente um aumento de quase um terço no subsídio dos parlamentares, mas em contrapartida foram cancelados bônus por participação em comissões e proibidos pagamentos de outras fontes durante o exercício do mandato.

Portugal

Em Portugal, o nome Câmara Municipal é dado ao órgão executivo do município. A instituição responsável pela tarefa de fiscalizar o governo municipal e deliberar sobre temas da cidade é a Assembleia Municipal.

Assim como nas câmaras brasileiras, as principais competências da Assembleia Municipal de Lisboa é avaliar e aprovar as leis orçamentárias municipais, elaborar os planos de ordenamento do território e fiscalizar o executivo municipal. O trabalho dos 74 representantes do povo também é segmentado em oito comissões temáticas permanentes.

A grande diferença entre os dois países é que, segundo informações da Assembleia Municipal de Lisboa, o cargo de deputado municipal não é remunerado. Os representantes têm direito apenas a receber o equivalente a cerca de R$ 306 por cada sessão plenária ou reunião de comissões temáticas que comparecerem.

O orçamento do legislativo municipal de Lisboa é de cerca de R$ 1,8 milhão por ano, mais de 70 vezes menor que o da Câmara Municipal de Curitiba, cuja previsão orçamentária supera R$ 140 milhões/ano, ou 25 vezes o de Manaus. Para o assessoramento em seu trabalho parlamentar, os deputados municipais não contam com assessores individuais. Todo o trabalho é feito por servidores vinculados à Assembleia Municipal, não aos deputados municipais.

Um dos poucos benefícios aos quais os deputados municipais de Lisboa têm direito é estacionar gratuitamente no "parque de estacionamento subterrâneo" mais próximo da sede da Assembleia. Esse direito está previsto no Regimento Interno da instituição.

França

Na capital francesa, o sistema político vigente é de uma espécie de parlamentarismo municipal. Ou seja, cabe aos representantes do povo eleitos diretamente a escolha de um de seus pares para presidir a Assembleia Municipal e, consequentemente, assumir o cargo de prefeito da cidade.

As atribuições dos 163 representantes eleitos são similares às funções dos parlamentares municipais brasileiros e envolvem atividades de deliberação sobre políticas públicas e acompanhamento dos trabalhos do poder Executivo.

Uma diferença do conselho de Paris é que os conselheiros são, ao mesmo tempo, conselheiros municipais e departamentais, uma divisão administrativa mais abrangente que a cidade.
Com um mandato de seis anos, os conselheiros recebem mensalmente um subsídio equivalente a R$ 17,5 mil. Já o conselheiro escolhido para presidir a cidade recebe R$ 31,5 mil mensais.

Outra diferença da estrutura francesa em relação à brasileira é que a cada nova legislatura o Regimento Interno do Conselho de Paris - e de todos os municípios franceses com mais de 3.500 habitantes - é revisto no primeiro semestre do mandato. A norma é refeita por 12 conselheiros que integram uma comissão cujo único objetivo é atualizar a organização e funcionamento do conselho de acordo com as mudanças legislativas.

Como mudar o quadro no Brasil?

Em primeiro lugar por meio de urgente reforma política que redefina o sistema eleitoral e de representatividade legislativa. Que a função do parlamentar seja clara e objetivamente definida e que os eleitos tenham plena consciência política e competência técnica para o exercício do mandato parlamentar. Não se pode mais admitir um vereador, um deputado estadual, um deputado federal ou um senador que não entenda de ciência política; de leis, que as elaboram e aprovam, de estruturas sociais, urbanas ou comunitárias, de expectativas de desenvolvimento econômico ou do papel do país no concerto das nações.

Urge que se valoriza e moralize a ação parlamentar no Brasil. Ao eleitor cabe lutar por essas conquistas, não aceitar mansa e de forma submissa vender ou trocar seu voto por par de sandálias ou de dentadura. Não se pode mais admitir a consolidação do banco de negociatas em que se transformou o Congresso Nacional, partes de assembleias legislativas e câmaras de vereadores.

O parlamentar brasileiro, em sua grande maioria, hoje não vota reformas ou quaisquer conquistas sem que, vergonhosa e explicitamente negocie seu voto. Sabe-se que sem a Reforma da Previdência o país quebra de vez em vinte anos, mas o Congresso não a aprova sem liberação de emendas parlamentares ou cargos públicos. Maldito governo de coalizão!

Uma nação não se edifica um país com submissão de seu povo. Ao contrário, o povo constrói uma nação. Países hoje desenvolvidos têm históricos de lutas, de enfrentamentos com o velho em favor do novo, por mudanças e conquistas de status político, econômico e social mais avançados em benefício da população, da ordem e do progresso. As eleições de outubro oferecem, de pronto, essa oportunidade. Mudanças começam já, não amanhã.

Como diz a canção do Vandré, "vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Inflação brasileira em 2017 - uma análise conjuntural  (Em 19/01/2018)

O IPCA (Índice de Preço ao Consumidor), criado para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final, representa o índice oficial da inflação no Brasil. É calculado mensalmente pelo IBGE desde 1980.

O IPCA fechou 2017 com alta acumulada de 2,95%, resultado 3,34 pontos percentuais inferior aos 6,29% de 2016. É a menor taxa de inflação apurada desde 1998 quando alcançou 1,65%. Os dados foram divulgados na semana passada pelo IBGE. Indicam, essencialmente, que a inflação contabilizada em 2017, de 2,95%, posicionou-se um pouco abaixo do piso inferior da meta fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para o ano passado, que era de 4,5% (com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos - ou seja: entre 6% e 3%).

O índice reflete o custo de vida de famílias que possuem renda entre 1 e 40 salários mínimos, com base em nove regiões metropolitanas do país. No processo de medição do IPCA o IBGE leva em conta despesas com moradia, alimentação e bebidas, saúde e higiene pessoal, artigos para casa, despesas pessoais, educação, comunicação, transporte e vestuário. 

A pesquisa é feita em nove regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba) além dos municípios de Goiânia e Brasília, tendo sido escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil.

O anúncio do IBGE esclarece que, dos nove grupos que compõem o IPCA, o setor de Alimentação e Bebidas foi o que mais contribuiu para conter a inflação. Responsável por cerca de 25% das despesas das famílias, o grupo acusou queda acumulada (deflação) de 1,87%. O resultado decorreu da redução de 4,85% no preço dos alimentos consumidos em casa, com destaque para as frutas (-16,52%), que tiveram o maior impacto negativo (-0,19 ponto percentual). A deflação dos alimentos se verificou como consequência da safra recorde de produtos agrícolas 30% superior a de 2016.

Para o Banco Central, a super safra de 2017 proporcionou ao consumidor adquirir produtos alimentares do setor agrícola mais baratos (-1,87%) do que no ano anterior, situação verificada pela primeira vez desde a implantação do Plano Real.

Se os alimentos contribuíram para reduzir a inflação de 2017, principalmente em razão da safra recorde, outros três segmentos - Habitação (6,26%), Saúde e Cuidados Pessoais (6,52%) e Transportes (4,1%)) - foram os grupos que mais influenciaram positivamente o índice, com contribuição de 2,45 pontos percentuais para a alta do IPCA/2017, que fechou o ano em 2,95%.

Segundo o IBGE, no grupo Habitação, as principais influências da alta vieram de produtos como o gás de botijão, que subiu 16%, taxa de água e esgoto (10,52%) e energia elétrica (10,35%). Para o IBGE o quadro pode ser explicado, em parte, pelo reajuste de 84,31% nas refinarias, "que contribuiu para o aumento no preço do gás de cozinha vendido em botijões de 13kg". Já a gasolina, com alta de 10,32%, foi o produto que mais subiu no grupo Transportes.

A variação nos preços de Saúde e Cuidados Pessoais foi influenciada pelo aumento nas mensalidades dos planos, que ficaram 13,53% mais caros, e dos remédios (4,44%). "O resultado deve-se ao reajuste concedido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), de até 13,55% para os planos de saúde, e pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, de até 4,76%", informou o IBGE.

Inflação por regiões

O comunicado do IBGE, por outro lado, afirma que, das treze regiões envolvidas na pesquisa do IPCA, sete encerraram 2017 com taxas de inflação menores que a média nacional de 2,95%. As duas maiores altas ocorreram em Goiânia e Brasília, ambas com variação inflacionária de 3,76% - resultado 0,81 ponto percentual acima da variação média nacional. Em São Paulo, a taxa subiu 3,63%, em Curitiba, 2,42%, em Recife, 3,31% e no Rio de Janeiro, 3,03%. Já entre as sete regiões com resultados abaixo dos 2,95% da média nacional se destacam Belém, que, com a alta de 1,14%, teve o menor IPCA do país; Belo Horizonte (2,03%) e Campo Grande (2,11%).

Expectativas do mercado

Importante observar que a redução da taxa inflacionária de 2017 foi certamente beneficiada pela safra recorde de produtos agrícolas. Cumpre salientar, porém, que a desaceleração inflacionária não reflete exatamente uma melhora da situação econômica do país e das famílias, sentimento generalizado da população; decorre, efetivamente, muito mais da pior recessão da história na qual o Brasil mergulhou em 2015 e 2016.

Puxada por acentuada queda do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, que serve para medir a evolução da economia, de - 3,6% em 2015 e - 3,8% em 2016, o desemprego e a consequente queda de renda, afetou negativa e brutalmente a demanda de bens e serviços. Daí a contenção da escalada dos preços ao consumidor naquele período. Segundo o economista Gustavo Franco, "esse tipo de queda da inflação não é confiável, porque se no futuro a economia se recupera, a inflação volta". Em 2017 o país já deu sinal de recuperação, registrando índice de crescimento do PIB avaliado em 0,7%, sinal de que, por enquanto, a recessão pode ter sido domada.

Tecnicamente, a inflação deve ser controlada (domada) de forma rigorosa e persistente. Há fatores que, por muito sensíveis, prejudicam de forma negativa, muita das vezes irreversivelmente, os instrumentos de controle. Dentre estes fatores, sobressai-se a má gestão das contas públicas resultante de políticas populistas que induzem o governo a gastar sempre e irresponsavelmente acima de suas reais possibilidades, ou seja, a despender mais do que arrecada.

Inflação no mundo

A taxa de 2,95% alcançada no ano passada aproxima-se da média dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Na grande maioria, registram taxas flutuando em torno de 2% ao ano (Estados Unidos, 2,2035, Grã Bretanha, 3,156%, Alemanha, 1,759%, Canadá, 2,099%, África do Sul, 4,418%, Índia, 3,971%, Japão, 0,498%, México, 6,773%, Rússia, 2,503%, Portugal, 1,466%, França, 1,192%, Itália, 0,897%, Chile, 2,266%, Espanha, 1,66%). A Argentina, com 15,4% acumulado até setembro de 2017, foge a esse padrão.


Meu reino por um estadista - Em 02/01/2018

Na peça de William Shakespeare - Ricardo III -, o rei da Inglaterra estava se preparando para a maior batalha de sua vida. O monarca deixara rastro de crueldade no trato dispensado ao povo e por ter afrontado legítimos direitos familiares. Shakespeare descreve a derrota do soberano na batalha de Bosworth, vencida pelo conde de Richmond. Em dado momento, seu cavalo perdeu o equilíbrio e o rei foi jogado ao chão.

Antes que o rei pudesse agarrar de novo as rédeas, o cavalo, assustado, levantou-se e saiu em disparada. Ricardo III olhou em torno de si e viu seus homens dando meia volta e fugindo, enquanto os soldados de Henrique fechavam o cerco ao seu redor. Sentindo a irreversibilidade da situação, Ricardo III brandiu a espada no ar e gritou: - Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo! Tarde demais, a batalha estava perdida e o rei morto.

Por meio dessa frase, faço uma analogia com o quadro político nacional, em que se constata sem muita dificuldade grave déficit de lideranças autênticas, muito menos de estadistas. Um estadista ou homem de Estado, na definição de Houaiss, é pessoa versada nos princípios ou na arte de governar, ativamente envolvida em conduzir os negócios de um governo e em moldar a sua política; ou ainda pessoa que exerce liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias.

De acordo com estudos postados na Wikipédia, a enciclopédia livre, para Santo Tomás de Aquino, as virtudes e os valores cristãos são inseparáveis da prática política, do buon governo e da figura do rex justus. A cosmovisão do governante inclui felicidade em Deus, homens bons e virtuosos, abnegação cristã (diversa da abnegação republicana), amizade honesta, unidade, paz e comunhão social. O governante pio e virtuoso inspira súditos igualmente pios e virtuosos, pelos quais é amado. A natureza é tomada como modelo para o governo dos homens e o governante tem o papel ordenador análogo ao de Deus.[1]

Segundo Maquiavel, "a condução do Estado é considerada uma arte, e o estadista, um autêntico artista". Diversos pensadotres defendem que "o estadista é adaptável às circunstâncias, harmonizando o próprio comportamento à exigência dos tempos". Por outro lado, "sua virtù é a flexibilidade moral, a disposição de fazer o que for necessário para alcançar e perenizar a glória cívica e a grandeza - quer haja boas ou más ações envolvidas - contagiando os cidadãos com essa mesma disposição".

No ensaio Mirabeau o el político, de 1927, Ortega y Gasset (1883-1955), filósofo, ensaista, jornalista e ativista espanhol, classifica os governantes em três categorias: estadistas, escrupulosos e pusilânimes. O homem de Estado deve ter o que chama de "virtudes magnânimas" e não as "pusilânimes". Honoré de Mirabeau é tomado como arquétipo do político. Ortega, porém, alerta que um arquétipo (aquilo que é) não se confunde com um ideal (aquilo que deve ser). Isto porque a confusão entre arquétipo e ideal levaria a pensar que o político, além de bom estadista, deva ser virtuoso, o que, para o autor, seria um equívoco.

Normalmente ocorre de o estadista ser incompreendido. Ao preocupar-se com o longo prazo, toma decisões impopulares no curto prazo, enquanto a maioria dos políticos preocupa-se com resultados imediatos de suas ações. Oretga y Gasset detalha o raciocínio: "o indivíduo com uma missão criadora (o magnânimo) é radicalmente diverso do indivíduo sem missão alguma (pusilânime). Virtudes convencionais (honradez, veracidade, escrúpulos) não são típicas do político, que costuma ser propenso a certos vícios - desfaçatez, hipocrisia, venalidade".

Em síntese, para Ortega y Gasset, "o estadista se preocupa com a próxima geração, o político com a próxima eleição".

Refiro-me a estadistas evocando figuras históricas e líderes do porte de um Churchill, Roosevelt, DeGaulle, John Kennedy, o jovem presidente norte-americano assassinado em 1963, que se notabilizou pelo porte, a coragem, métodos e visão políticos inovadores.

Kennedy estabeleceu os níveis de responsabilidades do cidadão para com a nação ao pronunciar, no discurso de sua posse como o 35º. Presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 1961, então com apenas 46 anos de idade, a seguinte frase: "Ask not what your country can do for YOU, but what YOU can do for your country"! Uma evocação da mais absoluta contundência e significância histórico-política.

"Não pergunte o que seu país pode fazer por VOCÊ, mas o que VOCÊ pode fazer pelo seu país". A frase notabilizou o jovem Kennedy, que logo se tornaria um dos mais notáveis e carismáticos estadistas do século XX.

No Brasil

No Brasil o quadro é de escassez absoluta. É evidente nossa pobreza de estadistas, embora o país, ao longo de sua história sempre se distinguiu nesse campo internacionalmente. Recordando: o estadista, segundo o mestre Aurélio Buarque, é um homem de notável atuação e conhecimentos nos negócios e na administração de um País; doutores, peritos e executivos nas questões alusivas às ciências políticas e sociais.

Seguramente nossos mais importantes estadistas foram Rui Barbosa (1849-1923), o Águia de Haia, que se distinguiu como ministro da Fazenda procedendo importante reforma financeira no País, e José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco, imbatível no campo diplomático sobrepujando ingleses, franceses, holandeses e argentinos com infinita e incomparável argúcia.Voltando-se ao passado longínquo, podemos destacar, dentre os notáveis brasileiros: Floriano Peixoto (1839-1895), o "Marechal de Ferro", dotado de grande coragem e determinação no combate a colonizadores e invasores estrangeiros; Prudente de Morais (1841-1902) e Campos Sales (1841-1913), negociador da dívida externa brasileira com os Rothschild., época em que o Brasil já fazia maus negócios junto à banca estrangeira.

Não se pode deixar de considerar, em períodos sucessivos, Getúlio Vargas (1892-1954), o ditador do Estado Novo (1930-1945), quando, por 15 anos, de forma contínua, governou o Brasil durante as chamadas Segunda República e Terceira República. Nesse período implantou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a Legião Brasileira de Assistência e empreendeu a marcha rumo ao Oeste de ocupação dos vazios demográficos no Setentrião brasileiro. Destacou-se também por suas ideias nacionalistas. Destas, brotou outra extraordinária obra, a criação da Petrobras em 1952, durante seu segundo governo para o qual fora eleito em 1950.

Outro grande brasileiro, Eurico Dutra (1883-1974), militar brioso dotado de grande dignidade, um presidente muito respeitado, cognominado o "catedrático do silêncio". Juscelino Kubitscheck (1902-1976) foi considerado um estadista brilhante, despojado, corajoso e realizador. Depois de Brasília e da implantação da indústria automobilística, o Brasil tornou-se outro país. Era preciso ousar, e JK ousou ao anunciar seu programa de governo (o histórico Plano de Metas) - 50 anos de progresso em 5 anos de realizações, com pleno respeito às instituições democráticas.

Na era militar (1964-1985), pode-se destacar Humberto de Alencar Castello Branco (1900-1967), um homem probo, dotado de grande sensibilidade política. Castelo Branco durante seu governo (1964-1966) deixou para a Amazônia grandes obras de infraestrutura, de comunicações e na área educacional. Além do mais criou a SUDAM, a SUFRAMA e reestruturou o Banco da Amazônia (BASA), como banco de desenvolvimento regional.

Fernando Henrique Cardoso herdou o Plano Real, que elaborara e implantara como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco em 1994. O plano de estabilização da economia que pôs fim a uma inflação galopante de 2.477,15% contabilizada em 1993 e promoveu importantes reformas, o programa de privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a reestruturação do sistema bancário nacional (REFIS).

A safra de estadistas, contudo, parou por aí. Nos anos 2000 correntes nenhum nome com características plenas de tal figura se destacou na chefia do Executivo, menos ainda no Congresso Nacional.

O país continua órfão de líderes e estadistas. Grave, gravíssimo, pelo que a sociedade paga um preço dos mais elevados. Não há, por conseguinte, quadros para acudir ao brado de Ricardo III - meu reino por um cavalo! -, que se perde inócuo no Brasil. Sem cavalos nem estadistas, nosso "reino" claudica, tropeça aqui e acolá sem encontrar um norte seguro.

Normalmente refém de governantes desprovidos de visão de longo prazo, políticos não raro prepotentes, demagogos, populistas e intolerantes. Muitos deles corruptos, incapazes de conseguir sair do círculo vicioso limitado a suas comezinhas ambições eleitoreiras e ascender ao status de "estadista" comprometido com as próximas gerações. Tão vital para a condução politica da nação quanto o ar que respiramos ou a água que bebemos.

O resultado é o caos político e fiscal, os monumentais déficits das contas públicas, a falência da previdência, o retorno da inflação, a recessão econômica, o desemprego. Quadro conjuntural que persistiu por dois anos seguidos. A partir de 2017, a recessão e a inflação foram contidas; o desemprego começou a ceder. C0ntudo, no tocante ao sistema político, a estabilização das contas públicas e da previdência somente reformas estruturais de porte serão capazes de dar novo rumo ao país.

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Pensando Bem

Dr. Osíris Silva