Pensando Bem...

Um passar d'olhos sobre a herança cultural negra no Brasil- em 21/11/20

Os escravos africanos e seus descendentes crioulos e mestiços influenciaram em profundidade a formação cultural do Brasil desde a época da Colonização. Raros são os aspectos de nossa cultura que não tenham sido moldados com a ajuda da mão e da inteligência africanas e afro-brasileiras. Na religião, música, dança, alimentação, língua, deparamo-nos com claras evidências da influência negra, não obstante as mais diversas formas de repressão sofridas.

No que tange aos sentimentos religiosos, de acordo com os estudos "IBGE 500 anos", trata-se de uma tarefa complexa a análise do passado mais remoto, pela dificuldade que se tem de penetrar livremente na alma do crente, mais ainda quando este deixou pouco testemunho direto sobre sua fé, como foi o caso do escravo. Observa-se que, ao invés do isolamento, os africanos e seus descendentes aprenderam a conviver e a recrutar para seu universo religioso outros setores da sociedade, até mesmo pessoas livres e brancas.

O papel atribuído por Oswald de Andrade (1893-1945) ao indígena e ao africano revela um aspecto complexo e contraditório de sua visão sobre a religiosidade e a cultura brasileira naquele momento. Ambos aparecem entre a submissão passiva à cultura ocidental e o exótico. Para Thiago de Oliveira Virava, há de se observar, por exemplo, a visão do escritor sobre a importância da fé católica na constituição da sociedade brasileira.

Ao reconhecer a eficácia da fé no bom êxito das suas empresas, o português, que, sozinho, logrou resistir ao missionário, deu-lhe, nas primeiras assembleias do continente descoberto, uma ascendência preponderante. O índio politeísta não tardou a agregar um novo deus à sua mitologia, e o negro, habituado a ver em tudo manifestações sobrenaturais, deixou-se batizar com uma alegria de criança.

De acordo com Wilson Teixeira Moutinho, com muita dificuldade os negros africanos trazidos como escravos, de diversas regiões da África, procuraram manter seus valores e tradições culturais. Com o passar do tempo, a população de descendência africana se expandiu e as relações sociais entre os diferentes povos transformaram o país em um território mestiço e rico em diversidade cultural.

Na visão de Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, Boris Fausto e de tantos outros sociólogos, historiadores e antropólogos, com o tempo o Brasil herdou dos africanos padrões culturais que se amoldaram e influenciaram, que se transformaram e se adaptaram à convivência com outras esferas culturais, como a indígena e a europeia. É notório verificar que os povos escravizados vindos para o Brasil trouxeram ricas e milenares manifestações culturais, que até os dias de hoje se refletem no caráter, no comportamento, no jeito de ser e nos hábitos do brasileiro. Particularmente em relação à dança, música, às artes plásticas, ao artesanato, às religiões de origem africana, à capoeira, à culinária, à moda, etc.

Estima-se que a capoeira, considerada patrimônio nacional, seja praticada por mais de 10 milhões de pessoas em centenas de países do mundo. Muito apreciadas no Brasil profundo danças como o coco de roda, de origem incerta, mais cultuado Alagoas, Pernambuco e Paraíba, caracteriza-se pelo seu estilo particular de dança, podendo ser praticado em duplas ou fileiras. A influência africana e indígena tornou o coco um folguedo popular, com letras de músicas que falam sobre a natureza e a vida cotidiana.

Destacam-se ainda o jongo, originário da África, um ritmo que, segundo especialistas, teria influenciado diretamente o surgimento do samba carioca e o lundu, ritmo afro-brasileiro, criado a partir do batuque dos africanos mesclado com alguns ritmos portugueses. De acordo com Wilson Teixeira Moutinho, desenvolve-se com movimentos ondulares e é executado por flautas, tambores e alguns instrumentos de cordas, como o bandolim, quase sempre ignorando o canto. O lundu, com algumas modificações, ainda é praticado em algumas regiões do país, como no Pará, onde recebeu o nome de lundu marajoara, por ter sua origem na ilha de Marajó.

O NEGRO NA LITERATURA E NAS ARTES PLÁSTICAS

O Portal Geledés (https://www.geledes.org.br/pintores-negros-contribuicao-negra-a-arte-brasileira), analisando a presença do negro nas artes plásticas, observa que, embora de alcance restrito, há de se mencionar obras arquitetônicas e esculturais do Brasil Colônia, levando em conta não serem tão poucos os brasileiros afrodescendentes que se dedicaram à pintura, nem é pequeno o valor artístico de sua produção pictórica. Suas obras, informa, têm sido resgatadas pelo artista plástico e museólogo Emanoel Araújo, desde o centenário da abolição da escravatura, em 1988, com a exposição "A Mão Afro Brasileira", e teve continuidade com a mostra "Negros Pintores", que se inaugurou no Museu Afro Brasil, em São Paulo (SP), em agosto de 2008.

Na mostra, reuniram-se 140 pinturas de 10 artistas atuantes entre a segunda metade do século 19 e as primeiras décadas do século 20. O período em questão, na verdade, ainda não mereceu maior atenção dos estudiosos e historiadores da arte, lamenta o Geledés. Ao contrário, Emanoel Araújo ressalta "os maus tratos, a ignorância e a insensibilidade com que se trata no Brasil a história e a memória iconográfica" dessa época. "Durante muito tempo", diz o museólogo, "pouco se sabia sobre esses pintores, pouco se conhecia de sua produção artística".

"Na verdade, essas obras ainda surpreendem quando aparecem no mercado de arte", ele acrescenta, lembrando "a necessidade de uma política de revisão para resgatar em profundidade essa produção artística". De qualquer modo, dez artistas já passaram a ter seus nomes inscritos, definitivamente, na história da arte no Brasil. "A vida de cada um deles", conta Araújo, "foi uma interminável batalha, um grande esforço pessoal, de uma tenacidade inimaginável, pela afirmação e reconhecimento de suas obras". "O fato de seus nomes permanecerem já credencia a raça negra ao reconhecimento da nação pela sua contribuição à construção da cultura brasileira", conclui.

Da relação constam, com ricas fotos de algumas de suas pinturas, os artistas plásticos Arthur Timótheo (1882-1922), Benedito José Tobias (1894-1963), Benedito José de Andrade (1906-1979), Estevão Silva (1845-1891), Firmino Monteiro (1855 - 1888), João Timótheo (1879-1932), Horácio Hora (1853-1890), Antonio Rafael Pinto Bandeira (1863-1896), Wilson Tibério (1923-2005). Além destes, ,erecem destaque os artistas negros João e Arthur Timótheo.

LITERATURA

O perfil do romancista brasileiro se mantém praticamente o mesmo desde a década de 1960, de acordo com a pesquisa do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB). O homem branco, hétero e da classe média ainda figura maioria dos títulos no mercado editorial nacional, que tem apenas 2,5% dos autores não brancos. Nos últimos dez anos, porém, esse padrão tem sido quebrado por novos escritores e autores consagrados que ganharam mais espaço.

No Brasil, destaca o estudo da UnB, pode-se falar em precursores do negrismo, considerando-se nessa escala as obras de Domingos Caldas Barbosa (1739-1800), Tomás Antônio Gonzaga (1744- 1810), Silva Alvarenga (1749-1814), todos no século XVIII, passando por Tobias Barreto (1839-1889), Castro Alves (1847-1871), Olavo Bilac (1865-1918) e Raimundo Correa (1859-1911), já no século XIX. Nos primeiros anos do século XX, merecem destaque Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) e Avelino Fóscolo (1864- 1944).

DA mesma forma, observa que, até o Modernismo de 1922, e mesmo em décadas depois, o negro é representado majoritariamente de maneira estereotipada. A crítica, inclusive, é unânime em denunciar que o negro ou escravo, sobretudo no âmbito da narrativa, é representado de forma desumanizada, oscilando entre o Pai-João e o selvagem, vítima e algoz, e, portanto, humilde, resignado, servil, dócil, fiel, trabalhador, incansável agradecido, mas também imoral opulento, insaciável, sedutor, demoníaco, bestial, pérfido, criminoso, fujão, vagabundo e feiticeiro.

Em relação ao Modernismo, o estud destaca que brasileiro recebeu inspiração de diversos movimentos, como o Cubismo, o que abre espaço para a solidificação da presença do negro no campo das nossas letras. Cabe destacar que a visita de Blaise Cendrars ao Brasil, em 1924, que publicara a notável "Anthologie nègre" três anos antes deste acontecimento, assim como uma efervescência representativa do negro nas artes, não foram capazes nem de romper os lugares comuns dos estereótipos, nem ainda conseguiram impulsionar a primazia do negro em relação ao índio, vistos aqui enquanto agendas sociais.

Desta forma, a Antropofagia, de Oswald de Andrade, por exemplo, manteve diálogo com a tradição indianista de Gonçalves Dias e José de Alencar, ao discutir a identidade nacional considerando a figura do autóctone, conforme sublinha David Brookshaw (1983). Enquanto os poetas românticos estavam arraigados à visão idealizada e heróica do indígena e da nação, o autor modernista se inspira no nativo como elemento de incorporação das diversas identidades nacionais, a fim de compor o "cadinho" cultural que em certa medida é o Brasil.

Na poesia, Raul Bopp, Mário de Andrade e Jorge de Lima recuperaram estratégias já utilizadas pelos artistas europeus e poetas caribenhos. Se a inserção do tema negro foi novidade no modernismo, dada a multiplicidade de imagens deste coletivo populacional, a representação plástica, diatante e caricata foi a mais recorrente nos versos destes autores.

Porém, no romance o negrismo foi mais produtivo e ultrapassou a primeira fase modernista. As três primeiras décadas do século XX foram responsáveis por traçar as diretrizes que serão seguidas pela linhagem negrista, salienta Wilson Teixeira Moutinho. A década de 1920 legou ao Brasil Macunaíma (1928), de Mário de Andrade. A partir dele, emergem romances que se filiam ao que se convencionou chamar de negrismo sério-cômico, destacando-se: O mameluco Boaventura (1929), de Eduardo Frieiro; Jubiabá (1935), O compadre Ogum (1964) e Tenda dos milagres (1969), de Jorge Amado; e Xica da Silva (1976), de João Felício dos Santos.

Moutinho salienta que a década de 1930 trouxe a preocupação com um intenso revisionismo histórico e social, ao focalizar personagens e acontecimentos marcantes envolvendo o coletivo afro-brasileiro, ou mesmo salientando a luta diária pela sobrevivência desta população, através de personagens e acontecimentos típicos, como se pode encontrar em A marcha (1941), de Afonso Schmidt; Ganga Zumba (1962) e Benedita Torreão da Sangria Desatada (1983), de João Felício dos Santos; Chica que manda (1966), Gongo sôco (1966) e Suor e sangue (1948), de Agripa Vasconcelos; e Os tambores de São Luís (1975), de Josué Montello.

Segundo Luiza Brandino, professora de Literatura, as décadas subsequentes catalisaram o negrismo metaficcional, tendência que propõe a releitura do passado tomando para negá-lo quando preciso, modificá-lo ou reinterpretá-lo através da ficção. Localizam-se nesta tendência O forte (1965) e Luanda beira Bahia (1971), de Adonias Filho; A casa da água (1969), O rei de Keto (1980) e Sangue na floresta (1981), de Antonio Olinto; Rei branco, rainha negra (1991), de Paulo Amador; e O trono da rainha Jinga (1999), de Alberto Mussa.

O romance "Viva o povo brasileiro" (1984), de João Ubaldo Ribeiro, considerado a obra prima do escritor baiano, é um caso à parte. Ele procura congregar todos os procedimentos correntes nas linhagens anteriores para dissimular as recaídas na estrutura do romance de fundação. O livro é o último sopro negrista no âmbito do romance brasileiro do século XX. Esta classificação é apenas didática, pois os romances podem transitar de uma tendência para outra, salienta Moutinho.

No entanto, no artigo "Autores Negros da Literatura brasileira", de maio de 2020, Patrícia Marinato põe lenha na fogueira, ao afirmar: sabe-se que até hoje a literatura estudada nas escolas é majoritariamente europeia e masculina, e mesmo o maior autor nacional sendo um homem negro - Machado de Assis -, pouco estudamos a respeito da narrativa negra. Nesse sentido, o Blog do QG elaborou uma matéria sobre alguns autores negros que seria importante de se conhecer e estudar melhor.

A começar por CAROLINA MARIA DE JESUS, que, de catadora de papel tornou-se uma das maiores escritoras negras da literatura nacional. A autora do famoso livro "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada" publicado na década de 1960, Carolina Maria de Jesus narra a vida cotidiana na favela do Canindé, e como ela consegue sobreviver sendo catadora e mãe solo de três filhos. A fome, a extrema pobreza e as angústias dos favelados também são muito presentes em seus relatos, que foram traduzidos para 16 idiomas e vendidos em 40 países.

LIMA BARRETO - Filho de escrava liberta e afilhado de Visconde de Ouro Preto, senador do Império, Afonso Henriques de Lima Barreto foi um dos mais importantes escritores brasileiros. Foi autor das obras "Triste Fim de Policarpo Quaresma", principal expoente do Pré-Modernismo e "Clara dos Anjos". Sua obra foi marcada pela crítica ao nacionalismo exacerbado e utópico, ao militarismo e pela denúncia social como racismo e a pobreza. Isso fez com que a literatura de Lima Barreto tenha se tornado um dos maiores símbolos da resistência e da militância no início de nossa República.

CRUZ E SOUSA - Filho de pais negros alforriados, João da Cruz e Sousa foi um notável poeta brasileiro do Simbolismo e conhecido como o "Dante Negro". Sob a tutela do coronel Xavier de Sousa, Cruz e Sousa recebeu uma educação refinada que o permitiu que se destacasse em matemática e em línguas como inglês, francês, grego e latim. Suas obras são marcadas pelo sofrimento do ser - que muitas vezes se translitera através do preconceito racial - pelo espiritualismo, individualismo e pela obsessão pela cor branca. Vale ressaltar ainda, que embora tenha se tornado um homem culto e erudito, Cruz e Sousa não deixou de se engajar pela causa abolicionista e inclusive dedicou poemas a Castro Alves.

CONCEIÇÃO EVARISTO - Maria da Conceição Evaristo de Brito é uma escritora mineira, nascida na periferia de Belo Horizonte e de origem bem humilde. Migrou para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades e para isso teve que conciliar o trabalho como empregada doméstica e seus estudos na faculdade de Letras, onde se formou com 25 anos. Atualmente, Conceição Evaristo é mestre em Literatura Negra e doutora em Literatura Comparada, e tem diversas obras lançadas, desde romance a contos. Neles, a autora aborda temas como discriminação racial, questões de gênero e questões de classe social, dando ênfase na vida cotidiana e na realidade da mulher negra no Brasil.

STELA DO PATROCÍNIO - Pouco se sabe sobre a verdadeira história da poetisa Stela do Patrocínio. No entanto, o que sabemos é que ela foi uma interna da Colônia Juliano Moreira, que com a implementação de um tratamento psiquiátrico mais humano através da arte, permitiu que muitos artistas fossem descobertos, dentre eles Stela. A autora na verdade não escrevia, mas sim recitava seus poemas em um fluxo de ideias conscientes, que num geral falavam da condição da mulher negra e pobre. Com isso, nos anos 2000, Viviane Mosé publicou o livro "Reino dos Bichos e dos Animais é o meu nome", que reúne uma série de poemas transcritos da autora.

MARIA FIRMINA DOS REIS - Maria Firmina dos Reis foi escritora maranhense, fruto de um caso extraconjugal, num contexto de uma sociedade extremamente segregacionista tanto racialmente quanto socialmente. Se formou como professora e revolucionou o estado do Maranhão ao construir a primeira escola mista e gratuita da época, além também de se dedicar à publicação de contos e crônicas na imprensa local. Em 1859 publicou "Úrsula", considerado o primeiro romance escrito por uma mulher negra na América Latina e primeiro romance abolicionista publicado por uma mulher, em língua portuguesa, marcando assim a história da Literatura Brasileira.

Por fim, vale salientar que os três grandes abolicionistas negros brasileiros, que se engajaram na luta pelo fim da escravidão, foram: Luiz Gama, André Rebouças e José do Patrocínio. Entre todas as nações do continente americano, o Brasil foi a última a dar fim ao regime escravista.

TIRAR A LEI DO PAPEL

A Campanha 'Tirar a Lei do Papel' vai para sua terceira edição. A Organização brasileira Geledés Instituto da Mulher Negra, fundada em 2008, reflete sobre os desafios para a aplicação da Lei 10.639/03, que completa 17 anos este ano e ainda não saiu do papel. Tempo teoricamente suficiente, contudo, para firmar consideráveis avanços no ensino da história e cultura africana e afrobrasileira. No entanto, afirma nota do Portal, "a realidade é outra e os docentes de todo país ainda enfrentam dificuldades para pôr a lei em prática. A Campanha tem por objetivo incentivar professores a driblar os desafios para a aplicação da lei, além de tornar o assunto mais conhecido em todo o território nacional.


Gripe Espanhola, duras e inesquecíveis lições a serem respeitadas - em 12/11/20

Em meados de 1918, uma patrulha naval em operação no triângulo Dakar-Cabo Verde-Gibraltar, no Atlântico Sul, ao aportar em Dakar, no Senegal, sua tripulação foi atacada por uma estranha gripe surgida nos últimos meses. Na verdade, uma tragédia, pois, do nada, 1200 homens, dos seis navios, mil caíram doentes e 156 morreram em questão de dias. Era a Gripe Espanhola, também conhecida como Gripe de 1918, uma vasta e mortal doença derivada do vírus influenza.

No período dee janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou uma estimativa de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões, consoante dados da OMS, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A Gripe Espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo "influenzavirus H1N1", sendo a segunda ocorrida em 2009.

A epidemia chegou ao Brasil em setembro de 1918 pelo navio inglês "Demerara", que, vindo de Lisboa, desembarcou doentes no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro (então capital federal). No mesmo mês, marinheiros que haviam prestado serviço militar em Dakar, Senegal, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram outros focos em diversas cidades do Nordeste e em São Paulo.

A gripe saiu fazendo estragos mundo afora. Na França, duas de suas primeiras vítimas foram o dramaturgo Edmond Rostand, autor de Cyrano de Bergerac, e o poeta Guillaume Apollinaire. Na Áustria, matou Sophie, a filha de Sigmund Freud; na Alemanha, o sociólogo Max Weber; nos Estados Unidos os irmãos John e Horace Dodge, magnatas da indústria automobilística, e assim adiante.

A Espanhola não respeitava talentos, títulos nem contas bancárias. No Brasil também ceifou vidas de pobres, remediados e famílias importantes, como os Nabuco e os Penido. O estadista Afrânio de Mello Franco perdeu sua mulher, Silvia. A Cafetina Alice Cavalo do Pau, imperatriz dos bordéis da Lapa, se foi. O poeta Olavo Bilac contraiu uma forma branda da doença. Segundo o médico Miguel Couto, 600 mil habitantes do Rio foram contagiados - mais da metade da população. Segundo ele, um milagre que só uma fração tenha morrido.

Ruy Guerra, em seu livro "Metrópole à Beira Mar", 2019, relata que "a morte em massa começou a gerar consequências inimagináveis''. No Brasil, devido aos hospitais sem leitos, os doentes eram depositados no chão. Vieram os enterros coletivos, corpos sendo transportados de qualquer maneira; logo começaram a faltar madeira para caixões, cadávares encontrados nas ruas sem identificação eram jogados em valas comuns ou incendiados. Como os coveiros também começaram a morrer, foram substituídos por efetivos voluntários do Exército e da Cruz Vermelha.

Guerra informa, por outro lado, que os doentes eram tantos que muitas atividades básicas foram parcial ou totalmente interrompidas, por não haver mão de obra para o desempenho de tarefas básicas, como vender comida, transportar mercadorias, aplicar injeção. Telefones ficaram mudos, começou a faltar produtos essenciais. Em meio ao caos, veio a carestia, nossa conhecida inflação. Um ovo passou a custar o preço de uma galinha; um pão, o de um cesto inteiro. Face ao descontrole no abastecimento, começaram os saques aos açougues e armazéns por pessoas famintas e tossindo descontroladamente.

Em fins de outubro de 2018, 15 mil mortes depois, a Espanhola começa a ceder, a ser controlada face ao extremo combate das autoridades sanitárias do país. Dado o rápido avanço da medicina, os infectados passam a se recuperar, os doentes pararam de morrer. Segundo Guerra, "a cidade voltava à vida. O comércio retoma suas atividades, e o dinheiro, inútil diante da morte, recupera seu antigo valor. Os teatros reabriram, os navios retornaram a fazer escalas no Rio, das janelas voltaram a soar os pianos. As pessoas voltaram a circular pelas ruas".

Em resumo, assim como surgiu, a gripe foi embora. Segundo a Fiocruz, não por alguma poção ou magia, mas porque as pessoas haviam acreditado em vacinas, tornando-se imunes.

Com a Gripe Espanhola, foi também a I Guerra (1914-1918), com o armistício assinado às 11:00 da manhã do dia 11 de novembro de 1918 entre os Aliados e a Alemanha. O Brasil, embora com tímida participação nos conflitos, também se beneficia do fim da conflagração. Não tendo para quem vender café, durante o período, diversifica seu setor agrícola. E, como não tinha de quem comprar manufaturas, começa a produzi-las internamente por meio da aplicação de capitais gerados no setor primário. Desta forma, "salta da condição de um país de enxadas e pés descalços para uma incipiente sociedade de máquinas e macacões", como registra Ruy Guerra. Da beira da morte, à reconstrução foi apenas um breve passo. E assim, os sobreviventes do ataque da Espanhola, no dealbar do novo ano já começam a sentir as vibrações do Carnaval de 1919 se aproximando; aos festejos de Momo daquele ano não perderiam por nada.

De igual forma como em relação à Gripe Espanhola, de 1918, à pandemia do novo coronavírus de nossos tempos, à Peste Negra da Idade Média, às conflagrações continentais ou mundiais, às revoltas ou guerras civis, o homem sofreu bastante, passou por incomensuráveis agruras, teve a oportunidade de espiar muitos dos seus pecados e desacertos, e de abraçar a vida e seus circunstante com uma nova visão de fé, esperança e caridade. Consciente de que ódio, repulsa, rancor, divisionismo, negativismo, são sentimentos ruins, maus, abomináveis, ominosos, cujo único propósito é o de destruir, assolar, arrasar, exterminar. Ao contrário do amor, da tolerância, da harmonia, da transigência, da indulgência, que apenas constroem, edificam e criam coisas boas..

A despeito das agruras, das adversidades sofridas pela humanidade, mesmo assim o mundo não acabou. Esta, a lição fundamental que a sociedade deste século XXI, particularmente a brasileira, precisa dela assenhorear-se, refletir sensatamente em torno das consequências da pandemia, agir com humildade, tolerância e respeito às diferenças de pensamento e comportamentais. Só assim será possível superar, com integridade e civilidade mais este momento crucial da história do homem sobre a Terra.


Brasil, rebeldia indômita impede país de avançar - em 01/11/20

Li hoje na seção Fórum dos Leitores, do Estadão, uma nota muito interessante, incontestavelmente, penso eu, realística, para desespero da nação brasileira. O comentário baseia-se em que um dos ensinamentos da pandemia é que no Brasil somos três países dentro de um só.

O primeiro é o dos 14 milhões de desempregados, que lutam dia após dia para sobreviver e ter alguma esperança. Mesmo na lona, têm de pagar impostos pelo pouco que consomem (água, luz, comida) sem ter nada em troca.

O segundo país é o dos cerca de 90 milhões de trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e empresários de todo tipo, que vivem cada dia em sobressalto, criando riquezas e pagando impostos altos para tocar suas atividades.

O terceiro país é o dos servidores públicos e inativos, mais de 25 milhões consumindo de forma injusta, e sem criar riqueza, os recursos do País. Ali o tempo não conta, salvo para computar benefícios e mordomias. Tem gente boa, sim, mas, infelizmente, apenas uma parte.

Nesta pandemia cada um desses grupos vive de forma diferente, com perspectivas desiguais. O Brasil é injusto desde o DNA do cidadão.

Estando ou não, de forma convincente, o atual governo empenhado em combater a pandemia econômica resultante do covid-19, o fator fundamental, crucial, decisivo, é por si evidente. A terrível crise mundial vem arrastando praticamente todos os países afetados pela crise pandêmica, alguns mais outros menos, como correntes de águas pluviais nas tempestades, de difícil contenção.

Como efeito devastador, o agravamento do desempenho da economia. No Brasil, tendo como causas básicas, preponderantemente, uma perversa conjunção de fatores conjunturais adversos, entra governo, sai governo, que, sem exceção, têm deixado as contas públicas, o emprego e os indicadores macroeconômicos em estado de miséria.

DEPOIS DO COVID-19

Protegidos pelo distanciamento social imposto pela pandemia, regra geral, nossos homens públicos, supostamente eleitos ou escolhidos para representar e defender a sociedade, não têm medo ou vergonha de perpetrar barbaridades contra os interesses nacionais.

Por encontrarem-se blindados momentaneamente contra a indignação popular, não fosse o vírus, a esta hora já haveria grandes manifestações de rua. De origem perdida no tempo, os casos de corrupção na saúde em que estão envolvidas altas autoridades dos governos estaduais, as declarações cheias de cinismo contra a Lava Jato, as decisões a favor da soltura de bandidos, a escolha e aprovação de magistrados só por serem amigos do rei, tudo isso faz aumentar a ira dos cidadãos conscientes, momentaneamente represada.

Nada disso é novidade. São marcas da precoce perda de substância, representatividade e respeito dos poderes da República, no que resulta sucessivos governos, legislativos e judiciários que, desavergonhadamente, alargam o distanciamento dos interesses da nação para cuja defesa e zelo foram escolhidos pelo voto ou por cumprimento de mandados constitucionais.

DE QUEM É A CULPA?

Por que Lula, Zé Dirceu, Renan Calheiros, Geddel Vieira Lima, Antonio Palloci, Guido Mantega, os Garotinhos, Aécio Neves, estão soltos, mesmo alguns deles condenados em segunda instância? Por que outros, como o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ou o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, para ficar apenas no exemplo destes dois, encontram-se presos? Como leigo, não enxergo, e, por conseguinte, rejeito, lógica nem racionalidade nessa dualidade legal.

A lei, para ser boa, tem que ser para todos, além de clara, transparente, inquestionável, tempestiva, justa e eficaz. A propósito, ao que leio em artigos de ilustres professores e juristas, "eficaz é o direito efetivamente observado e que atinge a sua finalidade." Da mesma forma, argumenta-se que para a norma jurídica tornar-se eficaz ela precisa estar completamente apta a regular situações e a produzir efeitos práticos junto aos seus destinatários. Em regra, a vigência e a eficácia de uma lei se dão, ou deveriam se dar ao mesmo tempo.

Entretanto, não é assim no Brasil

LEI PARA TODOS E PARA NINGUÉM

O conceito é claro: se o Direito não for observado pelos seus destinatários, não atingindo a sua finalidade, ele não terá validade alguma. Li num Portal Jurídico a seguinte preocupante informação: Contrariando a consagrada frase "faça uma lei apenas se estiver disposto a morrer por ela", o Brasil tem incríveis mais de 200 mil leis. No entanto, a aplicabilidade delas é reduzida, estimulando a criação de novas legislações: um levantamento apontou que, em média, são criadas 18 novas leis por dia no país. Muitas são inconstitucionais, outras "não pegam" e parcela considerável gera consequências perversas e destoantes das intenções iniciais.

Mas, afinal, por que tantas leis e por que elas são tão ruins e "doidas"?

Ora, se um país não goza de bom e eficaz aparato jurídico, se suas leis não são confiáveis, nem respeitadas, evidentemente carece das condições fundamentais requeridas para que se atinja nível ótimo de estabilidade institucional. Por consequência, de respeitabilidade e confiabilidade interna e externa.

O Brasil, há décadas, vem sendo atingido, no âmbito dos três poderes, por tsunamis populistas e corruptos, aparentemente inatingíveis, basicamente por haver se tornado vítima de leis ruins, discricionárias e protetoras do infrator. Os exemplos se multiplicam, à direita e à esquerda, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, culpe-se ou não a, b, c, x, y ou z.

LUZ AO FIM DO TÚNEL?

Há quatro anos, quando das manifestações que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff, a grande maioria dos que foram às ruas não estava interessada em direita ou esquerda. Apenas defendia a ideia de que nossos representantes têm a obrigação de tratar com decência a coisa pública. Lamentavelmente, a confiança depositada pelo brasileiro em novos governos, em legislaturas que vêm se renovando a taxas próximas de 50%, na expectativa de um Judiciário confiável, que daria sustentabilidade ao novo tempo sonhado, tudo isso vem sendo posto por terra, desmoronando-se como espumas do mar sobre a praia.

Talvez, a reação popular ocorra ao fim da pandemia. Quem sabe?

A decisão é da sociedade, que não pode continuar a viver apenas culpando, mas não assumindo seu verdadeiro papel transformador de sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13,14), livre de radicalismo, de fanatismo e anacronismo antiquados, retrógrados, facciosos e hipócritas.

O Brasil só se reconstruirá quando estivermos plenamente conscientes do papel de cada um nesse processo.

Manter-se na cômoda posição de recriminar e transferir responsabilidades a terceiros não constrói nada. Apenas justifica e legitima a covardia dos que procuram se manter no falso papel superior de julgador de erros (dos outros) que se perpetuam, ao invés de vir se juntar aos que estão na planície lutando, dando a vida por dias melhores, pela reconstrução de um país vitimizado pela intolerância e cegueira políticas.

Condições adversas que vêm impedindo que a nação se reconstrua, se modernize, se moralize, como ocorreu em países como a Espanha, o Japão, França, Inglaterra e Alemanha no pós-guerra, por meio de um pacto de governança, segundo princípios democráticos, capaz de promover profundas mudanças nos poderes da República.

Condições tais que, por fim, nos conduza ao atendimento do Art. 5o. da Constituição Federal de que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".

Como se tratam, nas atuais circunstâncias, de condicionantes de difícil cumprimento, resta, ao que me parece, o questionamento: a levar em conta que desde a promulgação da Carta Magna de 1988, 100 emendas já foram introduzidas ao texto da CF, o Brasil teria produzido uma Constituição para não brasileiros, posto que impossível de ser aplicada e cumprida em sua plenitude pelos brasileiros, no território nacional?


Manaus 351: preservação da memória histórica, um dever de cidadão- em 25/10/20


Segundo Gabriel Garcia Marques, em sua autobiografia "Viver para Contar", de 2003, "a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la". Para o sociólogo, historiador e antropólogo Gilberto Freyre, em "De Menino a Homem", de 2010, "encontra-se, exatamente na maneira de contar, o fértil poço de invenções e reinvenções que oferta ao texto uma identidade pensada e repensada. De que serviria uma narrativa desprovida da imaginação, absolutamente seca, adstrita à rigorosa objetividade?" A lembrança, segundo Freyre, "tem a virtude de ressignificar o fato sem deixá-lo dissolver em matéria arrogantemente erigida em blocos de concreto armado, dura, hirta, congelada".

Na oportunidade da celebração de mais um aniversário de Manaus, de número 351, quem começa a contar como tudo começou é o escritor e historiador Gaitano Antonaccio, em seu livro "Amazonas - a outra parte da história", de 2001. Como relata, "a primeira tentativa de se fundar um povoado no Amazonas começou no dia 22 de junho de 1657, quando alguns padres jesuítas portugueses chegaram do Maranhão, tomaram posse da região do Tarumã, ergueram uma cruz e rezaram uma missa no lugar". Com a expulsão dos jesuítas pelos índios, outras tentativas ocorreram até 1669, quando a história de Manaus efetivamente tem início com a fundação do Forte de São José da Barra.

De acordo com o historiador, a Fortaleza foi construída para assegurar o domínio da coroa de Portugal na região, área da confluência do rio Negro com o Amazonas e o Solimões, e controlar o portão de entrada dos confins ocidentais da Amazônia, reservados à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494. O povoado recebeu o nome de São José da Barra do Rio Negro (Lugar da Barra) e em 1832, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, o povoado foi elevado à categoria de vila.

Anteriormente, em 1848, a Vila da Barra fora elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, para receber em 1856 o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manaós (Mãe dos Deuses), considerada o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia, ao que sustentam importantes documentos e livros sobre a história do Amazonas.

O período áureo da borracha: apogeu e declínio

A capital do estado do Amazonas prosperou desde então, impulsionada, especialmente, pelo ciclo áureo da borracha, período compreendido entre a metade do século XIX e a segunda década do século XX. A chamada goma elástica tornara-se matéria-prima estratégica a partir da Revolução Industrial, desencadeada na Inglaterra nos séculos XVIII e XIX, cuja principal particularidade foi a substituição do trabalho artesanal pelo mecânico, permitindo o uso da borracha em larga escala por diversas cadeias produtivas, a principal delas a automobilística.

A supremacia do mercado pelo produto amazônico, contudo, teve vida curta, aproximadamente de 1860 a 1912. Os altos preços ditados pelo Brasil, na condição de líder do mercado oligopolístico da borracha, levaram ao colapso da produção e o fim da hegemonia dos seringais nativos da Amazônia em relação aos mercados mundiais. O golpe fatal foi desferido quando do início da produção do Sudeste asiático a partir de sementes de seringueiras - Hevea brasiliensis - cultivadas nos Kew Gardens, de Londres, e posteriormente levadas a plantio definitivo na Malásia, que se torna o principal polo produtor a partir de 1912.

Daí em diante, até 1967, quando da instalação da Zona Franca de Manaus, o Amazonas -e toda a Amazônia - mergulha em profundo estado letárgico que se ampara inteiramente na economia do extrativismo, caracterizada pela produção e exportações de couros e peles de animais selvagens, óleos essenciais (copaíba, andiroba, pau rosa), extração de madeiras, coleta e beneficiamento de castanha do Brasil, sorva, balata e uma produção marginal média de 4 mil toneladas de borracha, contra 50 mil toneladas no período áureo.

Ajuricaba, um herói amazonense

Em momento não tão edificante da história brasileira e do nosso estado, em particular, cumpre registrar que, sim, já tivemos heroi, Ajuricaba, líder da facção dos índios Manau, que habitavam a região. Relato da historiadora Etelvina Garcia em seu refinado e valioso livro "O Amazonas em três momentos - Colônia, Império, República", de 2010, resgata o papel desse povo na luta contra a dominação imperialista portuguesa. Tornando-se independente de seu pai, o tuxaua Huiuiebeue, aliado da Coroa, Ajuricaba, apoiado por intrépido grupo de guerreiros, "decidiu enfrentar o inimigo, comandando o levante que passaria à história como símbolo da resistência dos índios do Alto Rio Negro à opressão do colonizador".

Por volta de 1723, as tropas de Ajuricaba, segundo Garcia, "barraram a entrada dos portugueses, atacando as tropas de resgates que subiam as cachoeiras". Adotando autênticas guerras de guerrilha, endurecendo ao extremo a resistência, "declararam-se inimigos dos índios que se aliavam ao colonizador e fizeram guerra impiedosa contra eles - assaltando e incendiando suas aldeias, escravizando-os, matando-os".

A chamada "guerra justa" alcançou o ápice naquele mesmo ano, obrigando as autoridades portuguesas a reforçar suas tropas, que recebiam ordens expressas de Portugal "para exterminar os índios inimigos". De acordo com a obra citada de Etelvina Garcia, o choque foi violento. Desta forma, "atacado pela retaguarda, Ajuricaba foi preso com outros seis líderes e cerca de dois mil índios. Ele e alguns de seus companheiros foram postos a ferros e embarcados rumo a Belém".

Lenda, narrativa fantasiosa em composição com história dá conta de que Ajuricaba, mesmo acorrentado, em rápido movmento, joga-se no meio do Rio Negro, preferindo a morte à escravidão portuguesa.

Os feitos heroicos de Ajuricaba e seus comandados repetiram os movimentos de resistência à colonização espanhola no século XVI, e norte-americana, no século XIX. Desse período sobressaem-se figuras lendárias do porte de um Túpac Amaru, conhecido por resistir ao início da dominação espanhola na América; o Sapa Inca, Atahualpa, o imperador asteca Montezuma; Gerônimo e Cochise, nos Estados Unidos. De acordo com Darcy Ribeiro, o padrão de organização social desses impérios assemelham-se aos formados há mais ou menos dois mil anos na região Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos depois e às civilizações Maias e Astecas na Mesoamérica. Patrimônio étnico, social, antropológico, cultural e econômico que as forças espanholas impiedosamente dizimaram.

Memória histórica menosprezada

Cidades, ao redor do mundo, prestam prodigamente tributos a suas origens históricas, aos antecessores e desbravadores que, vencendo toda sorte de intempéries doaram-se à construção do ideal de fundar e fixar a marca civilizatória no concelho (com "c" mesmo) ou na freguesia. Exceto Manaus. Constrangedor verificar a não existência na cidade de um monumento dedicado às três principais figuras que construíram nossa història: o madeireiro, o pescador e o seringueiro. Ou aos povos indígenas, nossos ancestrais habitantes da Terra de Santa Cruz.

Embaraçoso, por outro lado, constatar o "esquecimento" do amazonense de perpetuar a memória em logradouros públicos do grande governador Eduardo Ribeiro, de Álvaro Maia, Cosme Ferreira Filho, Moyses Israel. Impossível entender a inexistência ao menos um busto em homenagem a Pereira da Silva, a Arthur Amorim, a Roberto Campos e a Castelo Branco, os que formularam as ideias estruturais e o desenho institucional tangentes à criação da Zona Franca de Manaus, o pulmão da economia moderna do Amazonas.

Da mesma forma, passam ao largo, sem o devido reconhecimento público, empresários do porte de Isaac Sabbá, Adalberto Valle, Mário Guerreiro, Isaac Benchimol, Isaac Benzecry, Rioto Oyama. Adicionalmente, convém observar: a não ser os "antigos", os mais velhos, quem hoje lembra do regatão? A imponente figura que ligava, por meio da rede fluvial amazônica, Manaus aos seringais dos altos rios, transportando gêneros e utensílios e trazendo a borracha, a sorva, a castanha, os couros e peles, as essências vegetais, produtos extrativos da floresta sobre os quais sustentava-se nossa economia.

Nenhum deles, até os dias correntes, lamentável e vergonhosamente foi homenageado com uma estátua ou ao menos um simples busto exposto em algum logradouro da cidade.

Dever de cidadão

Sou, por formação, sensível ao enaltecimento da história memorialística de um povo como meio de potencializar o presente e o futuro. Entendo a necessidade não de "reviver" o passado, mas de resgatá-lo para melhor compreender o presente e, por extensão, adquirir meios catalisadores de um futuro livre dos erros e amarras pregressas.

Max Weber (1864-1920), ao publicar em 1904 "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", considerado, na lista das obras de não-ficção como o livro do século XX, tornou-se conhecido do mundo científico por buscar comprovar perante a história a eficácia da interpretação da sociedade partindo "não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc.), mas centrando-se no indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das 'intenções', 'motivações', 'valores' e 'expectativas' que orientam as ações do indivíduo na sociedade".

Entendo, com efeito, ser do dever dos que integram academias, entidades científicas, históricas e literárias, dos políticos e do próprio cidadão, ter como missão basilar, dentre outras funções específicas, retratar, cultuar e homenagear a presença e o papel dos pioneiros, homens e mulheres que se dedicaram à construção de nossa terra nos seus mais diversificados setores de atividades. A esses heróis esquecidos que, embrenhados nos altos rios, ali estabeleceram raízes, criaram famílias, descendências e fincaram os marcos civilizatórios que permitiram a construção do hoje estado do Amazonas e de sua capital, Manaus, a Manaós de nossos ancestrais, ora completando 351 anos.

Vexatório constar, portanto, que, salvo na Praça da Saudade, onde se ergue estátua em tributo a Tenreiro Aranha (1798-1861), primeiro presidente da Província do Amazonas, nossos ancestrais, os pioneiros que construíram nossa economia, nossa cultura e nossa história não mereceram ainda o reconhecimento por seus feitos históricos. Ao contrário, continuam solenemente ignorados.

Promover o imediato resgate desse passivo oneroso é um dever e uma obrigação de cada um de nós. Ouço, amiúde, de pessoas de alta representatividade social e econômica absurda sequência de desculpas esfarrapadas na tentativa de justificar o descaso de autoridades e representações políticas para com nossa história. Dentre as mais comuns, a estapafúrdia afirmação de que "o amazonense odeia sua terra".

Algumas dessas pessoas, embora membros destacados da comunidade, minimizam qualquer sentimento de culpa em relação a esse descaso. Embora mantenham apartamentos em Fortaleza, no Rio ou em São Paulo, adquiridos com recursos amealhados aqui, na terra cujos fundamentos históricos desprezam, mantêm-se acomodadas, individualística e egoisticamente em suas zonas de conforto.

A Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Manaus, casas do povo, são pródigas em conceder homenagens diversas, títulos de cidadania, medalhas disso e daquilo a personagens, na maioria dos casos sem vinculação de expressão ou sem que hajam prestado serviços relevantes ao nosso Estado. Deploravelmente, todavia, omitem-se no resgate e valorização dos personagens que construíram nossa história.

Memorial aos Desbravadores

Assim entendido submeti à Prefeitura de Manaus, com apoio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ( IGHA), do qual sou membro, e na qualidade de cidadão comprometido com a história e o futuro de minha terra, proposta relativa a envio de Projeto de Lei à Câmara de Vereadores de Manaus de criação e construção do Memorial aos Desbravadores a ser instalado em lugar de destaque da cidade homenageando, conjuntamente, e num primeiro momento, o seringueiro, o madeireiro e o pescador.

A proposição foi aprovada por aclamação pelo Conselho de Gestão Estratégica da PMM, do qual sou membro, em reunião do dia 28 de setembro de 2019. A obra, contudo, não foi considerada uma prioridade do Município e, desta forma, sequer foi levada à prancheta de arquitetos e engenheiros. Resta, por conseguinte, a cada cidadão lutar pelo saneamento da dívida e o resgate de nosso passado que, a cada dia, se esvai, perdendo-se nas brumas do tempo. Não podemos, entretanto, apenas e comodamente esperar pelo poder público. Ao contrário, precisamos agir com determinação e consciência do nosso papel perante a sociedade. Afinal, todos somos responsáveis. Somos nós que construímos a história.

Além do mais, nunca é demais repetir: povo sem memória é povo sem história, sem presente, sem futuro. A saber, numa das passagens memoráveis de Casa Grande & Senzala, 1933, Gilberto Freyre assim argumenta: "Não me parece que seja mau o regionalismo ou o patriotismo regional cuja ânsia é a defesa das tradições e dos valores locais, contra o furor imitativo. Não me parece que semelhante corrente de sentimento ponha em perigo a unidade brasileira nas suas raízes ou nas suas fontes de vida. Cuido para que as diferenciações regionais, harmonizadas, serão no Brasil a condição para uma pátria independente na suficiência econômica e moral do seu todo".

A hora, manauaras, ao que recomenda Freyre é, com efeito, de tomar tento e sair, obstinadamente, em busca de nossos próprios caminhos e soluções. Chega de transferir a terceiros responsabilidades a nós concernentes sobre o futuro desta terra. A começar pela valorização de nossa memória histórica e cultural.


Chutes e pedaladas de Joe Biden - em 01/10/20

No primeiro debate eleitoral das eleições americanas, realizado na noite de terça-feira, 29, os dois candidatos foram para o vale tudo. O vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, afirmou que iria reunir países e "doar US$ 20 bilhões para a proteção da região amazônica". Donald Trump respondeu ao arroubo com um meio sorriso sarcástico, denotando ironia em relação à fantasia Bideniana.

"A floresta tropical no Brasil está sendo destruída", criticou o democrata, que prometeu se juntar com outros países e oferecer US$ 20 bilhões para ajudar na preservação da região. "Parem de destruir a floresta e, se não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas", completou, sugerindo a adoção de possíveis medidas de retaliações ao governo brasileiro.

Uma declaração absurda, fora dos padrões diplomáticos, igualmente provocativa, intempestiva, grosseira e desrespeitosa ao povo brasileiro. Além do que, vazia, demagógica, sem legitimidade e base política e econômica concretas.

A menos que os "20 bilhões de dólares'' saiam dos bolsos dos contribuintes norte-americanos, pois do Orçamento Público ele não tem disponibilidades para cobrir um fundo de tamanha grandeza. O candidato democrata, com efeito, está na obrigação de identificar, já, quem seriam os subscritores do hipotético e magnânimo fundo, ou seja, que países estariam se associando a ele.

A verdade é que de boas intenções o inferno anda cheio. A Amazônia, cansada de promessas fantasiosas, de soluções mágicas, internas e estrangeiras, dispensa proselitismo político. Nestes termos, diante da proposição de Biden, lembrei-me da mais notória dentre todas as soluções megalômanas em torno da Amazônia.

Refiro-me ao projeto revelado ao mundo pelo Hudson Institute, entidade privada norte-americana, sediada em Nova York, presidido pelo cientista Hermann Kahn (1922-1983), um típico visionário dos tempos modernos, ao final dos anos 1960 início dos 1970.

O empreendimento fundamentava-se, basicamente, em seus alegados "modernos conhecimentos para o desenvolvimento econômico para o mundo". Apresentando-se ao governo brasileiro com a suposta experiência de contratada do Departamento de Defesa - Pentágono - com interesses voltados para a Região Amazônica como um todo apresentou o fantástico projeto para represar o Rio Amazonas, de Santarém a Monte Alegre, e formar um vastíssimo lago interior, de aproximadamente 240 mil quilômetros quadrados.

De tão grandioso o lago, duas terças-partes de Manaus viriam literalmente a desaparecer sob as águas. Santarém, Óbidos, Itacoatiara, Parintins, Manacapuru seriam engolidas. Submersas, desapareceriam do mapa e da face da terra.

Evidentemente, o projeto, de tão fantasioso e fora da realidade amazônica, não foi levado a sério por ninguém.

Creio que do entendimento de pessoas e organizações sérias, o meio mais eficaz de combate à pirataria ambiental é promover o desenvolvimento da região. O que compreende alocação de recursos, mediante programas, planos e projetos realísticos, com suporte de investimentos em ciência e tecnologia visando estruturar economicamente cadeias produtivas sustentáveis; em educação, no fortalecimento de nossas universidades e centros de pesquisa, em saúde, infraestrutura, comunicações e logística de transporte.

Nestes termos sim a contribuição de Joe Biden, caso eleito presidente dos Estados Unidos, seria muito bem vinda. Não apenas dele, mas igualmente da França, Itália, Japão, Alemanha, China e de todos os países amigos e seriamente preocupados com a exploração sustentável da Amazônia em prol do Brasil e da humanidade.


Eleições municipais - em 28/09/20

Cortando pela metade o número de candidatos às próximas eleições municipais (mais de 500 mil) e o total de recursos destinados ao fundo partidário (mais de 2 bilhões de reais) faria alguma diferença? Alguém sentiria falta com a redução do número de pretendentes a cargos de vereadores, prefeitos e vices em quase 5.600 municípios em todo o Brasil?

O número de candidatos inscritos nas eleições municipais de 2020 (533.097) superou o de 2016, de 498.302, até então o ano com a maior quantidade de candidaturas.

O desperdício de recursos é monumental. Segundo o TSE, o total distribuído entre as 33 agremiações partidárias foi de R$ 2.034.954.823,96. Com o novo cálculo, o Partido dos Trabalhadores (PT) receberá o maior montante, com mais de R$ 201 milhões, seguido pelo Partido Social Liberal (PSL), com cerca de R$ 199 milhões, e pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com aproximadamente R$ 148 milhões.

Apenas dois partidos comunicaram à Justiça Eleitoral a sua decisão de abrir mão dos recursos do FEFC para financiar as campanhas políticas de seus candidatos a prefeito e vereador: o partido Novo e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

Decepcionante constatar que expressivo número de chefes partidários usam parte importante desses recursos para o custeio de suas despesas pessoais, partidárias ou não. Do lado dos candidatos, muitos deles fazem das eleições meios de aumentar sua renda pessoal. Além do quinhão no fundo partidário, quando se trata de funcionário público, ainda ganha licença remunerada, creio que de 90 a 120 dias.

Há outro renomado absurdo por trás de tudo. Imensa maioria dos eleitos, por outro lado, simplesmente desaparecem após o pleito. Apenas se locupletam dos polpudos subsídios e verbas de representação de gabinete. Em Manaus cada vereador custa aos cofres municipais mais de 100 mil reais por mês, cerca de 1,2 milhão anualmente. Um tremendo disparate.

Afinal, o que o Brasil, os estados e os municípios ganham com essa caricatura de exercício de democracia? R$ 2 bilhões não seriam melhor empregados na educação de nosso povo, tão carente e tão distante de escolas informatizadas?

No país do carnaval, entretanto, quem liga para isso tudo?



ZFM, hora e vez da diversificação da matriz econômica - em 17/09/20

A decisão tomada de encerrar suas atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM) levou em conta "o ambiente recente de mercado e a tendência esperada para os negócios", explicou a Sony Brasil em comunicado divulgado nesta terça-feira, 15. Visou, por outro lado, "fortalecer a estrutura e a sustentabilidade de seus negócios, para responder às rápidas mudanças no ambiente externo", completou o comunicado.

A empresa, que opera no Brasil há 48 anos (entre S. Paulo e Curitiba), garantiu que as atividades de produção cessarão em final de março de 2021 e que, em meados deste ano, irá interromper a venda de televisores, câmeras e equipamentos de áudio, entre outros produtos fabricados em Manaus, levando à perda irreversível de 220 postos de trabalho.

A decisão da Sony dá sequência a outras tomadas no passado por importantes grupos multinacionais, que também encerrarem suas atividades em Manaus - Bosch, Philips, Sanyo, Ericsson, Nokia, Telefunken, Xerox, Basf, Philco, Siemens, assim como a Pepsi Cola (concentrados). De fato, ao longo desses mais de meio século grande número de empresas desistiram de manter ou de se instalar na ZFM, mesmo com cerca de 10 mil projetos aprovados pela Suframa e governo do Estado no período.

Para que se tenha uma ideia, em 1990 o PIM gerava mais de 150 mil empregos diretos, hoje, já em declínio e mais recentemente influenciado pela pandemia do Covid-19 o número gira em torno de 85 mil postos de trabalho mantidos no polo industrial. O faturamento, em dólar, despencou 29,64%, base maio, de US$ 26,4 bilhões em 2019 para US$ 7,6 bilhões contabilizados neste exercício.

A saída de empresas multinacionais da ZFM, face à dinâmica dos mercados, é um fenômeno que até pode ser considerado normal, visto que ao aqui se instalarem não transferem a base de tecnologias de processo e produtos ao PIM. Nas décadas de 1970/1980 as fabricantes de TV e rádios japoneses Semp, Sharp, Sanyo e Sony expulsaram do mercado mundial marcas como RCA, Admiral, GE, Vozzo, Grundig, Colorado, Philco e Telefunken. E assim será no futuro próximo. Mercados não param nem esperam.

Por outro lado, lamentavelmente esses grupos não promovem substituição de produtos defasados tecnologicamente por outros de nova geração que motivaram o encerramento local de suas operações industriais. O domínio mundial do mercado de TV por enquanto é da Coreia do Sul, sucessora do Japão, que logo terá a companhia internacional da China. Entretanto, produtos eletrônicos e bens de informática alternativos poderiam estar sendo fabricados no PIM. A Intel instalou uma fábrica de micro processadores (US$ 2 bilhões de investimentos) no Vietnã; por que não em Manaus?

Não há como evitar decisões de natureza intimamente ligadas a interesses dos negócios de cada grupo empresarial, exatamente devido à volatilidade das tecnologias disruptivas em setores de ponta da economia, particularmente eletrônicos e informática. O fenômeno indica, por outro lado, a ingente necessidade de o governo promover a reestruturação do chamado modelo ZFM, concentrado polo industrial, que abriga diminutas cadeias produtivas (sete setores respondem por 93,22% do faturamento do PIM).

Há 30, 20 anos atrás já estava claro que a monocultura industrial não levaria a economia amazonense a porto seguro no longo prazo. Pois bem, o momento chegou. A hora, por conseguinte, é de realizar os investimentos que se fazem necessários à implantação da bioeconomia, a exploração sustentável de recursos da biodiversidade - produção de alimentos, biofármacos, biocomésticos, construção naval, ecoturismo, polo petróleo-gás, serviços ambientais, nanotecnologias, bioengenharia, manejo florestal, mineração, dentre outros.

Não temos outro caminho adiante. Não se trata, evidentemente, de substituir o PIM, como alguns teimosamente insistem, mas de complementá-lo, aerando nossa matriz econômica via diversificação de cadeias produtivas derivadas de produtos oriundos da vasta potencialidade que o bioma amazônico nos oferece sem pedir nada em troca, a não ser que dele cuide bem e o preserve para o bem do Brasil e da humanidade.


Escândalos com "E" maiúsculo - em 31/08/20

Para manter o foco em fatos históricos tendentes ao esquecimento, vale a pena recordar alguns dos mais graves escândalos e atos de corrupção da República brasileira nestes últimos anos:

Mensalão

Em 2005, o esquema de compra de votos comandado pelo governo do PT foi revelado e colocou Lula contra a parede. Deputados eram pagos com dinheiro público, desviado com a ajuda do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do operador Marcos Valério. O esquema, revelado por Roberto Jefferson, era chefiado, segundo ministros do STF, por José Dirceu.

Cassação de José Dirceu

Com 293 votos a favor e 193 contra, a Câmara dos Deputados cassou o mandato do então deputado José Dirceu (PT-SP) por quebra de decoro, em dezembro de 2015. A decisão ocorreu depois de uma série de depoimentos de Roberto Jefferson (PTB), que revelaram o escândalo do mensalão e dos Correios, e que resultaram na demissão de Dirceu da Casa Civil

Escândalo dos "Aloprados"

Em 2006 a Polícia Federal prendeu dois integrantes do PT que tentavam negociar um falso dossiê que ligava José Serra e Geraldo Alckmin - candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência, respectivamente - ao escândalo dos sanguessugas. Um dos 'aloprados', termo cunhado por Lula, era Hamilton Lacerda (foto), ex-assessor de Aloizio Mercadante.

Renúncia de Palocci

Em março de 2006, Antônio Palocci renunciou ao cargo de ministro da Fazenda. A renúncia aconteceu depois da acusação de que ele teria chefiado o esquema de corrupção na época em que era prefeito de Ribeirão preto. Palocci teria cobrado "mesadas" de até R$ 50 mil mensais de empresas que prestavam serviços à prefeitura para os cofres do PT.

Prisão da cúpula do PT

Em outubro de 2012, 8 anos após a explosão do escândalo do mensalão, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares foram condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha. Em agosto de 2014, Genoino pediu progressão de regime e passou a cumprir a pena em casa, assim como Delúbio e Dirceu.

Faxina de Dilma

No primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, perderam o cargo sob suspeita de malfeitos os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), Wagner Rossi (Agricultura), Orlando Silva (Esporte), Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades). Dilma enfrentava a primeira turbulência no poder.

Lava-Jato

O juiz Sérgio Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal conduziram as investigações do maior escândalo de corrupção do país, com o foco inicial no desvio de recursos da Petrobras. Cerca de R$ 2,9 bilhões já foram recuperados. Delatores disseram que parte da propina do esquema ia para o PT.

Prisão do Tesoureiro do PT

Acusado de receber propina de contratos da Petrobras para o PT, em doações oficiais e em espécie, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto foi preso em abril de ano 2015. Ele já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro.

Pedaladas de Dilma - o impeachment

Em parecer unânime do Tribunal de Contas da União Diante, as pedaladas fiscais (manobras contábeis) praticadas pela presidente Dilma Rousseff foram consideradas crime de responsabilidade fiscal. Pedido de impeachment contra Dilma na Câmara defende a cassação por crime de responsabilidade.

Marqueteiro do PT preso

Na fase "Acarajé" da Operação Lava-Jato, o marqueteiro das campanhas de Dilma e Lula, João Santana, foi preso junto com a sua mulher, Mônica Moura. Eles são acusados de receber dinheiro de propina no exterior repassado pela Odebrecht.

O caso Delcídio Amaral

O ex-líder do governo, senador Delcídio Amaral, foi preso em flagrante ao tentar comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró. Em negociação para firmar acordo de delação, Delcídio implicou Dilma e Lula no escândalo da Petrobras. Afirmou que ambos atuaram para melar a Lava-Jato.

Lula implicado até a medula

Na 24ª fase da operação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo da Polícia Federal. Ele foi levado para prestar depoimento. Sua relação com empreiteiras é investigada. Filhos de Lula e o braço-direito Paulo Okamoto também são alvos da operação.

Supremo e Congresso acovardados

O ex-presidente Lula falou com a presidente Dilma Rousseff por telefone no último dia 4 (março de 2016) depois de ter encerrado o depoimento à Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, onde foi levado coercitivamente.

Sem amarras, foi direto ao ponto: "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos uma Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar".

Tomado por ódio incontrolável, disparou: "Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar".

Eu, sinceramente, tô assustado com a "República de Curitiba". Porque a partir de um juiz de 1ª Instância, tudo pode acontecer nesse país - diz Lula.

Passagens vergonhosas de nossa história, hoje tendentes ao esquecimento de parte da população e das instituições da República. E desta forma, à minimização de fatos políticos relevantes - o dito pelo não dito - e à fragilização de nossa democracia.



Conselho da Amazônia, desafios e prioridades - em 24/08/20

O Conselho Nacional da Amazônia Legal tem como missão modernizar a fiscalização, legalizar as atividades econômicas, impulsionar o crescimento sustentável e desenvolver a região sem a exploração predatória - marca de avanços civilizatórios desencadeados em outras regiões do planeta que deixou cicatrizes.Discutindo a questão no programa Brasil em Pauta, da TV Brasil, o vice-presidente da República e presidente do órgão, general Hamilton Mourão, que lidera os esforços do governo federal para dialogar, preservar e apoiar a fiscalização ambiental no território amazônico, afirmou que há uma preocupação genuína com o legado de preservação que será deixado pela geração atual para os brasileiros e a humanidade.

O tema da sustentabilidade, da preservação do meio ambiente, é um tema do século 21. A nossa geração tem que ter a capacidade de manter os recursos naturais do planeta de tal sorte que nossos filhos e netos continuem a fazer uso desse bem, que é comum a todos, portanto, de inteira responsabilidade da sociedade. Entretanto, "um dos grandes problemas da Amazônia é a ausência da presença do Estado. O Estado brasileiro não se faz presente da forma que deveria ser. A única presença estatal que temos lá, praticamente, são as Forças Armadas. Além da missão de garantir as fronteiras, temos apoiado as agências que têm a responsabilidade de fiscalização ambiental na região", afirmou.

A região amazônica, correspondente a 61% do território nacional, segundo Mourão, necessita de atenção especial, tanto no desenvolvimento econômico quanto em incentivos sociais de conscientização e de combate a atividades que podem ser consideradas predatórias e danosas ao meio ambiente. De acordo com o presidente do Conselho, "agências regulatórias e fiscalizatórias da região precisam ser resgatadas e remodeladas, de maneira a serem independentes do suporte militar que atualmente é fornecido". Sustentabilidade e preservação do meio ambiente, são, efetivamente, temas do século 21. O Brasil obriga-se a assumir responsabilidades e a desenvolver capacidade de manter seus recursos naturais para uso econômico sustentável desta e das futuras gerações.

O vetor fundamental, o alicerce dessa nova política há de centrar-se na convergência de ações estratégicas do Executivo (governos, Suframa, Sudam), centros de pesquisas e universidades, representações políticas e empresariais em torno da governança do sistema. Não é inteligente, muito menos racional permitir a manutenção dos distanciamentos hoje configurados entre agentes públicos e privados. Governança, a palavra de ordem. O sucesso do Conselho da Amazônia é função direta da viabilização desses pressupostos.

Quando da reunião do Comitê IND ZFM COVD-19, liderado por Cieam e Fieam, a se realizar esta tarde em Manaus com a participação do vice presidente Hamilton Mourão, certamente será discutida a necessidade de conferir ênfase absoluta à valorização da bioeconomia como base da nova matriz econômica regional e o entendimento de que a exploração sustentada dos recursos da biodiversidade depende fundamentalmente da floresta em pé. Ativo de alto valor econômico e ambiental, que, destruído, perde integralmente significância estratégica.

Preservar o ecossistema amazônico dependerá inelutavelmente da exploração sustentável de seus recursos naturais. O caminho seguro para gerar mecanismos objetivas de defesa do bioma. Bertha Becker, em momento singular de sua obra, apropriadamente observa haver três grandes eldorados naturais no mundo contemporâneo: um, a Antártida, espaço dividido entre as grandes potências; outro, os fundos marinhos, riquíssimos em minerais e vegetais; e o terceiro a Amazônia, maior floresta tropical e maior reserva de água doce do mundo. Cabe ao Brasil, em associação com a comunidade científica internacional, por conseguinte, viabilizar complexos, porém imperiosos mecanismos necessários à consecução desses magnos objetivos.


Amazônia 4.0, por uma bioeconomia inovadora - em 27/07/20

O programa "Amazônia em Transformação", do Instituto de Estudos Avançados de São Paulo (IEA/USP) e Imazon foi discutido na última terça-feira, 21, em Webinar de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Ciência. O evento contou com as participações dos Acadêmicos Carlos Nobre e Carlos Alfredo Joly, e do indígena do povo Tukano e antropólogo, João Paulo Barreto, e mediação do pesquisador do Inpa, Adalberto Val. Coordenado pelo pesquisador Carlos Nobre (ex-Inpa e Inpe), o projeto Amazônia 4.0 reúne uma equipe de professores e pesquisadores de diversas vinculações institucionais dedicada a estudar e propor soluções sobre desenvolvimento social, econômico e ambiental do Setentrião brasileiro.

A proposta tem por objetivo alcançar "um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para a Amazônia baseado na introdução de uma bioeconomia inovadora, unindo a sociobiodiversidade com modernas tecnologias". Até o momento, ao que informa Nobre, a execução do projeto tem contado apenas com recursos de filantropias, sem participação do governo brasileiro. Esta etapa contempla a construção - em andamento - do primeiro Laboratório Criativo da Amazônia para a cadeia cupuaçu-cacau e também o desenho de um laboratório para recursos genéticos e genômicos de laboratórios para castanha e óleos gourmet de produtos da floresta.

Propondo-se também criar alternativa inovadora como estratégia de implementação do Amazônia 4.0 a partir de tecnologias disruptivas, o programa foi concebido com vista a novas oportunidades de pesquisa, tecnologia e aprendizado para valorizar e proteger os ecossistemas amazônicos e, igualmente, servir aos interesses das populações locais, povos indígenas e tradicionais, seus naturais mantenedores. Prevê ainda investir em "economia verde equitativa e socialmente inclusiva, orientada para a biodiversidade, aproveitando o valor da natureza através de produtos sustentáveis de florestas tropicais em pé".

O documento base do programa fundamenta a iniciativa em três premissas: a) de haver chegado o momento de abrir as portas para as oportunidades inerentes aos ecossistemas específicos e diversificados da Amazônia, adotando ações que incluem, por exemplo, a pronta prototipagem e expansão de inovações que aplicam uma combinação de tecnologias avançadas digitais, biológicas e de materiais da 4a Revolução Industrial (4RI); b) na constatação de que essas tecnologias estão cada vez mais utilizando e se beneficiando com os ativos biológicos e biomiméticos em diversas indústrias - de produtos farmacêuticos a energia, alimentos, cosméticos, materiais e mobilidade - não apenas na Amazônia, mas em muitos lugares ao redor do mundo; c) na certeza de que a bioeconomia deve gerar empreendedorismo local, bioindústrias diversificadas e produtos de valor agregado em todos os elos da cadeia de valor, a partir do amplo uso de tecnologias inovadoras.

A proposta, ao que se propõe, é, em essência, ambiciosa, ousada e de alto impacto em relação à "exploração sustentável de nossa biodiversidade e salvaguarda das funções climáticas dos sistemas florestais e fluviais relevantes à Amazônia brasileira, pan-amazônica e ao planeta". Por isso mesmo há de se estranhar, na formulação teórica e operacional do programa a não participação da universidade, dos centros de pesquisa regionais (Inpa, Embrapa, Cba, Museu Goeldi), das secretarias estaduais de ciência, tecnologia e inovação, da Sudam, Suframa e do próprio Conselho da Amazônia.

A exploração dos amplos recursos da bioeconomia, do ecoturismo, do manejo florestal sustentável, da mineração e seus derivados industriais configuram alternativas econômicas positivas caso se se realizem os investimentos correspondentes em P,D&I. Com efeito, o Amazonas 4.0 poderá vir a tornar-se bom para a região desde que obrigatoriamente submetido à governança local, irrenunciável, inabdicável a qualquer título a agentes estranhos à cultura e à ciência amazônica.


Amazonas, isolado e desunido em busca de 2073 - em 20/07/20

A carta dos empresários solicitando ao Conselho da Amazônia uma política para a região pouco repercutiu aqui no Amazonas. Mesmo assim, mais junto ao empresariado do que nos meios políticos. Os signatários do documento até já foram recebidos pelo general Hamilton Mourão, titular do Conselho. Em Manaus, algumas vozes, sobre o assunto, merecem atenção. De um lado, o empresário Aderson Frota, presidente da FComércio, em mensagem a mim enviada por e-mail observa, de início, que, a discussão da Amazônia esbarra na falta de pleno conhecimento da região. A grande maioria dos brasileiros (nordeste, centro oeste, sul e sudeste), observa, nunca colocou os pés em território amazônico, embora a região corresponda a mais de 60% do Brasil; somente o Amazonas representa quase 20% do Brasil".

Quanto ao estado do Amazonas, salienta Frota, "é dotado da maior bacia hidrográfica do mundo; o Rio Amazonas corta de oeste a leste a área do Amazonas, para depois, atravessando o estado do Pará, desaguar no Oceano Atlântico". Mesmo assim "confunde-se Amazonas com Amazônia". Além do extraordinário manancial de água doce, a região "tem uma selva exuberante, a maior reserva de madeira de lei do Planeta e uma diversidade de fauna e flora pouco conhecida, estudada e catalogada. Patrimônio esse de ínfima expressão para a economia nacional".

Além disso, segundo Aderson Frota, "o Amazonas encerra a maior reserva mineral do Brasil, ainda intocada: ouro, nióbio, cassiterita, bauxita, terras raras, petróleo e gás natural, potássio, calcário e muitos outros minerais estratégicos. Não obstante toda essa expressão de grandeza geopolítica, continua isolado. Sua economia se ressente de portos, rodovias, ferrovias e sua cabotagem tem os maiores preços do mundo. Exemplifica Frota: "um container de 40 pés, saindo de Hong Kong (China) para o Porto de Santos em São Paulo, é mais barato do que o mesmo container saindo de Santos para Manaus. O déficit de conhecimento da região é abissal. O que é ruim para o Brasil, é pior para o amazonense".

O professor de Engenharia da UFAM, Augusto Rocha, em artigo publicado semana passada, chama a atenção para o "afastamento misterioso" existente entre as instituições do Amazonas. Nesse sentido, "vê-se que as universidades poderiam ser muito mais próximas das indústrias e vice-versa. O mesmo acontece entre órgãos do governo". Quais razões, observa, "INPA e Embrapa estão longe da Suframa e da construção do CBA, que fatores levam os órgãos de trânsito e mobilidade urbana estarem distantes das universidades, dos cursos e alunos de arquitetura, engenharia civil, estatística e matemática? Existe por aqui uma distância onde todos ficam encastelados em suas fronteiras".

Quando estas instituições se conectam com outras para lidar com o dia a dia, "é mais fácil vê-las interagindo com outros Estados ou com o exterior". Assim, insiste Augusto Rocha, "vemos empresas de consultoria nacionais ou internacionais atuando por aqui, mas dificilmente veremos projetos egressos do Amazonas e para o Amazonas, a partir de uma interação institucional local. O que nos levou a esta condição? Não sei ao certo, mas percebo claramente que isso é um problema real, ainda insolúvel, e que algo está fora de lugar", questiona Rocha.

A propósito, o presidente do CIEAM, Wilson Périco, "pondera tratar-se de litígios que remetem ao dito popular segundo o qual 'santo de casa não faz milagres'. Razões? Vaidades e interesses menores em detrimento do coletivo. Não raro, salienta, "a necessidade de se fazer prevalecer ou simplesmente 'aparecer' leva a reduzir/enfraquecer as representações das entidades". Ao que se pode presumir, os problemas do Amazonas - que são muitos - têm origem aqui mesmo. Sem norte claramente definido, como sistematizar nossos projetos e objetivos? Superar tais impasses exige, acima de tudo, disciplina, desprendimento, solidariedade, união, respeito ao próximo. Às pessoas, às instituições e às lideranças governamentais, políticas e empresariais.

Nesse sentido, há de se levar em conta a sapiência do provérbio, segundo a qual "birds of a feather flock together". Pássaros da mesma plumagem voam juntos. Sabedoria intrínseca à natureza dos seres vivos, humanos ou não.



Pax Brasilis - em 11/07/20

A chamada Pax Romana é entendida como um estratagema que o Império Romano, desde Augusto César (29 a.C) a Marco Aurélio (180 d.C) lançou mão para assegurar sua hegemonia perante os povos conquistados e justificar sua posição de mando perante os territórios anexados e o mundo. Como os povos conquistados falavam línguas diferentes e detinham valores e culturas muito diferentes, que, somados ao fato de estarem sob julgo de outro povo, tornava o Império Romano um caldeirão fervendo de possibilidades mil de tensões, revoltas e sublevações.

Tal contexto histórico beligerante, tornava premente ações que deveriam ir além da romanização destes povos. Era preciso estabelecer meios conducentes à tranquilidade, segurança, ordem e paz por todo o território imperial. Estágio imposto pela presença militar junto às regiões conquistadas, que passam a propiciar clima de segurança, estabilidade e paz, diante das sempre eminentes possibilidades de revoltas ou invasões dos povos fronteiriços ao Império. Sob este clima de paz - a Pax Romana -, o Império de Roma estabeleceu sua hegemonia política, administrativa, fiscal e judicial.

Ocorre que os poderosos de Roma utilizavam a pax como meio ideológico para legitimar as atrocidades que eram praticadas. Todas as ações se tornavam legítimas em nome da boa ordem e funcionalidade do Império. Neste esquema de poder, portanto, aqueles que procuravam denunciar as injustiças tinham a voz silenciada e, geralmente, a via para isto era a morte. Como todo regime opressor não teve vida longa.

O Brasil, ao contrário, não ocupa territórios, não conquista nações, não busca ampliar geopoliticamente suas fronteiras em movimentos expansionistas à moda Bonaparte ou Hitler. Somos um país ordeiro, que, todavia, ao contrário do verso do Hino Nacional (que Deus me perdoe!), foge à luta como o diabo da cruz. Que só se levanta para comemorar gols nos estádios de futebol, para aplaudir Escolas de Samba nos desfiles da Sapucaí ou o Boi de Parintins. Entretanto, como disse Glauber Rocha, só é solidário no câncer.

Trocando em miúdo, o Brasil hoje está fortemente voltado a intrigas, disputas estapafúrdias, a guerras desprovidas de sentido pragmático ou de significância histórica. A tal ponto chegamos que o novo coronavírus e o uso da cloroquina - absurdo supremo - foram partidarizados. Há torcidas contra - a direita -, e a favor do vírus - a esquerda; que defendem ardorosamente o uso, ou não, da cloroquina no combate ao covid-19. Ambas as correntes "políticas" se movem apenas por difusas noções sobre a estrutura molecular do vírus ou o princípio ativo e eficácia científica do medicamento. Apenas, por sua natureza, são contrários ou favoráveis. Lembrando a fábula do sapo e do escorpião.

Enquanto isso, avultam movimentos - antifas, black blocks, neonazistas, ultra direitistas, ultra esquerdistas, como o Fórum de São Paulo que alimenta a fantasia do socialismo bolivariano da Venezuela. Efetivamente, os "organizadores do caos", constituídos por gangues movidas por um objetivo singular, mas poderoso: a desestruturação social e política. É bizarro, a propósito, observar a prática de vandalismo sendo chamado de "defesa da democracia" ou de "movimentos de libertação". Segundo sociólogos, "a ignorância e a má-fé são terrenos férteis para esse tipo de truque. Ou por falta de vocabulário, ou pela utilização marota dele, o mais cômodo é entalar tudo aquilo que não gostam sob o rótulo de fascistas ou comunistas".

A sociedade brasileira, por setores das classes estudantis e operárias, dos professores, dos profissionais liberais, etc., mesmo a despeito dos instantâneos meios de comunicação das universalmente abrangentes redes sociais - como Facebook, Twitter e outras - é, em grande dose mais alienada, muito menos engajada politicamente do que nos anos 60 e 70. Época em que nem se ouvia falar de internet.

Enquanto isso, distorcido de princípios político-ideológicos, lato sensu, cresce, com certo furor, um sentimento de ódio social, em que se chocam seriamente irmãos contra irmãos. Em que não se chega a acordo algum, porque exatamente ninguém se entende. Ora, em tal processo de ruptura, seria a revolução o caminho? E por que não um acordo nacional conciliatório, a exemplo do Pacto de Moncloa, de 1977, que livrou a Espanha das agruras da Guerra Civil, de 1935, possibilitando ao país vir a tornar-se um dos mais desenvolvidos da União Europeia?

O Brasil, na verdade precisa marchar de vez rumo ao seu destino histórico. A dar coro ao lamento de forças retrógradas, apegadas a um passado que não volta, a ranços ideológicos improdutivos, jamais chegará a lugar algum. Vamos continuar rodando em círculo, namorando sistemas políticos dogmáticos e radicais, que a história os provou ineficazes, por distantes dos anseios da sociedade.



Vexame histórico - em 30/06/20

O Amazonas não merece sofrer tal constrangimento.Uma Operação da Polícia Federal em plena sede do Governo estadual? Invadindo casa de um governador? Mais uma vez?

Até quando vamos nos sujeitar a tais vexames? Demonstração clara e evidente de que o amazonense ainda não aprendeu a se dar integral valor. Não aprendeu a separar o joio do trigo.

Isto, ao que me refiro, aos dias de hoje. Porque, em passado distante, tal situação calamitosa, tal bisonhice, tal embaraço jamais ocorreu.

Tempos de homens de moral ilibada, cuja palavra alicerçava-se no fio do bigode, em que palavra dada era palavra cumprida.

Homens que saíram do governo, do universo da política como entraram, pela mesma porta. E voltaram a ser cidadãos comuns, exercendo suas atividades rotineiras com toda a dignidade, como se jamais tivessem ocupado o poder.

Somos um povo ordeiro, tolerante, acolhedor. Até demais, para o meu gosto. Pessoas vêm de fora e são reverenciadas, tratadas como um igual. E logo se tornam também amazonense. Os exemplos se multiplicam.

Muitos aqui se fixaram temporária ou definitivamente, deram e dão a vida, por meio de seus negócios, de suas atividades profissionais, em favor do desenvolvimento de nosso Estado.

Alguns tornaram-se até mais amazonenses do que muitos amazonenses. Com histórias indissociáveis da evolução educacional, cultural, social e econômica desta terra.

Citar nomes é sempre arriscado, pela inevitável possibilidade de omissão. Todos eles, contudo, mantém-se vivos em nossos corações e mentes, honrados por nossas lembranças e reconhecimento ao pioneirismo exercido na indústria, no comércio, nas salas de aula, na advocacia.

Igualmente, na justiça, no turismo, na medicina, na enfermagem, na farmácia, na engenharia, nas artes, na ciência, na literatura, na poesia, nos transportes, nas tabernas de bairros, nos beiradões, nos seringais, no extrativismo, atividades que os levaram a construir nossa sociedade e nossa economia.

O Amazonas não precisa de aventureiros. Temos muito boas cabeças com suficiente discernimento, competência profissional e seriedade para gerir nossos destinos.Apenas precisamos, em alguns casos, saber escolher melhor os que nos representam e governam.



CORECON-AM discute economia do Amazonas no pós-pandemia - em 26/06/20

O Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM) realizou na tarde desta quinta-feira, 25, a primeira videoconferência, de uma série semanal que começou a promover tendo por objetivo fundamental debater o importantíssimo tema ECONOMIA DO AMAZONAS PÓS-PANDEMIA COVID-19.

Os programas reunirão profissionais de alto nível da Universidade, da pesquisa, do governo, Suframa, além de políticos, representações das classes empresariais e das diversas categorias de trabalhadores. Todos, rigorosamente, comprometidos com a busca de soluções objetivas e viáveis relacionadas à integração setorial (agropecuária, indústria e comércio) do processo de desenvolvimento econômico do Estado e da Zona Franca de Manaus..

No primeiro programa levado a cabo na tarde de ontem, do qual este articulista atuou como mediador dos debates, tomaram parte o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento do Amazonas, Jorio Albuquerque Veiga Filho; os economistas Nelson Azevedo dos Santos, vice-presidente da FIEAM; Rodemarck de Castello Branco, professor de Economia aposentado da UFAM e consultor econômico, e do líder empresarial, também economista, Wilson Périco, presidente do CIEAM.

Além dos debatedores, a videoconferência contou com audiência qualificada. Foram postados diversos comentários com ideias e sugestões ajustadas aos objetivos das discussões promovidas. O que significa que a sociedade espera iniciativas desse porte, durante as quais possa interagir, fazer suas críticas e propor sugestões. Um vasto e promissor campo de trabalho para o CORECON-AM.

O secretário Jorio Veiga Filho, titular da SEDECTI, expôs as linhas gerais do planejamento governamental, que tem como estrutura de sustentação, políticas públicas para enfrentar a pandemia mundial. Ênfase dada ao projeto Biopolis Amazonas, um projeto "guarda chuva"e uma narrativa de desenvolvimento econômico no qual o programa Rota da Biodiversidade é um dos vários eixos que a Sedecti está trabalhando.

O secretário Veiga Filho especificou as linhas gerais que estão sendo articuladas com vistas a promover a integração da bioeconomia e suas complexidades, onde se inserem produção de alimentos, turismo ecológico, mineração, manejo florestal sustentável, o pólo gás-químico. O objetivo maior é legitimar, mesmo 53 anos depois, o tripé conceituado no Art. 1o do DL 288/67, que estabelece criar, no interior da Amazônia Ocidental, um polo agropecuário, industrial e de prestação de serviços, sabendo-se que esta disposição da lei até hoje não foi cumprida.

Nessa mesma linha o vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo do Santos, com base em sua larga experiência como economista, executivo e empresário bem sucedido no Polo Industrial de Manaus, acredita ser este o momento exato de o governo estadual, ao lado da Suframa, das representações empresariais e classes políticas trabalhar a busca de soluções, promover a reestruturação da política de incentivos vigente de sorte a ajustá-la aos padrões tecnológicos da Indústria 4.0 e à necessidade de integração setorial e complementar da nova matriz econômica do Amazonas e da ZFM.

Para o economista Rodemarck Castello Branco, com base em sua larga visão de professor e consultor econômico que acompanhou passo a passo a evolução da política de incentivos fiscais, a ZFM deu certo. Embora parcialmente. Isto devido a questões de fundo menosprezadas pelo governo. O que o levou a ressaltar a necessidade de estudar cenários futuros buscando, assim, definir objetivos e metas, no horizonte 2073.

Qualquer cenário haverá de estar voltado ao fortalecimento do PIM no padrão da indústria 4.0, integrado à bioeconomia, que apresenta grande potencial de crescimento na região. O governo terá, obrigatoriamente, para a viabilização dessa nova matriz econômica promover uma revolução, segundo Castello Branco, nos campos do ensino técnico-profissional e da canalização de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação ( P,D&I).

O presidente do CIEAM, Wilson Périco, por seu turno, acredita que a Zona Franca de Manaus tem árduo caminho a percorrer para viabilizar a integração do Polo Industrial de Manaus (PIM) aos padrões tecnológicos impostos pela Revolução Industrial 4.0. Não obstante, o CIEAM é cem por cento comprometido com a integração setorial da nova ZFM resultante da incorporação da bioeconomia e suas complexidades ao processo de interiorização do desenvolvimento sustentável do Amazonas. A hipótese, segundo Périco, diz respeito ao elenco de oportunidades e alternativas que se ajustem ao PIM como evolução de processos tecnológicos industriais e bioeconômicos.

Também chamou a atenção para o iminente risco de desemprego que já contamina diversas empresas do Polo. A razão é simples, acrescenta: devido aos ajustes tecnológicos que a pandemia do covid-17 está induzindo em relação aos processos produtivos, as empresas irão produzir duas vezes mais do que hoje, gerando menos emprego. Em síntese, a pandemia, simplesmente, vem antecipando inovações que inevitavelmente iriam ocorrer bem mais à frente.

O maior desafio, para Wilson Périco, consiste em como acomodar as mudanças. Os debatedores do programa acreditam que o caminho tem, ao menos, duas vertentes fundamentais: a) geração de novas atividades, além muro da capital, isto é, extra PIM; e b) investir na qualificação de pessoas para os novos postos de trabalho a serem gerados pela nova matriz econômica do Estado.

Nesse sentido, o Amazonas e a ZFM estão dependentes de planos de desenvolvimento, de programas, projetos e metas de Estado, não de governo. Que se mantenham independentemente das cores partidárias do titular que assuma o Executivo. Nosso comprometimento, como define Nelson Azevedo, é com o Amazonas, com o nosso futuro, com nosso desenvolvimento.

O político, se não tiver grandeza de estadista não deixa marcas duradouras em sua passagem pelo poder público. Como as estações, vêm e vão.


Ódio e desagregação política empurram Brasil rumo a caos social- em 19/06/20

Ministros do STF revoltados com ataques que vêm sendo vítimas por parte de setores radicais do bolsonarismo sinalizam tendência de enfraquecimento institucional do país. A Suprema Corte deve ser respeitada, não há qualquer dúvida, afinal, são os guardiães da Constituição. Contudo, embora alguns de seus membros suponham-se deuses, alguns deles, todavia, não respeitam a toga que usam. Particularmente, ao desferir ofensas ao presidente da República, criticar pela mídia o Executivo, dar palpite indevido a ações do governo e ao mandar prender deputados sem a necessária prévia autorização do Legislativo.

A propósito, não é possível esquecer o esbulho do ministro que presidiu o impeachment de Dilma Rousseff ao fatiar o processo, isto é, aprovando o afastamento da então presidente, mantendo, porém, intactos seus direitos políticos. Um chute na própria Constituição que o STF tem por dever defender e respeitar. Causa horror à sociedade que apenas um só ministro haja revogada a prisão de 37 presos, dentre eles um seu afilhado de casamento.

Desta forma, o STF tem se caracterizado perante a nação como a instância que, preferencialmente, liberta condenados, e que busca sempre caminhos intrincados do ponto de vista da legislação em benefício de certos privilegiados, não importa o quão corruptos sejam. Como o caso recente do ex-presidente Collor, absolvido pelo STF por prescrição de crimes, ou do ex-governador Garotinho e sua mulher, a ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho, que já foram presos e soltos umas três vezes ou quatro vezes, do ex-senador Aécio Neves, do ex-ministro Zé Dirceu e de tantos outros beneficiados com medidas de relaxamento penal em processos, ao que tudo indica, no meu entendimento de leigo, mas de cidadão, simplesmente aguardam no Supremo o decurso de prazos de prescricionais.

Os poderes da República são independentes e harmônicos entre si, assim dispõe o Art. 2o da Constituição Federal. Por essa razão superior não é razoável nem civilizado a troca de ofensas públicas de um Poder contra outro como nós, a sociedade brasileira, estamos, envergonhadamente, habituados a assistir. Não se observa em nenhum lugar do mundo um ministro do Supremo Tribunal Federal, ou um presidente da Câmara dos Deputados a desferir críticas abertas a um presidente da República, e vice-versa.

Afinal, em que país estamos? Num momento de pandemia do covid-19 com gravíssimas consequências sobre as economias mundiais, que vem promovendo recessão generalizada, recrudescimento do desemprego, do déficit público, desarranjo do sistema educacional e de saúde público, da produção industrial e dos serviços, efetivamente não faz sentido a formação de frentes políticas, a propósito as mesmas derrotadas em 2018, com o fim precípuo de obstaculizar de sabotar a ação governamental, torcendo pelo caos, contra a sociedade e a favor do vírus.

Vejamos um dado importante que tanto inquieta a sociedade, situação que, entretanto, se objeto de protesto para responsabilizar ministros por comportamentos, digamos, complacentes, pode vir a ser motivo de prisão dos envolvidos em eventuais manifestações democráticas. A saber: a Justiça brasileira vem colocando na cadeia uma enxurrada de poderosos (ricos, políticos, empresários, etc.) - todos suspeitos e/ou condenados em processos judiciais diversificados, mas que ainda não transitaram pelos Tribunais de 2ª instância, sendo essa a premissa para que o condenado cumpra a sua pena em regime aberto, semiaberto ou fechado, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal - STF, em 2016.

Como STF nem Congresso se mexem para resolver a pendência muitos presos foram libertados, alguns de alta periculosidade, assassinos confessos ou grandes hordas de corruptos, ladrões dos cofres públicos, encontram-se, como se diz, livres, leves e soltos, tranquilos dando uma banana para a lei penal do país. Enquanto isso a Corte, na quarta-feira, 17, decidiu que vai prosseguir o inquérito das fake news. Um dia triste para a Justiça brasileira, para a liberdade de expressão e opinião e para a democracia. De fato, como escreveu o jornalista Alexandre Garcia, na Gazeta do Povo, essa investigação é uma forma de amordaçar as pessoas que criticam Judiciário, particularmente o STF, quando o direito de opinião, desde que expresso com responsabilidade, deve ser livre.

A semana que hoje se encerra no Brasil mantém o grau de estresse político da mesma forma como todas têm começado ―e terminado― desde o início da pandemia de coronavírus. Numa atitude ousada e despropositada, o ministro do Supremo Luiz Fux deferiu, provocativamente, liminar restringindo a abrangência funcional das Forças Armadas, já estabelecida no Art. 142, da CF. A atitude de Fux levou o presidente Jair Bolsonaro a assinar nota junto com o ministro da Defesa para assumindo posição firme, em tons beligerantes, a respeito. Além disso, manifestações do procurador-geral da República e do presidente do STF mostram que a crise política está longe de arrefecer.

Há de questionar, a propósito: o que efetivamente a nação ganha com todo essa inócua encenação de força, o desfecho de insultos, a criação de tensão e comoção social? O mundo vive uma pandemia, e procura se defender com medidas eficazes em favor da saúde pública, enquanto no Brasil forças políticas derrotadas em 2018, apoiada por setores da mídia insatisfeita pela perda de polpudas verbas publicitária, perseguem o sonho de tirar Bolsonaro do Poder e fazer empossar o candidato derrotado do PT.

Conforme Art. 1o, Parágrafo único da Constituição da República, "todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Como, então, vir o Parlamento a se omitir, ou ignorar sagrados preceitos? Justamente a classe que chegou ao Congresso por delegação do eleitor, da sociedade, para representar-lhe. Assim deve, com efeito, ser entendido: a delegação é do eleitor. O Legislativo, representando o povo ou o Estado, assim como o Judiciário e o Executivo, cada em um de acordo com suas prerrogativas, todos poderes independentes, porém harmônicos entre si, constituem a base do sistema democráticos que o Brasil segue por inspiração e determinação de nossa Carta Magna.

Nã há, por conseguinte, predominância de nenhum poder. O que leva à postulação elementar de que, acima de intrigas, fofocas, disputas extemporâneas, a nação precisa, sobretudo, de um "goodwill", de novo pacto federativo, de um firme "gentleman's agreement". Somente por essa via, tal a sanha de ódio e desagregação social disseminadas, o povo poderá sobrepor-se à pandemia e à pandemônia política que toma conta da vida do brasileiro.




Constituição Federal, de onde emanam direitos e obrigações do cidadão - em 28/05/20

Em seu Art. 1º , a Carta Magna proclama: a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Em complemento, o Parágrafo único estabelece, como cláusula pétrea, que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

O Art. 2º, assim dispõe: são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário; enquanto, de acordo com o Art. 3º, são objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.Os princípios de harmonia e interdependência dos poderes são claros, como evidentes em si mesmo os direitos e obrigações do cidadão. Nada obstante, observa-se no Brasil muitas esdrúxulas situações, particularmente no tangente à invasão de prerrogativas ou competência claramente estabelecidas entre os poderes.

Nesse sentido, importante observar as prerrogativas do STF, definidas no Art. 101, que assim dispõe: O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

Pelo Art. 102, compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição. Não lhe é em nenhum momento conferido poder de polícia nem de avançar competências dos demais poderes. Recentemente, o povo assistiu, estupefato, membros do Supremo Tribunal Federal, a Suprema

Corte, julgar monocraticamente, e assim determinar suspensão de nomeação do presidente da República para cargo no Executivo. Mais ainda, outro ministro esteve a ponto de determinar o confisco do telefone móvel do chefe do Poder Executivo. O que levou a um ministro militar, o general Heleno, a se insurgir contra tamanha aberração, declarando alto e bom som que tal absurdo não poderia ser tolerado pelas forças militares.

Competências

À luz da Constituição, segundo artigo do jurista Ives Gandra Martins Filho recém publicado, o general Heleno estava certo., amparado no Art. 142, da Constituição Federal, que determina que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

A simples suspeita "de que foi escolhido por ser amigo do Presidente da República e poder influenciar procedimentos administrativos levantados por um desafeto do primeiro mandatário não justifica, constitucionalmente, a invasão de competência de um poder em outro". Se meras suspeitas servirem, a partir de agora, observa o jurista, "o Poder Judiciário estará revestido de um poder político que não tem, constitucionalmente, de dizer quem poderá ou não ser nomeado de acordo com a visão do magistrado de plantão, mesmo que não haja qualquer condenação ou processo judicial em relação àquele pelo Executivo escolhido".

Para Gandra, "inexiste dispositivo que justifique a um ministro da Suprema Corte impedir a posse de um agente do Poder Executivo, por mera acusação de um ex-participante do governo, sem que houvesse qualquer condenação ou processo judicial a justificar". São casos em que o Supremo se auto investe de funções do Executivo. Situação idêntica poderia ser interpretada caso um deputado federal ou um senador interferisse no Supremo, criticando ou corrigindo decisões da Corte. Igualmente, que um ministro de Estado determinasse a revogação de atos desse poder. O STF deve, em qualquer circunstância, ater-se ao cumprimento dos dispositivos definidos na Constituição Federal, como é próprio das democracias.

Interferências do STF

Tornou-se um case de absurda extrapolação de competência o fatiamento, por interferência, monocrática, do ministro Ricardo Lewandowski, da sentença final do Senado, dividida em duas: uma, aprovada por 61 votos a 20 determinou a cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 1996, a outra, rejeitada pelo mesmo Senado, preservou-lhe os direitos políticos. A decisão passou por cima do Art. 52. e de seu Parágrafo único, que, clara e expressamente determina que "a perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis".O movimento pró impeachment foi, simplesmente, jogado na lata do lixo.

Riscos de ruptura

Outras decisões têm causado desconforto ao cidadão. Como vedar decisão do Executivo sobre extradição de representação diplomáticas da Venezuela, ou determinar, isoladamente, investigação da Polícia Federal de parlamentares por exerceram seu poder de crítica a membros do STF, que vem causando tremenda celeuma junto à população e ocupando os espaços da mídia dia e noite.O país, com efeito, pode estar se aproximando de sério risco de ruptura devido a sucessivas interferências do Supremo, muito próximas, não do cumprimento da Constituição, mas de confronto com o Executivo. Muitas revoltas depois e discussões técnicas, tem-se ouvido palavras de bom senso defendendo que determinados atos da Corte só deveriam ser adotadas por decisão do Colegiado, não de um ministro isoladamente.

Insegurança jurídica

Inquestionavelmente, cresce a insegurança jurídica no país, maximizada sempre que o Judiciário foge à sua competência técnica ao interferir em decisões soberanas dos demais poderes. De suposta interferência do Executivo em relação ao Legislativo, e vice-versa, "além de levar qualquer partido derrotado nas urnas ou nas votações do Congresso pretender suprir seu fracasso representativo recorrendo ao Supremo Tribunal Federal para que este, politicamente, lhe dê a vitória não obtida no exercício de sua função eleitoral", ao que intui Gandra Martins.Não se justifica, nem há amparo constitucional que justifique a invasão de prerrogativas de poderes constituídos. Choca, além de causar desconforto ao cidadão assistir de forma recorrente ao Supremo Tribunal imiscuir-se em funções executivas de que não lhe é dotada, invadindo, com efeito, competências alheias, que, para o jurista Ives Gandra apenas gera "insegurança jurídica e não a estabilidade e a certeza no direito que toda a nação deseja".

Direitos e deveres

Ao cidadão cumpre inteirar-se de seus direitos e deveres, condição "sine qua non" para ajustar-se aos ditames da Constituição e das leis do país. Com efeito, integrantes de qualquer camada popular que pretendam tornar-se aptos a defender seus direitos com maior eficácia e repercussão política, basta um simples ato: ler e aprender a interpretar a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, cujo relator, cumpre salientar, foi nosso jurista maior, senador Bernardo Cabral. Soberba aula de cidadania.



Thiago de Mello, 94 anos, poeta da vida e da esperança (1)

Amadeu Thiago de Mello, nasceu em Porantim do Bom Socorro, município de Barreirinha, no Estado do Amazonas, no dia 30 de março de 1926. Seu aniversário de 94 anos, sofridos, vividos com altivez, coragem, arte, talento e invejável visão de mundo, foi celebrado em Manaus com a discrição com que o poeta pauta seus outonais dias de vida.

Thiago, em 1931, ainda criança, muda-se com a família para Manaus, onde inicia seus estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e depois, no Gymnasio Amazonense Pedro II. Com o objetivo maior de ganhar o mundo, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1946 ingressa na Faculdade Nacional de Medicina, curso que interrompe em caráter definitivo, para, corajosa e desprendidamente seguir a carreira literária.

De acordo com Dilva Frazão, do Portal e-Biografia, o amadurecimento permite ao poeta mergulhar profundamente as raízes da sensibilidade e da consciência crítica na rica seiva humana do povo brasileiro, ao mesmo tempo tão explorado, tão sofrido e tão generoso. Sua poesia, sem perder o sóbrio lirismo que a inflama, ganha densidade e concentração, pondo-se por inteiro a serviço de relevantes causas sociais.

Seguindo trilhas definidas por suas escolhas, Thiago de Mello passa por fases sombrias e borrascosas, realçada por prisão e longo e doloroso exílio da pátria a que tanto ama e serve. Foi preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda (1904-1973) um amigo e parceiro de intensa produção poética. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo.

Importantes registros da convivência dos dois poetas podem ser vistos na biblioteca da Casa de Pablo, La Chascona, em Santiago do Chile.

O lado amargo da vida

Thiago enfrentou muitas provações naqueles tempos sombrios, sobretudo decorrentes de inevitáveis choques políticos com que se debate diante das ditaduras no Brasil e no Chile. Com serena firmeza de quem as sabe inevitáveis e delas não foge, contudo, as adversidades enriqueceram-no ainda mais como poeta e ser humano.

No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou à sua cidade natal, Barreirinha. O poeta vive hoje dividido entre sua terra de nascimento e Manaus, onde tem vida discreta ao lado da família.

Adido Cultural

Em 1957, Thiago de Mello foi convidado para dirigir o Departamento Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro. Entre 1959 e 1960 foi adido cultural na Bolívia e no Peru. Em 1960 publicou "Canto Geral". Entre os anos de 1961 e 1964 foi adido cultural em Santiago, no Chile, onde conhece o escritor Pablo Neruda, de quem faz a tradução de uma antologia poética.

Thiago volta ao Brasil, à sua terra, Barreirinha, e à Manaus após retorno do exílio beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada pelo presidente João Batista de Figueiredo, o última do regime militar, em 1979.

Primeiros Poemas

Em 1947, Thiago de Mello publicou seu primeiro volume de poemas, "Coração da Terra". Em 1950 publicou seu poema "Tenso Por Meus Olhos", na primeira página do Suplemento Literário do Jornal Correio da Manhã. Em 1951 publicou "Silêncio e Palavra", que foi muito bem acolhido pela crítica. Em seguida publicou: "Narciso Cego" (1952) e "A Lenda da Rosa" em (1957).

Estatuto do Homem e Faz escuro mas eu canto

Logo depois do golpe militar de 1964, Thiago renunciou ao posto de adido cultural e em 1965 foi residir no Rio de Janeiro. Sua poesia ganhou forte conteúdo político e Indignado com o Ato Institucional nº. 1 e por ver a tortura ser empregada como método de interrogatório, escreveu o seu poema mais famoso, "Os Estatutos do Homem" (1964), do qual destaco os três artigos a seguir:

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo Final

Fica proibido o uso da palavra liberdade.

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.


Faz escuro mas eu canto (1968), um canto de liberdade:

Faz escuro, mas eu canto,

porque a manhã vai chegar.

Vem ver comigo, companheiro,

a cor do mundo mudar.

Vale a pena não dormir para esperar

a cor do mundo mudar.

Já é madrugada,

vem o sol, quero alegria,

que é para esquecer o que eu sofria.

Quem sofre fica acordado

defendendo o coração.

Vamos juntos, multidão,

trabalhar pela alegria,

amanhã é um novo dia. (...)


Poesia e ciência, ciência e poesia

Thiago de Mello é uma dessas figuras humanas extraordinárias. Magnetiza audiências onde quer que se apresente, a ponto de não se ouvir qualquer ruído enquanto fala. Até as folhas das árvores cessam seu farfalhar, pois os ventos, ante ele, intimidados, param de soprar durante aqueles momentos de puro fascínio com que modela sua fala.

Ouvir o poeta, de linguagem e entonação de voz bem características do caboclo do Baixo Amazonas, é, acima de tudo, um grande privilégio. Uma oportunidade de absorver conhecimentos e verdades irretorquíveis que brotam de uma alma que, embora forte e definitivamente ligada à sua Barreirinha, no interior do nosso Amazonas, esquadrinha o mundo, sem cessar, ensinando e aprendendo.

Thiago de Mello, um caboclo comum, igual em cor, jeito e idiossincrasia típica dos que aqui nascemos, ao que penso faz parte de uma classe de personalidades excepcionais que, dotados de luz própria, inteligência excepcional, visão do porvir e talento, conduzem a história da humanidade: Confúcio, Jesus, Platão, Cícero, Rousseau, John Kennedy, Einstein, Spinoza, Voltaire, Adam Smith, Marx e Engels, Freud, Tolstoi, Neruda, Drummond, Machado, Joyce, Jorge Amado, dentre outras figuras revolucionárias do pensamento mundial.

Numa conferência perante o Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos - GEEA/INPA, do qual sou membro, em determinado momento deu um puxão de orelha nos cientistas, ao afirmar que "o Inpa precisa de uma interação maior com a sociedade". Certamente, quis insinuar à Universidade e à Embrapa sobre a necessidade de "repartir conhecimentos em benefício da humanidade e da própria região".

O poeta ainda ensinou que "a filosofia, como a poesia, são os maiores instigadores da ciência e de sua derivada, a tecnologia". Quando alguém, alhures, indagou-lhe se a poesia podia salvar o mundo, ele respondeu, sem hesitar: "o mundo eu não sei, mas pode salvar você".

Thiago por Neruda

Ao expressar, em 1965, seus sentimentos sobre o amigo, Pablo Neruda, em cuja companhia, muitas vezes acrescida de Jorge Amado e Zélia levam sua arte e visão de mundo a praticamente todo o Planeta, assim define o poeta de Barreirinha, segundo trecho transcrito pela Editora Bertrand na orelha de seu livro Campo de Milagres, de 1998:

Thiago de Mello es un transformador del alma. De cerca o de lejos, de frente o de perfil, por contacto o transparencia, Thiago ha combinado nuestras vidas, nos ha dado la seguridad de la alegria. El tiempo y Thiago de Mello trabajan en sentido contrario.El tiempo erosiona y continúa. Thiago de Mello nos aumenta, nos agrega, nos hace florear y luego se va, tiene otros quehaceres. El tiempo se adhiere a nuestra piel para gastarnos. Thiago pasa por nuestras almas para invitarnos a vivir".

Thiago por Thiago

Na obra Amazonas Pátria das Águas, 1987, na qual exibe toda a força de sua ligação telúrica com a Amazônia, Thiago de Mello se auto-define logo no primeiro verso do livro-poema:

Filho da floresta, água e madeira

Vão na luz dos meus olhos

e explicam este jeito meu de amar as estrelas

e de carregar nos ombros a esperança.

  • Economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA/INPA) e do Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM).

· Publicado na Revista Reflexos do Universo No. 99 - Edição Abril/Maio 2020 - Cruz das Almas, Bahia - file:///C:/Users/dell%20info/Downloads/REFLEXOS%2099%20POWER_57%20ultimo%20corrigido%20osiris_andre_1.pdf




Lava Jato, lições que a história ainda não contou - em 30/04/2020

A Operação Lava Jato investiga esquemas bilionários de corrupção envolvendo a Petrobrás, diversas empreiteiras e políticos de diferentes partidos. Iniciada em 2014, é considerada a maior investida do poder público contra a corrupção da história do País e já prendeu grandes figuras da política nacional, além de empresários e empreiteiros.

Dentre estes personagens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-deputado Eduardo Cunha, entre outros. Empresários como Marcelo Odebrecht, da empreiteira homônima; Léo Pinheiro, da OAS; e o doleiro Alberto Youssef também foram processados e mandados para detrás das grades pela operação.

Uma das principais figuras da Lava Jato é o ex-juiz e ex- ministro da Justiça, Sérgio Moro, responsável pelos casos em primeira instância da Justiça do Paraná, berço da operação. Ao lado do procurador Deltan Dallagnol e de uma competente e isenta equipe do Ministério Público Federal (MPF), da Procuradoria Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) a operação desmantelou o maior e mais ousado esquema de corrupção de dimensões nunca antes imaginada na história deste país.

Origem

Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato em março de 2014, o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba criou uma equipe de procuradores para atuar no caso. Referida força-tarefa inicialmente era composta pelos procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Lima, Roberson Henrique Pozzobon, entre outros.

Também são associados à operação um grupo de trabalho atuando junto à Procuradoria-Geral da República em Brasília, criado em janeiro de 2015 para auxiliar na investigação e acusação e dar ajuda ao procurador-geral na análise de processos em tramitação, e uma segunda força-tarefa, instituída em dezembro de 2015 pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal, que trabalha junto ao Superior Tribunal de Justiça.

Inicialmente a operação encontrou desvio de fundos da Petrobras. Em anos seguintes, as investigações desvendaram também superfaturamentos em obras públicas, como na hidrelétrica de Belo Monte, na usina de Angra 3, em fundos de pensão de servidores federais, em estádios da copa do mundo de 2014, no Anel de Integração do Paraná, em trechos do Rodoanel e em linhas e estações de metrô de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul.

De acordo com investigações e delações premiadas recebidas pela força-tarefa da Operação Lava Jato, estão envolvidos membros administrativos da empresa estatal petrolífera Petrobras, políticos dos maiores partidos do Brasil, incluindo presidentes da República, presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e governadores de estados, além de empresários de grandes empresas brasileiras.

A Polícia Federal considera a Lava Jato a maior investigação de corrupção da história do Brasil.

No entanto, a operação sofreu oposições não só de corruptos encastelados no governo, nos poderes da República, em empresas públicas, agências e órgãos das administrações federal, estaduais e municipais, e, pasme-se, da própria oposição liderada por partidos de esquerda. Oportuno salientar que jamais se ouviu qualquer pronunciamento de apoio à Lava Jato de qualquer parlamentar ou líder dessas agremiações partidárias. Ao que parece, por estarem comprometidos e envolvidos até a medula nos esquemas combatidos pela operação.

A velha história do quanto pior melhor que ainda predomina no Brasil

Para leitura integral do texto acessar:

https://docs.google.com/.../1xp_Q2165QWeRp4uvNwGglrf0Wqa.../edit#

Fonte dos dados: Ministério Público Federal e Polícia Federal.


Coronavírus, a universidade e a pesquisa - em 28/04/2020

Estudo recém publicado pelos doutores em Educação, professores Adriana Sales de Melo e Remi Castioni, da Universidade de Brasília, considera que, no Brasil, as universidades foram sendo criadas no intenso movimento em torno da modernidade integrado ao esforço de desenvolvimento que tomou curso na segunda metade do século 20. Convém refletir permanentemente acerca dos efetivos resultados alcançados, e, de outra perspectiva, sobre o padrão tecnológico que a instituição pretende alcançar, nos valores e missões presentes e a respeito de que modelo "queremos construir como parte integrante de novos projetos de sociedade, educação, arte, cultura, ciência, tecnologia, inovação e tantos outros campos de conhecimento, de trabalho e de vida".

O trabalho da UnB induz a que o foco daquele momento buscou dar resposta "à sociedade, auxiliando no esclarecimento, na crítica e na elaboração de respostas e ações para as questões sociais". Afinal, "para formar novas gerações de professores, pesquisadores, extensionistas e profissionais de todas as áreas de conhecimento, a universidade precisa fazer exercício constante de autoavaliação". Afim de ser reconhecida e respeitada mundialmente, por outro lado, faz-se necessário renovar-se quotidianamente, condição sine qua non para se tornar apta a responder aos mais exigentes desafios. Na medicina, em particular, para enfrentar males conhecidos ou desconhecidos, a exemplo do covid-19.

Efetivamente, a pandemia, que vem provocando perdas de vidas preciosas e enormes prejuízos econômicos e sociais em todo o mundo desde dezembro de 2019, revelou que nem a universidade, os centros de pesquisa, a própria estrutura de governo, ao menos no início, estavam preparadas adequadamente ao enfrentamento da doença. Para grande parte do sistema educacional, incluindo as instituições do ensino básico e superior no Brasil, o planejamento das atividades escolares e acadêmicas para 2020 manteve-se inalterada como se estivéssemos fora do mundo real, afirma o estudo da UnB.

Sem definição concreta da epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e, como se encontrava ainda restrita à China, a hipótese era de que não houvesse razões objetivas para despender tempo com uma doença que, supostamente, talvez não chegasse aqui tão cedo. Até porque não se tinha, como ainda não se tem informações científicas precisas sobre sua origem. Na verdade, a doença chegou e foi logo causando danos sem precedentes à população e à rede de saúde pública. Cabe, então, questionar: o que governos e prefeituras fizeram com os trilhões de reais destinados à construção e equipamento de hospitais, postos de saúde e pronto-socorros nos últimos 20 anos? A pandemia, além de matar, escancarou de vez a pobreza da infraestrutura hospitalar brasileira.

A universidade precisa integrar-se de vez à pesquisa, aos institutos que lideram investigações científicas, a produção de vacinas, antídotos e outras drogas no país. Numa visão pan-amazônica, ao lado do INPA, do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas e de outros centros de pesquisa, liderar cluster de conhecimento local. Juntando-se a parceiros da Amazônia sul-americana, otimizar respostas de pesquisas a partir de trabalhos cooperados e relativamente consolidados no combate à malária, leishmaniose e outras enfermidades típicas dos trópicos úmidos..

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reúne Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela poderia assumir a governança do processo ao lado do INPA, CBA e do Comando Militar da Amazônia, que detém vastos conhecimentos de logística operacional consolidados na região. A hora, afirmam os professores da UnB é de agir, de inovar, de permitir-se novos rumos calcados em experiências consideradas exitosas pelos especialistas de todas as áreas. Não cabe mais amadorismo. O preço pago pela sociedade brasileira, com viés de alta, tem sido pesado demais.



Brasil, em profunda crise, paga preço da pobreza de líderes - Em 21/04/2020

Chega a ser comovente o esforço que o governo federal está empreendendo de sorte a contemplar todos, eu escrevi TODOS os setores econômicos, agentes públicos e classes sociais afetados pela crise do novo coronavírus.

A começar com o 13o. Salário pago ao Bolsa Família ainda em 2019.

Ninguém está deixando de ser assistido. Ações essas absolutamente inéditas na história das crises pelas quais o mundo e o Brasil já atravessaram. Desde, e sobretudo a Grande Depressão de 1929 ou a crise do petróleo dos anos 1970, que em apenas quatro meses elevou em 400% o preço do hidrocarboneto, a crise asiática de 1997 ou a dos sub-primes de 2007.

Enquanto isso a canalha do poder Legislativo e de alguns setores do Judiciário conspiram. Conchavam, cabalam abertamente com suporte de aproveitadores das oposições, para que tudo dê errado e a economia brasileira despenque, seja levada a um poço sem fundo.

Os presidentes da Câmara e do Senado não escondem suas intenções. A ordem é dificultar, complicar a aprovação dos programas e tumultuar suas operacionalizações.Não há nada mais ou menos fácil. É tudo no confronto, corda distendida ao extremo.

O deputado Rodrigo Maia, com toda a distorção de caráter de que é dotado, chega a agredir publicamente o governo, o presidente e a chamar de mentiroso o ministro da Economia, Paulo Guedes. Isso em entrevista à imprensa. Mas foi eleito para a presidência da Câmara com apoio desses mesmos "mentirosos", pedido ao presidente Jair Bolsonaro quase aos prantos quando se lançou ao cargo em dezembro de 2018.

A que nível chegamos?

Mesmo assim o governo está pagando o auxílio de R$ 600,00 - o chamado coronavoucher - a mais de 40 milhões de brasileiros que se encontram em condições extremas de vulnerabilidade. Como também liberando saques do FGTS.

No bojo das medidas encontram-se apoio a estados e municípios, aos MEIs, a produtores da agricultura familiar, suspensão temporária dos recolhimentos de impostos federais, garantia de 20% a 30%, cash, às empresas como suporte a gastos com folhas de pagamento, taxas de juros favorecidas em apoio aos negócios de modo geral.

Tudo com vistas à garantia do emprego.

Esqueça-se o Bolsonaro e suas bravatas. O Lula foi muito mais exibicionista, bravateiro e fanfarrão, além de agressivo, mal educado e demagogo! E continuou líder até ser condenado pela Justiça por roubo, e levado para detrás das grades.

Que sina a do Brasil com seus governantes.

O importante: o que mais se pode esperar de um governo num ambiente de pandemia como o que o mundo vive desde fevereiro deste ano? Ante uma crise de tão graves proporções que certamente deverá superar todas as anteriores?

Em sã consciência, aponte-se que setores ou segmentos econômicos ou sociais não estão sendo cuidados? Independentemente de cor partidária, religiosa ou política.

Isso é inédito na história do Brasil. Algum outro governo já agiu com tanta responsabilidade, eficiência e presteza? Além do mais, com zero casos de corrupção.

Saliente-se, por oportuno, que a ex-presidente Dilma demitiu sete ministros em seu primeiro ano de governo. Quase todos por negociatas, malversação de recursos públicos. Em português claro, por corrupção.

Nos governos do PT quem mandava? O socialismo bolivariano, o foro de São Paulo, o MST, que invadia e vandalizava propriedades privadas, fazendas produtivas; e ainda os mais de 15 mil sindicatos espalhados pelo Brasil. Hoje o governo toma decisões abertas, democraticamente, ouvido, como da Constituição, o Congresso Nacional.

Não sou bolsonarista, mesmo tendo votado no atual presidrnte, mas considero assustador, além de vergonhoso: Brasil é o único país do mundo em que as oposições torcem a favor de um vírus.

DeGaulle estaria certo?


Canto do Fuxico, república livre da futrica manauara - Em 17/04/2020

Diante de tanta fofoca, intriga, maledicência, disse-me-disse disseminadas nas redes socais, lembrei de um dos lugares mais pitorescos de Manaus dos anos 50/60 até os 70, o Canto do Fuxico, onde se encontravam conhecidos personagens da cidade para, simplesmente, fuxicar.

Isso mesmo, para fazer intriga, bisbilhotar, mexericar, falar mal da vida alheia, não exatamente por maldade, mas, no geral, por simples deleite dos grupos ali reunidos. Um "passa tempo" que reunia jornalistas, políticos, empresários, autoridades do governo, estudantes e toda sorte de futriqueiros.

O Canto do Fuxico localizava-se ali na esquina da Eduardo Ribeiro com a Rua Henrique Martins, a rua das Livrarias. De um lado, a loja da Cruzeiro do Sul e, de outro, a loja Capri (de propriedade do pernambucano Zé da Capri), que chegava a colocar numa mesinha uma garrafa de café para maior conforto dos habitués.

Com o surgimento da Zona Franca de Manaus, em 1967, o ponto foi ano a ano perdendo o charme e, progressivamente, o significado cultural para a cidade, até sua extinção pelo final dos 1970. Uma prova de que o amazonense não é muito chegado em honrar suas memórias e referenciais históricos.

Diferente de Curitiba, onde similar do nosso Canto do Fuxico, a Boca Maldita, na Rua das Flores, centro da cidade, ainda funciona em igual intensidade. Ai do política que não "passa" por lá para um cafezinho, em campanha ou não!

Pois bem, nestes tempos de covid-19 transformaram o Brasil numa República de palpiteiros, de mexeriqueiros, maldizentes, enquanto o que interessa vai sendo postergado.

Quanto às redes sociais, num revival do histórico Canto do Fuxico dos anos 60 em Manaus. Desconhecido da nova geração, mas permanente nos corações e mentes dos baby boomers, os nascidos nos anos 1940 e 1950 até o início dos anos 1960.


Coronavírus e a solidariedade humana - Em 03/04/2020

O combate ao coronavírus está estimulando diversas ações de solidariedade e união pelo país e pelo mundo. Exemplos se multiplicam diariamente nos cinco Continentes. Protegida por meio de isolamento social, a população menos propensa à doença está se oferecendo para ajudar idosos, um dos principais grupos de risco da Covid-19, ou até distribuir álcool em gel para quem precisar. Outras pessoas que enfrentam quarentena pelo mundo usam a criatividade para estimular a união e o senso de coletividade.

Pelas redes sociais e aplicativos de trocas de mensagem, espanhóis e portugueses se organizaram para ir às janelas e varandas ovacionar e agradecer as equipes médicas de hospitais atendendo pessoas acometidas do coronavírus. O som das pessoas batendo palmas durante longo período de tempo é emocionante.

Na Itália, que enfrenta um dos piores casos de transmissão da Covid-19, diversas pessoas em isolamento social têm ido às janelas para cantar e aplacar a solidão. Diversos vídeos de italianos e espanhóis com essas exibições isoladas viralizaram mundo afora. Serenatas, trompetes, pessoas tocando com suas panelas - tudo isso criou música nas varandas de diversas cidades.

Em Turim, no norte do país, uma cantora de ópera, da varanda, ao lado de um violinista; em Siena, um vídeo mostra uma rua deserta à noite e residentes cantando uma canção popular típica da cidade, Canto della Verbena. Em Nápoles, no sul, pessoas em quarentena cantaram Abbracciami, do cantor Andrea Sannino.

No sul da Espanha, uma pessoa que aparenta ser instrutor de ginástica deu uma aula coletiva para os vizinhos em quarentena. Um vídeo mostra um homem em cima de uma laje e os vizinhos em suas varandas fazendo polichinelo. As gravações do momento insólito são repletas de risadas no fundo, e é possível ver o quanto os vizinhos estão se divertindo com o momento.

Transportei-me para 1969, quando os Beatles fizeram seu último show num terraço em Londres. Na verdade, o show surpresa sobre a cobertura da Apple, no centro da capital londrina, realizado em 30 de janeiro de 1969, entrou para a história como "Rooftop Concert".

O homem, contrito diante da adversidade, buscando a melhor forma de interagir com os semelhantes.

Grandes estrelas do futebol se uniram no combate à pandemia de coronavírus na Europa. Em quarentena devido à suspensão de todos os campeonatos esportivos, os atacante Cristiano Ronaldo, da Juventus, Lionel Messi, do Barcelona, e o treinador Pep Guardiola, do Manchester City, fizeram doações milionárias a hospitais de seus respectivos países. Os atletas do Barcelona chegaram ao extremos de abrir mão da maior parte de seus salários para assegurar o pagamento da folha de pessoal do Clube.

Na Europa, segundo The Guardian, fabricantes de automóveis atenderam aos apelos do Reino Unido e estão produzindo também respiradores para a rede hospitalar. Já aderiram a essa rede de solidariedade as inglesas Jaguar Land Rover e Rolls Royce, além da inglesa Vauxhall, que faz parte do grupo francês PSA, informa o Estadão. O Guardian também destacou a Foxconn, empresa de eletrônicos que fornece a Apple, que começou a fabricar suas próprias máscaras cirúrgicas, permitindo aos trabalhadores chineses produzir iPhones ininterruptamente enquanto a crise do coronavírus continua.

Segundo a imprensa internacional, "não é a primeira vez que esse tipo de ajuda é solicitado por governos. A mudança temporária em linhas de produção já foi feita em outras ocasiões, especialmente durante períodos de guerra. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, diversas fabricantes de automóveis deixaram de produzir veículos de passeio e passaram a produzir modelos adaptados ao uso militar".

E quem duvida que há uma guerra a ser vencida?

Na minúscula Escócia, com cerca de 5,5 milhões de habitantes, foram reunidos mais de 7 mil voluntários, que estão trabalhando em diversos setores de apoio ao combate à pandemonia. Da mesma forma hotéis, clubes, centros sociais estão oferecendo instalações para tratamento de pacientes que eventualmente não tenham conseguido vaga em hospitais públicos.

E assim na Holanda, Suécia, Alemanha, Israel, Áustria, Canadá, nos Estados Unidos, no Japão, na Coreia do Sul, na Rússia, em praticamente todo o mundo. Os exemplos se multiplicam.

Na ZFM

Na Zona Franca de Manaus, como em todo o país, em esforço integrado governo e empresa a iniciativa privada vem sistematicamente efetuando doações de testes rápidos, respiradores, colchões, álcool em gel, computadores, máscaras, etc.

Brasil: o contraponto da política

Enquanto isso, nas hostes políticas brasileiras setores do Congresso Nacional e alguns governadores e prefeitos não perdoam. Vergonhosamente se aproveitam da pandemia para tirar vantagens eleitoreiras, comezinhas, de olho nas próximas eleições.

Acompanham essa récua de maus parlamentares e de alguns chefes de governos, grupo de cavalgaduras constituída por onda sem precedente de puxa-sacos, aspones, bajuladores de todos os naipes, que, se engalfinhando em redes sociais, numa guerra suja, sem trégua, violenta e desonesta agem como rêmoras em tubarões ou quelônios, que buscam se alimentar de restos e extrair vantagens e nesgas de poder. Nesse afã desmedido, são capazes de vender a própria alma.

Esquecem todos que as próximas vítimas poderão ser eles próprios.

Entrementes, jovens de diversas partes do Brasil estão se disponibilizando para ajudar idosos com as compras de mercado e farmácia, para evitar que eles saiam de casa e entrem em contato com o coronavírus.

Em Brasília e em diversas outras cidades grupos de pessoas oferecem tempo e disposição para ajudar quem está no grupo de risco para o Covid-19. Recados nas redes sociais ou no elevador de prédios são os principais meios usados para comunicar a oferta de ajuda.

Na Bahia, um jovem de 26 anos se prontificou a comprar produtos e remédios para vizinhos idosos que precisam ficar em casa para evitar a contaminação pelo Covid-19. Ele escreveu um bilhete e espalhou cópias no condomínio onde mora.

A ordem é: ficar em casa. Mas quem disse que é fácil? Depois de perceber a angústia dos pacientes no consultório, um grupo de psicólogos abriu uma linha de telefone para conversar com qualquer um que precisasse. De graça.

Essa solidariedade tem um impacto gigantesco junto aos mais necessitados. Ofertas de carinho se multiplicam pelo país. Quem não pode sair de casa neste momento, como os idosos, deixa a listinha debaixo da porta. Imediatamente recolhida como exemplo de solidariedade, bondade e calor humano.

Igualmente multiplicam-se as sessões de aplausos e reconhecimento às equipes de médicos, enfermeiras, pessoal técnico empenhados 24 horas por dia ao combate à pandemia do Covid-19.

Que Deus os proteja e salvaguarde suas preciosas vidas.

Clamemos aos céus para que os exemplos multiplicados, nas circunstâncias de "amor nos tempos de cólera", prolonguem-se por todo o sempre enquanto o homem na Terra continuar pisando.


Criatividade humana e seus maravilhosos inventos- Em 27/03/2020

Então o Senhor Deus formou o homem do

pó da terra e soprou em suas narinas o

fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.

Gênesis 2:7

Diante dos temores que tomam conta da humanidade nestes tempos de Coronavírus 2019, aflorou-me um ímpeto de escrever algumas notas a respeito das conquistas do homem sobre a Terra, salientando que muitas dessas conquistas, talvez a maioria, surgiram como resultado de revoluções tecnológicas disruptivas impostas, não raro, por catástrofes, conflagrações, revoluções, guerras, disputas de poder, como, no caso, as viagens aeroespaciais e o primeiro pouso do homem na lua.

Com efeito, das guerras surgiram a pólvora, a dinamite, armas cada vez mais letais, veículos auto transportados, tanques gigantescos, aviões caças super e sub sônicos, o radar e o sonar, submarinos atômicos, navios torpedeiros com capacidade extraordinária de lançamentos de foguetes de alto poder destrutivo, etc.

Das necessidades ditadas por viagens marítimas desde a Antiguidade surgiram a bússola magnética, telescópios de alcance interestelares, transferidores, baterias; astrolábios, quadrante, bússola, balestilha. Os combustíveis apropriados a cada etapa evolutiva dos transportes, que se expandiram das faias, à vela, às caravelas e naus, ao vapor, às máquinas a diesel e a vapor e a turbinas, os mapas náuticos e terrestres, a roda, pneus, amortecedores, turbinas a jato, e assim por diante.

Quando a escrita surgiu, há mais de 6 mil anos atrás, as palavras eram inscritas em tabuletas de pedras ou argila ( forma mais primitiva de escrita era a Cuneiforme). A invenção do papel, do latim papyrus, referência ao papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo no Egito, da qual se extraia fibras para a fabricação de cordas, barcos e as folhas feitas de papiro para a escrita. Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro. Depois vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes. Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T'sai Lun.

A revolução do papel se completa com a invenção, por Johannes Gutenberg (1400 - 1468), inventor, gravador e gráfico do Sacro Império Romano-Germânico, de um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, amplamente considerado o invento mais importante do segundo milênio, do qual derivaram as máquinas rotativas contemporâneas, os sistemas de composição eletrônicos modernos, os smartphones, os Kindle ou Okobos, leitores de livros por meio eletrônico.

A propósito, quem ignora o primeiro automóvel da história, o Ford T, de 1903, a origem do Volkswagen, surgido na Segunda Grande Guerra (1939/1945) da necessidade dos nazistas de criarem um veículo leve, seguro, barato para uso popular. Desde Ícaro, aos primeiros balões, ao 14 Bis, de Santos Dumont, e o aeroplano do irmãos Wright, aos modelos originais da primeira Guerra Mundial (194-1918), aos bombardeiros da II Guerra (1939-1945), a aviação muito evoluiu chegando aos super jatos de hoje.

Com o fim da Segunda Guerra vieram a enceradeira, o liquidificador, a batedeira de bolo, as máquinas de lavar louça, roupa e de secar, os fogões a gás e elétricos, as geladeiras elétricas. Uma revolução nos usos e costumes, sobretudo das mulheres que se viram aliviadas de tarefas fatigantes quando tinham de realizar ou administrar tarefas exaustivas como enceramento de pisos com escovas ou cozinhar em fogões a lenha ou a querosene.

Impossível omitir o efeito de conquistas científicas e tecnológicas nas áreas da Medicina, da Engenharia, da Odontologia, sobre a produção agropecuária de caminhões, tratores, colheitadeiras, materiais de laboratórios empregados nas descobertas de medicamentos, defensivos agrícolas e fertilizantes.

As descobertas derivadas dos voos aeroespaciais, como a chegada do homem à lua em 1968, os sistemas modernos de telecomunicações, materiais de alta resistência, roupas especiais, alimentos e bebidas liofilizados em cápsulas, a elaboração de estudos, cálculos e documentos por meio de computadores em sistemas digitais. As fotocopiadoras, o telex, o fax, as modernas máquinas fotográficas, aos poucos sendo substituídas por câmeras de telefones celulares de última geração.

No campo das ciências puras, desde as leis de Newton, a Teoria da Relatividade, a estrutura do DNA, a teoria dos germes de Louis Pasteur, a descoberta da penicilina, ao desenvolvimento de equipamentos de laboratórios de alta precisão, aos supercomputadores, e daqui à nanotecnologia, à biociência e à biotecnologia avoluma-se um caudal de invenções que provam a imensa capacidade inventiva do ser humano.

Muitas e mais diversificadas conquistas marcam a evolução do homem sobre a terra. Oxalá, da crise do Covid-19 surjam novas formas evolutivas para garantir ao homem mais conforto no desempenho de suas atividades profissionais e qualidade de vida.

Por fim, chega-me à mente passagens dos Salmos, como a seguinte:

Tu criaste o íntimo do meu ser

e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste

de modo especial e admirável.

Tuas obras são maravilhosas!

Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti

quando em secreto fui formado

e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião;

todos os dias determinados para mim

foram escritos no teu livro

antes de qualquer deles existir.

Salmos 139:13-16


Brasil pode ganhar com o Covid-19 - Em 20/03/2020

O ser humano se diferencia de outras outras criaturas do reino animal basicamente em virtude de sua capacidade de lidar com situações de maneira criativa. A aparente insatisfação que assola muitos membros de nossa espécie levou à descoberta de diferentes materiais, objetos e ferramentas que, de uma maneira ou outra, modificaram totalmente a maneira como vivemos.

As conquistas científicas e tecnológicas surgem fundamentalmente do medo do amanhã, do imponderável, da necessidade de ajustar modos, maneiras e práticas comportamentais e de relações humanas, de sorte a torná-las mais adequadas nos dias correntes.

Em tempos de quarentenas impostas pelo novo Coronavírus 2019, isolamento social, álcool em gel, crises e mais crises, a humanidade está alcançando novos padrões predominantemente nas comunicações pessoais e à distância graças a outras conquistas extraordinárias, também derivadas de guerras e crises diversas, como energia elétrica, computadores, internet, whatsapp, skype, telefones celulares.

Desta forma, cabe ao ser humano, neste momento de relevantes transformações sociais, culturais, políticas e econômicas mudar, adotar novas práticas e padrões de convivência ante obsolescências soterradas pelos novos tempos.

Tais como:

Escolas - há de fato necessidade de crianças e jovens atenderem aulas diariamente, se temos os computadores e as comunicações on-line que permitem o cumprimento de muitas das atividades escolares de casa?

Parlamento - reduzir sessões presenciais e priorizar reuniões por vídeos conferências, como , aliás, o Congresso brasileiro acaba de adotar face às necessidades de evitar aglomerações e às consequentes restrições de convivência impostas pelo covid-19. Novas práticas essas que certamente resultarão em enormes economias ao erário.

Governo e órgãos públicos - tornou-se evidente que o Congresso, assembleias legislativas, câmaras municipais, um sem número de repartições públicas podem perfeitamente funcionar sem a obrigatoriedade presencial diária. Conquistas tecnológicas hoje permitem avançar importantes mudanças de paradigmas. Para melhor, sempre.

Redução de gastos - Um senador, um deputado federal, um deputado estadual, um vereador, um secretário de Estado, presidentes de autarquias, órgãos e empresas públicas que hoje têm à disposição em seus gabinetes (e até nas residências, em alguns casos) vinte, quinze, dez, meia dúzia de assessores podem, reprogramando sessões, reuniões, assembleias presenciais, e substituindo-as por vídeos conferências, reduzir os números a dois, três. A economia resultante é enorme, incluindo redução de despesas de transporte, alimentação, comunicações, etc.

Com certeza a sociedade poderá sair desta crise ganhando bastante. Quase sempre, after all, uma questão de simples raciocínio lógico e decisão política. Não só em termos econômicos e financeiros, resultante das novas práticas de convivência humana e profissional, mas também, e sobretudo, em consequência de ganhos de um maior e mais fraterno padrão nas relações humanas que, ora sendo desenhadas, poderão inevitavelmente passar a ser adotados.

Desde o dia 11 de março, quando a OMS declarou a pandemia do novo coronavírus, grande parte da população mundial passa pela situação extrema de ter de controlar as consequências imprevisíveis de uma nova doença.

Enquanto não for desenvolvida a vacina específica, a sociedade conectada segue sem maiores transtornos convivendo e trocando informações em tempo real, unindo-se, com efeito, para compartilhar experiências e dicas de sobrevivência.

O que era uma suposição futurista, torna-se, enfim, realidade. E assim o novo coronavírus passa a contribuir de forma decisiva, e sem volta, para restaurar à humanidade a capacidade de empatia perdida em tempos de individualismo.

Seria possível? Creio sinceramente que sim!


Congresso infestado de chantagistas ou Piscina cheia de ratos - Em 21/02/2020

O leitor decide que título prefere. Para pensar e refletir antes do Carnaval

O fato nu e cru, irretorquível, ao que presumo, diz respeito a atitudes de dirigentes parlamentares impróprias, contrárias aos interesses da sociedade. A saber: importante contingente de deputados e senadores, dirigidos por meia dúzia de bucaneiros, usurpadores, enganadores do povo, escudados em falsos princípios democráticos, que eles próprios não respeitam, vem descaradamente usando seus poderes para extorquir e pisotear a sociedade.

Para ludibriar desempregados, o povo simples, as minorias, os esquecidos pela sorte, o sofrido povo vitimizado por um sistema de governo injusto e um Parlamento comandado por grupelho de espertalhões e aproveitadores comprometidos tão somente com interesses corporativos e cartoriais mesquinhos de seus grupos partidários. Melhor dizendo, deles próprios, de seus insaciáveis bolsos.

Esse grupelho na cara limpa chantageia o governo com Emendas Parlamentares Impositivas (R$ 40 bilhões), além do Fundo Partidário de 2 bilhões de reais (queriam 4 bilhões). Para que? Para, locupletando-se de recursos arrancados a fórceps do Orçamento Público viverem nababescamente. Recursos esses que podiam estar sendo aplicados na educação, na saúde pública, na segurança.

Muitos políticos dirigentes de partidos nanicos, e dos grandes também, transformaram política em profissão. Cite-se como exemplo o dirigente partidário que instalou banheira em seu gabinete e comprou helicóptero (quanta ousadia!) para seus deslocamentos. São crias de um Brasil patrimonialista, de um Estado personalista e de uma dinastia política indissociável da palavra "coronelismo", que ainda domina, sobretudo nos rincões do país, a política partidária desde a Proclamação da República.

Pois bem. Nunca fui fã do Cazuza, ídolo da geração de meus filhos, embora o respeite como roqueiro socialmente engajado. Dada a situação conjuntural política e econômica brasileira, tenho observado que algumas de suas canções me levaram a prestar atenção às suas letras, particularmente de duas delas. Em O Mundo não Pára, o roqueiro-poeta é clarividente ao empregar a metáfora:

- Tua piscina está cheia de ratos, tuas idéias não correspondem aos fatos, o tempo não pára.

O Congresso, clara e objetivamente está ensandecido. Como canta Cazuza, prenhe de ex-garotos líderes estudantis, sindicalistas de resultado, professores, engenheiros, economistas, advogados, políticos mesmo, que um dia comprometeram-se com a justiça e o bem comum; que, um dia, prometeram "mudar o mundo", mas que agora, donos do poder, simplesmente assistem "a tudo em cima do muro". Que, todavia, sem ideologia, desprovidos de sólida base cultural, política e de visão histórica, escassa em percepção de que o progresso resulta de movimentos revolucionários.

Não obstante tudo isso, renderam-se aos fatos. E o fato é o que a realidade mostra: cadeias cheias deles. Perfeito Cazuza:

- Meus heróis morreram de overdose

- Meus inimigos estão no poder

- Ideologia, eu quero uma pra viver

O poeta carioca morreu e não encontrou a ideologia que supostamente tanto buscou, nem sua razão de viver. Por isso preferiu "pagar a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem sou eu".

A juventude fã do rock engajado de Cazuza, Renato Russo, Dinho Ouro Preto, Evandro Mesquita, Paula Toller, Marina Lima, Arnaldo Antunes, Frejat, Paulo Ricardo, Nazi, Lobão, Roger, Herbert Vianna deve isso a eles. A busca de uma causa para viver. De preferência que diga respeito aos interesses do povo brasileiro, que corresponda aos fatos.

O Brasil e o brasileiro precisamos superar essa fase medíocre em que vivemos nestes dias. Carecemos de valorizar a criatividade, o engajamento social, de sorte ao menos a induzir os mais jovens a se posicionarem terminantemente contrários a ações políticas conduzidas por oportunistas, compulsivos aproveitadores da fé pública.

Parlamentares, ressalte-se, que, ao limite do bom-senso, usam desavergonhadamente o Congresso como simples trapézio, como balcão de negócios visando a satisfazer sua ânsia de poder infinito, esquecendo-se que nem Dorian Gray conseguiu permanecer jovem e belo eternamente.

A propósito, o desabafo do ministro Augusto Heleno sobre as chantagens praticadas no Congresso contra o governo, representa o pensamento da imensa maioria dos brasileiros de bem, dos que labutam no dia a dia no campo, nas fábricas, nas feiras públicas, no comércio, nas salas de aula, nos hospitais.

Contraria, evidentemente, uma minoria de corruptos, chantagistas e corporativistas que defendem sem qualquer constrangimento emendas impositivas, fundo partidárias e carteirinhas de estudantes compulsoriamente emitidas pela Une, contrariando interesses da classe estudantil em favor de meia dúzia de pelegos.


Militarização do governo ou salvaguarda da nação? Em 14/02/2020

Avançam discussões sobre militarização do governo do presidente Jair Bolsonaro. Li hoje numa matéria do jornal espanhol El País que nunca desde os tempos da ditadura militar existiu no governo brasileiro uma presença tão maciça de nomes das forças do Armadas ocupando cargos de importância como no atual.

Pela primeira vez na democracia, argui o periódico, tem-se um militar nos três primeiros postos do Governo: o presidente, o vice-presidente e o ministro da Casa Civil, o recém nomeado general Walter Souza Braga Netto, que atuou como interventor federal no Rio de Janeiro e que agora assume no lugar de Onyx Lorenzoni. O cargo de chefe da Casa Civil é considerando como uma espécie primeiro-ministro.

Há quem veja nisso uma trincheira contra os perigos que espreitam a democracia e os que veem como presságio de uma nova ditadura. Os mais otimistas alegam que hoje as forças armadas brasileiras são de uma nova geração formada nos valores democráticos e na modernidade, vacinadas contra as tentações autoritárias e baluarte da democracia. Para o El País, isso se deve ao apreço atual da sociedade pelos militares, uma das instituições, ao lado da Igreja, mais bem avaliadas nas pesquisas nacionais pela grande maioria dos brasileiros de todas as classes sociais.

Quanto aos pessimistas, preferem ver nessa maciça presença dos militares no Executivo e na Administração pública, ressalta o jornal, um perigo real à volta do autoritarismo e até uma aprendizagem para que o presidente Bolsonaro prepare um golpe contra a democracia, dominando o Congresso para governar com a força das armas. Evidentemente, uma possibilidade remota, irrealísticas, distante da conjuntura política brasileira.

O governo vem promovendo, isso sim, verdadeira e ampla revolução de gestão, no trato da coisa pública com competência e lisura, ao que se tem observado. Passos que vêm trazendo o Brasil ao mundo real da modernização econômica e de políticas públicas nos campos da educação, da saúde, da integração regional, do saneamento, da segurança, das relações internacionais.

Pela qualificação profissional e perfil moral e ético dos militares no governo, não vejo como considerar perigo real e imediato de retrocesso político. Risco correu o país quando governado por desqualificados morais que quase levam o Brasil à bancarrota. Atine-se aos números relativos à dívida, ao déficit das contas governamentais, da previdência, às taxas de inflação, de juros e do desemprego, todos em níveis catastróficos.

Alie-se a esses indicadores macroeconômicos os movimentos políticos do petismo em direção a ditaduras cristalizadas, como ao socialismo bolivariano que vem destruindo a Venezuela, Cuba, Nicarágua, a cujos países o governo concedeu empréstimos via BNDES, a taxas privilegiadas, que mesmo assim jamais serão honrados.

A busca de quadros militares deve-se também, ao que penso, muito à desqualificação profissional de políticos que ocupam cargos públicos no Brasil, ao menos nessas últimas três décadas. Invariavelmente, observe-se, demitidos por incompetência, inabilidade política ou envolvimento em corrupção. Registre-se, por outro lado, que em mais de um ano do governo Bolsonaro nenhuma autoridade passou, moralmente, os pés pelas mãos, ou confundiu seus bolsos com os do contribuinte.

O padrão dos militares no governo hoje é outro. Para especialistas, de forma clara e evidente as Forças Armadas têm procurado demonstrar um comportamento de respeito à Constituição Federal, apesar de um ou outro discurso mais inflamado, afirma o professor. Além do que, nos momentos de maior gravidade da vida da nação são os militares chamados para intervir e resolver problemas. Como na Amazônia, que tantos insinuam defender, mas que aqui jamais puseram os pés.

A lista é extensa. Como em relação aos problemas das favelas, das sublevações da lei e da ordem, na defesa de nossos interesses na faixa de domínio marítimo (a Amazônia Azul), nos rincões amazônicos atendidos pelo Exército, Marinha e Aeronáutico, na estruturação e operação da base brasileira na Antártidas, e assim por diante. Em síntese, sempre que situações de extrema complexidade eclodem ali estão os militares agindo com patriotismo, dedicação e extremo profissionalismo.

Governo Dilma

Desde que assumiu a Presidência, em 2011, Dilma Rousseff demitiu, substituiu ou aceitou a demissão de 86 ministros. Em média, um ministro foi demitido ou trocado no governo Dilma a cada 22 dias. Em grande número substituídos por incúria de gestão ou corrupção mesmo, como nos escândalos da refinaria de Pasadena, da Caixa Econômica, do ministério do Trabalho, do BNDES, no ministérios da Educação e da Saúde, até mesmo no Bolsa Família.

Cálculo da BBC Brasil inclui ministros que tiveram seus postos extintos e não leva em conta dirigentes que assumiram as pastas interinamente. Dos 38 ministros empossados quando Dilma assumiu em 2011, só três permanecem nos postos originais: Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Alexandre Tombini (Banco Central).

Estima-se que a alta rotatividade expõe o fracasso de Dilma em montar uma base de apoio no Congresso, que culminou com a aprovação do processo de impeachment na Câmara Federal. Registre-se que, na votação na Câmara, Dilma só recebeu o apoio de um quarto dos deputados.


2019 marcou os 150 anos do GYMNASIO AMAZONENSE PEDRO II

2019 foi de grande importância para nós, gymnasianos. O ano em que nosso GYMNASIO AMAZONENSE PEDRO II, o Colégio Estadual do Amazonas (CEA) de nossa geração, o atual Colégio Amazonense D. Pedro II (CADPII) completou sesquicentenário de sua fundação, 150 anos de história dedicados à educação dos amazonenses.

Neste momento cumpre recordar e homenagear (o que já o fiz apropriadamente em meu livro GYNASIANOS) nossos mestres, os diretores, o corpo de funcionários, os alunos, os colegas de turma do passado e contemporâneos que tiveram e têm, hoje, o privilégio de sentar-se naqueles bancos escolares de tantas histórias.

Saliento, por oportuno, que a celebração dos 150 anos do Colégio não passou despercebida. Com efeito, graças ao trabalho de um punhado de colegas fundamos a Associação dos Ex-Alunos, por mim presidida, tendo como vice-presidente o colega Mário Lúcio, e diretores os ex-alunos José Humberto Michiles, Raimundo Silva, Vladimir Paixão e Silva, que se juntou à direção, corpo docente e alunos do CADPII e tomou parte ativa numa série de eventos promovidos para celebrar a data.

Estendo estes reconhecimentos à ex-gestora, professora Maria Goreth Guimarães, ao atual, professor David Wanderson, ao professor Maurício Grillo e aos alunos do CADPII que apoiaram a criação da Associação, entenderam nossos propósitos e nos apoiaram no cumprimento da missão que nos propusemos enfrentar em apoio aos eventos promovidos pela direção do tradicional estabelecimento de ensino.

História

A história do Colégio Amazonense Dom Pedro II (denominação oficial atual), desde sua instalação em 14 de março de 1869, é marcada por lutas de gerações em torno de ideais libertários e renovadores. O gymnasiano celebrizou-se como protagonista da ação política, em inúmeras contendas em torno desses ideais, contando para tal com o entusiasmo e a coragem de uma juventude em ebulição. A mais célebre dessas lutas teve campo na Revolução de 30. Movimento que, pela força das armas, depôs o presidente Washington Luís, e, com apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e estados nordestinos, levou Getúlio Vargas ao poder, que exerceu por 19 anos (Era Vargas). Os gymnasianos apoiaram as forças insurgentes contra São Paulo numa luta ferrenha que deixou marcas de balas visíveis no colonato frontal externo do histórico edifício.

Independentemente do espírito libertário e contestatório do gymnasiano, o Colégio ocupou desde início papel preponderante em relação ao padrão de ensino do Amazonas. Quadro que perdurou até meados dos anos 1970. Posteriormente, tornou-se um colégio comum, sem expressão política, educacional e cultural digna de seu passado de lutas e ideais. O Colégio enfrentou tempos difíceis, hoje sendo resgatado por um grupo de ex-alunos, professores, funcionários e estudantes do D. Pedro II, todos absolutamente dispostos a lutar pelo resgate dessas tradições e do padrão de ensino que sustentou. Objetivo factível tendo em vista que muitos nomes do empresariado, da política, da cultura, da universidade, dos profissionais liberais são egressos do histórico Casarão da Sete de Setembro.

Homenagens e omissões

O sesquicentenário do Colégio também não passou em branco graças à homenagem prestada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), em Sessão Especial pelos 150 anos de sua fundação. Professores, gymnasianos, servidores e alunos da antiga e atual geração participaram da homenagem, promovida por iniciativa da deputada Therezinha Ruiz (PSDB), na tarde de quinta-feira, 11 de abril deste ano, no plenário Ruy Araújo.

Igualmente, a Câmara Municipal de Manaus prestou sua homenagem ao sesquicentenário do histórico estabelecimento de ensino, fundado em 14 de março de 1869, por iniciativa do vereador Professor Gedeão Amorim (MDB), em sessão levada a efeito na manhã desta quinta-feira (14/11).

Durante a solenidade foi entregue, pelo autor da propositura, uma placa de reconhecimento pelos serviços prestados ao longo de sua história ao atual gestor da escola, David Wanderson, representando todos os profissionais que já passaram pela instituição e colaboraram para levar ensino de qualidade aos estudantes. Para Gedeão Amorim a solenidade vem fazer um resgate histórico e reconhecimento ao pioneirismo do Colégio no ensino público do Amazonas.

Irresponsavelmente omitiram-se por completo em relação às comemorações dos 150 anos do Estadual o governo do Amazonas, a Secretaria de Cultura do Estado, a Prefeitura de Manaus, a secretaria de Cultura da Presidência da República, e, por mais estapafúrdio e incoerente que possa parecer, a Academia Amazonense de Letras e o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), entidades que têm o dever primordial de zelar e proteger a memória histórica e a cultura do Estado. A história, contudo, haverá de julgar a indiferença, a apatia, a absurda e incompreensível omissão desses entes e de suas diretorias ao jubileu do símbolo maior da educação amazonense.

Um feliz e abençoado 2020 a toda nossa comunidade.


A Escola de Chicago e o Brasil - Em 20/12/2019

Com a autonomia que lhe foi concedida pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes escolheu sua equipe de trabalho - ocupantes das várias secretarias em que se desdobra o ME - à sua imagem e semelhança. Os nomes têm em comum a defesa do liberalismo econômico e da diminuição da intervenção do Estado na economia, a base do pensamento doutrinário da Escola de Chicago.

No Brasil do governo Bolsonaro, alguns setores da sociedade, sobretudo do mundo político, empresarial, sindical, universitário e cultural vêm falando muito em "Escola de Chicago" - predominantemente ouvindo o galo cantar sem saber onde. Como se o termo representasse uma espada de Dâmocles pairando ameaçadora sobre o país, ou a hecatombe, o flagelo do Armagedom - segundo a Bíblia, a batalha final de Deus contra a sociedade humana iníqua, a mãe de todas as batalhas, a catástrofe mundial como descrito em Apocalipse 16 14:16.

Nada disso, contudo, corresponde aos princípios que regem o famoso ex-Departamento de Economia da Universidade de Chicago, hoje mais conhecido como Escola de Chicago. Para melhor entender o papel da Escola no contexto da economia capitalista do mundo contemporâneo, necessário se torna retornar à década de 1950, quando um grupo de professores do Departamento começou a produzir as teorias que deram fama à instituição.

O grupo era liderado por Milton Friedman e George Stigler, os dois maiores expoentes do liberalismo econômico americano na segunda metade do século XX. Os professores defendiam a observação dos dados e a realização de testes empíricos como maneira de mostrar as limitações da ação do Estado na economia. A partir da produção de Friedman e Stigler, a Escola de Chicago se destacou como polo do pensamento liberal nos Estados Unidos e no mundo. Nas décadas seguintes, foram 30 professores de Chicago vencedores do Prêmio Nobel de Economia.

Friedman e Stigler, ambos laureados com o Prêmio Nobel da Economia, têm suas ideias associadas à teoria neoclássica da formação de preços e ao liberalismo econômico, rejeitando as políticas econômicas de Lord John Maynard Keynes (Inglaterra, 1883-1946). O assim chamado Keynesianismo (aplicado na reconstrução mundial pós-Segunda Guerra, em favor do monetarismo (até 1980, quando passou a defender a teoria das expectativas racionais) e rejeição total da regulamentação dos negócios, em favor do laissez-faire, laissez aller, laissez passer (deixar fazer, deixar ir, deixar passar) quase absoluto, isto é, sem qualquer controle da autoridade governamental.

Convém salientar, a propósito, que o laissez-faire exprime, em essência, o cerne do ideal contido no liberalismo econômico. Simboliza, em em oposição ao protecionismo subjacente ao mercantilismo, a necessidade do Estado de se abster do seu controle na economia, permitindo ao mercado se autorregular a partir da lei da oferta e demanda e da livre concorrência.

Numa escala interpretativa mais ampla, ao Estado caberia responsabilidades sobre as atividades básicas, ligadas a setores que não despertasse interesse da iniciativa privada ou nos quais não pudesse atuar, particularmente em relação à educação dos cidadãos, saúde pública, segurança e justiça. No âmbito econômico ele só poderia se envolver para garantir os direitos do consumidor e da autodeterminação do mercado.

O começo

No período do pós-guerra, os economistas de Chicago se encarregaram de atacar as bases das teorias econômicas mercantilistas em voga, essencialmente baseadas na intervenção estatal na economia. Havia dois grandes exemplos dessa prática de intervenção. Primeiro, o New Deal, o programa do presidente Franklin Roosevelt criado com o objetivo de enfrentar a grande depressão decorrente da quebra da bolsa de Nova York, em 1929. O programa previa a injeção de recursos públicos em obras de infraestrutura geradoras de emprego e renda e, com efeito, reativar a economia do país. Segundo, finda a Grande Guerra (1939-1945), o governo norte-americano destinou recursos para o financiamento da reconstrução da Europa (e do Japão) sob os auspício do Plano Marshall.

O quadro conjuntural e suas complexidades

Como se pode observar, monetaristas e estruturalistas, penso eu, têm seus pontos positivos e negativos; medos, recuos e ousadias. O governo brasileiro precisa de fato, acima de questiúnculas político-ideológicas, de claro discernimento sobre programas e projetos ajustados às reais necessidades da economia como forma de promover igualdade e estabilidade social, liberdade política e cultural de criação. À sociedade, por seu turno, cabe participar ativamente da vida da nação, estudando, aprimorando-se técnica e culturalmente para poder contribuir o aperfeiçoamento do sistema político nacional.

A China é um bom exemplo de que, sem amarras a escolas econômicas específicas tornou-se, em menos de 50 anos, a segunda maior economia do Planeta. Passou como um bulldozer sobre Japão, Alemanha, França, Itália, Canadá e Austrália. O Brasil, para avançar e assegurar seu papel no concerto das nações desenvolvidas precisa fazer muito mais. E superar graves deficiências que, parasitariamente, impedem a evolução e modernização de setores fundamentais como educação, ensino técnico-profissional e universitário, o fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento, da saúde, segurança pública, infraestrutura, saneamento e habitação, portos, transportes, tecnologia da informação e comunicações.

Sem esta base, impossível dar o grande salto. Como o fez Coreia do Sul, os tigres asiáticos (Malásia, Singapura, Hong Kong e Taiwan) e europeus (Polônia, Irlanda, Espanha), dentre outros.

Em síntese, o Brasil depende, vitalmente, na condução dos três níveis de governo (federal, estaduais e municipais), de menos rotulagem conceitual e mais gestão competente e eficiente; de um governo que tenha visão abrangente sobre as diferenciações e assimetrias territoriais e sociais do país. O Brasil, por outro lado, clama por honestidade das representações parlamentares, que, atentas às necessidades do povo, essa figura algo imprecisa, indistinta, vaga, mas que as elege e mantém no poder, priorizem o bem comum não os próprios bolsos.

O Brasil sente profunda falta de um poder Judiciário limpo, expedito, rápido e justo, comprometido com o combate à corrupção, o direito dos menos favorecidos, não à defesa de poderosos. O Brasil e os brasileiros, enfim, demandam autoridade, justiça, segurança, saúde, educação, moradia, saneamento básico, transporte eficiente e seguro acima de ideais filosóficos vagos, que normalmente descambam para fanatismos retrógrados e improdutivos, anacronismos, radicalismos, intolerância e a  político-ideológica e a hipocrisia. 


Meninos do Manaquiri, reencontro com as origens - Em 06/12/2019

O rio Solimões é exatamente o mesmo. Majestoso, intrépido, arrojado. Navegá-lo é penetrar um pouco na intimidade amazônica, no fulgor daquelas águas barrentas; viver parte de seus mistérios, enigmas e segredos confidenciais. É buscar no mais recôndito escaninho de suas memórias a vida que ali transcorre plena de regionalidade e cumplicidade para com suas verdades próprias, inalcançáveis à maioria dos seres estranhos à Amazônia.

Como no texto-poema de Thiago de Mello, desce "da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se desprende, e traça trêmula um risco na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A cada instante ele nasce. Descende devagar, para crescer no chão. Varando verdes, faz o seu caminho e se acrescenta. Águas subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes. De mais alto ainda, desce a água celeste. Reunidas elas avançam, multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada pela linha do Equador".

Pois bem. Singrando o rei dos rios, numa lancha rápida conduzida pelo experiente e educado piloto Irailton, minha comitiva chegou, numa viagem de uma hora em lancha rápida, partindo do porto do Iranduba, ao município de Manaquiri onde se realizaria uma apresentação à comunidade local de meu livro "Meninos do Manaquiri". Evento programado especialmente como parte da Agroshow - Luzes Empreendedoras, organizado pela Prefeitura em parceria com o Sebrae Amazonas, ao qual compareci à convite do prefeito Jair Souto.

Tomei um susto ao chegar à cidade e, posteriormente, quando me vi diante da multidão comprimida no auditório da sede da administração municipal. Estudantes, gestores de escolas, técnicos administrativos e secretários, representações comunitárias e crianças, muitas crianças. Emocionado, senti orgulho daquele exato momento, do privilégio de poder compartir com os manaquirienses os relatos memoriais do livro, uma evocação de meus tempos de pré-adolescência lá vividos com um grupo de irmãos, primos e amigos durantes as férias escolares.

Os instantes vividos nesta ocasião ultra especial, revelaram, em todas as dimensões, o poder de um livro. Na verdade, o "Meninos do Manaquiri" é mais do que um simples livro. É na verdade uma obra literária que retrata as origens de um povo, a simplicidade de uma comunidade de lavradores, pescadores e produtores agrícolas e pecuários, que exerciam a vida livremente, longe de valores monetários, e que, talvez até inconscientemente participavam da construção de de uma municipalidade próspera, ordeira e consciente do seu papel na conjuntura econômica do Amazonas.

O Manaquiri, com efeito, evoluiu daqueles povoados singelos, espalhados ao longo do paraná e lagos, cujos negócios baseavam-se no escambo garantido a fio de bigode. Transformado no maior produtor de batata doce do Estado, vem investindo forte no setor primário (na produção de melancia, milho, jerimum, farinha e derivados; na pecuária bovina, ovina e avícola), graças a planos e projetos da administração municipal comandada com eficiência e responsabilidade pelo prefeito Jair Souto. Um gestor moderno que trabalha, diferentemente da maioria dos prefeitos brasileiros, sobre propostas concretas de ações diretamente exercidas junto às comunidades de produtores.

A gestão municipal tem um objetivo inarredável: tornar realidade o preceito de não dar o peixe, mas fornecer a vara e ensinar a pescar. Única forma de livrar amarras que aprisionam o cidadão a verbas assistenciais improdutivas que, mesmo garantindo, embora precariamente o sustento de sua família, fere, porém, sua dignidade.

Viajando pelo interior do município revi a placidez das águas do paraná e dos furos, onde se encontram instaladas as tradicionais comunidades banhadas pelos lagos do Jaraqui, do Cai N'água, S. Francisco, Fuxico, Miraaua, Limão, Meru, Meruzinho, Araçatuba, Ubim, Andiroba, Salsa e Sumaúma. Tive o privilégio de presenciar, extasiado, como nos tempos de garoto, a mesma elegância dos voos de garças e maguaris, dos irrequietos mergulhões e patos do mato, da vivacidade de socós, jaçanãs, saracuras, papagaios e curicas, como também a timidez das desconfiadas ciganas.

Admirei a mesma serenidade dos pescadores que, desde que nascem, descem suas redes, tarrafas e espinhéis em busca dos preciosos pescados armazenados vivos em despensas naturais - rios e lagos -, permanentemente abastecidas pela mãe natureza que ali se mantém intocada, íntegra, dadivosa, generosa, harmoniosa e bela. Com uma diferença, o meio de transporte hoje é motorizado. O caboclo aposentou em definitivo o remo. Suas canoas e pequenos barcos são movidas a motores de popa, rabetas ou de centro. Alguns deles guiados sem rodas de leme. Acredite-se, por remos manipulados à mão.

As terras ali são boas, podendo-se desenvolver, de maneira sustentável, a agricultura, pecuária, piscicultura, produção de mel e óleos essenciais. O município, que tem experiência acumulada no setor, em breve se tornará o maior produtor de farinha do Amazonas. A Prefeitura, por meio de sua secretaria de Agricultura, está investindo forte na assistência técnica aos produtores, transmitindo-lhes noções básicas de gestão por resultado. E, com efeito, alcançar nível de excelência na qualidade do produto, lastreada nos fundamentais cuidados sanitários e de higiene.

Outra vocação inata do Manaquiri: turismo e artesanato. Há enorme potencial do setor, particularmente no tocante ao turismo esportivo e de aventura, pesca e observação de pássaros. Artesãos locais são muito criativos, podendo, com treinamento adequado em sistemas de produção e sobre noções mercadológicas, alavancar economicamente o setor.

O Manaquiri, hoje dotado de luz elétrica, telefone e internet está conectado com o Brasil e mundo. Do meio do rio Solimões - quem diria - pode-se participar de reuniões on-line, fechar negócios em qualquer lugar do mundo ou simplesmente se comunicar com sua comunidade por meio das redes sociais.

Os tempos, definitivamente, são outros. Ainda bem.


Indígenas independentes rejeitam tutela de ONGs - Em 02/12/2019

Segundo novo estudo publicado em julho de 2018 pelo IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas -, o Brasil fechou o ano de 2017 com 820 mil ONGs existentes - ou organizações da sociedade civil, o nome formalmente utilizado.

Esse número representa um crescimento considerável do último número então disponível, de cerca de 400 organizações.

Das 820 mil, 709 mil (86%) são associações civis sem fins lucrativos, 99 mil (12%) são organizações religiosas e 12 mil (2%) são fundações privadas.

A presença regional das organizações segue a distribuição da população: a região Sudeste tem 40% das organizações, seguida por Nordeste (25%), Sul (19%), Centro-Oeste (8%) e a região Norte (8%).

ONGs da Amazônia

Segundo estudos do biólogo e ecólogo Diego Oliveira Brandão, publicado no Portal Amazônia Socioambiental a região Norte do Brasil é a que menos concentra organizações da sociedade civil sem fins lucrativos com atividades diretamente relacionadas com o meio ambiente.

Segundo o IBGE menos de 1% das 291 mil ONGs brasileiras estão categorizadas como de meio ambiente e somente 120 ONGs das 2.242 com essa classificação estão localizadas na região Norte do país.

Com atuação em meio ambiente as ONGs defendem diferentes causas na Amazônia. O leitor poderá observar que algumas possuem um perfil técnico e se dedicam a pesquisas, metodologias e estudos ambientais, semelhantes as empresas de consultoria e órgãos governamentais de pesquisa.

Algumas, por outro lado, desempenham missão social que especifica exatamente para quem e onde dedicam seus esforços, por exemplo:

"...mulheres e jovens do município de Silves - AM"

...as populações extrativistas e os agricultores familiares da Amazônia..."

"...comunidades moradoras e usuárias das unidades de conservação no Estado do Amazonas"

Listagem de algumas das mais importantes ONGs em operação na região e que tratam diretamente com o meio ambiente amazônico, pode ser acessada por meio do link: https://amazoniasocioambiental.com.br/20.../.../ongs-da-amazonia.

Rejeição indígena à tutela de ONGs ambientalistas

Sobre a ação de ONGs junto a tribos indígenas amazonenses, supostamente com o fim de protegê-las, o líder indígena Lucas Tukano, que tomou parte na audiência pública realizada, sob os auspício do senador Plínio Valério, na Assembleia Legislativa do Amazonas nesta quinta-feira, 28 de novembro, foi taxativo: "não queremos mais continuar como moeda de troca de ONGs; ao contrário, queremos ser protagonistas, parceiros do governo meio a meio na exploração de reservas minerais em nossas terras, sempre em benefício do meu povo".

Temos que nos organizar em cooperativas, prosseguiu o lder Tukano, "precisamos nos livrar das ONGs que apenas nos exploram e nos escravizam".

Para Lucas Tukano "acima de tudo está a vida humana, que tem de ser valorizada e preservada, pois o homem é o centro do universo, não a floresta e seus recursos biodiversos". Daí a urgente necessidade do estabelecimento de políticas públicas capazes de conciliar o desenvolvimento social e econômico com preservação ambiental.


Onde a coerência e o respeito do STF ao povo brasileiro? Em 08/11/2019

Nos últimos dez anos o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou três vezes seu entendimento sobre cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Poderá ainda ocorrer uma quarta a partir de 20121, quando novos ministros indicados pelo presidente Jair Bolsonaro assumirem em seus lugares..

Que Suprema Corte é esse que nem as leis consegue defender, como de seu dever, com dignidade e isenção?

O "transitado em julgado", conforme o texto constitucional, é na verdade um passaporte verde para a impunidade. A história está plena de casos de criminosos que levaram dez, vinte anos escapando a execução penal por meio de recursos protelatórios (aceitos sem contestações pelo STF) para que a condição se cumprisse.

Ora, no transcurso de tão longo lapso de tempo muitos dos réus terão morrido, o caso caído no esquecimento ou as penas prescritas. E o criminoso, se ainda vivo, mantido em liberdade, debochando da lei penal brasileira, tolerante e conivente com bandidos (ricos) e implacável contra pobres.

A desmoralização do Supremo

A decisão do STF desta quinta-feira, 7, vergonhosamente alterou a posição da Corte, que até então aceitava a possibilidade de prisão de réus com condenações confirmadas pela segunda instância, antes do esgotamento dos recursos.

O novo juízo se deveu, particularmente, à mudança no voto da ministra Rosa Weber, ainda na sessão anterior do julgamento, realizada em 24 de outubro - ela seguiu sua convicção pessoal no tema e votou contra a possibilidade de alguém ir para a prisão antes de esgotados todos os recursos.

Na outra ocasião em que Weber falou sobre o tema, no entanto, em abril de 2018, quando o Supremo decidiu contra conceder habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra votou a favor da execução em segunda instância.

Seu argumento na época foi o de respeitar a orientação da maioria do Supremo, que em 2016 havia decidido pela execução da pena já após segunda instância e autorizado a prisão de Lula (naquele ano, Weber votou contra nas duas vezes em que opinou sobre o tema).

Rosa Weber, no entanto, não foi a única a mudar de voto: outros ministros que alteraram seus votos sobre a execução em primeira instância foram Gilmar Mendes e Dias Toffoli, atual presidente da Corte. Curiosamente, sempre os mesmos.

Depois de apoiarem, em 2016, a prisão antecipada já após a condenação em segunda instância, os dois votaram nesta quinta-feira para que o cumprimento da pena seja iniciado apenas após o trânsito em julgado. Gilmar afirmou, em seu voto, que tem havido um "desvirtuamento" da decisão de 2016 pelos tribunais inferiores.

Qual, efetivamente, o grau de respeitabilidade da Corte Suprema brasileira? Como, em sã consciência, respeitar a competência, imparcialidade ou sentido de justiça de ministros que eles próprios não se respeitam?

Em 2020 e 2021 saem por aposentadoria os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, respectivamente, se aposentam. Livre dos dois, substituídos por indicados pelo presidente Bolsonaro, o STF poderá promover a quarta mudança de entendimento sobre a questão.

Se antes o Congresso Nacional não aprovar Emenda Constitucional disciplinando em definitivo a questão.



Domingos e Eva Peron: apogeu e declínio do populismo argentino - Em 02/11/2019

A respeito do resultado das eleições argentinas de domingo passado, 30, em que foram eleitos os peronistas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, convém esclarecer, por oportuno, que ambos, presidente e vice eleitos, passam longe dos ideais das esquerdas tradicionais. São acima de tudo peronistas. E peronista é peronista. Nada os demove de suas convicções políticas.

Fiéis até a medula aos ideais e fundamentos do partido, o governo de Fernández, com efeito, certamente perseguirá os mesmos ideais populistas subjacentes à base programática do peronismo, não se importando, todavia, que hajam provocado o naufrágio de seus governos, desde Domingos Perón, o fundador, ao casal Kirchner, Néstor e Cristina.

O peronismo

A tendência política cognominada como peronismo refere-se ao período na história da Argentina em que Juan Domingo Perón, eleito pelo voto popular, governou o país entre 1946 e 1955 e de 1973 a 1974.

Juan Domingo Perón é considerado por muitos como o símbolo do populismo na Argentina, comparado a Getúlio Vargas no Brasil. Supunha-se que Vargas pretendia, inspirado no caudilho argentino, implantar uma república sindicalista no Brasil. Muitas intrigas e maledicências depois constatou-se que tais ilações eram falsas, pois nunca houve de fato ações de aproximação de Vargas em direção a Perón, embora, ideologicamente, estivessem muito próximos.

Ascensão política

O surgimento político de Perón aconteceu na década de 1940 associado ao golpe de 4 de junho de 1943 que foi o responsável pela ascensão do Grupo de Oficiais Unidos, conhecido como GOU ao poder da Argentina. O GOU era formado por militares ultraconservadores, extremamente católicos, muitos dos quais simpatizantes do nazifascismo.

Domingos Perón, durante o governo do GOU, assumiu a Secretaria do Trabalho e Provisão (STP), em dezembro de 1943. Foi nesse período que Perón fez sua fama e aproximou-se de trabalhadores e sindicalistas. Populista por natureza, Perón mantinha-se em constante contato com as centrais sindicais. Durante sua gestão à frente da STP, à exemplo de Getúlio Vargas no Brasil, promove uma série de benefícios aos trabalhadores, como a criação de férias remuneradas.

Peronismo e fascismo

Domingos Perón era na verdade um político de extrema direita, anticomunista por natureza. Embora demonstrasse certa admiração pelo regime fascista, associá-lo, porém, ao fascismo, regime político que tomou o poder da Itália em 1922, é hoje considerado um exagero sem fundamento histórico. Existiram, de fato, algumas semelhanças e aproximações do peronismo com o fascismo, mas, na visão dos historiadores, as diferenças entre os dois regimes são maiores que as semelhanças.

O governo Perón

O primeiro mandato de Perón tinha extensão de seis anos, indo de 1946 a 1952. Em 1951, foi realizada nova eleição que o reelegeu para novo mandato de seis anos. Um golpe militar, porém, abortou esse segundo mandato.

Embora cheio de charme, bon vivant, quase um play boy internacional, apegado aos bons vinhos, a puros cubanos e a belas mulheres, o governo de Domingos Perón foi marcado pelo desmantelamento das instituições democráticas da Argentina. Além disso, é apontado por historiadores como populista e autoritário.

Na economia, Perón encontrou uma saída razoavelmente favorável, porque o país havia se aproveitado da Segunda Guerra Mundial para encher as reservas cambiais do país. A agricultura do país estava em crise e, por isso, incentivou o desenvolvimento industrial do país, com pífios resultados em relação ao paraíso da propaganda oficial.

Cumpre destacar que a Argentina perdeu a indústria automobilística para o Brasil graças ao ultranacionalismo do governo Perón, que amarrou o país e velharias ideológicas, e ao Plano de Metas de Juscelino Kubistchek, que alavancou a industrialização do Brasil.

Rendido ao viés ultranacionalista da ação política de seu governo, Perón promoveu a nacionalização das ferrovias e de outros ativos da infraestrutura do país. Equívoco que, no longo prazo, lhe custou muito caro.

Partido Peronista.

O segundo mandato de Perón foi garantido quando venceu a eleição presidencial de 1951, derrotando seu opositor Ricardo Balbín ao obter 64% dos votos. Esse resultado expressivo mostra a força populista de seu governo, já que naquele ano ele tinha sobrevivido a uma tentativa de golpe militar. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo.

O autoritarismo de Perón foi acompanhado da radicalização da oposição, simbolizada por um atentado à bomba sofrido pelo presidente em abril de 1953. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo, intensificando a perseguição a seus opositores. A decadência do governo peronista aconteceu quando ele rompeu com a Igreja Católica. O episódio trouxe outros opositores - como a Marinha - a conspirar contra o regime peronista.

O resultado foi a primeira tentativa de golpe, em 16 de junho de 1955. O levante fracassou, porém, no dia 16 de setembro do mesmo ano, um golpe militar organizado em Córdoba derrubou o presidente que, então, partiu para o exílio, determinando o fim do regime peronista.

Uma semana depois, o general Lombardi declara-se presidente da Argentina.

Eva Perón, o novo peronismo

Atriz e líder política argentina (7/5/1919-26/7/1952), Eva Perón nasce em Los Toldos, uma província de Buenos Aires, em uma família pobre. Com 16 anos, decide seguir a carreira artística e muda-se sozinha para a capital argentina. Em 1937 estreia no cinema no filme Segundos Afuera e, em seguida, é contratada para fazer radionovelas.

Em 1944 conhece Juan Domingo Perón, então vice-presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra.

Em outubro de 1945, Perón,  é afastado de seus cargos por um golpe civil e militar e, em seguida, preso. Evita foi responsável por dirigir uma ampla campanha de agitação social que, em 17 de outubro, reuniu milhões de trabalhadores no centro da capital para exigir a liberdade de Perón, em uma das maiores manifestações populares da história do país. Desde então, o 17 de outubro marca o Dia da Lealdade Peronista.

Finalmente, em fevereiro de 1946, Juan Domingo Perón é eleito para a Presidência com 56% dos votos. Pouco depois Eva se casa com Perón. Famosa por sua elegância e seu carisma, Evita conquista para o peronismo o apoio da população pobre, na maioria migrantes de origem rural a quem ela chamava de "descamisados".

Conquistas sociais de Evita

Os direitos e a politização das mulheres argentinas foram parte fundamental das ações de Eva Perón. Evita lutava pelos direitos das mulheres, direitos civis e de trabalho. Os direitos civis tinham a ver com a igualdade dos homens e das mulheres, salários iguais para trabalhos iguais, a educação em todos os âmbitos, a promoção social.

Até que finalmente conseguiu que o Parlamento aprovasse a lei do voto feminino, que era uma luta antiga das argentinas desde o início do século. Em setembro de 1947, foi promulgada a Lei 13.010, também conhecida como Lei Evita, que estabelecia o sufrágio feminino e reconhecia a igualdade de direitos políticos entre mulheres e homens.

Os resultados não demoraram a chegar. Nas eleições de 1951, as mulheres depositavam pela primeira vez seus votos nas urnas argentinas. Foram quase quatro milhões de votos femininos. Mais da metade deles, 64%, para a sigla do Peronismo. Resultado de uma luta histórica das mulheres, agora elas também ocupavam cargos de poder institucional com a eleição de 23 deputadas e seis senadoras.

Evita também buscou consolidar uma organização exclusiva de mulheres. Em 1947, foi criado o Partido Peronista Feminino com fortes vínculos na política de saúde e educação. Eva Perón foi eleita presidenta por ampla maioria. O Peronismo, a partir de então, incluiu candidaturas femininas para todos os postos de disputa.

Como nenhuma a outra mulher na América Latina, e poucas no mundo, as conquistas políticas de Eva Perón, uma ex-dançarina de clubes baratos e aspirante à carreira de atriz, decorreram, porém, por outras vias, certamente jamais antes por ela sonhadas.

Ao caso conhece e se casa com Domingos Perón, circunstância que, graças ao seu talento natural, instintivo, lhe possibilitou galgar posições determinantes na vida social, econômica e política da Argentina.

A morte de Evita

Eva Perón morre aos 33 anos, de câncer de útero. Embalsamado, seu corpo fica exposto à visitação pública até que, durante o golpe de Estado que apeia Perón do poder em 1955, seus inimigos políticos sequestram o cadáver e o ocultam durante 16 anos. Em 1971, o corpo é devolvido por um oficial argentino ao ex-presidente em Madri, onde ele vive exilado.

Perón volta à Argentina em 1973 e é reeleito presidente, tendo a terceira mulher, Isabelita, como vice. Após sua morte, em 1974, Isabelita traz os despojos de Evita para a Argentina e os sepulta em Buenos Aires.

No Llores por mi, Argentina

De acordo com o Wikepedia, Don't Cry for Me Argentina (No Llores por mi, Argentina, em espanhol) é a canção mais conhecida da ópera rock Evita, de 1978. Com música de Andrew Lloyd Webber e letras de Tim Rice alcançou monstruoso sucesso na Broadway, em Nova York, e mundo afora.

A música foi gravada primeiramente por Julie Covington em estúdio no ano de 1976 e interpretada por Elaine Paige nos palcos em 21 de junho de 1978, quando a peça estreou, e logo se transforma em mega sucesso. No Brasil foi gravada pela cantora Claudia, que explodiu em vendas de seu mono.

Tal o sucesso da peça, que Madonna gravou sua versão da canção para o seu papel no filme de 1996 Evita. Ela foi lançada em dezembro de 1996 como o segundo single da trilha sonora do filme. Para o lançamento do single, Madonna gravou a canção mais uma vez como um remix de dança, produzido por ela mesma, Pablo Flores e Javier Garza.

Evita até hoje desperta fortes emoções em toda a América Latina e no mundo. Tanto a ópera rock, da Broadway, que assistimos em N. York, quanto o filme foram sucessos estrondosos de bilheterias. Nada obstante, a Argentina mergulha em nova aventura peronista confundindo esquerdismo com peronismo.

Em verdade, um regime nada tem a ver com o outro.


Manaus 350 anos, proposta de resgate à nossa memória histórica (20/10/2019)

Lastimável constatar: aos 350 anos, acredite ou não, Manaus mantém-se desconectada e distanciada de seu passado, negando reconhecimento e homenagens aos vultos históricos, aos pioneiros e desbravadores que fincaram os marcos civilizatórios na Amazônia. Particularmente, a história de Manaus tem início com a fundação do Forte de São José da Barra, em 1669.

De acordo com historiadores, a fortaleza foi construída para assegurar o domínio da coroa de Portugal na região, área da confluência do rio Negro com o Amazonas e o Solimões, e controlar o portão de entrada dos confins ocidentais da Amazônia, reservados à Espanha (1494), pelo Tratado de Tordesilhas.

O povoado recebeu o nome de São José da Barra do Rio Negro (Lugar da Barra) e em 1832, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, o vilarejo foi elevado à categoria de vila. Em 1848, a Vila da Barra foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, para receber em 1856 o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manaós (Mãe dos Deuses), considerada o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia.

Cidades, ao redor do mundo, prestam prodigamente tributos aos antecessores, aos desbravadores que vencendo toda sorte de intempéries, deram a vida pela construção do ideal de fundar e desenvolver sua comunidade, concelho (com "c" mesmo), a freguesia. Exceto Manaus.

Constrangedor verificar a não existência na cidade de um monumento dedicada às três principais figuras que construíram nossa història: o madeireiro, o pescador e o seringueiro. Ou aos povos indígenas, nossos ancestrais, os que nos antecederam na Terra de Santa Cruz.

Embaraçoso, por outro lado, constatar o "esquecimento" do amazonense de perpetuar a memória em logradouros públicos do grande governador Eduardo Ribeiro, de Álvaro Maia, Cosme Ferreira Filho, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho, Moyses Israel. Não há ao menos um busto em homenagem a Pereira da Silva, a Arthur Amorim, a Roberto Campos e a Castelo Branco, os que formularam as ideias estruturais e o desenho institucional tangentes à criação da Zona Franca de Manaus, o pulmão da economia moderna do Amazonas.

Da mesma forma passam ao largo, sem o devido reconhecimento público, empresários do porte de um Isaac Sabbá, Adalberto Valle, Djalma Batista, Mário Guerreiro, Isaac Benchimol, Isaac Benzecry, Rioto Oyama. Adicionalmente, convém observar: a não ser os "antigos", os mais velhos, quem hoje lembra do regatão, a importante figura que ligava por meio dos rios da Amazônia, Manaus aos seringais dos altos rios, transportando gêneros e utensílios e trazendo a borracha, a sorva, a castanha, os couros e peles, as essências vegetais, produtos extrativos da floresta sobre os quais sustentava-se nossa economia.

Nenhum deles foi homenageado com uma estátua ou ao menos um busto na cidade.

Dever de cidadão

Sou, por formação, sensível ao enaltecimento da história memorialística de um povo como meio de potencializar o presente e o futuro. Entendo a necessidade não de "reviver" o passado, mas de resgatá-lo para melhor compreender o presente e, por extensão adquirir meios catalisadores de um futuro livre dos erros e amarras pregressas.

Max Weber (1864-1920), ao publicar em 1904 "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", considerado, na lista das obras de não-ficção como o livro do século XX, tornou-se conhecido do mundo científico por buscar comprovar perante a história a eficácia da interpretação da sociedade partindo "não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc.), mas centrando-se no indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das 'intenções', 'motivações', 'valores' e 'expectativas' que orientam as ações do indivíduo na sociedade".

Com efeito, entendo ser do dever dos que integram academias, entidades científicas, históricas e literárias ter como missão basilar, dentre outras funções específicas, retratar, cultuar e homenagear a presença e o papel dos pioneiros, homens e mulheres que doaram suas vidas para a construção de nossa terra nos seus mais diversificados setores de atividades.

Nesse contexto, sinto muita falta, incomoda-me sobremaneira, a ausência de um efetivo reconhecimento do poder público e da sociedade amazonense aos desbravadores da Amazônia, dos que, embrenhados nos altos rios, ali estabeleceram raízes, criaram famílias, descendências e fincaram os marcos civilizatórios que permitiram a construção do hoje estado do Amazonas e de sua capital, Manaus, a Manaós de nossos ancestrais, ora completando três séculos e meio.

Curiosamente, salvo na Praça da Saudade, onde se ergue estátua em tributo a Tenreiro Aranha (1798-1861), primeiro presidente da Província do Amazonas, nossos ancestrais, os pioneiros que construíram nossa economia, nossa cultura e nossa história são solenemente ignorados.

Urge promover o imediato resgate desse passivo oneroso.

Ouço, amiúde, de pessoas de alta representatividade social e econômica absurda sequência de desculpas esfarrapadas na tentativa de justificar o descaso de autoridades e representações políticas para com nossa história. Dentre as mais comuns, a estapafúrdia afirmação de que "o amazonense odeia sua terra".

Algumas dessas pessoas, embora se auto inclua no grupo, e, com efeito, assuma culpa por imperdoável erro, mantêm apartamentos em Fortaleza, no Rio ou em São Paulo, adquirido com recursos amealhados aqui, na terra cujos fundamentos históricos despreza, acomodadas, individualística e egoisticamente em sua zona de conforto.

A Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Manaus, casas do povo, são pródigas em conceder homenagens diversas, títulos de cidadania, medalhas disso e daquilo a personagens, na maioria dos casos sem vinculação de expressão ou sem que hajam prestado serviços relevantes ao nosso Estado. Deploravelmente, todavia, omitem-se no resgate e valorização dos personagens que construíram nossa história.

Memorial aos Desbravadores

Assim entendido submeti à Prefeitura de Manaus, com apoio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ( IGHA), do qual sou membro, e na qualidade de cidadão comprometido com a história e o futuro de minha terra, proposta relativa a envio de Projeto de Lei à Câmara de Vereadores de Manaus de criação e construção do Memorial aos Desbravadores a ser instalado em lugar de destaque da cidade homenageando, conjuntamente, e num primeiro momento, o seringueiro, o madeireiro e o pescador.

A proposição foi aprovada por aclamação pelo Conselho de Gestão Estratégica da PMM, do qual sou membro, em sua reunião do dia 28 de setembro passado.

Cabe a cada cidadão lutar pelo saneamento da dívida e o resgate de nosso passado que, a cada dia se esvai, perdendo-se nas brumas do tempo. Não podemos apenas e comodamente esperar pelo poder público. Precisamos agir com determinação e consciência do nosso papel perante a sociedade. Afinal, todos somos responsáveis. Somos nós que construímos a história.

Além do mais, não podemos esquecer: povo sem memória é povo sem história, sem presente, sem futuro.

Parabéns Manaus por seus 350 anos!



Brasil, um país em conflito ético e político - Em 20/09/2019

O procurador federal Deltan Dallagnol, em entrevista à revista Crusoé, disse que o combate à corrupção cansou. A corrupção política, enfatizou, "sempre prosperou em nosso país. Não é de hoje ou ontem, é de um século atrás, com coronelismo, voto de cabresto etc. Escândalos como o dos anões do orçamento, o caso PC Farias... A Lava Jato é o rompimento de uma história de impunidade das elites que, em parte, são corruptas e desenvolveram um capitalismo de compadrio".

A Lava Jato, prossegue Dallagnol, "que, mais do que um processo, é uma atitude que passou a guiar vários agentes da lei, com grande força da sociedade, surgiu como um dos grandes movimentos da história, irrefreável. Mas várias vezes, ao longo desses anos, as pessoas perguntavam quando essa pauta iria cansar. Acho que a pauta do combate à corrupção cansou."

Tudo leva a crer que a Lava Jato chegou a "incômodo" ponto além do qual não pode prosseguir face à consistentes indicativos de envolvimento em grandes esquemas de corrupção de importantes agentes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário (bem a propósito, a Lava Toga não emplaca). Evidências que despertaram o dispositivo de "self protection" desses agentes e a tácita decisão de reagir em contrapartida ao "antes que o pior possa acontecer": o indiciamento de outro sem número de autoridades suspeitas que se estendem de Brasília a praticamente todos os estados.

Vale salientar, que em 5 anos de Lava Jato ocorreram 285 condenações, 600 réus, 3.000 anos de penas, 300 inquéritos abertos no STF (a imensa maioria não julgada) em 60 fases deflagradas desde 2014. Sinal vermelho aberto, a reação de autodefesa materializou-se. Na última semana de agosto, todavia, decisão de ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu precedentes para que fossem anuladas as penas impostas pela Justiça Federal do Paraná a até 143 dos 162 réus condenados pela Lava-Jato.

Além de estapafúrdias decisões desse jaez, frequentes ameaças de ministros do STF ao juiz Sérgio Moura, hoje uma personalidade mundial, e ao procurador Deltan Dallagnol, deixam a população atônita: afinal, o Judiciário, à frente o STF, a própria sociedade é contra ou a favor da corrupção? Explícitas atitudes fortalecidas por um sem número de decisões contraditórias de libertação de presos políticos, ex-governadores ou de empresários envolvidos (sempre na operação Lava Jato) protagonizadas pelos mesmos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, contraditoriamente (deveriam estar sempre ao lado da lei) se opõem sistematicamente ao combate à corrupção e à estrutura federal montada com esse propósito.

Ao que penso, cabe à sociedade (ou sua parte decente e íntegra) levantar-se contra esse estado de coisas. A impunidade não pode ser a regra. Ministros, secretários de estado ou municipais, senadores, deputados, vereadores, membros de tribunais de conta, juízes, desembargadores ou quaisquer outros membros do Judiciário, quando eventualmente pegos com a mão na botija o que se lhes acontece? Praticamente nada, além de uma noite, dois ou três dias na cadeia para logo em seguida serem beneficiados por alguma decisão monocrática de algum ministro do Supremo determinando sua libertação.

Exemplos clássicos: com o saída do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA), a presidenta Dilma Rousseff, desde que assumiu o cargo em 2011, perdeu sete ministros após denúncias de corrupção em 13 meses de gestão. Antes do ministro Mario Negromonte (PP-BA), foram afastados do governo Carlos Lupi (PDT-RJ) do Trabalho, Orlando Silva (PC do B-SP) do Esporte, Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil e Alfredo Nascimento dos Transportes (PR-AM).

Nenhuma dessas autoridades até hoje foi julgada por qualquer instância do Judiciário. Continuam livres e com seus direitos políticos preservados. Indicativos de que o crime compensa? Por que o Supremo não transmite à sociedade exatamente o que pensa a respeito? Nem diz nada, nem assume atitudes moralizantes do processo de gestão da coisa pública e da estrutura política nacional.

Todavia, no momento em que a operação Lava Jato cumpre suas obrigações constitucionais, desmontando o maior esquema de corrupção de que se tem noção na história brasileira, um exército de políticos, magistrados e certos setores do STF e do Ministério Público abate-se sobre juízes, promotores e policiais federais como a dizer: - Parem! Estão indo longe demais. Acabar com a corrupção tudo bem, mas nem tanto assim...

O mais estranho é assitir-se no dia a dia partidários das esquerdas combatendo o juiz, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e a equipe da Lava Jato.Não tive a sorte de até hoje assistir partidários do PT, PCdoB e aliados, mesmo de alguns partidos da direita manifestar claro apoio à Operação, ao trabalho de moralização da máquina pública e ao esforço de limpar o mar de lama que tomou conta de Brasília e dos estados brasileiros como nunca antes na história deste país.

Porque a Lava Jato prendeu Lula? Na verdade, o líder máximo das esquerdas, desgraçadamente, de torneiro mecânico e sindicalista tornou-se o político que montou o maior e mais deletério esquema e a mais perfeita engenharia de corrupção no Brasil. Convenhamos, um líder é respeitado por suas ações moralizantes e construtivas. Lincoln, Gandhi, Churchill, DeGaulle, Roosevelt, Kennedy, Ben Gurion, Tatcher, Lênin, Mao, Mandela. Foram, alguns deles, em diversos momentos perseguidos e presos por suas inabaláveis convicções ideológicas e políticas; jamais por atos de corrupção.

No Brasil, algo definitivamente não faz sentido. A sociedade precisa se decidir. É contra ou a favor da moralização do Congresso Nacional, dos órgãos integrantes do Executivo ou da estrutura do Poder Judiciário? Convém observar que os países que deram sorte e, ao longo da história, se desenvolveram priorizaram três funções básicas da ação pública: investiram pesado em educação, ciência e tecnologia; no aperfeiçoamento e moralização da máquina pública e no fortalecimento dos marcos legais e respeitabilidade da meritocracia.

Ou isso, ou a barbárie política e institucional em que o Brasil se encontra mergulhado. Fatores, em quaisquer circunstâncias, incompatíveis com o desenvolvimento econômico e social do Brasil ou de qualquer outra nação.


Amazônia: ecoterrorismo mascara o problema ambiental

A Amazônia Legal, com 5,2 milhões de Km2, conceito definido politicamente desde 1966, engloba nove estados brasileiros (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão). Três a mais em relação às seis unidades integrantes da Amazônia clássica, cuja área territorial corresponde a 80% da Amazônia Legal. Ocorre que, quando o governo, ou o INPE, divulga dados sobre desmatamento na Amazônia, normalmente se refere ao território geográfico da Amazônia Legal. Este o primeiro fator de desencontro de informações que tanto serve a xiitas ambientalistas ou políticos.

De acordo com artigo de Xico Graziano - A teoria do desmatamento inteligente -, publicado no Portal Poder 360, em 7 de agosto passado, esse procedimento "mascara o real problema ecológico, por não significar apenas supressão da floresta tropical densa". Na verdade, afirma, "grandes áreas planas do Mato Grosso, além dos planaltos de Tocantins, entre outros, pertencem à Amazônia Legal, mas, repita-se, são cobertas pelo bioma do Cerrado. E são estas áreas que têm sido mais intensivamente exploradas para a produção agropecuária. Rondonópolis é um bom exemplo disso".

Graziano, ex-deputado federal, professor de MBA/ FGV, levanta um dado significativo: "embora o desmatamento seja grave, os números indicam uma situação suportável. Somando-se toda a supressão florestal na Amazônia Legal, monitorada entre 1988 e 2017, resulta em uma área de 428,1 mil km². Em 30 anos, o desmatamento da Amazônia Legal, incluindo, portanto, a vegetação dos cerrados, atingiu 8,2% da área total".

Longe, por conseguinte, de representar a catástrofe que certos setores políticos, sobretudo petistas que ainda não absorveram a derrota para Bolsonaro, e ONGs ressentidas (com a perda do controle sobre o Fundo Amazônia) vêm sustentando na Europa. Não há dados concretos sobre o status do desmatamento no bioma Amazônia. Coletadas em seu artigo por Xico Graziano "as informações existentes permitem afirmar que está próximo de 5%, ou seja, 95% da floresta tropical original - a Hileia - ainda estaria intocada. Considerando a tendência histórica de redução no desmatamento, é um mito supor que a Amazônia vai desaparecer ou entrar em colapso ambiental".

Extremamente relevante identificar quais os agentes responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Em 2016 ocorreu, segundo Graziano, um pico no desmatamento na região. As informações oficiais, com dados básicos coletados pelo INPE, apontam que aquela forte supressão florestal aconteceu: 1) em terras privadas (35,4%); 2) em assentamentos de reforma agrária (28,6%); 3) em terras devolutas (24%); 4) nas unidades de conservação (11,8%)". Percebe-se, com efeito, ser falso acreditar que somente os grandes fazendeiros desmatam a Amazônia. O lenho da floresta cede à motosserra dos pobres assentados de reforma agrária tanto quanto atende aos perversos madeireiros dentro de áreas que deveriam estar protegidas".

Pequenez e exibicionismo de Macron

A proteção do bioma amazônico transcende fronteiras. Iniciativas sérias e responsáveis de defesa do meio ambiente não tem partido! A questão é complexa e exige atenção e responsabilidade dos especialistas. Precisa acabar com achismos irresponsáveis, sobretudo o de conotação ideológica radical, que, invariavelmente opta por negar dados e fatos, posicionando-se invariavelmente ao lado do bad guy contra o mocinho. Falando nisso, que decepção para o mundo o comportamento ambíguo de Emmanuel Macron, presidente da França. Declarou-se desde a primeira hora inimigo mortal do presidente Jair Bolsonaro, não levando em conta a vontade do cidadão brasileiro que o elegeu Presidente com 55% dos votos numa eleição limpa, incontestável. Resultado esse que deixou clara a opção do povo pelo novo contra o conservadorismo radical e corrupto dos governos antecedentes.

Qual a razão desse imodesto, arrogante e irresponsável presidente dos franceses, E. Macron? Conquistar posições frente aos competidores europeus, numa guerra pelo poder que jamais vencerá ante a liderança natural, serena e cautelosa de Angela Merkel, na Alemanha? A França, de grandes glórias no passado, não é nem a sombra do poderio exercido por Napoleão Bonaparte no século XIX. Durante a Segunda Guerra (1939-1945) foi invadida por Hitler, quando, vergonhosamente concedeu compartilhar o Poder nacional com os nazistas no chamado Régime de Vichy, liderado pelo marechal Philippe Pétain.

A rendição aberta e incondicional de Vichy ao poder alemão nazista é vista pela história como um dos mais vergonhosos e deprimentes episódios de subserviência de uma nação ocupada ante seus dominadores. Tal o servilismo de Pétain. O marechal não exitava em perseguir e condenar os patriotas da résistance française, que lutaram até a libertação do país pelas Forças Aliadas. Forças essas que o Brasil, mesmo com contingente simbólico, também integrava. Refiro-me também a uma França, cada vez mais longe da força da liderança de um De Gaulle, de um Georges Pompidou, de um Valéry Giscard d'Eestaing ou de um François Mitterrand. Uma França que, ambiguamente, nega apoiar o terrorismo, mas, ao lado da Rússia é um de seus principais fornecedores de armas.

Equilíbrio do Brasil

Muito oportuna a declaração do presidente Jair Bolsonaro em seu twitter, hoje, quando afirmou: "A proteção séria do meio ambiente não tem partido! É uma questão complexa e que merece atenção dos especialistas. Tratar só como tema político, negando dados e fatos, é perigoso e irresponsável!". Tem que parar com achismo infantil". No que está coberto de razão. Disse mais Bolsonaro: "O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

Brasileiros contra o Brasil?

Mais lamentável ainda é assistir posicionamentos explícitos de profissionais liberais, jornalistas, comentaristas, inconformados com a vitória de Jair Bolsonaro, torcendo contra o Brasil. A verdade absoluta está no fato de que nenhum brasileiro apoia queimadas, que vem se repetindo por décadas, conforme ilustra o quadro em anexo. As grandes queimadas em Bornéu (1983 e 1997), Tailândia (1997), Indonésia (1997), Roraima (1997 - 1998), Mato Grosso (1998) e Pará (1998) despertaram a atenção para o problema, mas as medidas tomadas para prevenir e/ou controlar os incêndios ainda são insuficientes. O problema se repete na exata medida da ausência de política de desenvolvimento para a região. Sem a presença forte do governo no controle de invasões predatórias, o povo brasileiro assiste estarrecido e impotente faixas importantes de seu território serem perdidas pelo corte raso e queima da floresta.

Neste contexto, estudos demonstram que a floresta Amazônica permaneceu praticamente intacta até a inauguração da rodovia Transamazônica em 1970. Nos últimos anos a taxa de perda florestal na Amazônia Legal tem sido dramática, principalmente na região do "arco do desmatamento", que se estende do município de Paragominas, no Pará até Rio Branco, no Acre. Afirmar, contudo que a Transamazônica foi a responsável direta pelos desmatamentos é uma aleivosia descabida. O problema se acentua, coincidência ou não, quando, após a redemocratização de 1985, o governo civil abandona a Amazônia, não dando continuidade ao trabalho da Operação Amazônia iniciado em 1966 pelo governo militar.

Durante todo esse período o Brasil não obteve manifestações claras de apoio para defesa da integridade de nosso bioma. Daquilo que o presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira, 22, que as queimadas na Amazônia são uma "crise internacional" e "uma emergência". Pediu, ainda, que o tema seja "prioridade" nas reuniões do G7, o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, que começam neste final de semana em solo francês.

Ora, se a crise, como diz Macron, é internacional, por onde anda o amor francês por nossas florestas que não estão aqui nos ajudando a investir na proteção e desenvolvimento da região? A Amazônia exige competência e respeito na luta por sua preservação. A começar pelo fato de que aqui habitam cerca de 30 milhões de brasileiros, que lutam por um lugar ao sol no contexto do desenvolvimento econômico do país. A região não se constitui apenas de árvores, rios, lagos e fauna, mas também por seres humanos, gente igual a qualquer outra. Só e somente só o crescimento econômico será capaz de proteger em caráter efetivo as florestas, conciliando homem e meio ambiente, meio ambiente e homem.

Isto, certos jornalistas e amazônidas, vivendo fora, no Brasil ou no exterior, não veem. Preferem formar ao lado de doidivanas, falsos ambientalistas que nada constroem; apenas exercem o protesto pelo protesto. Normalmente, meia dúzia de gatos pingados desocupados portando bandeira vermelhas gritando histericamente "fora Bolsonaro". Mas não gritaram "fora Lula ou fora Dilma" quando das grandes queimadas de 2015. De fato, nesse período só houve redução no desmatamento entre 2004 e 2012. Mas desde então, segundo o Itamaraty, os dados medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram crescimento quase contínuo da derrubada de floresta. Para os ecoterroristas esses dados não contam.

Como se pode observar, a questão, lamentável, vergonhosa, é antiga. Longe efetivamente de haver surgido no governo Bolsonaro. Não se pode, contudo, admitir, característico dos últimos governos, que apenas se preocuparam em criar reservas ambientais, na maioria inúteis, como a Raposa Serra do Sol, em Roraima, vale ressaltar. Espera-se do governo brasileiro a definição de políticas públicas adequadas que atendam ao processo de desenvolvimento da Amazônia com preservação de seu ecossistema. Objetivo factível, porquanto, segundo o Código Florestal, 80% de nosso território já é mesmo de floresta protegida. Resta à exploração econômica 20% de nossa extensão territorial, algo em torno de 110 milhões de Km2, ou 11 milhões de hectares.

Portanto, faça-se cumprir a lei. Apenas isto. A iniciativa privada cuida do resto. Com ou sem participação francesa.


Terrorismo ambiental - Em 08/08/2019

O jornalista J.R. Guzzo afirmou, em sua página no Facebook não existir "agrotóxico", nem "veneno na comida". Existem, na verdade, "fertilizantes, inseticidas para combater pragas e produtos para melhorar a qualidade da agricultura". Produtos esses usados no mundo inteiro, ele adiante.

Guzzo adianta: no Brasil "são armas da "esquerda" para tentar sabotar o sucesso do capitalismo no campo". Terreno onde o socialismo falhou e falha redondamente ao longo da história.

Efetivamente, ONGs e inocentes úteis, ignorantes sobre a questão (daquele tipo que ouviu o galo cantar sem saber onde) vem massificando informações de que o Brasil é o maior consumidor de defensivo agrícola do mundo.

Ilusão criminosa espalhada internacionalmente por omitir um dado fundamental: a divisão do número absoluto de consumo por área cultivada. Como resultado de simples conta aritmética, segundo o Ministério da Agricultura, demonstra-se que o consumo brasileiro de agrotóxicos por hectare cultivado ocupa apenas a 44ª posição. Em sentido inverso, o Japão (o Japão, que tem um dos índices de desenvolvimento humano e social mais elevado do Planeta) assume a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxico.

Deve-se observar, por outro lado, que o Brasil é um dos três maiores produtores mundiais de alimentos ao lado dos Estados Unidos e China. O uso de agrotóxicos no país, de clima predominantemente tropical, mais propício a pragas, com efeito, além de ultra controlado pelas autoridades sanitárias, é bastante comedido. Todo produtor agrícola tem consciência disso.

Estudos do Ministério da Agricultura (MAPA) observam que, no cálculo da quantidade de agrotóxicos por hectare não são consideradas as áreas de pasto. Com efeito, o Ministério trabalha com todas as comparações, mas esse critério também é usado pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. A considerar esse critério, aponta o MAPA, o país iria para as últimas posições porque a quantidade por área seria muito menor.

Outro dado relevante: de acordo com estudos do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Caio Carbonari, a dose de agrotóxicos usada por hectare de produção agrícola no Brasil caiu 88% a partir do início da década de 1970.Segundo Carbonari, desde os anos 2000 o Brasil usa apenas 12% da dose de pesticidas que usava no início da década de 70. Portanto, conclui, "os produtos estão evoluindo em termos de segurança humana, tornando-se, desta forma, mais específicos e eficientes". Em consequência, reduzem-se suas dosagens.

MANIPULAÇÃO POLÍTICA

Como se pode depreender sem muita dificuldade, a questão é, basicamente, política, explorada por ONGs poderosas instaladas sobretudo na Europa, que essencialmente manipulam dados à conveniência própria. Como afirmou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esta manhã: claramente o objetivo dessas esdrúxulas organizações é fazer terrorismo ambiental, e, assim, sensibilizar governos e empresas multinacionais a elevarem o repasse de apoios financeiros cada vez mais volumosos. Por meio de cujas fontes engordam suas contas bancárias e alimentam exércitos de parasitas encarregados do trabalho sujo de criar constrangimentos e sufocar países em desenvolvimento.

Não se tem notícias de ONGs operando com tanta presteza e destaque internacional na Alemanha, França, Rússia, Itália, Espanha, em Portugal. Que ONGs têm bases tão agressivas na China, Canadá, Suécia, Noruega, Holanda, na Coreia do Sul, no Chile, na Colômbia, no Mexico?

A verdade nua e crua é esta. Toda produção de alimentos demanda uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. Não há outra maneira de atender ao consumo mundial cada vez mais crescente. A produção orgânica seria ideal; jamais, contudo, poderá alcançar os níveis de produtividade da produção extensiva. O mais grave ainda: a ONU estima uma população para o Planeta de 9 a 10 bilhões de habitantes em 2050.

Tais contingentes populacionais exercem e exercerão cada vez mais pressão sobre o crescimento mundial da demanda de comida, o feijão com arroz e bife de cada dia que precisa estar na mesa do ser humano aqui, ali e em qualquer lugar. Em números absolutos ou relativos, estes medidos pelo incremento da produtividade no campo.

ILPF

A Embrapa desenvolveu no Brasil sistemas denominados Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), que permitem a produção integrada de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne na mesma área, em plantios em rotação, consorciação e/ou sucessão. O sistema funciona basicamente com o plantio, durante o verão, de culturas agrícolas anuais (arroz, feijão, milho, soja ou sorgo) e de árvores, associado a espécies forrageiras (braquiária ou panicum).

Há várias possibilidades de combinação entre os componentes agrícola, pecuário e florestal, considerando espaço e tempo disponível, resultando em diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta (ILPF), lavoura-pecuária (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF).

Com efeito, o avanço das tecnologias de produção ao mesmo tempo que garante a expansão da oferta mundial de alimentos, potencializa as necessidades de proteção do ser humana no tocante à integridade de suas necessidades alimentares.

Sobre esses avanços, porém, as ONGs não se interessam. Por uma simples razão: não lhes proporcionam retornos financeiros nem prestígio junto à comunidade ambientalista internacional.

Tudo, enfim, uma questão de business!


Cidadãos de primeira classe - Em 31/07/2019

De acordo com informes circulantes nas redes sociais, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou um documento (Resolução nº 545/2014) que determina viagens de primeira classe para todos os ministros da Corte em voos internacionais.

As diárias em hotéis chegam a 727 dólares (aproximadamente 2.700 reais), enquanto as passagens em voos de primeira classe podem custar 40 mil reais. Como comparação, as passagens econômicas, usadas pela maioria da população, custam por volta de 4 mil reais.

Também foi decretado que cada ministro pode gastar 3 salários mínimos por dia nessas viagens, ou seja, cada ministro ganha 1 salário mínimo a cada 8 horas, enquanto muitas famílias se sustentam com 1 salário (ou menos) ao mês!

Apenas em maio de 2018, o ministro Dias Toffoli gastou, sozinho, 74 mil reais entre passagens de primeira classe e diárias de luxo em apenas uma viagem para a Rússia. Em outubro do mesmo ano, gastou outros 58 mil reais viajando para Veneza. Faça as contas e veja quanto isso custa aos cofres públicos, uma vez que todos os ministros possuem esse privilégio.

Enquanto castas privilegiadas surfam nababescamente worldwide em padrão oligarcas russos ou potentados árabes, o Brasil mantém-se um dos países com a pior distribuição de renda no mundo. Com efeito, ao mesmo tempo em que poderosos usufruem de vida luxuosa (com dinheiro público, evidentemente), a grande maioria da população leva uma vida de privações, tentando garantir o mínimo para sobreviver à base de salário mínimo ou bolsa família.

Um entre centenas de casos, refere-se à estatal EBC [Empresa Brasil de Comunicação ], responsável pela TV Brasil, transformada pelo PT em cabide de empregos para defensores e amigos de Dilma e Lula. O presidente Michel Temer chegou a ordenar uma 'devassa' na farra petista que se instalara no governo federal mas sem muito resultado.

Milhões e milhões dos contribuintes foram jogados fora em programas de amigos da corte, blogs chapas branca, ongs parceiras. Um desses casos foi o do diretor de teatro Aderbal Freire Jr, casado com a atriz Marieta Severo. Ele recebia da EBC a bagatela de R$ 91 mil por mês, valor cinco vezes maior do que o salário do presidente da própria Empresa

Marieta está entre o grupo de artistas que em 2014 assinou manifesto em apoio à reeleição de Dilma Rousseff. "O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros", chegou a dizer a atriz na ocasião. Bem, florida primavera ao menos para ela e sua turma de privilegiados.

Indo-se a outras instâncias da República - Poder Judiciário, Legislativo, Tribunais de Conta e empresas estatais -,constata-se profusão de benesses, vantagens auferidas indevidamente, muitas vezes sem trabalho ou empenho nem de longe correspondentes aos valores que mensalmente, faça chuva, faça sol, caem em suas contas bancárias. Simplesmente por serem amigos do rei.

Dados da DAGOBAH (Inteligência Democrática), dão conta de que todo poder legislativo federal, estadual e municipal somado gasta menos de R$ 13 bilhões. Quase todo poder judiciário somado, ou seja, seus 90 tribunais (excetuando STF e CNJ) gasta quase R$ 85 bilhões. Os dados do legislativo não estão atualizados e são da Transparência Brasil. Se referem a anos diferentes, mas dão para se ter uma ideia de proporção.

O relatório JUSTIÇA EM NÚMEROS 2017, do CNJ, reúne dados de 90 tribunais: 4 tribunais superiores; 5 tribunais regionais federais; 24 tribunais regionais do trabalho; 27 tribunais regionais eleitorais; 3 tribunais de Justiça Militar estaduais; 27 tribunais de Justiça. Deixa de fora apenas o STF e o próprio CJN. Vejamos o que ele diz.

O Poder Judiciário teve uma despesa total de R$ 84,8 bilhões em 2016, um crescimento de 0,4% em relação ao ano anterior. As despesas totais do Poder Judiciário correspondem a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Inexplicavelmente, os andares inferiores da sociedade, dos que batalham, que se encontram no desemprego e que de uma maneira ou de outra pagam as contas, encontram-se divididos, visceralmente antagonizados, envoltos em batalhas ideológicas intermináveis e nada construtivas via redes sociais, nos bares, nas fábricas, nos shoppings ou nas universidade.

Ao mesmo tempo em que escoiceia, xinga, insulta e esbraveja sobre Cuba, China, Rússia, Estados Unidos, Europa, ditaduras e democracias ao redor do mundo, comunismo x liberalismo, Champions League x falência do futebol brasileiro, carnaval ou boi os privilégios - poderosos, inatingíveis -, permanecem, se renovam e se perpetuam graças, contraditoriamente, ao coitadismo, à leniência, à tolerância da própria sociedade.

Enquanto isso, felinianamente, la nave va...



João Gilberto parte desta vida para retomar geniais parcerias com Tom e Vinicius - Em 06/07/2019

Responsável por uma revolução na maneira de cantar e tocar violão que mudou tudo na música brasileira, João Gilberto morreu neste sábado, 6, aos 88 anos . A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele deixa três filhos, João Marcelo, Bebel e Luisa.

Graças a ele, a bossa nova se consolidou e a música brasileira teve portas abertas para conquistar seu lugar no mundo. A brilhante geração de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque não teria ido tão longe se não fosse a inspiração de " Chega de saudade ", disco que João lançou em 1958.

João iniciou um longo e tortuoso caminho de quase dez anos, desde Juazeiro, Bahia, vivendo da caridade dos amigos, ora aqui, ora acolá, sempre mudando-se de várias casas. Chegou a ser internado num sanatório psiquiátrico, mas a tudo superou até chegar a criar a batida de violão - a bossa nova - que maravilhou o Brasil e o mundo.

Fragmentos de uma vida pessoal tão enigmática que alimentaram o mito explicam como um jovem, inexpressivo na escola, ao final dos anos 50 se converteu na maior referência da música brasileira do século XX.

João Gilberto fez parte do mais importante grupo que revolucionou a música popular brasileira: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Donato, Roberto Menescal, Nara Leão, Carlos Lira, Edu Lobo, Ronaldo Bôscoli, dentre outros.

Essa formação original da bossa nova influenciou a geração de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento, Maria Bethania, Johnny Alf, Elizeth Cardoso, Alaíde Costa, Agostinho dos Santos, além de outros importantes nomes da MPB.

As músicas do cantor/compositor chegam a quase 120. Sucessos como Chega de Saudades, O Pato, Garota de Ipanema, Aos Pés da Cruz, Rosa Morena, Insensatez, Corcovado, No Tabuleiro da Baiana, o Barquinho, Bolinha de Papel, Maria Ninguém, Lobo Bobo, Só Danço Samba, Doralice, É Luxo Só, Eu e a Brisa, Meditação, dentre muitas outras, cravaram marcas indeléveis nos corações e mentes daquela juventude dos anos 60 e 70. Símbolo inconteste de minha geração.

Segundo Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudades, "a voz de João Gilberto era em si um instrumento de altíssima precisão. Deixava esparramar cada sílaba sobre cada acorde como se as duas coisas tivessem nascido juntas. João repetia os ensaios cinco seis vezes, com mínimas alterações, mas o problema é que cada versão parecia melhor que a anterior".

Gilberto, que não dava o menor valor a coisas materiais, usava roupas, sapatos, o que fosse, dos outros sem qualquer constrangimento. Assim como chegava na casa de um amigo, declara-se hóspede até ser expulso, normalmente por indisciplina. Entretanto, suas excentricidades revelaram um músico que escreveu um novo capítulo e elevou ao píncaros a MPB.

Inspirando-se no banquinho e no seu violão não houve mais nenhum outro jovem artista, como escreveu Ruy Castro, que não tenha tentado extrair do instrumento o som secreto da mão direita, cantar baixinho e até se comportar como João Gilberto.

Ele saiu de sua terra natal, Juazeiro da Bahia, às margens do rio São Francisco, em frente a Petrolina, Pernambuco, aos 18 e lá nunca mais voltou.

Como disse Drummond, por quem ele dedicava verdadeira adoração: Vai, João, ser gauche na Vida. Ele foi e se tornou um mito que marcará para sempre na história da música popula brasileira.

Descanse em paz João Gilberto!


Moral, ética e dignidade na política brasileira - Em 23/06/2019

Entende-se costumeiramente, sem querer mergulhar em profundidades conceituais restritas a filósofos ou sociólogos, que valores morais estão associados a noções de conceitos, juízos e pensamentos que a pessoa educada e consciente considera "certo" ou "errado". Usualmente, valores morais transmitem-se às pessoas nos seus primeiros anos de vida, através do convívio familiar.

Com o passar do tempo, o indivíduo, o ser social, vai aperfeiçoando seus valores a partir de observações e experiências obtidas no quotidiano da vida. Fundamentalmente, baseados em diversos fatores, tais quais: cultura, tradição, religião e educação. Muitas vezes tais valores vão se deteriorando ao longo do tempo, dependendo do caráter do indivíduo. Quando fraco, típico de seres subservientes, bajuladoras, servis, tendem a tornar-se párias da sociedade, inconfiáveis, canalhas.

Ao contrário de cidadãos de bem que respeitam idiossincrasias, segundo a Sociologia, a particularidade comportamental e própria de um indivíduo ou de um grupo de pessoas. Estes os cidadãos dignos, íntegros, honestos. Os que veem o seu semelhante com respeito e condescendência, complacência e espírito cristão, segundo princípios transmitidos por Jesus de Nazaré à humanidade por meio das escrituras.

Faço essas considerações a propósito do lamentável quadro de deterioração em que se encontra o universo da política brasileira. Sobretudo a partir da redemocratização de 1985, período em que desceu ao fundo do poço. Parcela ponderável da representação popular caiu nas malhas da Operação Lava Jato, revelando o submundo imperante no Congresso.

A imagem do político é a pior possível, mesmo a despeito de que velhas raposas terem sido despejados das cúpulas côncava e convexa do Parlamento nas últimas eleições. Persiste, porém, a velha prática do toma lá dá cá, em que a sociedade simplesmente é posta de lado em favor de interesses pessoais. Mesmo os novos nomes não dão pista de assumirem compromissos com uma nova política. Mateus primeiro os meus, diz ancião brocado português.

Um deputado ou um senador, hoje, são figuras que fazem do Congresso balcão de negócio, impondo medidas de autoproteção e defesa de seus negócios.A grande maioria, evidentemente. Respeite-se a propósito a dignidade de alguns que continuam fazendo da ação política instrumento de transformação social. Expressiva parcela, todavia, não merece respeito. Tem-se notícias de parlamentares que achacam, extorquem prefeitos e governadores com a alocação de recursos de emendas parlamentares impositivas, das quais levam comissões exorbitantes.

Alguns fizeram fortunas. Ilícitas, evidentemente, e desfilam como bons moços, frequentam igrejas, passam por benfeitores, quando na verdade são lobos em pele de cordeiros. O que tranquiliza é que a Operação Lava Jato tarda mas não falha. E alguns desses figurões, na verdade bandidos da ação parlamentar, já foram alcançados pela justiça e encontram-se presos. Da parcela que consegue fugir ao tacão da lei, expressiva maioria vive nababescamente em decorrência de fortunas adquiridas de forma suspeita, muitas vezes por meio de práticas ilícitas de desvios de recursos públicos.

Campo fértil para falsos moralistas, que, desprovidos de ética confunde respeito com hipocrisia, vai à igreja, ajoelham-se perante o altar, canta hinos religiosos, mas sai do templo e apunhala amigos, parentes, colegas de trabalho e profissão; rouba, dá desfalques em órgãos públicos, denigre a ação política, contribuindo, assim, para a degeneração ética e moral da nação. Tudo por conta de que, para indivíduos dessa espécie, não o ser, mas o ter, o poder, são os valores que se lhes parecem fundamentais para amoldamento de caráter.

Ética e moral para tais classes de abjetos seres vivos não passam de ficção. Nesse sentido, não temo em afirmar: um cão tem mais dignidade do que qualquer um desses exemplares de má formação moral e humana.


Marginália política ataca Mora com força máxima - Em 10/06/2019

Representantes dos três Poderes da República deverão assinar, na semana que vem, um "pacto de entendimento" visando ordenar as ações modernizantes do governo Federal em favor da retomada do crescimento do país. A ação republicana visa, em última instância dar uma resposta contundente à nação em relação ao caos instaurado pelo governo petista em seus 15 anos de poder, quando demoliram as contas públicas marcadas por monumentais déficits públicos, deixaram cerca de 5 mil obras paralisadas, desmoralizaram o Minha Casa Minha Vida, partidarizaram o Bolsa Família, provocaram a mais profunda recessão econômica e permitiram a instituição do maior esquema de corrupção como jamais antes visto na história deste país.

A marginália política brasileira, comandada pelo PT, PCdoB et caterva, no intuito de desmoralizar a Operação Lava Jato e libertar a bandidagem encarcerada, se insurge contra as reformas em implantação, porque assim é mais conveniente para o alcance de seu magno objetivo: a desmoralização do governo. Em consequência, o enfraquecimento das reformas estruturantes, como a Trabalhista, da Previdência e a Tributária, que virá em seguida. Desta forma, viabilizar a instalação do caos político e econômico, território fértil do tal socialismo bolivariano que Lula da Silva e seus comandados tentam implantar no Brasil.

Chega a soar ridículo dar credibilidade a um site marginal de extrema-esquerda, The Intercept, dirigido por certo Glenn Greenwald, casado com um tal de David Miranda, do PSOL, inteiramente desconhecidos do mundo das comunicações sérias, e que ora são acusados de atentar contra a segurança pública do Reino Unido. Padrão Wikileaks ou Edward Joseph Snowden , espião norte-americano que se encontra refugiado na Rússia, sob proteção do governo Putin.

As "revelações" são estrategicamente formuladas. A questão é: por que só agora esse site aparece como defensor da moral e dos bons costumes da nação? Por que, junto com a OAB petista não denunciou a bandidagem instalada no governo Lula, o maior chefe de quadrilha que, em conluio com empreiteiras, saqueou a Petrobras, a Caixa, diversos ministérios, fundos de pensão, agências regulatórias e transformou o Planalto num imenso mar de lama?

Não è à-toa que, como nunca antes visto neste país, Lula foi condenado e preso, aguardando julgamento de mais 11 processos; governadores como Sérgio Cabral, Pezão e Garotinho, prefeitos, deputados, senadores, dirigentes partidários, ex-ministros também condenados e encarcerados. A marginália política "libertadora" (de quem e de que?), sub-comandada por Zé Dirceu e sua tropa de choque não perdoa a perda de imensos privilégios, como milionárias verbas para centrais sindicais, ongs, blogs (alguns levavam mais de um milhão de reais por mês), imprensa marrom, cargos em estatais, mamatas em licitações, negociatas com merenda escolar, medicamentos, e obras que jamais saíram do papel mas custam aos cofres públicos bilhões de reais/ano, como a famosa companhia do trem bala, do poste Dilma Rousseff.

Tudo isso junto levou o Brasil ao fundo poço, paralisando a economia, depreciando patrimônios, provocando perdas de competitividade. Medidas do governo Federal corretoras de tais distorções, entretanto, são torpedeadas no Congresso. Na Câmara Federal chegam a se comportar como cães raivosos, irracionalmente contrários a tudo que soa modernização. Bem ao estilo petista, partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer e o Programa de Privatizações.

Atitudes políticas desse jaez nada constroem. O Brasil precisa superar esse primitivismo político que impedem nossas instituições sejam respeitadas e leis justas e construtivas aprovadas e implantadas. O Brasil precisa pensar grande, modernizar-se para poder acompanhar a evolução tecnológica que se processo no mundo da revolução industrial 4.0. O retrocesso político, moral e ético só interessa aos que contam com o caos para melhor locupletar-se com recursos públicos e fortalecer seus nanicos e danosas agremiações políticas que sobrevivem, não alicerçados em princípios mas em verbas partidárias que alimentam orçamentos pessoais de seus dirigentes.

Chega! Vamos pôr ordem no Congresso e no Judiciário e escoimar o Executivo de heranças deletérias e ruinosas. O país precisa crescer, porque só assim poderá gerar emprega e renda para seus cidadãos. Mas, ao que tudo indica isso não interessa à raivosa oposição, apegada a retrógrados dogmas superados no mundo moderno, que, tal qual parasitas, que se instalam sobre outra planta ou árvore e se alimentam de sua seiva, ou, no fundo dos mares, as rêmoras, peixes que que se alimentam de restos descartados pelo tubarão.


Educacão no Brasil, razão e (in) sensibilidade - Em 17/05/2019

Espraia-se no Brasil a noção - e o temor - de que o quadro político nacional é catastrófico. E sem porta de saída. Aqui e ali lê-se estudos e artigos dando conta da forma repugnante como a ação política vem sendo exercida. Qual a marca mais expressiva desse quadro? A corrupção e a falta de decoro parlamentar.

Na imensa maioria dos casos por uma razão em especial: deformações psicológica, moral e de caráter invadiram nestes últimos quinze anos importantes instâncias do Executivo e de certos setores dos Poderes Legislativo e Judiciário. O mais grave: situação aceita e aparentemente aplaudida por milhares de eleitores que elegem e reelegem candidatos ineptos, incompetentes e fichas sujas eleições após eleições.

Questiona-se, sabendo-se de antemão a resposta: que candidato no Brasil de hoje se elegeria falando a verdade, não mentindo, não ludibriando o eleitor com promessas vãs, simplesmente eleitoreiras, irrealistas e irrealizáveis? A prática política está de tal maneira deformada que o candidato entra no jogo consciente de que terá de escamotear a verdade, prometer ações inexequíveis, quiméricas, utópicas porque sabe que depois de eleito terá um milhão de desculpas para justificar a "frustração de suas promessas", vale dizer, concretamente, crime eleitoral pelo qual jamais será punido.

A falta de efetiva renovação dos quadros políticos vem afetando gravemente a vida nacional, o desempenho da economia, da gestão pública, os avanços sobre a modernização tecnológica. É abissal o afastamento do Brasil das economias líderes do crescimento mundial. Inversamente, significativa vem se tornando a proximidade política, e daqui a pouco, certamente, econômica, de sub democracias campeãs do desemprego e da miséria.

Condição que se reflete no baixo nível educacional, da saúde, da segurança, do saneamento básico, na precariedade da infraestrutura de transporte, portos e armazenamento. É grave, por outro lado, a deterioração do sistema previdenciário, da gestão das contas públicas nos três níveis de governo e da representatividade política.

No tocante ao panorama da Educação no Brasil, vis-a-vis as manifestações contra os "cortes" de verbas da educação, permito-me focar a análise no quesito "evasão escolar". Efetivamente um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro, não se concentra apenas no ensino médio, cujo currículo é desconectado das necessidades do mercado de trabalho, nem no ensino fundamental. Afeta sobremaneira o nível superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar.

Segundo o estudo do Inep, entre 2014 e 2015, 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio abandonaram as salas de aula, o mesmo acontecendo com 12,1% dos matriculados na segunda série e 6,7% dos matriculados na terceira série. No ensino fundamental, a taxa de evasão na nona série - a última nesse ciclo educacional - foi de 7,7%, no mesmo período. Já no ensino superior, a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%.

Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de evasão foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. Os números também mostram que, nas instituições privadas, 30% dos alunos desistem do curso já no segundo ano, enquanto nas instituições públicas a taxa é de 19%. Nos anos seguintes as taxas de desistência vão diminuindo.

No caso específico das universidades federais, aponta o Inep, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 - uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular.

Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Como se pode observar de forma conclusiva, o grave déficit nos investimentos em políticas públicas privilegiando o aprimoramento do ensino compromete cabal e irreversivelmente o futuro do Brasil, econômica, social, educacional e culturalmente. A despeito das evidências e fragilidades estruturais do sistema brasileiro de ensino, agravado nos últimos 15 anos, mesmo assim, cumpre salientar, a hipocrisia, a irresponsabilidade, o radicalismo ideológico predominam junto a setores sindicais, que, deliberadamente - efeito manada -, se omitem em relação à causa maior da ineficiência e baixa qualidade do ensino no Brasil.

É evidente que os problemas enfrentados pelo setor não se originaram este ano, nos primeiros quatro meses do atual governo, mas se arrastam há décadas. No Amazonas, para não irmos longe, a maioria (nem sei se há algum estruturalmente íntegro) dos tradicionais colégios públicos, nos quais estudamos, encontram-se prestes a cair. Mesmo assim, nenhuma passeata foi organizada para denunciar o descaso, a irresponsabilidade de governos apoiados pelos mesmos salvadores da pátria ora em praça pública denunciando o óbvio.

O quadro é grave certamente; maximizado, importante salientar, nos últimos quinze anos quando, nos governos petistas, mesmo com cartilha de Paulo Freire à mão, investimentos diretos em modernização do ensino - do básico ao universitário -, foram tragados por politicas populistas-bolivarianas descompromissadas com o futura da nação, mas única e intransigentemente com a perpetuação no poder.




Congresso brasileiro Ltda. - Em 10/05/2019

Foi aprovada ontem (09/05), em comissão da Câmara dos Deputados, emenda que limita a competência dos auditores da Receita à investigação de crimes tributários, incluída na medida provisória que modifica a estrutura do governo.

A decisão da Câmara é parte de um ataque à Receita por "poderosos afetados pelas investigações". Vale salientar a propósito haver cerca de 100 parlamentares que já foram autuados ou estão sendo investigados pelo fisco, inclusive alguns que votaram ontem.

Claro e insofismável, em causa própria, driblando abertamente, com cobertura do STF, instituições de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

A decisão de retirar o COAF da alçada do Ministério da Justiça não tem outro propósito: a não ser o de enfraquecer o órgão, que, na aba do Ministério da Economia não terá o mesmo ânimo e a mesma força operacional com que conta hoje na estrutura do MJ.

Trocado em miúdo, setores influentes da Câmara e Senado ontem disseram exatamente a que propósitos se destinam: apenas o de defender conveniências e causas próprias, tangendo os interesses da nação porta a fora da decência e da moralidade que deveria prevalecer no Congresso Nacional.

Na ânsia de mais poder, aprovaram ainda o desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional para recriação das pastas das Cidades e a Integração Nacional. Simples moedas de troca para a aprovação da Reforma da Previdência.

O quadro político nacional é o seguinte, ao que claramente me parece: o Brasil está entregue a uma quadrilha composta por facínoras travestidos de parlamentares que não dão a menor bola aos compromissos de moralidade e modernização do Parlamento assumidos em praça pública quando das campanhas eleitorais.

Além das emendas parlamentares (impositivas) ainda contam com mais de 8 bilhões de reais do Fundo Partidário.

Como fecho da tragicomédia, o presidente do Supremo Tribunal estende, autocraticamente, imunidade parlamentar a deputados estaduais.

O que efetivamente move essa gente?

E como a sociedade as tolera?


Canção de fé e esperança, por Carmen Novoa da Silva - Osiris Silva - Em 23/04/2019

Acabo de ler "ALVARO MAIA - Canção de Fé e Esperança - 90 Anos Depois", de Carmen Novoa Silva, livro editado pela Academia Amazonense de Letras (Coleção Pensamento Amazônico), da qual a brilhante escritora é integrante.

Álvaro Botelho Maia, então um jovem de 30 anos, declamou o histórico poema no Teatro Amazonas na noite de 9 de novembro de 1923, em que se celebrava o centenário da adesão do Amazonas à Independência do Brasil. Portanto, mais de um ano após o Grito do Ipiranga, de D. Pedro I, proclamado em 7 de setembro de 1822.

Carmen Novoa e Silva homenageia o "Príncipe dos Poetas" amazonense levando em conta a grandeza de sua obra como escritor e poeta, político - deputado Federal, senador, Interventor Federal (1930-1933) e governador do Amazonas (1951-1954).

O poeta de "Buzina dos Paranás" e "Beiradões", com a "Canção da fé e esperança", segundo Carmen "gravou em perenidade uma página antológica", que, mesmo hoje, 96 anos depois, em relação à nossa geração, "ainda pode ser compreendida pela atual em muito de seus aspectos, principalmente sociais".

Carmen salienta em sua obra, oportunamente, que "um povo dito ético e que honra suas raízes e seus vultos heróicos e históricos é um povo que vence obstáculos porque segue os moldes da ancestralidade". E ressalta: "um povo sadio é feito de sonhos".

À propósito, merece destaque o seguinte trecho do poema de Álvaro Maia:

"Os amazonenses não sonham muralhas para o Amazonas. O sectarismo não encontra adeptos aqui. Desejam que homens de todos os climas selecionados procurem estes rios, purifiquem a raça e abram sulcos para as sementes. (...) Querem apenas pudor, querem brio, querem competência, palavras incolores e vagas, que passaram a ser verdadeiros milagres!"

Álvaro Maia dirige-se aos jovens, conclamando:

"Aos moços amazonenses - homens em botão e mulheres em manhã - cabe arquitetar a obra ressurgente, em qualquer profissão que tentarem, mas principalmente no trabalho de ensinar criança, de formar alma e modelar caracteres". Nesses termos, proclama: "Não morre o povo que se nutre dos exemplos grandiosos dos mortos".

No Prefácio, o poeta e acadêmico Zemaria Pinto afirma tratar-se o livro de "um documento de importância histórica indiscutível, especialmente pelo que tem de didático: mudaram-se os tempos, mas não se mudaram as vontades - o bom combate travado por Álvaro Maia, que então dava os primeiros passos na política, atacando a corrupção desenfreada, continua atualíssimo".

Zemaria Pinto considera, ainda, que o clamor do poeta do rio Madeira, lançado perante a sociedade e a intelectualidade amazonense naquela noite de 9 de novembro 1923, no Teatro Amazonas, "é também - numa época em que as imagens se sobrepõem às ideias e a retórica se torna obsoleta - um exemplo manifesto de bom uso da palavra, com brilho e coragem".

OPOSIÇÃO À AUTOANTROPOFAGIA COLETIVA

O médico e escritor João Bosco Botelho, sobrinho legítimo de Álvaro Maia, no artigo "Estudantes, a razão maior da Canção de fé e esperança", que integra os textos originais do livro, sublinha:

"A extraordinária Canção de fé e esperança, na briosa edição de Carmen Novoa e Silva ressalta a angustiada, mas firme posição de Álvaro à sociopatia coletiva manauara, espécie de autoantropofagia coletiva, como uma das mais nefastas heranças coloniais, onde a perfídia e a inveja trombam para recusar aceitar o sucesso, a competência do conterrâneo, fomentando no conluio arredio à destruição dos que se destacam".

Ainda segundo Botelho, "também não é difícil identificar o alerta de Álvaro, na Canção de fé e esperança, aos que semeiam ódio e a inveja doentia, mas certo de que seriam vencidos sem deter a grandeza do Amazonas, trazendo melhorias à mocidade amazonense, para a qual se dirigia".

NATIVISMO DE ÁLVARO MAIA

O poeta e ensaísta, Elson Farias, da Academia Amazonense de Letras, no artigo "O Nativismo de Álvaro Maia e o petróleo de Isaac Sabbá", publicado no Blog do Francisco Gomes (https://www.franciscogomesdasilva.com.br) em 18 de julho de 2014, enfatiza aspectos históricos e poéticos transcendentes do discurso de Álvaro Maias.

Segundo Farias, o "príncipe dos poetas" amazonenses, em seu discurso "exorta por um renascimento dos valores da terra e um melhor aproveitamento dos seus filhos. Celebra o sentido heroico dos desbravadores da Região. Do passado e do presente. Denuncia o abandono em que vive a terra em relação aos poderes da República", e desabafa: "O Amazonas deve o seu progresso exclusivamente ao esforço próprio, venceu só, ao impulso de seu comércio e de suas classes laboriosas".

Essa peça oratória, na visão de Elson Farias, "converteu-se num autêntico ideário de vida, sempre lembrado pelos intelectuais, programa de ação a orientar a vida política do Estado que, em seguida, voltou às mãos dos amazonenses por um longo período. Aos 35 anos de regime republicano o glebarismo foi o movimento mais significativo na vida política da Amazônia Ocidental, produto do poder criador do povo tão bem polarizado pelo cantor de "Sobre as águas barrentas".

Farias ressalta, por outro lado, um aspecto marcante da personalidade de Álvaro Maia: embora "aureolado pelo triunfo político que o consagrou com a função de Interventor Federal e com o mandato de Deputado, Senador da República e Governador do Estado, jamais saiu de sua terra e andava a pé, como o mais simples dos cidadãos, na Manaus que se transformava no início da Zona Franca".

MEMORIAL ÁLVARO MAIA

Conforme depoimento do advogado e escritor Erasmo Alfaia nas páginas introdutórias do livro de Carmen Novoa Silva, "no dia 6 de setembro de 1991, o então prefeito de Manaus, cargo que novamente hoje ocupa, Arthur Virgílio Neto, homenageou o inesquecível líder amazonense com a inauguração do Memorial Álvaro Maia, que reunia importante acervo biográfico e literário sobre a vida do grande político e homem de letras".

O memorial, edificado no Parque 10 de Novembro, em decorrência de ato de extremo vandalismo perpetrado por mentes assoladoras, o memorial foi vergonhosamente profanado e destruído, fazendo desaparecer livros e fotografias doados pelo próprio Erasmo, além de outros importantes documentos ilustrativos da vida de Álvaro Maia e da própria história do Amazonas.

RESGATE

A obra de Carmen Nova e Silva resgata com simplicidade e coerência histórica o contexto poético da obra literária e política de Álvaro Maia. O poema "Canção de Esperança e fé" é um chamamento, uma exortação a todos, especialmente à nova geração, que precisa ler e absorver as lições de amor aos nossos valores, à nossa memória histórica, à missão conferida a todos os amazonenses no tangente ao desafio maior de lutar, de forma integrada, pelo desenvolvimento desta terra.

ÁLVARO MAIA

O ex-deputado federal, senador, Interventor e governador Álvaro Botelho Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Considerado o príncipe dos poetas amazonenses, publicou vários livros: "Cabelos Negros", "Na Vanguarda da Retaguarda", "Gente dos Seringais", "Buzina dos Paranás", "Nas Barras do Pretório", "Beiradão", "Banco de Canoa", "Defumadores e Porongas", "Tenda de Emaús". Escreveu poesias, crônicas, ensaios, teses, discursos e conferências.


General Mourão, a ZFM e a Amazônia

Em palestra proferida esta manhã no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM) sobre "A Importância Estratégica da Amazônia Para o Brasil", o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão afirmou de início que "a Zona Franca de Manaus continua sendo prioritária para o governo, precisamos apenas melhorar o que já existe aqui".

Reafirmou a decisão do governo sobre o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), antiga reivindicação do povo amazonense que vem sendo negligenciada governo após governo.

Em apenas 45 minutos de palestra, o general Hamilton Mourão, de 66 anos, demonstrou-se dotado de excepcional poder de comunicação, fortes convicções, personalidade marcante, ampla visão do mundo contemporâneo, dos problemas do Brasil, das dificuldades da Amazônia e a da Zona Franca de Manaus. Sua fala, de maneira direta e sem rodeios transmite segurança e confiabilidade.

O general Mourão esteve reunido em Manaus com o prefeito Arthur Neto, autoridades do governo do Estado, o superintendente da Suframa, Alfredo Menezes Júnior, e com lideranças empresariais e politicas. O governador Wilson Lima, por encontrar-se tomando parte de uma reunião de governadores no Amapá, foi representado pelo vice, Defensor Carlos Almeida, que, por sinal fez um vigoroso pronunciamento pelo fortalecimento da ZFM e a exploração sustentável dos recursos de nossa biodiversidade. Aliás, um jovem competente, por sinal. De uma boa e promissora safra.

Durante sua palestra, afirmou que, após amainadas as tempestades que o Executivo ora enfrenta não tem a menor dúvida de que o presidente Jair Bolsonaro fará um grande governo, cumprindo importantes metas de obras e serviços em favor do povo brasileiro. Sem corrupção, complementou.

Meio gaúcho meio amazonense

Tendo servido três anos em Manaus e dois como comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus), o general Hamilton Mourão, nascido no Rio Grande do Sul, é filho do general de divisão Antonio Hamilton Mourão e de Wanda Coronel Martins Mourão, ambos amazonenses.

Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) foi declarado aspirante a oficial da Arma de Artilharia. Sua carreira tem por base os chamados altos estudos militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, além do curso de Guerra na Selva.

Atuou como comandante militar em Angola, Venezuela, Ijuí, RS e São Gabriel da Cachoeira, AM e na 6.ª Divisão de Exército, em Porto Alegre. Sua experiência passa ainda por Educação e Cultura, Economia e Finanças. Foi Comandante Militar do Sul entre 28 de abril de 2014 e 26 de janeiro de 2016.


150 anos do Pedro II - símbolo da educação no Amazonas - Em 14/03/2019

O Colégio Amazonense Pedro II é sem dúvida o marco do ensino público e da memória cultural no Amazonas. Uma trajetória plena de história pura, como relata em livro o escritor Mário Ypiranga Monteiro. Fatos e versões complementados pelos gymnasianos do nosso tempo do Colégio Estadual do Amazonas - CEA, turmas do final dos anos 1950 até a primeira metade dos 60.

Os ginasianos, conforme reportagem assinada pela jornalista Karol Rocha, do jornal A Crítica, desta quinta-feira, consideravam-se os mais importantes representantes da classe de estudantes secundaristas do Amazonas. O que faziam, agiam e decidiam era cumprido pela turma do Colégio, que liderava os demais colégios da cidade. Por isso eles tomaram parte nas lutas da Revolução de 1930 e 1935".

O Colégio Estadual, no nosso tempo, nas décadas de 1950, 60 e 70, formava aqueles que viriam a ser as maiores lideranças do Estado, tanto na classe empresarial, profissional liberal quanto política. O padrão do ensino de então permitia a formação dessa elite.

Pessoalmente, desde que entrei no CEA em 1957 e de lá saí para a Universidade em 1963, ali vivi, com meus colegas de turma, no curso ginasial (ensino médio) ou científico (segundo grau), os momentos mais dignificantes de minha geração. Lá aprendemos noções de caráter, respeito, amor aos mestres, à família, à pátria.

Todas as terças-feiras a direção do Colégio reunia os alunos no Pátio Interno para cantarmos o Hino Nacional e celebrar a pátria. Tínhamos aulas de educação moral e cívica, práticas esportivas. Éramos campeões imbatíveis de futebol de salão e outros esportes. Destaque também para os desfiles do 5 e 7 de Setembro. Uma honra formar em nossos pelotões e desfilar em homenagem ao Dia do Amazonas e ao Sete de Setembro.

Era de alto nível o padrão educacional da época, destacando-se o rigor dos professores, alguns deles, intransigentes, conduziam a turma em nível máximo de atenção às aulas, porque nas provas não havia jeitinho. Estudava passava, não estudava, bomba. A maioria de nós ao sair de Manaus (não havia universidade ainda, à época), para fazer faculdade fora (isto é, os que tinham famílias em condições de bancar os custos de estudar fora) passávamos sem necessidade de cursinho.

Daquelas décadas saíram os profissionais de maior destaque do Amazonas, em qualquer campo que se considerar. Tivemos grandes mestres, que davam aula de paletó e gravata e mantinham com dignidade suas famílias.

Sobre os colegas, a imensa maioria triunfou na vida. No meu livro GYMNASIANOS listo cerca de 800 nomes que podem ser cotejados nesse sentido.

Para efeito de registro, cito alguns nomes (vivos e mortos), que ocuparam posições de destaque em suas carreiras profissionais ou políiticas: o advogado e empresário Francisco Antonio Marques da Cunha, os advogados Alberto Petronio de Carvalho, José Vasconcelos e Felix e Antonieta Valois Coelho, seu irmão o médico Raimundo Valois, senador Fábio Lucena, o advogado e desembargador do Trabalho Raimundo Silva, os advogados Paulo Figueiredo, Azize Dibo Neto, o escritor e poeta Donaldo Mello, os engenheiros Vladimir Paixão e Silva, Paulo Paes Barreto, Armando Cordeiro, Amaury Veiga, Ernani, Orlando e Vilar Câmara, os empresários Frank Benzecry, José Henrique da Fonseca, Pedro Vieira de Castro, os militares Ozório Fonseca, Ilmar Faria, da PM, e o general Jeannot Jansen.

Cito também os colegas economistas Manoel Alexandre, Marcelo Castro Lima, Antonio Gadelha, destacando ainda diversos escritores e artistas plásticos, arquitetos, como a professora e historiadora Etelvina Garcia, os desembargadores Divaldo Martins da Costa, e, no Rio de Janeiro, Nildson de Araújo Cruz, os médicos Marcus Barros, Horlando Araújo da Silva, Jaime Covas, Luis Carlos Avelino, Paulo Pinto, Raul Brasil, Roberval Tavares, diversos professores da UFAM, os jornalistas Phelippe Daou, Guilherme Aluizio, Hermengarda Junqueira e Aldísio Filgueiras, e o mais importante de todos os políticos daquela geração, o ex-prefeito de Manaus e governador do Amazonas, Amazonino Mendes.

A Associação dos ex-Alunos do Pedro II (ASEA), fundada em fevereiro último, tem muito trabalho ao longo deste ano no cumprimento de extensa programação comemorativa do Sesquicentenário, que certamente contará com o apoio do Executivo Estadual por meio das Secretarias de Educação, da Secretaria de Cultura e da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (FUNTEC).

A ASEA irá procurar também apoios junto a Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), à ALCEAR e demais entidades culturais do Estado.


Privilégios inaceitáveis - Em 11/02/2019

Na Suécia, na Alemanha, no Japão, na Inglaterra (observe-se a informalidade com que se realizam as sessões da Câmara dos Comuns, equivalente à Câmara Federal no Brasil). Nos países desenvolvidos de modo geral vereadores e deputados regionais (estaduais) não recebem salários, nem possuem carros com motoristas e devem usar os seus próprios celulares.

Mais: eles não têm secretárias particulares e muito menos uma multidão de assessores parlamentares. O prefeito da Capital anda de ônibus. Primeiro-ministro? Esse circula de metrô ou de bicicleta.

Ah, e quanto aos deputados federais? Moram em apartamentos funcionais de 16 metros a 46 metros quadrados, lavam e passam as suas próprias roupas.

A internet está cansada de mostrar fotos do prefeito de Londres indo trabalhar de ônibus ou metrô.

Enquanto isso, na "milionária" Manaus um vereador custa em torno de 1.200.000,00 por ano aos cofres municipais. Multiplicando-se por 41 edis, o plantel da CMM, o total despendido gira em torno de R$ 49,2 milhões anuais.

A Câmara Municipal não funcionaria melhor com não mais de 10 a 12 parlamentares, reunindo-se duas a três vezes na semana com direito a um salário de professor?

Comparemos seu papel na sociedade com o de um professor de qualquer nível para constatarmos o absurdo, o abissal distanciamento em termos sociais de uma e outra classe. Avalie-se o grau de desperdício mensal e anual desses gastos e, por outro lado, se tais recursos não estariam muito melhor aplicados na saúde, na educação, no saneamento, na infraestrutura urbana?

Aqui entre nós, o que um vereador faz efetivamente para custar tanto? Alguns sinais de evidente apatia da Câmara Municipal: a) não se sente a presença concreta da grande maioria dos edis em relação à Zona Franca de Manaus e suas perspectivas no horizonte 2073; b) não se percebe ações de vereadores em torno de questões alusivas à educação comunitária; c) promovendo encontros para discussão de questões transcendentais à cidadania; c) sobre saneamento e conscientização do povo em relação à lixo, limpeza e qualidade das águas dos igarapés que entrecortam a cidade

Na verdade, regra geral, nunca o povo (que elege) esteve tão distanciado das ações parlamentares dos supostos representantes da municipalidade, raciocínio que igualmente pode se estender, além de vereadores, a deputados (estaduais e federais) e senadores.

Enquanto isso seus gabinetes estão abarrotados de diretores, secretárias, assistentes, assessores parlamentares, "aspones", o escambau; no frigir dos ovos, parentes e cabos eleitorais premiados com cargos públicos regiamente remunerados.

A verdade nua e crua: a imensa maioria dos eleitores um a dois anos após as eleições não recorda sequer em quem votou. Isso precisa mudar. O sistema representativo também e sobretudo precisa ajustar-se ao Brasil século XXI.

As reformas, para ser completa, justa e eficaz, necessariamente terá de alcançar indistintamente a todos os poderes da República.


José Saramago, de saloio a prêmio Nobel - Em 01/02/2019

Menino pobre, extremamente pobre, de família miserável, sem perspectivas na vida, José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, filho de José de Sousa, jornaleiro, e Maria Piedade, dona de casa no concelho ribatejano da Golegã, Portugal. Camponeses humildes e analfabetos, o avô materno era guardador de porcos, viviam numa casa paupérrima de chão batido.

Além das adversidades sociais de origem, enfrentou outro problema inusitado, tragicômico, na verdade. Seu sobrenome não era Saramago, mas Sousa, do pai. Por erro de registro, ao seu nome verdadeiro - que seria José de Sousa - foi acrescido pelo Cartório o Saramago, fato não observado pelos pais até a apresentação obrigatória da certidão de nascimento para efeito de matrícula no primeiro ano escolar.

Na verdade, segundo o próprio Saramago, tal incidente foi causado pelo funcionário do Cartório, um certo Silvino, que, encontrando-se bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre seu pai) e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse percebido da "onomástica fraude, decidiu por conta e risco acrescentar Saramago ao lacônico José de Sousa que o meu pai pretendia que eu fosse", segundo relato do próprio escritor em seus diários. O pai teve justa razão de ficar aborrecido com o insólito incidente, visto tal nome "jocoso aludir a uma espécie de erva ruim que nasce espontaneamente nos campos e equivaler a denegrimento da família entre os vizinhos da aldeia natal".

Sobre estes e alguns outros detalhes da vida do prêmio Nobel de Literatura de 1998, uma escolha quase consensual, praticamente sem levantar nenhuma polêmica nos meios literários internacionais, farei nesta crônica alusões com base no livro SARAMAGO Biografia (2009), de José Marques Lopes, doutor em Literatura Brasileira, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Livro discreto, muito bem escrito, aborda detalhes essenciais da vida do escritor, oferecendo uma visão em preto e branco do convicto comunista, que aderiu a essa corrente político-filosófica desde tenra idade, movido pelo ódio à ditadura fascista que subjugava Portugal e a miséria a que se encontrava submetido o país.

Diferentemente dos tempos de hoje, Portugal nos idos do fascismo lusitano e do autoritarismo disseminado por toda a Europa nos primórdios do nazismo de Hitler, relata o biógrafo Marques Lopes, em 1930, quando o menino José de Sousa Saramago já tinha oito anos, 80% dos portugueses viviam no meio rural, com cerca de 50% da população empregada na agricultura. A maioria "do quase 1,3 milhão dos camponeses empregados na agricultura era constituída por pequeníssimos proprietários ou assalariados que viviam com grande dificuldades". A taxa de analfabetismo girava em torno de 61,8%; a de mortalidade infantil situava-se em 143,6 por mil, e a expectativa média de vida era apenas de 47 anos. Efetivamente, uma realidade idêntica a do Brasil no mesmo período. Mas, com as perspectivas econômicas oferecidas pela ex-colônia imensas hordas de "patrícios" para cá imigraram e se tornaram ricos em diversos setores: casas de ferragens, panificadoras e no comércio, principalmente de estivas, atacado e varejo.

Saramago escreveu alguns magistrais romances, sempre de cunho histórico-filosófico; foi membro do Partido Comunista Português desde sempre e até a sua morte, em 18 de junho de 2010, aos 87 anos. Fiel aos princípios marxistas, neles se inspirou para escrever praticamente todos os seus romances, dentre os quais cito o Memorial do convento (1982), O evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995), O homem duplicado (2002), A intermitência da morte (2005), os Cadernos de Lanzarote (Volumes I ao V), As pequenas memórias (2006) e a Viagem do elefante (2008). Era de tal ordem arraigado aos inabaláveis princípios da esquerda radical que recusou um contrato de 500 mil euros, oferecido por um produtor hollywoodiano pelos direitos de adaptação ao cinema da obra "Memorial do convento).

Com a queda do Muro de Berlim e o consequente colapso da União soviética a partir de 1989, Saramago expressou em diversas oportunidades sua imensa frustração com o fim de um regime sob o qual alimentou os mais puros (e radicais) ideais socialistas até o último suspiro. A biografia de Saramago registra em detalhes esses momentos, ao observar: Quem poderia prever que, entre 1989 e 1991, todo o "socialismo real" "se pulverizasse por ação das próprias massas populares descontentes com o que parte importante das classes operárias e populares do Ocidente identificava como sociedade-modelo?"

Os efeitos foram de tal ordem devastadores para a esquerda internacional e em particular para o movimento comunista em todo o mundo, que a social democracia passou a girar "à direita, aplicando políticas de enfraquecimento  do Estado-providência e privatizando como os liberais declarados". Com efeito, de acordo com Marques Lopes, revelando sentimentos íntimos de Saramago a respeito, "o aparelho mundial centralizado no Kremlim se desfez. O Partido Comunista Italiano, o maior do mundo ocidental, desapareceu, e a maior parcela alinhou-se com a social democracia. Os que assistiram ao filme alemão "Adeus Lenin", de 2003, dirigido por Wolfgang Becker, sobre os tempos da guerra-fria haverão certamente de entender melhor o quadro conjuntural que levou o taciturno e pouco comunicativo José Saramago a se fechar ainda mais para o mundo.

Independentemente das frustrações ideológicas, Saramago não pôde reclamar da vida comercial. Após o Nobel de 1998, tornou-se um superstar, fenômeno literário, expoente de vendas de livros tanto em Portugal quanto no exterior. Seus livros que vendiam dois a três mil exemplares nos lançamentos, após o "efeito Nobel" alcançaram números estratosféricos. Entre outubro e dezembro de 1998, no auge do fenômeno, a Editorial Caminho, de Lisboa, teria vendido cerca de 300 mil livros do escritor em Portugal e reeditado todas as obras. Até 2004, o total de livros vendidos calculadamente chegou a 2,5 milhões só em Portugal, com o "Memorial do convento" alcançando a soma de 400 mil exemplares vendidos (estima-se que haja superado a casa de 1 milhão). Os números das vendas internacionais são astronômicos. Saramago só perde para Paulo Coelho e J. K. Rowling.

Enfim, a biografia do extraordinário José Saramago, para quem conhece e leu seus livros é uma daquelas obras adoráveis. Leitura obrigatória, posso dizer. Agradeço ao meu amigo, poeta Julio Rodrigues Correia, de quem recebi tão precioso presente, que guardo entre os meus preferidos em local incerto e não sabido.


Roberto Campos, símbolo de uma geração - Em 23/01/2019

Por favor, não deixem de ler, abaixo, o brilhante artigo, Leis da Política, de Roberto Campos*.

Um artigo, aliás, destinado a pessoas dotadas de apurado discernimento, inteligência acima da média e comprometimento político com o Brasil.

O economista Roberto Campos, foi uma das mais emblemática personagem do universo político, econômico e universitário do Brasil no Século XX, fundamentalmente em função de sua vasta inteligência e cultura.

Uma das mais fulgurantes expressões do pensamento liberal dos anos 60 em diante, ocupou os mais expressivos cargos do governo federal, dentre eles o de ministro de Planejamento, que, em 1965/66, reestruturou, junto com o extraordinário Ministro da Fazenda, Octavio Gouveia de Bulhões, o sistema financeiro do país, ajudando a criar o BNDES, o BNH, fundou o Banco Central, criou a Correção Monetária e o FGTS, dentre tantas obras legadas aos pósteros.

Roberto Campos (tão vilipendiado em vida, tão cultuado pós-morte) deixou um legado extraordinário de obras, pensamentos e ações, também no Parlamento, muito difícil de ser sequer igualada, sobretudo hoje, quando o pensamento, a cultura e a obra intelectual pouco valem.

Um mundo em que políticos e ocupantes de cargos públicos vendem a alma para permanecer em seus postos, entrem ou saem governos. São pródigos na adoção de estratégias ilusionistas, revelando, adicionalmente, comprovado dom da ubiquidade (conseguem estar em lugares diferentes ao mesmo tempo) e também extraordinária maleabilidade política ao servirem a dois senhores, a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.

Muitos, ainda, conseguem ocupar cargos públicos quase que vitaliciamente, enquanto exploram concessões públicas, além de outros que manipulam tribunais e parlamentos, movidos por único compromisso, o do interesse pessoal, corporativo e familiar.

A geração de Roberto Campos, Octavio Gouveia de Bulhões, Juscelino Kubistchek, Getúlio Vargas, Benedito Valadares, José Maria Alckmin, Carlos Lacerda, San Tiago Dantas, Milton Campos, Celso Furtado, Mario Henrique Simonsen, Eugenio Gudin, Delfim Netto, D. Helder Câmara, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, definitivamente passou. E o pior, deixando enorme vazio, até hoje não preenchido, a espera de reposição...

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Leis da política (19/12/1999)

Roberto de Oliveira Campos*

Era uma crespa noite de inverno londrino. Eu tinha convidado para um jantar na embaixada brasileira, ao fim dos anos 70, o grande filósofo liberal francês Raymond Aron e dois sociólogos radicados na Inglaterra, Ralf Dahendorf e Ernest Gellner, este último professor de José Guilherme Merquior, meu conselheiro de embaixada.

Na curva do conhaque, quando filosofávamos sobre nominalismo, realismo e existencialismo, contei uma piada que Aron achou divertida. Era a definição de "realidade" por um irlandês, revoltado pela interrupção de suas libações alcoólicas à hora do fechamento dos pubs. "A realidade", disse ele, "é uma ilusão criada por uma aguda escassez de álcool".

Quando partiram os hóspedes, resolvemos, Merquior e eu, em rodadas de uísque, testar duas coisas. Primeiro, a teoria irlandesa do realismo alcoólico. Segundo, nossa capacidade de recitarmos, de memória, aquilo que poderíamos chamar de "leis de comportamento sociopolítico" de variadas personagens e culturas. Alternávamos nas citações, que registrei num alfarrábio que outro dia desenterrei numa limpeza de arquivos. Ei-las:

A lei de Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa. Tão preciosa que é preciso racioná-la".

A lei de Stalin: "Uma única morte é uma tragédia; 1 milhão de mortes é uma estatística".

A lei de Krushev: "Os políticos em qualquer parte são os mesmos. Eles prometem construir pontes mesmo quando não há rios".

A lei de Henry Kissinger: "O ilegal é o que fazemos imediatamente. O inconstitucional é o que exige um pouco mais tempo".

A lei de Franklin Roosevelt: "Um conservador é um homem com duas excelentes pernas, que contudo nunca aprendeu a andar para a frente".

A lei de Lord Keynes: "A dificuldade não está nas idéias novas, mas em escapar das antigas".

A lei de Bernard Shaw: "Patriotismo é a convicção de que o país da gente é superior a todos os demais, simplesmente porque ali nascemos".

A lei de Hayek: "Num país onde o único empregador é o Estado, a oposição significa morte por inanição. O velho princípio de quem não trabalha não come é substituído por um novo princípio: quem não obedece não come".

A lei de Mark Twain: "Um banqueiro é um tipo que nos empresta um guarda-chuva quando faz sol, e exige-o de volta quando começa a chover".

A lei de Lorde Kelvin: "Grandes aumentos de custos com questionável melhoria de desempenho só podem ser tolerados em relação a cavalos e mulheres".

A lei de Charles De Gaulle: "As promessas só comprometem aqueles que as recebem".

A lei de John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia: "O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros".

A lei de Getúlio Vargas: "Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo".

A lei do governador Mario Cuomo, de Nova York: "Faz-se campanha em poesia e governa-se em prosa".

A lei de John Kenneth Galbraith: "A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso".

A lei de Sócrates: "No tocante a celibato e casamento, é melhor não interferir, deixando que o homem escolha o que quiser. Em ambos os casos, ele se arrependerá".

No último uísque, Merquior me contou um chiste anônimo, que circulava em Londres: "A natureza deu ao homem um pênis e um cérebro, mas insuficiente sangue para fazê-los funcionar simultaneamente".

Ao confidenciar a Merquior que pretendia aposentar-me do Itamaraty para ingressar na política, lembrou-me ele a lei de Hubert Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos na administração Lindon Johnson, que dizia: "É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados".

Tendo em vista minhas ambições políticas, combinamos fabricar conjuntamente uma lei, que passaria à posteridade como a lei Campos/Merquior: "A política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem".

Ao nos despedirmos, já mais sóbrios, lembrei-me de duas leis. A lei do King Murphy, que assim reza: "Não estão seguras a vida, a liberdade e a propriedade de ninguém enquanto a legislatura estiver em sessão". E a lei do sábio Montesquieu, o inventor da teoria da separação de poderes: "O político deve sempre buscar a aprovação, porém jamais o aplauso".

Em minha vida política no Senado e na Câmara procurei descumprir a lei do King Murphy e cumprir a lei de Montesquieu. Sem resultados brilhantes nem num caso, nem no outro...

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* Defensor apaixonado do liberalismo. Economista, diplomata e político também se revelou um intelectual brilhante. De sua intensa produção, resultaram inúmeros artigos e obras como o livro A Lanterna na Popa, uma autobiografia que logo se transformou em best-seller. Foi ministro do Planejamento, senador por Mato Grosso, deputado federal e embaixador em Washington e Londres. Sua carreira começou em 1939, quando prestou concurso para o Itamaraty. Logo foi servir na embaixada brasileira em Washington, e, cinco anos depois, participou da Conferência de Bretton Woods, responsável por desenhar o sistema monetário internacional do pós-guerra.


Bolsonaro e a expectativa da sociedade sobre um novo Brasil - Em 04/01/2019

Correntes da sociedade ligadas à esquerda, ao petismo e a segmentos ideológicos radicais, fanáticos e retrógrados aparentemente julgam o presente momento político torcendo pelos russos. Contra os interesses da nação. Dito de outra forma: ocorreu no Brasil apenas uma mudança de governo. O rei morreu, viva o rei! Assumiu o poder novo grupo político representante da imensa maioria da sociedade que resolveu dar um basta no estado de aflição social, corrupção e retração econômica geradas nos últimos quinze anos, exatamente pelos sucessivos governos do PT.

Uma das afirmativas mais insanas que li de um leitor diz o seguinte: "Como todo medíocre, Jair Bolsonaro arrota ignorância como se fosse sabedoria. Mas, também como todo medíocre, no fundo, bem no fundo, ele suspeita que é medíocre. E busca desesperadamente a aprovação dos adultos. No momento, Bolsonaro está encantado por ter um intelectual ligado à Escola de Chicago dizendo a ele o quanto é especial. Um herói da Operação Lava Jato lhe tecendo elogios. E, principalmente, generais batendo continência ao capitão. Mas a realidade é implacável com as ilusões. Outra frase desatinada: "Nossa democracia corre riscos sérios com Bolsonaro".

Ora, nada mais medíocre do que a mediocridade. Nada mais intolerante do que a intolerância, nada mais destrutivo do que o rancor, o despeito, o sentimento de frustração, a inveja. Na verdade, quem quebrou o país foi o PT, quem descontrolou as contas públicas e a Previdência foi o PT, quem implantou a maior quadrilha de assaltantes dos cofres públicos, quem engendrou os grandes e espúrios acertos com empreiteiras, governos cubano e africanos, como nunca antes na história deste país, foi o PT.

Portanto, no lugar de jogar contra, as esquerdas, esmagadoramente derrotadas pelo povo deveria estar analisando o evoluir da formação do governo Bolsonaro, a equipe montada, os planos de curto, médio e longo prazos, as medidas saneadoras, as reformas como elementos fundamentais para a estabilidade econômica. Não se pode avaliar o que ainda não ocorreu. Avaliação, em qualquer campo de atividade é um processo sistematizado de registro e apreciação de resultados obtidos em relação a metas estabelecidas previamente. Inexistindo a razão fundamental da avaliação, esta é falsa, má intencionada, negativista.

O negativismo, convém salientar, significa atitude de quem não acredita em nada nem em ninguém, é tido como "sempre do contra", sempre diz não vai dar, não vai conseguir, não vai funcionar e se algo dá certo, essa pessoa diz daqui a pouco vai quebrar, já já vai parar, vai se arrepender. Antes de mais nada uma atitude burra, precipitada, radical. Por isso Nelson Rodrigues notabilizou-se por uma de suas frases mais contundentes ao afirmar que "a burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza".

Vamos pensar a respeito e torcer para o Brasil dar certo. É nossa obrigação como indivíduos que, membros de um Estado, usufruem de direitos civis e políticos por este garantidos. Não é possível que tantos cidadãos de elevada formação técnica, cultural e política venham que passaram a formar a equipe do governo Bolsonaro venham a cometer desatinos, como permitir que se repita o Mensalão, o Petrolão e os atos de de corrupção quase que generalizados cometidos em áreas estratégicas do Palácio do Planalto,.

Enfim, os problemas mal resolvidos do PT são dos petistas, não dos brasileiros. Não se pode admitir que conveniências partidárias sectárias e hipócritas, alimentadas por dógmas fanáticos ideológicos se sobreponham aos interesses da sociedade. A vitória de Bolsonaro foi apenas um passo em torno da alternância de poder, um dos fundamentos mais importantes da democracia. Nada mais. As oposições precisam ter isso em conta. Sair atirando indiscriminada e precipitadamente contra um governo ainda em implantação é jogar contra o Brasil. Mesmo do lado dos russos, no fim novamente perderão.


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Dr. Osíris Silva