Pensando Bem...

Manaus 351: preservação da memória histórica, um dever de cidadão- em 25/10/20


Segundo Gabriel Garcia Marques, em sua autobiografia "Viver para Contar", de 2003, "a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la". Para o sociólogo, historiador e antropólogo Gilberto Freyre, em "De Menino a Homem", de 2010, "encontra-se, exatamente na maneira de contar, o fértil poço de invenções e reinvenções que oferta ao texto uma identidade pensada e repensada. De que serviria uma narrativa desprovida da imaginação, absolutamente seca, adstrita à rigorosa objetividade?" A lembrança, segundo Freyre, "tem a virtude de ressignificar o fato sem deixá-lo dissolver em matéria arrogantemente erigida em blocos de concreto armado, dura, hirta, congelada".

Na oportunidade da celebração de mais um aniversário de Manaus, de número 351, quem começa a contar como tudo começou é o escritor e historiador Gaitano Antonaccio, em seu livro "Amazonas - a outra parte da história", de 2001. Como relata, "a primeira tentativa de se fundar um povoado no Amazonas começou no dia 22 de junho de 1657, quando alguns padres jesuítas portugueses chegaram do Maranhão, tomaram posse da região do Tarumã, ergueram uma cruz e rezaram uma missa no lugar". Com a expulsão dos jesuítas pelos índios, outras tentativas ocorreram até 1669, quando a história de Manaus efetivamente tem início com a fundação do Forte de São José da Barra.

De acordo com o historiador, a Fortaleza foi construída para assegurar o domínio da coroa de Portugal na região, área da confluência do rio Negro com o Amazonas e o Solimões, e controlar o portão de entrada dos confins ocidentais da Amazônia, reservados à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494. O povoado recebeu o nome de São José da Barra do Rio Negro (Lugar da Barra) e em 1832, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, o povoado foi elevado à categoria de vila.

Anteriormente, em 1848, a Vila da Barra fora elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, para receber em 1856 o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manaós (Mãe dos Deuses), considerada o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia, ao que sustentam importantes documentos e livros sobre a história do Amazonas.

O período áureo da borracha: apogeu e declínio

A capital do estado do Amazonas prosperou desde então, impulsionada, especialmente, pelo ciclo áureo da borracha, período compreendido entre a metade do século XIX e a segunda década do século XX. A chamada goma elástica tornara-se matéria-prima estratégica a partir da Revolução Industrial, desencadeada na Inglaterra nos séculos XVIII e XIX, cuja principal particularidade foi a substituição do trabalho artesanal pelo mecânico, permitindo o uso da borracha em larga escala por diversas cadeias produtivas, a principal delas a automobilística.

A supremacia do mercado pelo produto amazônico, contudo, teve vida curta, aproximadamente de 1860 a 1912. Os altos preços ditados pelo Brasil, na condição de líder do mercado oligopolístico da borracha, levaram ao colapso da produção e o fim da hegemonia dos seringais nativos da Amazônia em relação aos mercados mundiais. O golpe fatal foi desferido quando do início da produção do Sudeste asiático a partir de sementes de seringueiras - Hevea brasiliensis - cultivadas nos Kew Gardens, de Londres, e posteriormente levadas a plantio definitivo na Malásia, que se torna o principal polo produtor a partir de 1912.

Daí em diante, até 1967, quando da instalação da Zona Franca de Manaus, o Amazonas -e toda a Amazônia - mergulha em profundo estado letárgico que se ampara inteiramente na economia do extrativismo, caracterizada pela produção e exportações de couros e peles de animais selvagens, óleos essenciais (copaíba, andiroba, pau rosa), extração de madeiras, coleta e beneficiamento de castanha do Brasil, sorva, balata e uma produção marginal média de 4 mil toneladas de borracha, contra 50 mil toneladas no período áureo.

Ajuricaba, um herói amazonense

Em momento não tão edificante da história brasileira e do nosso estado, em particular, cumpre registrar que, sim, já tivemos heroi, Ajuricaba, líder da facção dos índios Manau, que habitavam a região. Relato da historiadora Etelvina Garcia em seu refinado e valioso livro "O Amazonas em três momentos - Colônia, Império, República", de 2010, resgata o papel desse povo na luta contra a dominação imperialista portuguesa. Tornando-se independente de seu pai, o tuxaua Huiuiebeue, aliado da Coroa, Ajuricaba, apoiado por intrépido grupo de guerreiros, "decidiu enfrentar o inimigo, comandando o levante que passaria à história como símbolo da resistência dos índios do Alto Rio Negro à opressão do colonizador".

Por volta de 1723, as tropas de Ajuricaba, segundo Garcia, "barraram a entrada dos portugueses, atacando as tropas de resgates que subiam as cachoeiras". Adotando autênticas guerras de guerrilha, endurecendo ao extremo a resistência, "declararam-se inimigos dos índios que se aliavam ao colonizador e fizeram guerra impiedosa contra eles - assaltando e incendiando suas aldeias, escravizando-os, matando-os".

A chamada "guerra justa" alcançou o ápice naquele mesmo ano, obrigando as autoridades portuguesas a reforçar suas tropas, que recebiam ordens expressas de Portugal "para exterminar os índios inimigos". De acordo com a obra citada de Etelvina Garcia, o choque foi violento. Desta forma, "atacado pela retaguarda, Ajuricaba foi preso com outros seis líderes e cerca de dois mil índios. Ele e alguns de seus companheiros foram postos a ferros e embarcados rumo a Belém".

Lenda, narrativa fantasiosa em composição com história dá conta de que Ajuricaba, mesmo acorrentado, em rápido movmento, joga-se no meio do Rio Negro, preferindo a morte à escravidão portuguesa.

Os feitos heroicos de Ajuricaba e seus comandados repetiram os movimentos de resistência à colonização espanhola no século XVI, e norte-americana, no século XIX. Desse período sobressaem-se figuras lendárias do porte de um Túpac Amaru, conhecido por resistir ao início da dominação espanhola na América; o Sapa Inca, Atahualpa, o imperador asteca Montezuma; Gerônimo e Cochise, nos Estados Unidos. De acordo com Darcy Ribeiro, o padrão de organização social desses impérios assemelham-se aos formados há mais ou menos dois mil anos na região Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos depois e às civilizações Maias e Astecas na Mesoamérica. Patrimônio étnico, social, antropológico, cultural e econômico que as forças espanholas impiedosamente dizimaram.

Memória histórica menosprezada

Cidades, ao redor do mundo, prestam prodigamente tributos a suas origens históricas, aos antecessores e desbravadores que, vencendo toda sorte de intempéries doaram-se à construção do ideal de fundar e fixar a marca civilizatória no concelho (com "c" mesmo) ou na freguesia. Exceto Manaus. Constrangedor verificar a não existência na cidade de um monumento dedicado às três principais figuras que construíram nossa història: o madeireiro, o pescador e o seringueiro. Ou aos povos indígenas, nossos ancestrais habitantes da Terra de Santa Cruz.

Embaraçoso, por outro lado, constatar o "esquecimento" do amazonense de perpetuar a memória em logradouros públicos do grande governador Eduardo Ribeiro, de Álvaro Maia, Cosme Ferreira Filho, Moyses Israel. Impossível entender a inexistência ao menos um busto em homenagem a Pereira da Silva, a Arthur Amorim, a Roberto Campos e a Castelo Branco, os que formularam as ideias estruturais e o desenho institucional tangentes à criação da Zona Franca de Manaus, o pulmão da economia moderna do Amazonas.

Da mesma forma, passam ao largo, sem o devido reconhecimento público, empresários do porte de Isaac Sabbá, Adalberto Valle, Mário Guerreiro, Isaac Benchimol, Isaac Benzecry, Rioto Oyama. Adicionalmente, convém observar: a não ser os "antigos", os mais velhos, quem hoje lembra do regatão? A imponente figura que ligava, por meio da rede fluvial amazônica, Manaus aos seringais dos altos rios, transportando gêneros e utensílios e trazendo a borracha, a sorva, a castanha, os couros e peles, as essências vegetais, produtos extrativos da floresta sobre os quais sustentava-se nossa economia.

Nenhum deles, até os dias correntes, lamentável e vergonhosamente foi homenageado com uma estátua ou ao menos um simples busto exposto em algum logradouro da cidade.

Dever de cidadão

Sou, por formação, sensível ao enaltecimento da história memorialística de um povo como meio de potencializar o presente e o futuro. Entendo a necessidade não de "reviver" o passado, mas de resgatá-lo para melhor compreender o presente e, por extensão, adquirir meios catalisadores de um futuro livre dos erros e amarras pregressas.

Max Weber (1864-1920), ao publicar em 1904 "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", considerado, na lista das obras de não-ficção como o livro do século XX, tornou-se conhecido do mundo científico por buscar comprovar perante a história a eficácia da interpretação da sociedade partindo "não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc.), mas centrando-se no indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das 'intenções', 'motivações', 'valores' e 'expectativas' que orientam as ações do indivíduo na sociedade".

Entendo, com efeito, ser do dever dos que integram academias, entidades científicas, históricas e literárias, dos políticos e do próprio cidadão, ter como missão basilar, dentre outras funções específicas, retratar, cultuar e homenagear a presença e o papel dos pioneiros, homens e mulheres que se dedicaram à construção de nossa terra nos seus mais diversificados setores de atividades. A esses heróis esquecidos que, embrenhados nos altos rios, ali estabeleceram raízes, criaram famílias, descendências e fincaram os marcos civilizatórios que permitiram a construção do hoje estado do Amazonas e de sua capital, Manaus, a Manaós de nossos ancestrais, ora completando 351 anos.

Vexatório constar, portanto, que, salvo na Praça da Saudade, onde se ergue estátua em tributo a Tenreiro Aranha (1798-1861), primeiro presidente da Província do Amazonas, nossos ancestrais, os pioneiros que construíram nossa economia, nossa cultura e nossa história não mereceram ainda o reconhecimento por seus feitos históricos. Ao contrário, continuam solenemente ignorados.

Promover o imediato resgate desse passivo oneroso é um dever e uma obrigação de cada um de nós. Ouço, amiúde, de pessoas de alta representatividade social e econômica absurda sequência de desculpas esfarrapadas na tentativa de justificar o descaso de autoridades e representações políticas para com nossa história. Dentre as mais comuns, a estapafúrdia afirmação de que "o amazonense odeia sua terra".

Algumas dessas pessoas, embora membros destacados da comunidade, minimizam qualquer sentimento de culpa em relação a esse descaso. Embora mantenham apartamentos em Fortaleza, no Rio ou em São Paulo, adquiridos com recursos amealhados aqui, na terra cujos fundamentos históricos desprezam, mantêm-se acomodadas, individualística e egoisticamente em suas zonas de conforto.

A Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Manaus, casas do povo, são pródigas em conceder homenagens diversas, títulos de cidadania, medalhas disso e daquilo a personagens, na maioria dos casos sem vinculação de expressão ou sem que hajam prestado serviços relevantes ao nosso Estado. Deploravelmente, todavia, omitem-se no resgate e valorização dos personagens que construíram nossa história.

Memorial aos Desbravadores

Assim entendido submeti à Prefeitura de Manaus, com apoio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ( IGHA), do qual sou membro, e na qualidade de cidadão comprometido com a história e o futuro de minha terra, proposta relativa a envio de Projeto de Lei à Câmara de Vereadores de Manaus de criação e construção do Memorial aos Desbravadores a ser instalado em lugar de destaque da cidade homenageando, conjuntamente, e num primeiro momento, o seringueiro, o madeireiro e o pescador.

A proposição foi aprovada por aclamação pelo Conselho de Gestão Estratégica da PMM, do qual sou membro, em reunião do dia 28 de setembro de 2019. A obra, contudo, não foi considerada uma prioridade do Município e, desta forma, sequer foi levada à prancheta de arquitetos e engenheiros. Resta, por conseguinte, a cada cidadão lutar pelo saneamento da dívida e o resgate de nosso passado que, a cada dia, se esvai, perdendo-se nas brumas do tempo. Não podemos, entretanto, apenas e comodamente esperar pelo poder público. Ao contrário, precisamos agir com determinação e consciência do nosso papel perante a sociedade. Afinal, todos somos responsáveis. Somos nós que construímos a história.

Além do mais, nunca é demais repetir: povo sem memória é povo sem história, sem presente, sem futuro. A saber, numa das passagens memoráveis de Casa Grande & Senzala, 1933, Gilberto Freyre assim argumenta: "Não me parece que seja mau o regionalismo ou o patriotismo regional cuja ânsia é a defesa das tradições e dos valores locais, contra o furor imitativo. Não me parece que semelhante corrente de sentimento ponha em perigo a unidade brasileira nas suas raízes ou nas suas fontes de vida. Cuido para que as diferenciações regionais, harmonizadas, serão no Brasil a condição para uma pátria independente na suficiência econômica e moral do seu todo".

A hora, manauaras, ao que recomenda Freyre é, com efeito, de tomar tento e sair, obstinadamente, em busca de nossos próprios caminhos e soluções. Chega de transferir a terceiros responsabilidades a nós concernentes sobre o futuro desta terra. A começar pela valorização de nossa memória histórica e cultural.


Chutes e pedaladas de Joe Biden - em 01/10/20

No primeiro debate eleitoral das eleições americanas, realizado na noite de terça-feira, 29, os dois candidatos foram para o vale tudo. O vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, afirmou que iria reunir países e "doar US$ 20 bilhões para a proteção da região amazônica". Donald Trump respondeu ao arroubo com um meio sorriso sarcástico, denotando ironia em relação à fantasia Bideniana.

"A floresta tropical no Brasil está sendo destruída", criticou o democrata, que prometeu se juntar com outros países e oferecer US$ 20 bilhões para ajudar na preservação da região. "Parem de destruir a floresta e, se não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas", completou, sugerindo a adoção de possíveis medidas de retaliações ao governo brasileiro.

Uma declaração absurda, fora dos padrões diplomáticos, igualmente provocativa, intempestiva, grosseira e desrespeitosa ao povo brasileiro. Além do que, vazia, demagógica, sem legitimidade e base política e econômica concretas.

A menos que os "20 bilhões de dólares'' saiam dos bolsos dos contribuintes norte-americanos, pois do Orçamento Público ele não tem disponibilidades para cobrir um fundo de tamanha grandeza. O candidato democrata, com efeito, está na obrigação de identificar, já, quem seriam os subscritores do hipotético e magnânimo fundo, ou seja, que países estariam se associando a ele.

A verdade é que de boas intenções o inferno anda cheio. A Amazônia, cansada de promessas fantasiosas, de soluções mágicas, internas e estrangeiras, dispensa proselitismo político. Nestes termos, diante da proposição de Biden, lembrei-me da mais notória dentre todas as soluções megalômanas em torno da Amazônia.

Refiro-me ao projeto revelado ao mundo pelo Hudson Institute, entidade privada norte-americana, sediada em Nova York, presidido pelo cientista Hermann Kahn (1922-1983), um típico visionário dos tempos modernos, ao final dos anos 1960 início dos 1970.

O empreendimento fundamentava-se, basicamente, em seus alegados "modernos conhecimentos para o desenvolvimento econômico para o mundo". Apresentando-se ao governo brasileiro com a suposta experiência de contratada do Departamento de Defesa - Pentágono - com interesses voltados para a Região Amazônica como um todo apresentou o fantástico projeto para represar o Rio Amazonas, de Santarém a Monte Alegre, e formar um vastíssimo lago interior, de aproximadamente 240 mil quilômetros quadrados.

De tão grandioso o lago, duas terças-partes de Manaus viriam literalmente a desaparecer sob as águas. Santarém, Óbidos, Itacoatiara, Parintins, Manacapuru seriam engolidas. Submersas, desapareceriam do mapa e da face da terra.

Evidentemente, o projeto, de tão fantasioso e fora da realidade amazônica, não foi levado a sério por ninguém.

Creio que do entendimento de pessoas e organizações sérias, o meio mais eficaz de combate à pirataria ambiental é promover o desenvolvimento da região. O que compreende alocação de recursos, mediante programas, planos e projetos realísticos, com suporte de investimentos em ciência e tecnologia visando estruturar economicamente cadeias produtivas sustentáveis; em educação, no fortalecimento de nossas universidades e centros de pesquisa, em saúde, infraestrutura, comunicações e logística de transporte.

Nestes termos sim a contribuição de Joe Biden, caso eleito presidente dos Estados Unidos, seria muito bem vinda. Não apenas dele, mas igualmente da França, Itália, Japão, Alemanha, China e de todos os países amigos e seriamente preocupados com a exploração sustentável da Amazônia em prol do Brasil e da humanidade.


Eleições municipais - em 28/09/20

Cortando pela metade o número de candidatos às próximas eleições municipais (mais de 500 mil) e o total de recursos destinados ao fundo partidário (mais de 2 bilhões de reais) faria alguma diferença? Alguém sentiria falta com a redução do número de pretendentes a cargos de vereadores, prefeitos e vices em quase 5.600 municípios em todo o Brasil?

O número de candidatos inscritos nas eleições municipais de 2020 (533.097) superou o de 2016, de 498.302, até então o ano com a maior quantidade de candidaturas.

O desperdício de recursos é monumental. Segundo o TSE, o total distribuído entre as 33 agremiações partidárias foi de R$ 2.034.954.823,96. Com o novo cálculo, o Partido dos Trabalhadores (PT) receberá o maior montante, com mais de R$ 201 milhões, seguido pelo Partido Social Liberal (PSL), com cerca de R$ 199 milhões, e pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com aproximadamente R$ 148 milhões.

Apenas dois partidos comunicaram à Justiça Eleitoral a sua decisão de abrir mão dos recursos do FEFC para financiar as campanhas políticas de seus candidatos a prefeito e vereador: o partido Novo e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

Decepcionante constatar que expressivo número de chefes partidários usam parte importante desses recursos para o custeio de suas despesas pessoais, partidárias ou não. Do lado dos candidatos, muitos deles fazem das eleições meios de aumentar sua renda pessoal. Além do quinhão no fundo partidário, quando se trata de funcionário público, ainda ganha licença remunerada, creio que de 90 a 120 dias.

Há outro renomado absurdo por trás de tudo. Imensa maioria dos eleitos, por outro lado, simplesmente desaparecem após o pleito. Apenas se locupletam dos polpudos subsídios e verbas de representação de gabinete. Em Manaus cada vereador custa aos cofres municipais mais de 100 mil reais por mês, cerca de 1,2 milhão anualmente. Um tremendo disparate.

Afinal, o que o Brasil, os estados e os municípios ganham com essa caricatura de exercício de democracia? R$ 2 bilhões não seriam melhor empregados na educação de nosso povo, tão carente e tão distante de escolas informatizadas?

No país do carnaval, entretanto, quem liga para isso tudo?



ZFM, hora e vez da diversificação da matriz econômica - em 17/09/20

A decisão tomada de encerrar suas atividades no Polo Industrial de Manaus (PIM) levou em conta "o ambiente recente de mercado e a tendência esperada para os negócios", explicou a Sony Brasil em comunicado divulgado nesta terça-feira, 15. Visou, por outro lado, "fortalecer a estrutura e a sustentabilidade de seus negócios, para responder às rápidas mudanças no ambiente externo", completou o comunicado.

A empresa, que opera no Brasil há 48 anos (entre S. Paulo e Curitiba), garantiu que as atividades de produção cessarão em final de março de 2021 e que, em meados deste ano, irá interromper a venda de televisores, câmeras e equipamentos de áudio, entre outros produtos fabricados em Manaus, levando à perda irreversível de 220 postos de trabalho.

A decisão da Sony dá sequência a outras tomadas no passado por importantes grupos multinacionais, que também encerrarem suas atividades em Manaus - Bosch, Philips, Sanyo, Ericsson, Nokia, Telefunken, Xerox, Basf, Philco, Siemens, assim como a Pepsi Cola (concentrados). De fato, ao longo desses mais de meio século grande número de empresas desistiram de manter ou de se instalar na ZFM, mesmo com cerca de 10 mil projetos aprovados pela Suframa e governo do Estado no período.

Para que se tenha uma ideia, em 1990 o PIM gerava mais de 150 mil empregos diretos, hoje, já em declínio e mais recentemente influenciado pela pandemia do Covid-19 o número gira em torno de 85 mil postos de trabalho mantidos no polo industrial. O faturamento, em dólar, despencou 29,64%, base maio, de US$ 26,4 bilhões em 2019 para US$ 7,6 bilhões contabilizados neste exercício.

A saída de empresas multinacionais da ZFM, face à dinâmica dos mercados, é um fenômeno que até pode ser considerado normal, visto que ao aqui se instalarem não transferem a base de tecnologias de processo e produtos ao PIM. Nas décadas de 1970/1980 as fabricantes de TV e rádios japoneses Semp, Sharp, Sanyo e Sony expulsaram do mercado mundial marcas como RCA, Admiral, GE, Vozzo, Grundig, Colorado, Philco e Telefunken. E assim será no futuro próximo. Mercados não param nem esperam.

Por outro lado, lamentavelmente esses grupos não promovem substituição de produtos defasados tecnologicamente por outros de nova geração que motivaram o encerramento local de suas operações industriais. O domínio mundial do mercado de TV por enquanto é da Coreia do Sul, sucessora do Japão, que logo terá a companhia internacional da China. Entretanto, produtos eletrônicos e bens de informática alternativos poderiam estar sendo fabricados no PIM. A Intel instalou uma fábrica de micro processadores (US$ 2 bilhões de investimentos) no Vietnã; por que não em Manaus?

Não há como evitar decisões de natureza intimamente ligadas a interesses dos negócios de cada grupo empresarial, exatamente devido à volatilidade das tecnologias disruptivas em setores de ponta da economia, particularmente eletrônicos e informática. O fenômeno indica, por outro lado, a ingente necessidade de o governo promover a reestruturação do chamado modelo ZFM, concentrado polo industrial, que abriga diminutas cadeias produtivas (sete setores respondem por 93,22% do faturamento do PIM).

Há 30, 20 anos atrás já estava claro que a monocultura industrial não levaria a economia amazonense a porto seguro no longo prazo. Pois bem, o momento chegou. A hora, por conseguinte, é de realizar os investimentos que se fazem necessários à implantação da bioeconomia, a exploração sustentável de recursos da biodiversidade - produção de alimentos, biofármacos, biocomésticos, construção naval, ecoturismo, polo petróleo-gás, serviços ambientais, nanotecnologias, bioengenharia, manejo florestal, mineração, dentre outros.

Não temos outro caminho adiante. Não se trata, evidentemente, de substituir o PIM, como alguns teimosamente insistem, mas de complementá-lo, aerando nossa matriz econômica via diversificação de cadeias produtivas derivadas de produtos oriundos da vasta potencialidade que o bioma amazônico nos oferece sem pedir nada em troca, a não ser que dele cuide bem e o preserve para o bem do Brasil e da humanidade.


Escândalos com "E" maiúsculo - em 31/08/20

Para manter o foco em fatos históricos tendentes ao esquecimento, vale a pena recordar alguns dos mais graves escândalos e atos de corrupção da República brasileira nestes últimos anos:

Mensalão

Em 2005, o esquema de compra de votos comandado pelo governo do PT foi revelado e colocou Lula contra a parede. Deputados eram pagos com dinheiro público, desviado com a ajuda do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do operador Marcos Valério. O esquema, revelado por Roberto Jefferson, era chefiado, segundo ministros do STF, por José Dirceu.

Cassação de José Dirceu

Com 293 votos a favor e 193 contra, a Câmara dos Deputados cassou o mandato do então deputado José Dirceu (PT-SP) por quebra de decoro, em dezembro de 2015. A decisão ocorreu depois de uma série de depoimentos de Roberto Jefferson (PTB), que revelaram o escândalo do mensalão e dos Correios, e que resultaram na demissão de Dirceu da Casa Civil

Escândalo dos "Aloprados"

Em 2006 a Polícia Federal prendeu dois integrantes do PT que tentavam negociar um falso dossiê que ligava José Serra e Geraldo Alckmin - candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência, respectivamente - ao escândalo dos sanguessugas. Um dos 'aloprados', termo cunhado por Lula, era Hamilton Lacerda (foto), ex-assessor de Aloizio Mercadante.

Renúncia de Palocci

Em março de 2006, Antônio Palocci renunciou ao cargo de ministro da Fazenda. A renúncia aconteceu depois da acusação de que ele teria chefiado o esquema de corrupção na época em que era prefeito de Ribeirão preto. Palocci teria cobrado "mesadas" de até R$ 50 mil mensais de empresas que prestavam serviços à prefeitura para os cofres do PT.

Prisão da cúpula do PT

Em outubro de 2012, 8 anos após a explosão do escândalo do mensalão, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares foram condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha. Em agosto de 2014, Genoino pediu progressão de regime e passou a cumprir a pena em casa, assim como Delúbio e Dirceu.

Faxina de Dilma

No primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, perderam o cargo sob suspeita de malfeitos os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), Wagner Rossi (Agricultura), Orlando Silva (Esporte), Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades). Dilma enfrentava a primeira turbulência no poder.

Lava-Jato

O juiz Sérgio Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal conduziram as investigações do maior escândalo de corrupção do país, com o foco inicial no desvio de recursos da Petrobras. Cerca de R$ 2,9 bilhões já foram recuperados. Delatores disseram que parte da propina do esquema ia para o PT.

Prisão do Tesoureiro do PT

Acusado de receber propina de contratos da Petrobras para o PT, em doações oficiais e em espécie, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto foi preso em abril de ano 2015. Ele já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro.

Pedaladas de Dilma - o impeachment

Em parecer unânime do Tribunal de Contas da União Diante, as pedaladas fiscais (manobras contábeis) praticadas pela presidente Dilma Rousseff foram consideradas crime de responsabilidade fiscal. Pedido de impeachment contra Dilma na Câmara defende a cassação por crime de responsabilidade.

Marqueteiro do PT preso

Na fase "Acarajé" da Operação Lava-Jato, o marqueteiro das campanhas de Dilma e Lula, João Santana, foi preso junto com a sua mulher, Mônica Moura. Eles são acusados de receber dinheiro de propina no exterior repassado pela Odebrecht.

O caso Delcídio Amaral

O ex-líder do governo, senador Delcídio Amaral, foi preso em flagrante ao tentar comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró. Em negociação para firmar acordo de delação, Delcídio implicou Dilma e Lula no escândalo da Petrobras. Afirmou que ambos atuaram para melar a Lava-Jato.

Lula implicado até a medula

Na 24ª fase da operação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo da Polícia Federal. Ele foi levado para prestar depoimento. Sua relação com empreiteiras é investigada. Filhos de Lula e o braço-direito Paulo Okamoto também são alvos da operação.

Supremo e Congresso acovardados

O ex-presidente Lula falou com a presidente Dilma Rousseff por telefone no último dia 4 (março de 2016) depois de ter encerrado o depoimento à Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, onde foi levado coercitivamente.

Sem amarras, foi direto ao ponto: "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos uma Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar".

Tomado por ódio incontrolável, disparou: "Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar".

Eu, sinceramente, tô assustado com a "República de Curitiba". Porque a partir de um juiz de 1ª Instância, tudo pode acontecer nesse país - diz Lula.

Passagens vergonhosas de nossa história, hoje tendentes ao esquecimento de parte da população e das instituições da República. E desta forma, à minimização de fatos políticos relevantes - o dito pelo não dito - e à fragilização de nossa democracia.



Conselho da Amazônia, desafios e prioridades - em 24/08/20

O Conselho Nacional da Amazônia Legal tem como missão modernizar a fiscalização, legalizar as atividades econômicas, impulsionar o crescimento sustentável e desenvolver a região sem a exploração predatória - marca de avanços civilizatórios desencadeados em outras regiões do planeta que deixou cicatrizes.Discutindo a questão no programa Brasil em Pauta, da TV Brasil, o vice-presidente da República e presidente do órgão, general Hamilton Mourão, que lidera os esforços do governo federal para dialogar, preservar e apoiar a fiscalização ambiental no território amazônico, afirmou que há uma preocupação genuína com o legado de preservação que será deixado pela geração atual para os brasileiros e a humanidade.

O tema da sustentabilidade, da preservação do meio ambiente, é um tema do século 21. A nossa geração tem que ter a capacidade de manter os recursos naturais do planeta de tal sorte que nossos filhos e netos continuem a fazer uso desse bem, que é comum a todos, portanto, de inteira responsabilidade da sociedade. Entretanto, "um dos grandes problemas da Amazônia é a ausência da presença do Estado. O Estado brasileiro não se faz presente da forma que deveria ser. A única presença estatal que temos lá, praticamente, são as Forças Armadas. Além da missão de garantir as fronteiras, temos apoiado as agências que têm a responsabilidade de fiscalização ambiental na região", afirmou.

A região amazônica, correspondente a 61% do território nacional, segundo Mourão, necessita de atenção especial, tanto no desenvolvimento econômico quanto em incentivos sociais de conscientização e de combate a atividades que podem ser consideradas predatórias e danosas ao meio ambiente. De acordo com o presidente do Conselho, "agências regulatórias e fiscalizatórias da região precisam ser resgatadas e remodeladas, de maneira a serem independentes do suporte militar que atualmente é fornecido". Sustentabilidade e preservação do meio ambiente, são, efetivamente, temas do século 21. O Brasil obriga-se a assumir responsabilidades e a desenvolver capacidade de manter seus recursos naturais para uso econômico sustentável desta e das futuras gerações.

O vetor fundamental, o alicerce dessa nova política há de centrar-se na convergência de ações estratégicas do Executivo (governos, Suframa, Sudam), centros de pesquisas e universidades, representações políticas e empresariais em torno da governança do sistema. Não é inteligente, muito menos racional permitir a manutenção dos distanciamentos hoje configurados entre agentes públicos e privados. Governança, a palavra de ordem. O sucesso do Conselho da Amazônia é função direta da viabilização desses pressupostos.

Quando da reunião do Comitê IND ZFM COVD-19, liderado por Cieam e Fieam, a se realizar esta tarde em Manaus com a participação do vice presidente Hamilton Mourão, certamente será discutida a necessidade de conferir ênfase absoluta à valorização da bioeconomia como base da nova matriz econômica regional e o entendimento de que a exploração sustentada dos recursos da biodiversidade depende fundamentalmente da floresta em pé. Ativo de alto valor econômico e ambiental, que, destruído, perde integralmente significância estratégica.

Preservar o ecossistema amazônico dependerá inelutavelmente da exploração sustentável de seus recursos naturais. O caminho seguro para gerar mecanismos objetivas de defesa do bioma. Bertha Becker, em momento singular de sua obra, apropriadamente observa haver três grandes eldorados naturais no mundo contemporâneo: um, a Antártida, espaço dividido entre as grandes potências; outro, os fundos marinhos, riquíssimos em minerais e vegetais; e o terceiro a Amazônia, maior floresta tropical e maior reserva de água doce do mundo. Cabe ao Brasil, em associação com a comunidade científica internacional, por conseguinte, viabilizar complexos, porém imperiosos mecanismos necessários à consecução desses magnos objetivos.


Amazônia 4.0, por uma bioeconomia inovadora - em 27/07/20

O programa "Amazônia em Transformação", do Instituto de Estudos Avançados de São Paulo (IEA/USP) e Imazon foi discutido na última terça-feira, 21, em Webinar de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Ciência. O evento contou com as participações dos Acadêmicos Carlos Nobre e Carlos Alfredo Joly, e do indígena do povo Tukano e antropólogo, João Paulo Barreto, e mediação do pesquisador do Inpa, Adalberto Val. Coordenado pelo pesquisador Carlos Nobre (ex-Inpa e Inpe), o projeto Amazônia 4.0 reúne uma equipe de professores e pesquisadores de diversas vinculações institucionais dedicada a estudar e propor soluções sobre desenvolvimento social, econômico e ambiental do Setentrião brasileiro.

A proposta tem por objetivo alcançar "um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para a Amazônia baseado na introdução de uma bioeconomia inovadora, unindo a sociobiodiversidade com modernas tecnologias". Até o momento, ao que informa Nobre, a execução do projeto tem contado apenas com recursos de filantropias, sem participação do governo brasileiro. Esta etapa contempla a construção - em andamento - do primeiro Laboratório Criativo da Amazônia para a cadeia cupuaçu-cacau e também o desenho de um laboratório para recursos genéticos e genômicos de laboratórios para castanha e óleos gourmet de produtos da floresta.

Propondo-se também criar alternativa inovadora como estratégia de implementação do Amazônia 4.0 a partir de tecnologias disruptivas, o programa foi concebido com vista a novas oportunidades de pesquisa, tecnologia e aprendizado para valorizar e proteger os ecossistemas amazônicos e, igualmente, servir aos interesses das populações locais, povos indígenas e tradicionais, seus naturais mantenedores. Prevê ainda investir em "economia verde equitativa e socialmente inclusiva, orientada para a biodiversidade, aproveitando o valor da natureza através de produtos sustentáveis de florestas tropicais em pé".

O documento base do programa fundamenta a iniciativa em três premissas: a) de haver chegado o momento de abrir as portas para as oportunidades inerentes aos ecossistemas específicos e diversificados da Amazônia, adotando ações que incluem, por exemplo, a pronta prototipagem e expansão de inovações que aplicam uma combinação de tecnologias avançadas digitais, biológicas e de materiais da 4a Revolução Industrial (4RI); b) na constatação de que essas tecnologias estão cada vez mais utilizando e se beneficiando com os ativos biológicos e biomiméticos em diversas indústrias - de produtos farmacêuticos a energia, alimentos, cosméticos, materiais e mobilidade - não apenas na Amazônia, mas em muitos lugares ao redor do mundo; c) na certeza de que a bioeconomia deve gerar empreendedorismo local, bioindústrias diversificadas e produtos de valor agregado em todos os elos da cadeia de valor, a partir do amplo uso de tecnologias inovadoras.

A proposta, ao que se propõe, é, em essência, ambiciosa, ousada e de alto impacto em relação à "exploração sustentável de nossa biodiversidade e salvaguarda das funções climáticas dos sistemas florestais e fluviais relevantes à Amazônia brasileira, pan-amazônica e ao planeta". Por isso mesmo há de se estranhar, na formulação teórica e operacional do programa a não participação da universidade, dos centros de pesquisa regionais (Inpa, Embrapa, Cba, Museu Goeldi), das secretarias estaduais de ciência, tecnologia e inovação, da Sudam, Suframa e do próprio Conselho da Amazônia.

A exploração dos amplos recursos da bioeconomia, do ecoturismo, do manejo florestal sustentável, da mineração e seus derivados industriais configuram alternativas econômicas positivas caso se se realizem os investimentos correspondentes em P,D&I. Com efeito, o Amazonas 4.0 poderá vir a tornar-se bom para a região desde que obrigatoriamente submetido à governança local, irrenunciável, inabdicável a qualquer título a agentes estranhos à cultura e à ciência amazônica.


Amazonas, isolado e desunido em busca de 2073 - em 20/07/20

A carta dos empresários solicitando ao Conselho da Amazônia uma política para a região pouco repercutiu aqui no Amazonas. Mesmo assim, mais junto ao empresariado do que nos meios políticos. Os signatários do documento até já foram recebidos pelo general Hamilton Mourão, titular do Conselho. Em Manaus, algumas vozes, sobre o assunto, merecem atenção. De um lado, o empresário Aderson Frota, presidente da FComércio, em mensagem a mim enviada por e-mail observa, de início, que, a discussão da Amazônia esbarra na falta de pleno conhecimento da região. A grande maioria dos brasileiros (nordeste, centro oeste, sul e sudeste), observa, nunca colocou os pés em território amazônico, embora a região corresponda a mais de 60% do Brasil; somente o Amazonas representa quase 20% do Brasil".

Quanto ao estado do Amazonas, salienta Frota, "é dotado da maior bacia hidrográfica do mundo; o Rio Amazonas corta de oeste a leste a área do Amazonas, para depois, atravessando o estado do Pará, desaguar no Oceano Atlântico". Mesmo assim "confunde-se Amazonas com Amazônia". Além do extraordinário manancial de água doce, a região "tem uma selva exuberante, a maior reserva de madeira de lei do Planeta e uma diversidade de fauna e flora pouco conhecida, estudada e catalogada. Patrimônio esse de ínfima expressão para a economia nacional".

Além disso, segundo Aderson Frota, "o Amazonas encerra a maior reserva mineral do Brasil, ainda intocada: ouro, nióbio, cassiterita, bauxita, terras raras, petróleo e gás natural, potássio, calcário e muitos outros minerais estratégicos. Não obstante toda essa expressão de grandeza geopolítica, continua isolado. Sua economia se ressente de portos, rodovias, ferrovias e sua cabotagem tem os maiores preços do mundo. Exemplifica Frota: "um container de 40 pés, saindo de Hong Kong (China) para o Porto de Santos em São Paulo, é mais barato do que o mesmo container saindo de Santos para Manaus. O déficit de conhecimento da região é abissal. O que é ruim para o Brasil, é pior para o amazonense".

O professor de Engenharia da UFAM, Augusto Rocha, em artigo publicado semana passada, chama a atenção para o "afastamento misterioso" existente entre as instituições do Amazonas. Nesse sentido, "vê-se que as universidades poderiam ser muito mais próximas das indústrias e vice-versa. O mesmo acontece entre órgãos do governo". Quais razões, observa, "INPA e Embrapa estão longe da Suframa e da construção do CBA, que fatores levam os órgãos de trânsito e mobilidade urbana estarem distantes das universidades, dos cursos e alunos de arquitetura, engenharia civil, estatística e matemática? Existe por aqui uma distância onde todos ficam encastelados em suas fronteiras".

Quando estas instituições se conectam com outras para lidar com o dia a dia, "é mais fácil vê-las interagindo com outros Estados ou com o exterior". Assim, insiste Augusto Rocha, "vemos empresas de consultoria nacionais ou internacionais atuando por aqui, mas dificilmente veremos projetos egressos do Amazonas e para o Amazonas, a partir de uma interação institucional local. O que nos levou a esta condição? Não sei ao certo, mas percebo claramente que isso é um problema real, ainda insolúvel, e que algo está fora de lugar", questiona Rocha.

A propósito, o presidente do CIEAM, Wilson Périco, "pondera tratar-se de litígios que remetem ao dito popular segundo o qual 'santo de casa não faz milagres'. Razões? Vaidades e interesses menores em detrimento do coletivo. Não raro, salienta, "a necessidade de se fazer prevalecer ou simplesmente 'aparecer' leva a reduzir/enfraquecer as representações das entidades". Ao que se pode presumir, os problemas do Amazonas - que são muitos - têm origem aqui mesmo. Sem norte claramente definido, como sistematizar nossos projetos e objetivos? Superar tais impasses exige, acima de tudo, disciplina, desprendimento, solidariedade, união, respeito ao próximo. Às pessoas, às instituições e às lideranças governamentais, políticas e empresariais.

Nesse sentido, há de se levar em conta a sapiência do provérbio, segundo a qual "birds of a feather flock together". Pássaros da mesma plumagem voam juntos. Sabedoria intrínseca à natureza dos seres vivos, humanos ou não.



Pax Brasilis - em 11/07/20

A chamada Pax Romana é entendida como um estratagema que o Império Romano, desde Augusto César (29 a.C) a Marco Aurélio (180 d.C) lançou mão para assegurar sua hegemonia perante os povos conquistados e justificar sua posição de mando perante os territórios anexados e o mundo. Como os povos conquistados falavam línguas diferentes e detinham valores e culturas muito diferentes, que, somados ao fato de estarem sob julgo de outro povo, tornava o Império Romano um caldeirão fervendo de possibilidades mil de tensões, revoltas e sublevações.

Tal contexto histórico beligerante, tornava premente ações que deveriam ir além da romanização destes povos. Era preciso estabelecer meios conducentes à tranquilidade, segurança, ordem e paz por todo o território imperial. Estágio imposto pela presença militar junto às regiões conquistadas, que passam a propiciar clima de segurança, estabilidade e paz, diante das sempre eminentes possibilidades de revoltas ou invasões dos povos fronteiriços ao Império. Sob este clima de paz - a Pax Romana -, o Império de Roma estabeleceu sua hegemonia política, administrativa, fiscal e judicial.

Ocorre que os poderosos de Roma utilizavam a pax como meio ideológico para legitimar as atrocidades que eram praticadas. Todas as ações se tornavam legítimas em nome da boa ordem e funcionalidade do Império. Neste esquema de poder, portanto, aqueles que procuravam denunciar as injustiças tinham a voz silenciada e, geralmente, a via para isto era a morte. Como todo regime opressor não teve vida longa.

O Brasil, ao contrário, não ocupa territórios, não conquista nações, não busca ampliar geopoliticamente suas fronteiras em movimentos expansionistas à moda Bonaparte ou Hitler. Somos um país ordeiro, que, todavia, ao contrário do verso do Hino Nacional (que Deus me perdoe!), foge à luta como o diabo da cruz. Que só se levanta para comemorar gols nos estádios de futebol, para aplaudir Escolas de Samba nos desfiles da Sapucaí ou o Boi de Parintins. Entretanto, como disse Glauber Rocha, só é solidário no câncer.

Trocando em miúdo, o Brasil hoje está fortemente voltado a intrigas, disputas estapafúrdias, a guerras desprovidas de sentido pragmático ou de significância histórica. A tal ponto chegamos que o novo coronavírus e o uso da cloroquina - absurdo supremo - foram partidarizados. Há torcidas contra - a direita -, e a favor do vírus - a esquerda; que defendem ardorosamente o uso, ou não, da cloroquina no combate ao covid-19. Ambas as correntes "políticas" se movem apenas por difusas noções sobre a estrutura molecular do vírus ou o princípio ativo e eficácia científica do medicamento. Apenas, por sua natureza, são contrários ou favoráveis. Lembrando a fábula do sapo e do escorpião.

Enquanto isso, avultam movimentos - antifas, black blocks, neonazistas, ultra direitistas, ultra esquerdistas, como o Fórum de São Paulo que alimenta a fantasia do socialismo bolivariano da Venezuela. Efetivamente, os "organizadores do caos", constituídos por gangues movidas por um objetivo singular, mas poderoso: a desestruturação social e política. É bizarro, a propósito, observar a prática de vandalismo sendo chamado de "defesa da democracia" ou de "movimentos de libertação". Segundo sociólogos, "a ignorância e a má-fé são terrenos férteis para esse tipo de truque. Ou por falta de vocabulário, ou pela utilização marota dele, o mais cômodo é entalar tudo aquilo que não gostam sob o rótulo de fascistas ou comunistas".

A sociedade brasileira, por setores das classes estudantis e operárias, dos professores, dos profissionais liberais, etc., mesmo a despeito dos instantâneos meios de comunicação das universalmente abrangentes redes sociais - como Facebook, Twitter e outras - é, em grande dose mais alienada, muito menos engajada politicamente do que nos anos 60 e 70. Época em que nem se ouvia falar de internet.

Enquanto isso, distorcido de princípios político-ideológicos, lato sensu, cresce, com certo furor, um sentimento de ódio social, em que se chocam seriamente irmãos contra irmãos. Em que não se chega a acordo algum, porque exatamente ninguém se entende. Ora, em tal processo de ruptura, seria a revolução o caminho? E por que não um acordo nacional conciliatório, a exemplo do Pacto de Moncloa, de 1977, que livrou a Espanha das agruras da Guerra Civil, de 1935, possibilitando ao país vir a tornar-se um dos mais desenvolvidos da União Europeia?

O Brasil, na verdade precisa marchar de vez rumo ao seu destino histórico. A dar coro ao lamento de forças retrógradas, apegadas a um passado que não volta, a ranços ideológicos improdutivos, jamais chegará a lugar algum. Vamos continuar rodando em círculo, namorando sistemas políticos dogmáticos e radicais, que a história os provou ineficazes, por distantes dos anseios da sociedade.



Vexame histórico - em 30/06/20

O Amazonas não merece sofrer tal constrangimento.Uma Operação da Polícia Federal em plena sede do Governo estadual? Invadindo casa de um governador? Mais uma vez?

Até quando vamos nos sujeitar a tais vexames? Demonstração clara e evidente de que o amazonense ainda não aprendeu a se dar integral valor. Não aprendeu a separar o joio do trigo.

Isto, ao que me refiro, aos dias de hoje. Porque, em passado distante, tal situação calamitosa, tal bisonhice, tal embaraço jamais ocorreu.

Tempos de homens de moral ilibada, cuja palavra alicerçava-se no fio do bigode, em que palavra dada era palavra cumprida.

Homens que saíram do governo, do universo da política como entraram, pela mesma porta. E voltaram a ser cidadãos comuns, exercendo suas atividades rotineiras com toda a dignidade, como se jamais tivessem ocupado o poder.

Somos um povo ordeiro, tolerante, acolhedor. Até demais, para o meu gosto. Pessoas vêm de fora e são reverenciadas, tratadas como um igual. E logo se tornam também amazonense. Os exemplos se multiplicam.

Muitos aqui se fixaram temporária ou definitivamente, deram e dão a vida, por meio de seus negócios, de suas atividades profissionais, em favor do desenvolvimento de nosso Estado.

Alguns tornaram-se até mais amazonenses do que muitos amazonenses. Com histórias indissociáveis da evolução educacional, cultural, social e econômica desta terra.

Citar nomes é sempre arriscado, pela inevitável possibilidade de omissão. Todos eles, contudo, mantém-se vivos em nossos corações e mentes, honrados por nossas lembranças e reconhecimento ao pioneirismo exercido na indústria, no comércio, nas salas de aula, na advocacia.

Igualmente, na justiça, no turismo, na medicina, na enfermagem, na farmácia, na engenharia, nas artes, na ciência, na literatura, na poesia, nos transportes, nas tabernas de bairros, nos beiradões, nos seringais, no extrativismo, atividades que os levaram a construir nossa sociedade e nossa economia.

O Amazonas não precisa de aventureiros. Temos muito boas cabeças com suficiente discernimento, competência profissional e seriedade para gerir nossos destinos.Apenas precisamos, em alguns casos, saber escolher melhor os que nos representam e governam.



CORECON-AM discute economia do Amazonas no pós-pandemia - em 26/06/20

O Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM) realizou na tarde desta quinta-feira, 25, a primeira videoconferência, de uma série semanal que começou a promover tendo por objetivo fundamental debater o importantíssimo tema ECONOMIA DO AMAZONAS PÓS-PANDEMIA COVID-19.

Os programas reunirão profissionais de alto nível da Universidade, da pesquisa, do governo, Suframa, além de políticos, representações das classes empresariais e das diversas categorias de trabalhadores. Todos, rigorosamente, comprometidos com a busca de soluções objetivas e viáveis relacionadas à integração setorial (agropecuária, indústria e comércio) do processo de desenvolvimento econômico do Estado e da Zona Franca de Manaus..

No primeiro programa levado a cabo na tarde de ontem, do qual este articulista atuou como mediador dos debates, tomaram parte o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento do Amazonas, Jorio Albuquerque Veiga Filho; os economistas Nelson Azevedo dos Santos, vice-presidente da FIEAM; Rodemarck de Castello Branco, professor de Economia aposentado da UFAM e consultor econômico, e do líder empresarial, também economista, Wilson Périco, presidente do CIEAM.

Além dos debatedores, a videoconferência contou com audiência qualificada. Foram postados diversos comentários com ideias e sugestões ajustadas aos objetivos das discussões promovidas. O que significa que a sociedade espera iniciativas desse porte, durante as quais possa interagir, fazer suas críticas e propor sugestões. Um vasto e promissor campo de trabalho para o CORECON-AM.

O secretário Jorio Veiga Filho, titular da SEDECTI, expôs as linhas gerais do planejamento governamental, que tem como estrutura de sustentação, políticas públicas para enfrentar a pandemia mundial. Ênfase dada ao projeto Biopolis Amazonas, um projeto "guarda chuva"e uma narrativa de desenvolvimento econômico no qual o programa Rota da Biodiversidade é um dos vários eixos que a Sedecti está trabalhando.

O secretário Veiga Filho especificou as linhas gerais que estão sendo articuladas com vistas a promover a integração da bioeconomia e suas complexidades, onde se inserem produção de alimentos, turismo ecológico, mineração, manejo florestal sustentável, o pólo gás-químico. O objetivo maior é legitimar, mesmo 53 anos depois, o tripé conceituado no Art. 1o do DL 288/67, que estabelece criar, no interior da Amazônia Ocidental, um polo agropecuário, industrial e de prestação de serviços, sabendo-se que esta disposição da lei até hoje não foi cumprida.

Nessa mesma linha o vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo do Santos, com base em sua larga experiência como economista, executivo e empresário bem sucedido no Polo Industrial de Manaus, acredita ser este o momento exato de o governo estadual, ao lado da Suframa, das representações empresariais e classes políticas trabalhar a busca de soluções, promover a reestruturação da política de incentivos vigente de sorte a ajustá-la aos padrões tecnológicos da Indústria 4.0 e à necessidade de integração setorial e complementar da nova matriz econômica do Amazonas e da ZFM.

Para o economista Rodemarck Castello Branco, com base em sua larga visão de professor e consultor econômico que acompanhou passo a passo a evolução da política de incentivos fiscais, a ZFM deu certo. Embora parcialmente. Isto devido a questões de fundo menosprezadas pelo governo. O que o levou a ressaltar a necessidade de estudar cenários futuros buscando, assim, definir objetivos e metas, no horizonte 2073.

Qualquer cenário haverá de estar voltado ao fortalecimento do PIM no padrão da indústria 4.0, integrado à bioeconomia, que apresenta grande potencial de crescimento na região. O governo terá, obrigatoriamente, para a viabilização dessa nova matriz econômica promover uma revolução, segundo Castello Branco, nos campos do ensino técnico-profissional e da canalização de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação ( P,D&I).

O presidente do CIEAM, Wilson Périco, por seu turno, acredita que a Zona Franca de Manaus tem árduo caminho a percorrer para viabilizar a integração do Polo Industrial de Manaus (PIM) aos padrões tecnológicos impostos pela Revolução Industrial 4.0. Não obstante, o CIEAM é cem por cento comprometido com a integração setorial da nova ZFM resultante da incorporação da bioeconomia e suas complexidades ao processo de interiorização do desenvolvimento sustentável do Amazonas. A hipótese, segundo Périco, diz respeito ao elenco de oportunidades e alternativas que se ajustem ao PIM como evolução de processos tecnológicos industriais e bioeconômicos.

Também chamou a atenção para o iminente risco de desemprego que já contamina diversas empresas do Polo. A razão é simples, acrescenta: devido aos ajustes tecnológicos que a pandemia do covid-17 está induzindo em relação aos processos produtivos, as empresas irão produzir duas vezes mais do que hoje, gerando menos emprego. Em síntese, a pandemia, simplesmente, vem antecipando inovações que inevitavelmente iriam ocorrer bem mais à frente.

O maior desafio, para Wilson Périco, consiste em como acomodar as mudanças. Os debatedores do programa acreditam que o caminho tem, ao menos, duas vertentes fundamentais: a) geração de novas atividades, além muro da capital, isto é, extra PIM; e b) investir na qualificação de pessoas para os novos postos de trabalho a serem gerados pela nova matriz econômica do Estado.

Nesse sentido, o Amazonas e a ZFM estão dependentes de planos de desenvolvimento, de programas, projetos e metas de Estado, não de governo. Que se mantenham independentemente das cores partidárias do titular que assuma o Executivo. Nosso comprometimento, como define Nelson Azevedo, é com o Amazonas, com o nosso futuro, com nosso desenvolvimento.

O político, se não tiver grandeza de estadista não deixa marcas duradouras em sua passagem pelo poder público. Como as estações, vêm e vão.


Ódio e desagregação política empurram Brasil rumo a caos social- em 19/06/20

Ministros do STF revoltados com ataques que vêm sendo vítimas por parte de setores radicais do bolsonarismo sinalizam tendência de enfraquecimento institucional do país. A Suprema Corte deve ser respeitada, não há qualquer dúvida, afinal, são os guardiães da Constituição. Contudo, embora alguns de seus membros suponham-se deuses, alguns deles, todavia, não respeitam a toga que usam. Particularmente, ao desferir ofensas ao presidente da República, criticar pela mídia o Executivo, dar palpite indevido a ações do governo e ao mandar prender deputados sem a necessária prévia autorização do Legislativo.

A propósito, não é possível esquecer o esbulho do ministro que presidiu o impeachment de Dilma Rousseff ao fatiar o processo, isto é, aprovando o afastamento da então presidente, mantendo, porém, intactos seus direitos políticos. Um chute na própria Constituição que o STF tem por dever defender e respeitar. Causa horror à sociedade que apenas um só ministro haja revogada a prisão de 37 presos, dentre eles um seu afilhado de casamento.

Desta forma, o STF tem se caracterizado perante a nação como a instância que, preferencialmente, liberta condenados, e que busca sempre caminhos intrincados do ponto de vista da legislação em benefício de certos privilegiados, não importa o quão corruptos sejam. Como o caso recente do ex-presidente Collor, absolvido pelo STF por prescrição de crimes, ou do ex-governador Garotinho e sua mulher, a ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho, que já foram presos e soltos umas três vezes ou quatro vezes, do ex-senador Aécio Neves, do ex-ministro Zé Dirceu e de tantos outros beneficiados com medidas de relaxamento penal em processos, ao que tudo indica, no meu entendimento de leigo, mas de cidadão, simplesmente aguardam no Supremo o decurso de prazos de prescricionais.

Os poderes da República são independentes e harmônicos entre si, assim dispõe o Art. 2o da Constituição Federal. Por essa razão superior não é razoável nem civilizado a troca de ofensas públicas de um Poder contra outro como nós, a sociedade brasileira, estamos, envergonhadamente, habituados a assistir. Não se observa em nenhum lugar do mundo um ministro do Supremo Tribunal Federal, ou um presidente da Câmara dos Deputados a desferir críticas abertas a um presidente da República, e vice-versa.

Afinal, em que país estamos? Num momento de pandemia do covid-19 com gravíssimas consequências sobre as economias mundiais, que vem promovendo recessão generalizada, recrudescimento do desemprego, do déficit público, desarranjo do sistema educacional e de saúde público, da produção industrial e dos serviços, efetivamente não faz sentido a formação de frentes políticas, a propósito as mesmas derrotadas em 2018, com o fim precípuo de obstaculizar de sabotar a ação governamental, torcendo pelo caos, contra a sociedade e a favor do vírus.

Vejamos um dado importante que tanto inquieta a sociedade, situação que, entretanto, se objeto de protesto para responsabilizar ministros por comportamentos, digamos, complacentes, pode vir a ser motivo de prisão dos envolvidos em eventuais manifestações democráticas. A saber: a Justiça brasileira vem colocando na cadeia uma enxurrada de poderosos (ricos, políticos, empresários, etc.) - todos suspeitos e/ou condenados em processos judiciais diversificados, mas que ainda não transitaram pelos Tribunais de 2ª instância, sendo essa a premissa para que o condenado cumpra a sua pena em regime aberto, semiaberto ou fechado, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal - STF, em 2016.

Como STF nem Congresso se mexem para resolver a pendência muitos presos foram libertados, alguns de alta periculosidade, assassinos confessos ou grandes hordas de corruptos, ladrões dos cofres públicos, encontram-se, como se diz, livres, leves e soltos, tranquilos dando uma banana para a lei penal do país. Enquanto isso a Corte, na quarta-feira, 17, decidiu que vai prosseguir o inquérito das fake news. Um dia triste para a Justiça brasileira, para a liberdade de expressão e opinião e para a democracia. De fato, como escreveu o jornalista Alexandre Garcia, na Gazeta do Povo, essa investigação é uma forma de amordaçar as pessoas que criticam Judiciário, particularmente o STF, quando o direito de opinião, desde que expresso com responsabilidade, deve ser livre.

A semana que hoje se encerra no Brasil mantém o grau de estresse político da mesma forma como todas têm começado ―e terminado― desde o início da pandemia de coronavírus. Numa atitude ousada e despropositada, o ministro do Supremo Luiz Fux deferiu, provocativamente, liminar restringindo a abrangência funcional das Forças Armadas, já estabelecida no Art. 142, da CF. A atitude de Fux levou o presidente Jair Bolsonaro a assinar nota junto com o ministro da Defesa para assumindo posição firme, em tons beligerantes, a respeito. Além disso, manifestações do procurador-geral da República e do presidente do STF mostram que a crise política está longe de arrefecer.

Há de questionar, a propósito: o que efetivamente a nação ganha com todo essa inócua encenação de força, o desfecho de insultos, a criação de tensão e comoção social? O mundo vive uma pandemia, e procura se defender com medidas eficazes em favor da saúde pública, enquanto no Brasil forças políticas derrotadas em 2018, apoiada por setores da mídia insatisfeita pela perda de polpudas verbas publicitária, perseguem o sonho de tirar Bolsonaro do Poder e fazer empossar o candidato derrotado do PT.

Conforme Art. 1o, Parágrafo único da Constituição da República, "todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Como, então, vir o Parlamento a se omitir, ou ignorar sagrados preceitos? Justamente a classe que chegou ao Congresso por delegação do eleitor, da sociedade, para representar-lhe. Assim deve, com efeito, ser entendido: a delegação é do eleitor. O Legislativo, representando o povo ou o Estado, assim como o Judiciário e o Executivo, cada em um de acordo com suas prerrogativas, todos poderes independentes, porém harmônicos entre si, constituem a base do sistema democráticos que o Brasil segue por inspiração e determinação de nossa Carta Magna.

Nã há, por conseguinte, predominância de nenhum poder. O que leva à postulação elementar de que, acima de intrigas, fofocas, disputas extemporâneas, a nação precisa, sobretudo, de um "goodwill", de novo pacto federativo, de um firme "gentleman's agreement". Somente por essa via, tal a sanha de ódio e desagregação social disseminadas, o povo poderá sobrepor-se à pandemia e à pandemônia política que toma conta da vida do brasileiro.




Constituição Federal, de onde emanam direitos e obrigações do cidadão - em 28/05/20

Em seu Art. 1º , a Carta Magna proclama: a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Em complemento, o Parágrafo único estabelece, como cláusula pétrea, que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

O Art. 2º, assim dispõe: são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário; enquanto, de acordo com o Art. 3º, são objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.Os princípios de harmonia e interdependência dos poderes são claros, como evidentes em si mesmo os direitos e obrigações do cidadão. Nada obstante, observa-se no Brasil muitas esdrúxulas situações, particularmente no tangente à invasão de prerrogativas ou competência claramente estabelecidas entre os poderes.

Nesse sentido, importante observar as prerrogativas do STF, definidas no Art. 101, que assim dispõe: O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

Pelo Art. 102, compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição. Não lhe é em nenhum momento conferido poder de polícia nem de avançar competências dos demais poderes. Recentemente, o povo assistiu, estupefato, membros do Supremo Tribunal Federal, a Suprema

Corte, julgar monocraticamente, e assim determinar suspensão de nomeação do presidente da República para cargo no Executivo. Mais ainda, outro ministro esteve a ponto de determinar o confisco do telefone móvel do chefe do Poder Executivo. O que levou a um ministro militar, o general Heleno, a se insurgir contra tamanha aberração, declarando alto e bom som que tal absurdo não poderia ser tolerado pelas forças militares.

Competências

À luz da Constituição, segundo artigo do jurista Ives Gandra Martins Filho recém publicado, o general Heleno estava certo., amparado no Art. 142, da Constituição Federal, que determina que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

A simples suspeita "de que foi escolhido por ser amigo do Presidente da República e poder influenciar procedimentos administrativos levantados por um desafeto do primeiro mandatário não justifica, constitucionalmente, a invasão de competência de um poder em outro". Se meras suspeitas servirem, a partir de agora, observa o jurista, "o Poder Judiciário estará revestido de um poder político que não tem, constitucionalmente, de dizer quem poderá ou não ser nomeado de acordo com a visão do magistrado de plantão, mesmo que não haja qualquer condenação ou processo judicial em relação àquele pelo Executivo escolhido".

Para Gandra, "inexiste dispositivo que justifique a um ministro da Suprema Corte impedir a posse de um agente do Poder Executivo, por mera acusação de um ex-participante do governo, sem que houvesse qualquer condenação ou processo judicial a justificar". São casos em que o Supremo se auto investe de funções do Executivo. Situação idêntica poderia ser interpretada caso um deputado federal ou um senador interferisse no Supremo, criticando ou corrigindo decisões da Corte. Igualmente, que um ministro de Estado determinasse a revogação de atos desse poder. O STF deve, em qualquer circunstância, ater-se ao cumprimento dos dispositivos definidos na Constituição Federal, como é próprio das democracias.

Interferências do STF

Tornou-se um case de absurda extrapolação de competência o fatiamento, por interferência, monocrática, do ministro Ricardo Lewandowski, da sentença final do Senado, dividida em duas: uma, aprovada por 61 votos a 20 determinou a cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 1996, a outra, rejeitada pelo mesmo Senado, preservou-lhe os direitos políticos. A decisão passou por cima do Art. 52. e de seu Parágrafo único, que, clara e expressamente determina que "a perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis".O movimento pró impeachment foi, simplesmente, jogado na lata do lixo.

Riscos de ruptura

Outras decisões têm causado desconforto ao cidadão. Como vedar decisão do Executivo sobre extradição de representação diplomáticas da Venezuela, ou determinar, isoladamente, investigação da Polícia Federal de parlamentares por exerceram seu poder de crítica a membros do STF, que vem causando tremenda celeuma junto à população e ocupando os espaços da mídia dia e noite.O país, com efeito, pode estar se aproximando de sério risco de ruptura devido a sucessivas interferências do Supremo, muito próximas, não do cumprimento da Constituição, mas de confronto com o Executivo. Muitas revoltas depois e discussões técnicas, tem-se ouvido palavras de bom senso defendendo que determinados atos da Corte só deveriam ser adotadas por decisão do Colegiado, não de um ministro isoladamente.

Insegurança jurídica

Inquestionavelmente, cresce a insegurança jurídica no país, maximizada sempre que o Judiciário foge à sua competência técnica ao interferir em decisões soberanas dos demais poderes. De suposta interferência do Executivo em relação ao Legislativo, e vice-versa, "além de levar qualquer partido derrotado nas urnas ou nas votações do Congresso pretender suprir seu fracasso representativo recorrendo ao Supremo Tribunal Federal para que este, politicamente, lhe dê a vitória não obtida no exercício de sua função eleitoral", ao que intui Gandra Martins.Não se justifica, nem há amparo constitucional que justifique a invasão de prerrogativas de poderes constituídos. Choca, além de causar desconforto ao cidadão assistir de forma recorrente ao Supremo Tribunal imiscuir-se em funções executivas de que não lhe é dotada, invadindo, com efeito, competências alheias, que, para o jurista Ives Gandra apenas gera "insegurança jurídica e não a estabilidade e a certeza no direito que toda a nação deseja".

Direitos e deveres

Ao cidadão cumpre inteirar-se de seus direitos e deveres, condição "sine qua non" para ajustar-se aos ditames da Constituição e das leis do país. Com efeito, integrantes de qualquer camada popular que pretendam tornar-se aptos a defender seus direitos com maior eficácia e repercussão política, basta um simples ato: ler e aprender a interpretar a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, cujo relator, cumpre salientar, foi nosso jurista maior, senador Bernardo Cabral. Soberba aula de cidadania.



Thiago de Mello, 94 anos, poeta da vida e da esperança (1)

Amadeu Thiago de Mello, nasceu em Porantim do Bom Socorro, município de Barreirinha, no Estado do Amazonas, no dia 30 de março de 1926. Seu aniversário de 94 anos, sofridos, vividos com altivez, coragem, arte, talento e invejável visão de mundo, foi celebrado em Manaus com a discrição com que o poeta pauta seus outonais dias de vida.

Thiago, em 1931, ainda criança, muda-se com a família para Manaus, onde inicia seus estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e depois, no Gymnasio Amazonense Pedro II. Com o objetivo maior de ganhar o mundo, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1946 ingressa na Faculdade Nacional de Medicina, curso que interrompe em caráter definitivo, para, corajosa e desprendidamente seguir a carreira literária.

De acordo com Dilva Frazão, do Portal e-Biografia, o amadurecimento permite ao poeta mergulhar profundamente as raízes da sensibilidade e da consciência crítica na rica seiva humana do povo brasileiro, ao mesmo tempo tão explorado, tão sofrido e tão generoso. Sua poesia, sem perder o sóbrio lirismo que a inflama, ganha densidade e concentração, pondo-se por inteiro a serviço de relevantes causas sociais.

Seguindo trilhas definidas por suas escolhas, Thiago de Mello passa por fases sombrias e borrascosas, realçada por prisão e longo e doloroso exílio da pátria a que tanto ama e serve. Foi preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda (1904-1973) um amigo e parceiro de intensa produção poética. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo.

Importantes registros da convivência dos dois poetas podem ser vistos na biblioteca da Casa de Pablo, La Chascona, em Santiago do Chile.

O lado amargo da vida

Thiago enfrentou muitas provações naqueles tempos sombrios, sobretudo decorrentes de inevitáveis choques políticos com que se debate diante das ditaduras no Brasil e no Chile. Com serena firmeza de quem as sabe inevitáveis e delas não foge, contudo, as adversidades enriqueceram-no ainda mais como poeta e ser humano.

No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou à sua cidade natal, Barreirinha. O poeta vive hoje dividido entre sua terra de nascimento e Manaus, onde tem vida discreta ao lado da família.

Adido Cultural

Em 1957, Thiago de Mello foi convidado para dirigir o Departamento Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro. Entre 1959 e 1960 foi adido cultural na Bolívia e no Peru. Em 1960 publicou "Canto Geral". Entre os anos de 1961 e 1964 foi adido cultural em Santiago, no Chile, onde conhece o escritor Pablo Neruda, de quem faz a tradução de uma antologia poética.

Thiago volta ao Brasil, à sua terra, Barreirinha, e à Manaus após retorno do exílio beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada pelo presidente João Batista de Figueiredo, o última do regime militar, em 1979.

Primeiros Poemas

Em 1947, Thiago de Mello publicou seu primeiro volume de poemas, "Coração da Terra". Em 1950 publicou seu poema "Tenso Por Meus Olhos", na primeira página do Suplemento Literário do Jornal Correio da Manhã. Em 1951 publicou "Silêncio e Palavra", que foi muito bem acolhido pela crítica. Em seguida publicou: "Narciso Cego" (1952) e "A Lenda da Rosa" em (1957).

Estatuto do Homem e Faz escuro mas eu canto

Logo depois do golpe militar de 1964, Thiago renunciou ao posto de adido cultural e em 1965 foi residir no Rio de Janeiro. Sua poesia ganhou forte conteúdo político e Indignado com o Ato Institucional nº. 1 e por ver a tortura ser empregada como método de interrogatório, escreveu o seu poema mais famoso, "Os Estatutos do Homem" (1964), do qual destaco os três artigos a seguir:

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo Final

Fica proibido o uso da palavra liberdade.

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.


Faz escuro mas eu canto (1968), um canto de liberdade:

Faz escuro, mas eu canto,

porque a manhã vai chegar.

Vem ver comigo, companheiro,

a cor do mundo mudar.

Vale a pena não dormir para esperar

a cor do mundo mudar.

Já é madrugada,

vem o sol, quero alegria,

que é para esquecer o que eu sofria.

Quem sofre fica acordado

defendendo o coração.

Vamos juntos, multidão,

trabalhar pela alegria,

amanhã é um novo dia. (...)


Poesia e ciência, ciência e poesia

Thiago de Mello é uma dessas figuras humanas extraordinárias. Magnetiza audiências onde quer que se apresente, a ponto de não se ouvir qualquer ruído enquanto fala. Até as folhas das árvores cessam seu farfalhar, pois os ventos, ante ele, intimidados, param de soprar durante aqueles momentos de puro fascínio com que modela sua fala.

Ouvir o poeta, de linguagem e entonação de voz bem características do caboclo do Baixo Amazonas, é, acima de tudo, um grande privilégio. Uma oportunidade de absorver conhecimentos e verdades irretorquíveis que brotam de uma alma que, embora forte e definitivamente ligada à sua Barreirinha, no interior do nosso Amazonas, esquadrinha o mundo, sem cessar, ensinando e aprendendo.

Thiago de Mello, um caboclo comum, igual em cor, jeito e idiossincrasia típica dos que aqui nascemos, ao que penso faz parte de uma classe de personalidades excepcionais que, dotados de luz própria, inteligência excepcional, visão do porvir e talento, conduzem a história da humanidade: Confúcio, Jesus, Platão, Cícero, Rousseau, John Kennedy, Einstein, Spinoza, Voltaire, Adam Smith, Marx e Engels, Freud, Tolstoi, Neruda, Drummond, Machado, Joyce, Jorge Amado, dentre outras figuras revolucionárias do pensamento mundial.

Numa conferência perante o Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos - GEEA/INPA, do qual sou membro, em determinado momento deu um puxão de orelha nos cientistas, ao afirmar que "o Inpa precisa de uma interação maior com a sociedade". Certamente, quis insinuar à Universidade e à Embrapa sobre a necessidade de "repartir conhecimentos em benefício da humanidade e da própria região".

O poeta ainda ensinou que "a filosofia, como a poesia, são os maiores instigadores da ciência e de sua derivada, a tecnologia". Quando alguém, alhures, indagou-lhe se a poesia podia salvar o mundo, ele respondeu, sem hesitar: "o mundo eu não sei, mas pode salvar você".

Thiago por Neruda

Ao expressar, em 1965, seus sentimentos sobre o amigo, Pablo Neruda, em cuja companhia, muitas vezes acrescida de Jorge Amado e Zélia levam sua arte e visão de mundo a praticamente todo o Planeta, assim define o poeta de Barreirinha, segundo trecho transcrito pela Editora Bertrand na orelha de seu livro Campo de Milagres, de 1998:

Thiago de Mello es un transformador del alma. De cerca o de lejos, de frente o de perfil, por contacto o transparencia, Thiago ha combinado nuestras vidas, nos ha dado la seguridad de la alegria. El tiempo y Thiago de Mello trabajan en sentido contrario.El tiempo erosiona y continúa. Thiago de Mello nos aumenta, nos agrega, nos hace florear y luego se va, tiene otros quehaceres. El tiempo se adhiere a nuestra piel para gastarnos. Thiago pasa por nuestras almas para invitarnos a vivir".

Thiago por Thiago

Na obra Amazonas Pátria das Águas, 1987, na qual exibe toda a força de sua ligação telúrica com a Amazônia, Thiago de Mello se auto-define logo no primeiro verso do livro-poema:

Filho da floresta, água e madeira

Vão na luz dos meus olhos

e explicam este jeito meu de amar as estrelas

e de carregar nos ombros a esperança.

  • Economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA/INPA) e do Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM).

· Publicado na Revista Reflexos do Universo No. 99 - Edição Abril/Maio 2020 - Cruz das Almas, Bahia - file:///C:/Users/dell%20info/Downloads/REFLEXOS%2099%20POWER_57%20ultimo%20corrigido%20osiris_andre_1.pdf




Lava Jato, lições que a história ainda não contou - em 30/04/2020

A Operação Lava Jato investiga esquemas bilionários de corrupção envolvendo a Petrobrás, diversas empreiteiras e políticos de diferentes partidos. Iniciada em 2014, é considerada a maior investida do poder público contra a corrupção da história do País e já prendeu grandes figuras da política nacional, além de empresários e empreiteiros.

Dentre estes personagens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-deputado Eduardo Cunha, entre outros. Empresários como Marcelo Odebrecht, da empreiteira homônima; Léo Pinheiro, da OAS; e o doleiro Alberto Youssef também foram processados e mandados para detrás das grades pela operação.

Uma das principais figuras da Lava Jato é o ex-juiz e ex- ministro da Justiça, Sérgio Moro, responsável pelos casos em primeira instância da Justiça do Paraná, berço da operação. Ao lado do procurador Deltan Dallagnol e de uma competente e isenta equipe do Ministério Público Federal (MPF), da Procuradoria Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) a operação desmantelou o maior e mais ousado esquema de corrupção de dimensões nunca antes imaginada na história deste país.

Origem

Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato em março de 2014, o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba criou uma equipe de procuradores para atuar no caso. Referida força-tarefa inicialmente era composta pelos procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Lima, Roberson Henrique Pozzobon, entre outros.

Também são associados à operação um grupo de trabalho atuando junto à Procuradoria-Geral da República em Brasília, criado em janeiro de 2015 para auxiliar na investigação e acusação e dar ajuda ao procurador-geral na análise de processos em tramitação, e uma segunda força-tarefa, instituída em dezembro de 2015 pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal, que trabalha junto ao Superior Tribunal de Justiça.

Inicialmente a operação encontrou desvio de fundos da Petrobras. Em anos seguintes, as investigações desvendaram também superfaturamentos em obras públicas, como na hidrelétrica de Belo Monte, na usina de Angra 3, em fundos de pensão de servidores federais, em estádios da copa do mundo de 2014, no Anel de Integração do Paraná, em trechos do Rodoanel e em linhas e estações de metrô de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul.

De acordo com investigações e delações premiadas recebidas pela força-tarefa da Operação Lava Jato, estão envolvidos membros administrativos da empresa estatal petrolífera Petrobras, políticos dos maiores partidos do Brasil, incluindo presidentes da República, presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e governadores de estados, além de empresários de grandes empresas brasileiras.

A Polícia Federal considera a Lava Jato a maior investigação de corrupção da história do Brasil.

No entanto, a operação sofreu oposições não só de corruptos encastelados no governo, nos poderes da República, em empresas públicas, agências e órgãos das administrações federal, estaduais e municipais, e, pasme-se, da própria oposição liderada por partidos de esquerda. Oportuno salientar que jamais se ouviu qualquer pronunciamento de apoio à Lava Jato de qualquer parlamentar ou líder dessas agremiações partidárias. Ao que parece, por estarem comprometidos e envolvidos até a medula nos esquemas combatidos pela operação.

A velha história do quanto pior melhor que ainda predomina no Brasil

Para leitura integral do texto acessar:

https://docs.google.com/.../1xp_Q2165QWeRp4uvNwGglrf0Wqa.../edit#

Fonte dos dados: Ministério Público Federal e Polícia Federal.


Coronavírus, a universidade e a pesquisa - em 28/04/2020

Estudo recém publicado pelos doutores em Educação, professores Adriana Sales de Melo e Remi Castioni, da Universidade de Brasília, considera que, no Brasil, as universidades foram sendo criadas no intenso movimento em torno da modernidade integrado ao esforço de desenvolvimento que tomou curso na segunda metade do século 20. Convém refletir permanentemente acerca dos efetivos resultados alcançados, e, de outra perspectiva, sobre o padrão tecnológico que a instituição pretende alcançar, nos valores e missões presentes e a respeito de que modelo "queremos construir como parte integrante de novos projetos de sociedade, educação, arte, cultura, ciência, tecnologia, inovação e tantos outros campos de conhecimento, de trabalho e de vida".

O trabalho da UnB induz a que o foco daquele momento buscou dar resposta "à sociedade, auxiliando no esclarecimento, na crítica e na elaboração de respostas e ações para as questões sociais". Afinal, "para formar novas gerações de professores, pesquisadores, extensionistas e profissionais de todas as áreas de conhecimento, a universidade precisa fazer exercício constante de autoavaliação". Afim de ser reconhecida e respeitada mundialmente, por outro lado, faz-se necessário renovar-se quotidianamente, condição sine qua non para se tornar apta a responder aos mais exigentes desafios. Na medicina, em particular, para enfrentar males conhecidos ou desconhecidos, a exemplo do covid-19.

Efetivamente, a pandemia, que vem provocando perdas de vidas preciosas e enormes prejuízos econômicos e sociais em todo o mundo desde dezembro de 2019, revelou que nem a universidade, os centros de pesquisa, a própria estrutura de governo, ao menos no início, estavam preparadas adequadamente ao enfrentamento da doença. Para grande parte do sistema educacional, incluindo as instituições do ensino básico e superior no Brasil, o planejamento das atividades escolares e acadêmicas para 2020 manteve-se inalterada como se estivéssemos fora do mundo real, afirma o estudo da UnB.

Sem definição concreta da epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e, como se encontrava ainda restrita à China, a hipótese era de que não houvesse razões objetivas para despender tempo com uma doença que, supostamente, talvez não chegasse aqui tão cedo. Até porque não se tinha, como ainda não se tem informações científicas precisas sobre sua origem. Na verdade, a doença chegou e foi logo causando danos sem precedentes à população e à rede de saúde pública. Cabe, então, questionar: o que governos e prefeituras fizeram com os trilhões de reais destinados à construção e equipamento de hospitais, postos de saúde e pronto-socorros nos últimos 20 anos? A pandemia, além de matar, escancarou de vez a pobreza da infraestrutura hospitalar brasileira.

A universidade precisa integrar-se de vez à pesquisa, aos institutos que lideram investigações científicas, a produção de vacinas, antídotos e outras drogas no país. Numa visão pan-amazônica, ao lado do INPA, do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas e de outros centros de pesquisa, liderar cluster de conhecimento local. Juntando-se a parceiros da Amazônia sul-americana, otimizar respostas de pesquisas a partir de trabalhos cooperados e relativamente consolidados no combate à malária, leishmaniose e outras enfermidades típicas dos trópicos úmidos..

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reúne Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela poderia assumir a governança do processo ao lado do INPA, CBA e do Comando Militar da Amazônia, que detém vastos conhecimentos de logística operacional consolidados na região. A hora, afirmam os professores da UnB é de agir, de inovar, de permitir-se novos rumos calcados em experiências consideradas exitosas pelos especialistas de todas as áreas. Não cabe mais amadorismo. O preço pago pela sociedade brasileira, com viés de alta, tem sido pesado demais.



Brasil, em profunda crise, paga preço da pobreza de líderes - Em 21/04/2020

Chega a ser comovente o esforço que o governo federal está empreendendo de sorte a contemplar todos, eu escrevi TODOS os setores econômicos, agentes públicos e classes sociais afetados pela crise do novo coronavírus.

A começar com o 13o. Salário pago ao Bolsa Família ainda em 2019.

Ninguém está deixando de ser assistido. Ações essas absolutamente inéditas na história das crises pelas quais o mundo e o Brasil já atravessaram. Desde, e sobretudo a Grande Depressão de 1929 ou a crise do petróleo dos anos 1970, que em apenas quatro meses elevou em 400% o preço do hidrocarboneto, a crise asiática de 1997 ou a dos sub-primes de 2007.

Enquanto isso a canalha do poder Legislativo e de alguns setores do Judiciário conspiram. Conchavam, cabalam abertamente com suporte de aproveitadores das oposições, para que tudo dê errado e a economia brasileira despenque, seja levada a um poço sem fundo.

Os presidentes da Câmara e do Senado não escondem suas intenções. A ordem é dificultar, complicar a aprovação dos programas e tumultuar suas operacionalizações.Não há nada mais ou menos fácil. É tudo no confronto, corda distendida ao extremo.

O deputado Rodrigo Maia, com toda a distorção de caráter de que é dotado, chega a agredir publicamente o governo, o presidente e a chamar de mentiroso o ministro da Economia, Paulo Guedes. Isso em entrevista à imprensa. Mas foi eleito para a presidência da Câmara com apoio desses mesmos "mentirosos", pedido ao presidente Jair Bolsonaro quase aos prantos quando se lançou ao cargo em dezembro de 2018.

A que nível chegamos?

Mesmo assim o governo está pagando o auxílio de R$ 600,00 - o chamado coronavoucher - a mais de 40 milhões de brasileiros que se encontram em condições extremas de vulnerabilidade. Como também liberando saques do FGTS.

No bojo das medidas encontram-se apoio a estados e municípios, aos MEIs, a produtores da agricultura familiar, suspensão temporária dos recolhimentos de impostos federais, garantia de 20% a 30%, cash, às empresas como suporte a gastos com folhas de pagamento, taxas de juros favorecidas em apoio aos negócios de modo geral.

Tudo com vistas à garantia do emprego.

Esqueça-se o Bolsonaro e suas bravatas. O Lula foi muito mais exibicionista, bravateiro e fanfarrão, além de agressivo, mal educado e demagogo! E continuou líder até ser condenado pela Justiça por roubo, e levado para detrás das grades.

Que sina a do Brasil com seus governantes.

O importante: o que mais se pode esperar de um governo num ambiente de pandemia como o que o mundo vive desde fevereiro deste ano? Ante uma crise de tão graves proporções que certamente deverá superar todas as anteriores?

Em sã consciência, aponte-se que setores ou segmentos econômicos ou sociais não estão sendo cuidados? Independentemente de cor partidária, religiosa ou política.

Isso é inédito na história do Brasil. Algum outro governo já agiu com tanta responsabilidade, eficiência e presteza? Além do mais, com zero casos de corrupção.

Saliente-se, por oportuno, que a ex-presidente Dilma demitiu sete ministros em seu primeiro ano de governo. Quase todos por negociatas, malversação de recursos públicos. Em português claro, por corrupção.

Nos governos do PT quem mandava? O socialismo bolivariano, o foro de São Paulo, o MST, que invadia e vandalizava propriedades privadas, fazendas produtivas; e ainda os mais de 15 mil sindicatos espalhados pelo Brasil. Hoje o governo toma decisões abertas, democraticamente, ouvido, como da Constituição, o Congresso Nacional.

Não sou bolsonarista, mesmo tendo votado no atual presidrnte, mas considero assustador, além de vergonhoso: Brasil é o único país do mundo em que as oposições torcem a favor de um vírus.

DeGaulle estaria certo?


Canto do Fuxico, república livre da futrica manauara - Em 17/04/2020

Diante de tanta fofoca, intriga, maledicência, disse-me-disse disseminadas nas redes socais, lembrei de um dos lugares mais pitorescos de Manaus dos anos 50/60 até os 70, o Canto do Fuxico, onde se encontravam conhecidos personagens da cidade para, simplesmente, fuxicar.

Isso mesmo, para fazer intriga, bisbilhotar, mexericar, falar mal da vida alheia, não exatamente por maldade, mas, no geral, por simples deleite dos grupos ali reunidos. Um "passa tempo" que reunia jornalistas, políticos, empresários, autoridades do governo, estudantes e toda sorte de futriqueiros.

O Canto do Fuxico localizava-se ali na esquina da Eduardo Ribeiro com a Rua Henrique Martins, a rua das Livrarias. De um lado, a loja da Cruzeiro do Sul e, de outro, a loja Capri (de propriedade do pernambucano Zé da Capri), que chegava a colocar numa mesinha uma garrafa de café para maior conforto dos habitués.

Com o surgimento da Zona Franca de Manaus, em 1967, o ponto foi ano a ano perdendo o charme e, progressivamente, o significado cultural para a cidade, até sua extinção pelo final dos 1970. Uma prova de que o amazonense não é muito chegado em honrar suas memórias e referenciais históricos.

Diferente de Curitiba, onde similar do nosso Canto do Fuxico, a Boca Maldita, na Rua das Flores, centro da cidade, ainda funciona em igual intensidade. Ai do política que não "passa" por lá para um cafezinho, em campanha ou não!

Pois bem, nestes tempos de covid-19 transformaram o Brasil numa República de palpiteiros, de mexeriqueiros, maldizentes, enquanto o que interessa vai sendo postergado.

Quanto às redes sociais, num revival do histórico Canto do Fuxico dos anos 60 em Manaus. Desconhecido da nova geração, mas permanente nos corações e mentes dos baby boomers, os nascidos nos anos 1940 e 1950 até o início dos anos 1960.


Coronavírus e a solidariedade humana - Em 03/04/2020

O combate ao coronavírus está estimulando diversas ações de solidariedade e união pelo país e pelo mundo. Exemplos se multiplicam diariamente nos cinco Continentes. Protegida por meio de isolamento social, a população menos propensa à doença está se oferecendo para ajudar idosos, um dos principais grupos de risco da Covid-19, ou até distribuir álcool em gel para quem precisar. Outras pessoas que enfrentam quarentena pelo mundo usam a criatividade para estimular a união e o senso de coletividade.

Pelas redes sociais e aplicativos de trocas de mensagem, espanhóis e portugueses se organizaram para ir às janelas e varandas ovacionar e agradecer as equipes médicas de hospitais atendendo pessoas acometidas do coronavírus. O som das pessoas batendo palmas durante longo período de tempo é emocionante.

Na Itália, que enfrenta um dos piores casos de transmissão da Covid-19, diversas pessoas em isolamento social têm ido às janelas para cantar e aplacar a solidão. Diversos vídeos de italianos e espanhóis com essas exibições isoladas viralizaram mundo afora. Serenatas, trompetes, pessoas tocando com suas panelas - tudo isso criou música nas varandas de diversas cidades.

Em Turim, no norte do país, uma cantora de ópera, da varanda, ao lado de um violinista; em Siena, um vídeo mostra uma rua deserta à noite e residentes cantando uma canção popular típica da cidade, Canto della Verbena. Em Nápoles, no sul, pessoas em quarentena cantaram Abbracciami, do cantor Andrea Sannino.

No sul da Espanha, uma pessoa que aparenta ser instrutor de ginástica deu uma aula coletiva para os vizinhos em quarentena. Um vídeo mostra um homem em cima de uma laje e os vizinhos em suas varandas fazendo polichinelo. As gravações do momento insólito são repletas de risadas no fundo, e é possível ver o quanto os vizinhos estão se divertindo com o momento.

Transportei-me para 1969, quando os Beatles fizeram seu último show num terraço em Londres. Na verdade, o show surpresa sobre a cobertura da Apple, no centro da capital londrina, realizado em 30 de janeiro de 1969, entrou para a história como "Rooftop Concert".

O homem, contrito diante da adversidade, buscando a melhor forma de interagir com os semelhantes.

Grandes estrelas do futebol se uniram no combate à pandemia de coronavírus na Europa. Em quarentena devido à suspensão de todos os campeonatos esportivos, os atacante Cristiano Ronaldo, da Juventus, Lionel Messi, do Barcelona, e o treinador Pep Guardiola, do Manchester City, fizeram doações milionárias a hospitais de seus respectivos países. Os atletas do Barcelona chegaram ao extremos de abrir mão da maior parte de seus salários para assegurar o pagamento da folha de pessoal do Clube.

Na Europa, segundo The Guardian, fabricantes de automóveis atenderam aos apelos do Reino Unido e estão produzindo também respiradores para a rede hospitalar. Já aderiram a essa rede de solidariedade as inglesas Jaguar Land Rover e Rolls Royce, além da inglesa Vauxhall, que faz parte do grupo francês PSA, informa o Estadão. O Guardian também destacou a Foxconn, empresa de eletrônicos que fornece a Apple, que começou a fabricar suas próprias máscaras cirúrgicas, permitindo aos trabalhadores chineses produzir iPhones ininterruptamente enquanto a crise do coronavírus continua.

Segundo a imprensa internacional, "não é a primeira vez que esse tipo de ajuda é solicitado por governos. A mudança temporária em linhas de produção já foi feita em outras ocasiões, especialmente durante períodos de guerra. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, diversas fabricantes de automóveis deixaram de produzir veículos de passeio e passaram a produzir modelos adaptados ao uso militar".

E quem duvida que há uma guerra a ser vencida?

Na minúscula Escócia, com cerca de 5,5 milhões de habitantes, foram reunidos mais de 7 mil voluntários, que estão trabalhando em diversos setores de apoio ao combate à pandemonia. Da mesma forma hotéis, clubes, centros sociais estão oferecendo instalações para tratamento de pacientes que eventualmente não tenham conseguido vaga em hospitais públicos.

E assim na Holanda, Suécia, Alemanha, Israel, Áustria, Canadá, nos Estados Unidos, no Japão, na Coreia do Sul, na Rússia, em praticamente todo o mundo. Os exemplos se multiplicam.

Na ZFM

Na Zona Franca de Manaus, como em todo o país, em esforço integrado governo e empresa a iniciativa privada vem sistematicamente efetuando doações de testes rápidos, respiradores, colchões, álcool em gel, computadores, máscaras, etc.

Brasil: o contraponto da política

Enquanto isso, nas hostes políticas brasileiras setores do Congresso Nacional e alguns governadores e prefeitos não perdoam. Vergonhosamente se aproveitam da pandemia para tirar vantagens eleitoreiras, comezinhas, de olho nas próximas eleições.

Acompanham essa récua de maus parlamentares e de alguns chefes de governos, grupo de cavalgaduras constituída por onda sem precedente de puxa-sacos, aspones, bajuladores de todos os naipes, que, se engalfinhando em redes sociais, numa guerra suja, sem trégua, violenta e desonesta agem como rêmoras em tubarões ou quelônios, que buscam se alimentar de restos e extrair vantagens e nesgas de poder. Nesse afã desmedido, são capazes de vender a própria alma.

Esquecem todos que as próximas vítimas poderão ser eles próprios.

Entrementes, jovens de diversas partes do Brasil estão se disponibilizando para ajudar idosos com as compras de mercado e farmácia, para evitar que eles saiam de casa e entrem em contato com o coronavírus.

Em Brasília e em diversas outras cidades grupos de pessoas oferecem tempo e disposição para ajudar quem está no grupo de risco para o Covid-19. Recados nas redes sociais ou no elevador de prédios são os principais meios usados para comunicar a oferta de ajuda.

Na Bahia, um jovem de 26 anos se prontificou a comprar produtos e remédios para vizinhos idosos que precisam ficar em casa para evitar a contaminação pelo Covid-19. Ele escreveu um bilhete e espalhou cópias no condomínio onde mora.

A ordem é: ficar em casa. Mas quem disse que é fácil? Depois de perceber a angústia dos pacientes no consultório, um grupo de psicólogos abriu uma linha de telefone para conversar com qualquer um que precisasse. De graça.

Essa solidariedade tem um impacto gigantesco junto aos mais necessitados. Ofertas de carinho se multiplicam pelo país. Quem não pode sair de casa neste momento, como os idosos, deixa a listinha debaixo da porta. Imediatamente recolhida como exemplo de solidariedade, bondade e calor humano.

Igualmente multiplicam-se as sessões de aplausos e reconhecimento às equipes de médicos, enfermeiras, pessoal técnico empenhados 24 horas por dia ao combate à pandemia do Covid-19.

Que Deus os proteja e salvaguarde suas preciosas vidas.

Clamemos aos céus para que os exemplos multiplicados, nas circunstâncias de "amor nos tempos de cólera", prolonguem-se por todo o sempre enquanto o homem na Terra continuar pisando.


Criatividade humana e seus maravilhosos inventos- Em 27/03/2020

Então o Senhor Deus formou o homem do

pó da terra e soprou em suas narinas o

fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.

Gênesis 2:7

Diante dos temores que tomam conta da humanidade nestes tempos de Coronavírus 2019, aflorou-me um ímpeto de escrever algumas notas a respeito das conquistas do homem sobre a Terra, salientando que muitas dessas conquistas, talvez a maioria, surgiram como resultado de revoluções tecnológicas disruptivas impostas, não raro, por catástrofes, conflagrações, revoluções, guerras, disputas de poder, como, no caso, as viagens aeroespaciais e o primeiro pouso do homem na lua.

Com efeito, das guerras surgiram a pólvora, a dinamite, armas cada vez mais letais, veículos auto transportados, tanques gigantescos, aviões caças super e sub sônicos, o radar e o sonar, submarinos atômicos, navios torpedeiros com capacidade extraordinária de lançamentos de foguetes de alto poder destrutivo, etc.

Das necessidades ditadas por viagens marítimas desde a Antiguidade surgiram a bússola magnética, telescópios de alcance interestelares, transferidores, baterias; astrolábios, quadrante, bússola, balestilha. Os combustíveis apropriados a cada etapa evolutiva dos transportes, que se expandiram das faias, à vela, às caravelas e naus, ao vapor, às máquinas a diesel e a vapor e a turbinas, os mapas náuticos e terrestres, a roda, pneus, amortecedores, turbinas a jato, e assim por diante.

Quando a escrita surgiu, há mais de 6 mil anos atrás, as palavras eram inscritas em tabuletas de pedras ou argila ( forma mais primitiva de escrita era a Cuneiforme). A invenção do papel, do latim papyrus, referência ao papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo no Egito, da qual se extraia fibras para a fabricação de cordas, barcos e as folhas feitas de papiro para a escrita. Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro. Depois vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes. Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T'sai Lun.

A revolução do papel se completa com a invenção, por Johannes Gutenberg (1400 - 1468), inventor, gravador e gráfico do Sacro Império Romano-Germânico, de um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, amplamente considerado o invento mais importante do segundo milênio, do qual derivaram as máquinas rotativas contemporâneas, os sistemas de composição eletrônicos modernos, os smartphones, os Kindle ou Okobos, leitores de livros por meio eletrônico.

A propósito, quem ignora o primeiro automóvel da história, o Ford T, de 1903, a origem do Volkswagen, surgido na Segunda Grande Guerra (1939/1945) da necessidade dos nazistas de criarem um veículo leve, seguro, barato para uso popular. Desde Ícaro, aos primeiros balões, ao 14 Bis, de Santos Dumont, e o aeroplano do irmãos Wright, aos modelos originais da primeira Guerra Mundial (194-1918), aos bombardeiros da II Guerra (1939-1945), a aviação muito evoluiu chegando aos super jatos de hoje.

Com o fim da Segunda Guerra vieram a enceradeira, o liquidificador, a batedeira de bolo, as máquinas de lavar louça, roupa e de secar, os fogões a gás e elétricos, as geladeiras elétricas. Uma revolução nos usos e costumes, sobretudo das mulheres que se viram aliviadas de tarefas fatigantes quando tinham de realizar ou administrar tarefas exaustivas como enceramento de pisos com escovas ou cozinhar em fogões a lenha ou a querosene.

Impossível omitir o efeito de conquistas científicas e tecnológicas nas áreas da Medicina, da Engenharia, da Odontologia, sobre a produção agropecuária de caminhões, tratores, colheitadeiras, materiais de laboratórios empregados nas descobertas de medicamentos, defensivos agrícolas e fertilizantes.

As descobertas derivadas dos voos aeroespaciais, como a chegada do homem à lua em 1968, os sistemas modernos de telecomunicações, materiais de alta resistência, roupas especiais, alimentos e bebidas liofilizados em cápsulas, a elaboração de estudos, cálculos e documentos por meio de computadores em sistemas digitais. As fotocopiadoras, o telex, o fax, as modernas máquinas fotográficas, aos poucos sendo substituídas por câmeras de telefones celulares de última geração.

No campo das ciências puras, desde as leis de Newton, a Teoria da Relatividade, a estrutura do DNA, a teoria dos germes de Louis Pasteur, a descoberta da penicilina, ao desenvolvimento de equipamentos de laboratórios de alta precisão, aos supercomputadores, e daqui à nanotecnologia, à biociência e à biotecnologia avoluma-se um caudal de invenções que provam a imensa capacidade inventiva do ser humano.

Muitas e mais diversificadas conquistas marcam a evolução do homem sobre a terra. Oxalá, da crise do Covid-19 surjam novas formas evolutivas para garantir ao homem mais conforto no desempenho de suas atividades profissionais e qualidade de vida.

Por fim, chega-me à mente passagens dos Salmos, como a seguinte:

Tu criaste o íntimo do meu ser

e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste

de modo especial e admirável.

Tuas obras são maravilhosas!

Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti

quando em secreto fui formado

e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião;

todos os dias determinados para mim

foram escritos no teu livro

antes de qualquer deles existir.

Salmos 139:13-16


Brasil pode ganhar com o Covid-19 - Em 20/03/2020

O ser humano se diferencia de outras outras criaturas do reino animal basicamente em virtude de sua capacidade de lidar com situações de maneira criativa. A aparente insatisfação que assola muitos membros de nossa espécie levou à descoberta de diferentes materiais, objetos e ferramentas que, de uma maneira ou outra, modificaram totalmente a maneira como vivemos.

As conquistas científicas e tecnológicas surgem fundamentalmente do medo do amanhã, do imponderável, da necessidade de ajustar modos, maneiras e práticas comportamentais e de relações humanas, de sorte a torná-las mais adequadas nos dias correntes.

Em tempos de quarentenas impostas pelo novo Coronavírus 2019, isolamento social, álcool em gel, crises e mais crises, a humanidade está alcançando novos padrões predominantemente nas comunicações pessoais e à distância graças a outras conquistas extraordinárias, também derivadas de guerras e crises diversas, como energia elétrica, computadores, internet, whatsapp, skype, telefones celulares.

Desta forma, cabe ao ser humano, neste momento de relevantes transformações sociais, culturais, políticas e econômicas mudar, adotar novas práticas e padrões de convivência ante obsolescências soterradas pelos novos tempos.

Tais como:

Escolas - há de fato necessidade de crianças e jovens atenderem aulas diariamente, se temos os computadores e as comunicações on-line que permitem o cumprimento de muitas das atividades escolares de casa?

Parlamento - reduzir sessões presenciais e priorizar reuniões por vídeos conferências, como , aliás, o Congresso brasileiro acaba de adotar face às necessidades de evitar aglomerações e às consequentes restrições de convivência impostas pelo covid-19. Novas práticas essas que certamente resultarão em enormes economias ao erário.

Governo e órgãos públicos - tornou-se evidente que o Congresso, assembleias legislativas, câmaras municipais, um sem número de repartições públicas podem perfeitamente funcionar sem a obrigatoriedade presencial diária. Conquistas tecnológicas hoje permitem avançar importantes mudanças de paradigmas. Para melhor, sempre.

Redução de gastos - Um senador, um deputado federal, um deputado estadual, um vereador, um secretário de Estado, presidentes de autarquias, órgãos e empresas públicas que hoje têm à disposição em seus gabinetes (e até nas residências, em alguns casos) vinte, quinze, dez, meia dúzia de assessores podem, reprogramando sessões, reuniões, assembleias presenciais, e substituindo-as por vídeos conferências, reduzir os números a dois, três. A economia resultante é enorme, incluindo redução de despesas de transporte, alimentação, comunicações, etc.

Com certeza a sociedade poderá sair desta crise ganhando bastante. Quase sempre, after all, uma questão de simples raciocínio lógico e decisão política. Não só em termos econômicos e financeiros, resultante das novas práticas de convivência humana e profissional, mas também, e sobretudo, em consequência de ganhos de um maior e mais fraterno padrão nas relações humanas que, ora sendo desenhadas, poderão inevitavelmente passar a ser adotados.

Desde o dia 11 de março, quando a OMS declarou a pandemia do novo coronavírus, grande parte da população mundial passa pela situação extrema de ter de controlar as consequências imprevisíveis de uma nova doença.

Enquanto não for desenvolvida a vacina específica, a sociedade conectada segue sem maiores transtornos convivendo e trocando informações em tempo real, unindo-se, com efeito, para compartilhar experiências e dicas de sobrevivência.

O que era uma suposição futurista, torna-se, enfim, realidade. E assim o novo coronavírus passa a contribuir de forma decisiva, e sem volta, para restaurar à humanidade a capacidade de empatia perdida em tempos de individualismo.

Seria possível? Creio sinceramente que sim!


Congresso infestado de chantagistas ou Piscina cheia de ratos - Em 21/02/2020

O leitor decide que título prefere. Para pensar e refletir antes do Carnaval

O fato nu e cru, irretorquível, ao que presumo, diz respeito a atitudes de dirigentes parlamentares impróprias, contrárias aos interesses da sociedade. A saber: importante contingente de deputados e senadores, dirigidos por meia dúzia de bucaneiros, usurpadores, enganadores do povo, escudados em falsos princípios democráticos, que eles próprios não respeitam, vem descaradamente usando seus poderes para extorquir e pisotear a sociedade.

Para ludibriar desempregados, o povo simples, as minorias, os esquecidos pela sorte, o sofrido povo vitimizado por um sistema de governo injusto e um Parlamento comandado por grupelho de espertalhões e aproveitadores comprometidos tão somente com interesses corporativos e cartoriais mesquinhos de seus grupos partidários. Melhor dizendo, deles próprios, de seus insaciáveis bolsos.

Esse grupelho na cara limpa chantageia o governo com Emendas Parlamentares Impositivas (R$ 40 bilhões), além do Fundo Partidário de 2 bilhões de reais (queriam 4 bilhões). Para que? Para, locupletando-se de recursos arrancados a fórceps do Orçamento Público viverem nababescamente. Recursos esses que podiam estar sendo aplicados na educação, na saúde pública, na segurança.

Muitos políticos dirigentes de partidos nanicos, e dos grandes também, transformaram política em profissão. Cite-se como exemplo o dirigente partidário que instalou banheira em seu gabinete e comprou helicóptero (quanta ousadia!) para seus deslocamentos. São crias de um Brasil patrimonialista, de um Estado personalista e de uma dinastia política indissociável da palavra "coronelismo", que ainda domina, sobretudo nos rincões do país, a política partidária desde a Proclamação da República.

Pois bem. Nunca fui fã do Cazuza, ídolo da geração de meus filhos, embora o respeite como roqueiro socialmente engajado. Dada a situação conjuntural política e econômica brasileira, tenho observado que algumas de suas canções me levaram a prestar atenção às suas letras, particularmente de duas delas. Em O Mundo não Pára, o roqueiro-poeta é clarividente ao empregar a metáfora:

- Tua piscina está cheia de ratos, tuas idéias não correspondem aos fatos, o tempo não pára.

O Congresso, clara e objetivamente está ensandecido. Como canta Cazuza, prenhe de ex-garotos líderes estudantis, sindicalistas de resultado, professores, engenheiros, economistas, advogados, políticos mesmo, que um dia comprometeram-se com a justiça e o bem comum; que, um dia, prometeram "mudar o mundo", mas que agora, donos do poder, simplesmente assistem "a tudo em cima do muro". Que, todavia, sem ideologia, desprovidos de sólida base cultural, política e de visão histórica, escassa em percepção de que o progresso resulta de movimentos revolucionários.

Não obstante tudo isso, renderam-se aos fatos. E o fato é o que a realidade mostra: cadeias cheias deles. Perfeito Cazuza:

- Meus heróis morreram de overdose

- Meus inimigos estão no poder

- Ideologia, eu quero uma pra viver

O poeta carioca morreu e não encontrou a ideologia que supostamente tanto buscou, nem sua razão de viver. Por isso preferiu "pagar a conta do analista, pra nunca mais ter que saber quem sou eu".

A juventude fã do rock engajado de Cazuza, Renato Russo, Dinho Ouro Preto, Evandro Mesquita, Paula Toller, Marina Lima, Arnaldo Antunes, Frejat, Paulo Ricardo, Nazi, Lobão, Roger, Herbert Vianna deve isso a eles. A busca de uma causa para viver. De preferência que diga respeito aos interesses do povo brasileiro, que corresponda aos fatos.

O Brasil e o brasileiro precisamos superar essa fase medíocre em que vivemos nestes dias. Carecemos de valorizar a criatividade, o engajamento social, de sorte ao menos a induzir os mais jovens a se posicionarem terminantemente contrários a ações políticas conduzidas por oportunistas, compulsivos aproveitadores da fé pública.

Parlamentares, ressalte-se, que, ao limite do bom-senso, usam desavergonhadamente o Congresso como simples trapézio, como balcão de negócios visando a satisfazer sua ânsia de poder infinito, esquecendo-se que nem Dorian Gray conseguiu permanecer jovem e belo eternamente.

A propósito, o desabafo do ministro Augusto Heleno sobre as chantagens praticadas no Congresso contra o governo, representa o pensamento da imensa maioria dos brasileiros de bem, dos que labutam no dia a dia no campo, nas fábricas, nas feiras públicas, no comércio, nas salas de aula, nos hospitais.

Contraria, evidentemente, uma minoria de corruptos, chantagistas e corporativistas que defendem sem qualquer constrangimento emendas impositivas, fundo partidárias e carteirinhas de estudantes compulsoriamente emitidas pela Une, contrariando interesses da classe estudantil em favor de meia dúzia de pelegos.


Militarização do governo ou salvaguarda da nação? Em 14/02/2020

Avançam discussões sobre militarização do governo do presidente Jair Bolsonaro. Li hoje numa matéria do jornal espanhol El País que nunca desde os tempos da ditadura militar existiu no governo brasileiro uma presença tão maciça de nomes das forças do Armadas ocupando cargos de importância como no atual.

Pela primeira vez na democracia, argui o periódico, tem-se um militar nos três primeiros postos do Governo: o presidente, o vice-presidente e o ministro da Casa Civil, o recém nomeado general Walter Souza Braga Netto, que atuou como interventor federal no Rio de Janeiro e que agora assume no lugar de Onyx Lorenzoni. O cargo de chefe da Casa Civil é considerando como uma espécie primeiro-ministro.

Há quem veja nisso uma trincheira contra os perigos que espreitam a democracia e os que veem como presságio de uma nova ditadura. Os mais otimistas alegam que hoje as forças armadas brasileiras são de uma nova geração formada nos valores democráticos e na modernidade, vacinadas contra as tentações autoritárias e baluarte da democracia. Para o El País, isso se deve ao apreço atual da sociedade pelos militares, uma das instituições, ao lado da Igreja, mais bem avaliadas nas pesquisas nacionais pela grande maioria dos brasileiros de todas as classes sociais.

Quanto aos pessimistas, preferem ver nessa maciça presença dos militares no Executivo e na Administração pública, ressalta o jornal, um perigo real à volta do autoritarismo e até uma aprendizagem para que o presidente Bolsonaro prepare um golpe contra a democracia, dominando o Congresso para governar com a força das armas. Evidentemente, uma possibilidade remota, irrealísticas, distante da conjuntura política brasileira.

O governo vem promovendo, isso sim, verdadeira e ampla revolução de gestão, no trato da coisa pública com competência e lisura, ao que se tem observado. Passos que vêm trazendo o Brasil ao mundo real da modernização econômica e de políticas públicas nos campos da educação, da saúde, da integração regional, do saneamento, da segurança, das relações internacionais.

Pela qualificação profissional e perfil moral e ético dos militares no governo, não vejo como considerar perigo real e imediato de retrocesso político. Risco correu o país quando governado por desqualificados morais que quase levam o Brasil à bancarrota. Atine-se aos números relativos à dívida, ao déficit das contas governamentais, da previdência, às taxas de inflação, de juros e do desemprego, todos em níveis catastróficos.

Alie-se a esses indicadores macroeconômicos os movimentos políticos do petismo em direção a ditaduras cristalizadas, como ao socialismo bolivariano que vem destruindo a Venezuela, Cuba, Nicarágua, a cujos países o governo concedeu empréstimos via BNDES, a taxas privilegiadas, que mesmo assim jamais serão honrados.

A busca de quadros militares deve-se também, ao que penso, muito à desqualificação profissional de políticos que ocupam cargos públicos no Brasil, ao menos nessas últimas três décadas. Invariavelmente, observe-se, demitidos por incompetência, inabilidade política ou envolvimento em corrupção. Registre-se, por outro lado, que em mais de um ano do governo Bolsonaro nenhuma autoridade passou, moralmente, os pés pelas mãos, ou confundiu seus bolsos com os do contribuinte.

O padrão dos militares no governo hoje é outro. Para especialistas, de forma clara e evidente as Forças Armadas têm procurado demonstrar um comportamento de respeito à Constituição Federal, apesar de um ou outro discurso mais inflamado, afirma o professor. Além do que, nos momentos de maior gravidade da vida da nação são os militares chamados para intervir e resolver problemas. Como na Amazônia, que tantos insinuam defender, mas que aqui jamais puseram os pés.

A lista é extensa. Como em relação aos problemas das favelas, das sublevações da lei e da ordem, na defesa de nossos interesses na faixa de domínio marítimo (a Amazônia Azul), nos rincões amazônicos atendidos pelo Exército, Marinha e Aeronáutico, na estruturação e operação da base brasileira na Antártidas, e assim por diante. Em síntese, sempre que situações de extrema complexidade eclodem ali estão os militares agindo com patriotismo, dedicação e extremo profissionalismo.

Governo Dilma

Desde que assumiu a Presidência, em 2011, Dilma Rousseff demitiu, substituiu ou aceitou a demissão de 86 ministros. Em média, um ministro foi demitido ou trocado no governo Dilma a cada 22 dias. Em grande número substituídos por incúria de gestão ou corrupção mesmo, como nos escândalos da refinaria de Pasadena, da Caixa Econômica, do ministério do Trabalho, do BNDES, no ministérios da Educação e da Saúde, até mesmo no Bolsa Família.

Cálculo da BBC Brasil inclui ministros que tiveram seus postos extintos e não leva em conta dirigentes que assumiram as pastas interinamente. Dos 38 ministros empossados quando Dilma assumiu em 2011, só três permanecem nos postos originais: Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Alexandre Tombini (Banco Central).

Estima-se que a alta rotatividade expõe o fracasso de Dilma em montar uma base de apoio no Congresso, que culminou com a aprovação do processo de impeachment na Câmara Federal. Registre-se que, na votação na Câmara, Dilma só recebeu o apoio de um quarto dos deputados.


2019 marcou os 150 anos do GYMNASIO AMAZONENSE PEDRO II

2019 foi de grande importância para nós, gymnasianos. O ano em que nosso GYMNASIO AMAZONENSE PEDRO II, o Colégio Estadual do Amazonas (CEA) de nossa geração, o atual Colégio Amazonense D. Pedro II (CADPII) completou sesquicentenário de sua fundação, 150 anos de história dedicados à educação dos amazonenses.

Neste momento cumpre recordar e homenagear (o que já o fiz apropriadamente em meu livro GYNASIANOS) nossos mestres, os diretores, o corpo de funcionários, os alunos, os colegas de turma do passado e contemporâneos que tiveram e têm, hoje, o privilégio de sentar-se naqueles bancos escolares de tantas histórias.

Saliento, por oportuno, que a celebração dos 150 anos do Colégio não passou despercebida. Com efeito, graças ao trabalho de um punhado de colegas fundamos a Associação dos Ex-Alunos, por mim presidida, tendo como vice-presidente o colega Mário Lúcio, e diretores os ex-alunos José Humberto Michiles, Raimundo Silva, Vladimir Paixão e Silva, que se juntou à direção, corpo docente e alunos do CADPII e tomou parte ativa numa série de eventos promovidos para celebrar a data.

Estendo estes reconhecimentos à ex-gestora, professora Maria Goreth Guimarães, ao atual, professor David Wanderson, ao professor Maurício Grillo e aos alunos do CADPII que apoiaram a criação da Associação, entenderam nossos propósitos e nos apoiaram no cumprimento da missão que nos propusemos enfrentar em apoio aos eventos promovidos pela direção do tradicional estabelecimento de ensino.

História

A história do Colégio Amazonense Dom Pedro II (denominação oficial atual), desde sua instalação em 14 de março de 1869, é marcada por lutas de gerações em torno de ideais libertários e renovadores. O gymnasiano celebrizou-se como protagonista da ação política, em inúmeras contendas em torno desses ideais, contando para tal com o entusiasmo e a coragem de uma juventude em ebulição. A mais célebre dessas lutas teve campo na Revolução de 30. Movimento que, pela força das armas, depôs o presidente Washington Luís, e, com apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e estados nordestinos, levou Getúlio Vargas ao poder, que exerceu por 19 anos (Era Vargas). Os gymnasianos apoiaram as forças insurgentes contra São Paulo numa luta ferrenha que deixou marcas de balas visíveis no colonato frontal externo do histórico edifício.

Independentemente do espírito libertário e contestatório do gymnasiano, o Colégio ocupou desde início papel preponderante em relação ao padrão de ensino do Amazonas. Quadro que perdurou até meados dos anos 1970. Posteriormente, tornou-se um colégio comum, sem expressão política, educacional e cultural digna de seu passado de lutas e ideais. O Colégio enfrentou tempos difíceis, hoje sendo resgatado por um grupo de ex-alunos, professores, funcionários e estudantes do D. Pedro II, todos absolutamente dispostos a lutar pelo resgate dessas tradições e do padrão de ensino que sustentou. Objetivo factível tendo em vista que muitos nomes do empresariado, da política, da cultura, da universidade, dos profissionais liberais são egressos do histórico Casarão da Sete de Setembro.

Homenagens e omissões

O sesquicentenário do Colégio também não passou em branco graças à homenagem prestada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), em Sessão Especial pelos 150 anos de sua fundação. Professores, gymnasianos, servidores e alunos da antiga e atual geração participaram da homenagem, promovida por iniciativa da deputada Therezinha Ruiz (PSDB), na tarde de quinta-feira, 11 de abril deste ano, no plenário Ruy Araújo.

Igualmente, a Câmara Municipal de Manaus prestou sua homenagem ao sesquicentenário do histórico estabelecimento de ensino, fundado em 14 de março de 1869, por iniciativa do vereador Professor Gedeão Amorim (MDB), em sessão levada a efeito na manhã desta quinta-feira (14/11).

Durante a solenidade foi entregue, pelo autor da propositura, uma placa de reconhecimento pelos serviços prestados ao longo de sua história ao atual gestor da escola, David Wanderson, representando todos os profissionais que já passaram pela instituição e colaboraram para levar ensino de qualidade aos estudantes. Para Gedeão Amorim a solenidade vem fazer um resgate histórico e reconhecimento ao pioneirismo do Colégio no ensino público do Amazonas.

Irresponsavelmente omitiram-se por completo em relação às comemorações dos 150 anos do Estadual o governo do Amazonas, a Secretaria de Cultura do Estado, a Prefeitura de Manaus, a secretaria de Cultura da Presidência da República, e, por mais estapafúrdio e incoerente que possa parecer, a Academia Amazonense de Letras e o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), entidades que têm o dever primordial de zelar e proteger a memória histórica e a cultura do Estado. A história, contudo, haverá de julgar a indiferença, a apatia, a absurda e incompreensível omissão desses entes e de suas diretorias ao jubileu do símbolo maior da educação amazonense.

Um feliz e abençoado 2020 a toda nossa comunidade.


A Escola de Chicago e o Brasil - Em 20/12/2019

Com a autonomia que lhe foi concedida pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes escolheu sua equipe de trabalho - ocupantes das várias secretarias em que se desdobra o ME - à sua imagem e semelhança. Os nomes têm em comum a defesa do liberalismo econômico e da diminuição da intervenção do Estado na economia, a base do pensamento doutrinário da Escola de Chicago.

No Brasil do governo Bolsonaro, alguns setores da sociedade, sobretudo do mundo político, empresarial, sindical, universitário e cultural vêm falando muito em "Escola de Chicago" - predominantemente ouvindo o galo cantar sem saber onde. Como se o termo representasse uma espada de Dâmocles pairando ameaçadora sobre o país, ou a hecatombe, o flagelo do Armagedom - segundo a Bíblia, a batalha final de Deus contra a sociedade humana iníqua, a mãe de todas as batalhas, a catástrofe mundial como descrito em Apocalipse 16 14:16.

Nada disso, contudo, corresponde aos princípios que regem o famoso ex-Departamento de Economia da Universidade de Chicago, hoje mais conhecido como Escola de Chicago. Para melhor entender o papel da Escola no contexto da economia capitalista do mundo contemporâneo, necessário se torna retornar à década de 1950, quando um grupo de professores do Departamento começou a produzir as teorias que deram fama à instituição.

O grupo era liderado por Milton Friedman e George Stigler, os dois maiores expoentes do liberalismo econômico americano na segunda metade do século XX. Os professores defendiam a observação dos dados e a realização de testes empíricos como maneira de mostrar as limitações da ação do Estado na economia. A partir da produção de Friedman e Stigler, a Escola de Chicago se destacou como polo do pensamento liberal nos Estados Unidos e no mundo. Nas décadas seguintes, foram 30 professores de Chicago vencedores do Prêmio Nobel de Economia.

Friedman e Stigler, ambos laureados com o Prêmio Nobel da Economia, têm suas ideias associadas à teoria neoclássica da formação de preços e ao liberalismo econômico, rejeitando as políticas econômicas de Lord John Maynard Keynes (Inglaterra, 1883-1946). O assim chamado Keynesianismo (aplicado na reconstrução mundial pós-Segunda Guerra, em favor do monetarismo (até 1980, quando passou a defender a teoria das expectativas racionais) e rejeição total da regulamentação dos negócios, em favor do laissez-faire, laissez aller, laissez passer (deixar fazer, deixar ir, deixar passar) quase absoluto, isto é, sem qualquer controle da autoridade governamental.

Convém salientar, a propósito, que o laissez-faire exprime, em essência, o cerne do ideal contido no liberalismo econômico. Simboliza, em em oposição ao protecionismo subjacente ao mercantilismo, a necessidade do Estado de se abster do seu controle na economia, permitindo ao mercado se autorregular a partir da lei da oferta e demanda e da livre concorrência.

Numa escala interpretativa mais ampla, ao Estado caberia responsabilidades sobre as atividades básicas, ligadas a setores que não despertasse interesse da iniciativa privada ou nos quais não pudesse atuar, particularmente em relação à educação dos cidadãos, saúde pública, segurança e justiça. No âmbito econômico ele só poderia se envolver para garantir os direitos do consumidor e da autodeterminação do mercado.

O começo

No período do pós-guerra, os economistas de Chicago se encarregaram de atacar as bases das teorias econômicas mercantilistas em voga, essencialmente baseadas na intervenção estatal na economia. Havia dois grandes exemplos dessa prática de intervenção. Primeiro, o New Deal, o programa do presidente Franklin Roosevelt criado com o objetivo de enfrentar a grande depressão decorrente da quebra da bolsa de Nova York, em 1929. O programa previa a injeção de recursos públicos em obras de infraestrutura geradoras de emprego e renda e, com efeito, reativar a economia do país. Segundo, finda a Grande Guerra (1939-1945), o governo norte-americano destinou recursos para o financiamento da reconstrução da Europa (e do Japão) sob os auspício do Plano Marshall.

O quadro conjuntural e suas complexidades

Como se pode observar, monetaristas e estruturalistas, penso eu, têm seus pontos positivos e negativos; medos, recuos e ousadias. O governo brasileiro precisa de fato, acima de questiúnculas político-ideológicas, de claro discernimento sobre programas e projetos ajustados às reais necessidades da economia como forma de promover igualdade e estabilidade social, liberdade política e cultural de criação. À sociedade, por seu turno, cabe participar ativamente da vida da nação, estudando, aprimorando-se técnica e culturalmente para poder contribuir o aperfeiçoamento do sistema político nacional.

A China é um bom exemplo de que, sem amarras a escolas econômicas específicas tornou-se, em menos de 50 anos, a segunda maior economia do Planeta. Passou como um bulldozer sobre Japão, Alemanha, França, Itália, Canadá e Austrália. O Brasil, para avançar e assegurar seu papel no concerto das nações desenvolvidas precisa fazer muito mais. E superar graves deficiências que, parasitariamente, impedem a evolução e modernização de setores fundamentais como educação, ensino técnico-profissional e universitário, o fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento, da saúde, segurança pública, infraestrutura, saneamento e habitação, portos, transportes, tecnologia da informação e comunicações.

Sem esta base, impossível dar o grande salto. Como o fez Coreia do Sul, os tigres asiáticos (Malásia, Singapura, Hong Kong e Taiwan) e europeus (Polônia, Irlanda, Espanha), dentre outros.

Em síntese, o Brasil depende, vitalmente, na condução dos três níveis de governo (federal, estaduais e municipais), de menos rotulagem conceitual e mais gestão competente e eficiente; de um governo que tenha visão abrangente sobre as diferenciações e assimetrias territoriais e sociais do país. O Brasil, por outro lado, clama por honestidade das representações parlamentares, que, atentas às necessidades do povo, essa figura algo imprecisa, indistinta, vaga, mas que as elege e mantém no poder, priorizem o bem comum não os próprios bolsos.

O Brasil sente profunda falta de um poder Judiciário limpo, expedito, rápido e justo, comprometido com o combate à corrupção, o direito dos menos favorecidos, não à defesa de poderosos. O Brasil e os brasileiros, enfim, demandam autoridade, justiça, segurança, saúde, educação, moradia, saneamento básico, transporte eficiente e seguro acima de ideais filosóficos vagos, que normalmente descambam para fanatismos retrógrados e improdutivos, anacronismos, radicalismos, intolerância e a  político-ideológica e a hipocrisia. 


Meninos do Manaquiri, reencontro com as origens - Em 06/12/2019

O rio Solimões é exatamente o mesmo. Majestoso, intrépido, arrojado. Navegá-lo é penetrar um pouco na intimidade amazônica, no fulgor daquelas águas barrentas; viver parte de seus mistérios, enigmas e segredos confidenciais. É buscar no mais recôndito escaninho de suas memórias a vida que ali transcorre plena de regionalidade e cumplicidade para com suas verdades próprias, inalcançáveis à maioria dos seres estranhos à Amazônia.

Como no texto-poema de Thiago de Mello, desce "da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se desprende, e traça trêmula um risco na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A cada instante ele nasce. Descende devagar, para crescer no chão. Varando verdes, faz o seu caminho e se acrescenta. Águas subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes. De mais alto ainda, desce a água celeste. Reunidas elas avançam, multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada pela linha do Equador".

Pois bem. Singrando o rei dos rios, numa lancha rápida conduzida pelo experiente e educado piloto Irailton, minha comitiva chegou, numa viagem de uma hora em lancha rápida, partindo do porto do Iranduba, ao município de Manaquiri onde se realizaria uma apresentação à comunidade local de meu livro "Meninos do Manaquiri". Evento programado especialmente como parte da Agroshow - Luzes Empreendedoras, organizado pela Prefeitura em parceria com o Sebrae Amazonas, ao qual compareci à convite do prefeito Jair Souto.

Tomei um susto ao chegar à cidade e, posteriormente, quando me vi diante da multidão comprimida no auditório da sede da administração municipal. Estudantes, gestores de escolas, técnicos administrativos e secretários, representações comunitárias e crianças, muitas crianças. Emocionado, senti orgulho daquele exato momento, do privilégio de poder compartir com os manaquirienses os relatos memoriais do livro, uma evocação de meus tempos de pré-adolescência lá vividos com um grupo de irmãos, primos e amigos durantes as férias escolares.

Os instantes vividos nesta ocasião ultra especial, revelaram, em todas as dimensões, o poder de um livro. Na verdade, o "Meninos do Manaquiri" é mais do que um simples livro. É na verdade uma obra literária que retrata as origens de um povo, a simplicidade de uma comunidade de lavradores, pescadores e produtores agrícolas e pecuários, que exerciam a vida livremente, longe de valores monetários, e que, talvez até inconscientemente participavam da construção de de uma municipalidade próspera, ordeira e consciente do seu papel na conjuntura econômica do Amazonas.

O Manaquiri, com efeito, evoluiu daqueles povoados singelos, espalhados ao longo do paraná e lagos, cujos negócios baseavam-se no escambo garantido a fio de bigode. Transformado no maior produtor de batata doce do Estado, vem investindo forte no setor primário (na produção de melancia, milho, jerimum, farinha e derivados; na pecuária bovina, ovina e avícola), graças a planos e projetos da administração municipal comandada com eficiência e responsabilidade pelo prefeito Jair Souto. Um gestor moderno que trabalha, diferentemente da maioria dos prefeitos brasileiros, sobre propostas concretas de ações diretamente exercidas junto às comunidades de produtores.

A gestão municipal tem um objetivo inarredável: tornar realidade o preceito de não dar o peixe, mas fornecer a vara e ensinar a pescar. Única forma de livrar amarras que aprisionam o cidadão a verbas assistenciais improdutivas que, mesmo garantindo, embora precariamente o sustento de sua família, fere, porém, sua dignidade.

Viajando pelo interior do município revi a placidez das águas do paraná e dos furos, onde se encontram instaladas as tradicionais comunidades banhadas pelos lagos do Jaraqui, do Cai N'água, S. Francisco, Fuxico, Miraaua, Limão, Meru, Meruzinho, Araçatuba, Ubim, Andiroba, Salsa e Sumaúma. Tive o privilégio de presenciar, extasiado, como nos tempos de garoto, a mesma elegância dos voos de garças e maguaris, dos irrequietos mergulhões e patos do mato, da vivacidade de socós, jaçanãs, saracuras, papagaios e curicas, como também a timidez das desconfiadas ciganas.

Admirei a mesma serenidade dos pescadores que, desde que nascem, descem suas redes, tarrafas e espinhéis em busca dos preciosos pescados armazenados vivos em despensas naturais - rios e lagos -, permanentemente abastecidas pela mãe natureza que ali se mantém intocada, íntegra, dadivosa, generosa, harmoniosa e bela. Com uma diferença, o meio de transporte hoje é motorizado. O caboclo aposentou em definitivo o remo. Suas canoas e pequenos barcos são movidas a motores de popa, rabetas ou de centro. Alguns deles guiados sem rodas de leme. Acredite-se, por remos manipulados à mão.

As terras ali são boas, podendo-se desenvolver, de maneira sustentável, a agricultura, pecuária, piscicultura, produção de mel e óleos essenciais. O município, que tem experiência acumulada no setor, em breve se tornará o maior produtor de farinha do Amazonas. A Prefeitura, por meio de sua secretaria de Agricultura, está investindo forte na assistência técnica aos produtores, transmitindo-lhes noções básicas de gestão por resultado. E, com efeito, alcançar nível de excelência na qualidade do produto, lastreada nos fundamentais cuidados sanitários e de higiene.

Outra vocação inata do Manaquiri: turismo e artesanato. Há enorme potencial do setor, particularmente no tocante ao turismo esportivo e de aventura, pesca e observação de pássaros. Artesãos locais são muito criativos, podendo, com treinamento adequado em sistemas de produção e sobre noções mercadológicas, alavancar economicamente o setor.

O Manaquiri, hoje dotado de luz elétrica, telefone e internet está conectado com o Brasil e mundo. Do meio do rio Solimões - quem diria - pode-se participar de reuniões on-line, fechar negócios em qualquer lugar do mundo ou simplesmente se comunicar com sua comunidade por meio das redes sociais.

Os tempos, definitivamente, são outros. Ainda bem.


Indígenas independentes rejeitam tutela de ONGs - Em 02/12/2019

Segundo novo estudo publicado em julho de 2018 pelo IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas -, o Brasil fechou o ano de 2017 com 820 mil ONGs existentes - ou organizações da sociedade civil, o nome formalmente utilizado.

Esse número representa um crescimento considerável do último número então disponível, de cerca de 400 organizações.

Das 820 mil, 709 mil (86%) são associações civis sem fins lucrativos, 99 mil (12%) são organizações religiosas e 12 mil (2%) são fundações privadas.

A presença regional das organizações segue a distribuição da população: a região Sudeste tem 40% das organizações, seguida por Nordeste (25%), Sul (19%), Centro-Oeste (8%) e a região Norte (8%).

ONGs da Amazônia

Segundo estudos do biólogo e ecólogo Diego Oliveira Brandão, publicado no Portal Amazônia Socioambiental a região Norte do Brasil é a que menos concentra organizações da sociedade civil sem fins lucrativos com atividades diretamente relacionadas com o meio ambiente.

Segundo o IBGE menos de 1% das 291 mil ONGs brasileiras estão categorizadas como de meio ambiente e somente 120 ONGs das 2.242 com essa classificação estão localizadas na região Norte do país.

Com atuação em meio ambiente as ONGs defendem diferentes causas na Amazônia. O leitor poderá observar que algumas possuem um perfil técnico e se dedicam a pesquisas, metodologias e estudos ambientais, semelhantes as empresas de consultoria e órgãos governamentais de pesquisa.

Algumas, por outro lado, desempenham missão social que especifica exatamente para quem e onde dedicam seus esforços, por exemplo:

"...mulheres e jovens do município de Silves - AM"

...as populações extrativistas e os agricultores familiares da Amazônia..."

"...comunidades moradoras e usuárias das unidades de conservação no Estado do Amazonas"

Listagem de algumas das mais importantes ONGs em operação na região e que tratam diretamente com o meio ambiente amazônico, pode ser acessada por meio do link: https://amazoniasocioambiental.com.br/20.../.../ongs-da-amazonia.

Rejeição indígena à tutela de ONGs ambientalistas

Sobre a ação de ONGs junto a tribos indígenas amazonenses, supostamente com o fim de protegê-las, o líder indígena Lucas Tukano, que tomou parte na audiência pública realizada, sob os auspício do senador Plínio Valério, na Assembleia Legislativa do Amazonas nesta quinta-feira, 28 de novembro, foi taxativo: "não queremos mais continuar como moeda de troca de ONGs; ao contrário, queremos ser protagonistas, parceiros do governo meio a meio na exploração de reservas minerais em nossas terras, sempre em benefício do meu povo".

Temos que nos organizar em cooperativas, prosseguiu o lder Tukano, "precisamos nos livrar das ONGs que apenas nos exploram e nos escravizam".

Para Lucas Tukano "acima de tudo está a vida humana, que tem de ser valorizada e preservada, pois o homem é o centro do universo, não a floresta e seus recursos biodiversos". Daí a urgente necessidade do estabelecimento de políticas públicas capazes de conciliar o desenvolvimento social e econômico com preservação ambiental.


Onde a coerência e o respeito do STF ao povo brasileiro? Em 08/11/2019

Nos últimos dez anos o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou três vezes seu entendimento sobre cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Poderá ainda ocorrer uma quarta a partir de 20121, quando novos ministros indicados pelo presidente Jair Bolsonaro assumirem em seus lugares..

Que Suprema Corte é esse que nem as leis consegue defender, como de seu dever, com dignidade e isenção?

O "transitado em julgado", conforme o texto constitucional, é na verdade um passaporte verde para a impunidade. A história está plena de casos de criminosos que levaram dez, vinte anos escapando a execução penal por meio de recursos protelatórios (aceitos sem contestações pelo STF) para que a condição se cumprisse.

Ora, no transcurso de tão longo lapso de tempo muitos dos réus terão morrido, o caso caído no esquecimento ou as penas prescritas. E o criminoso, se ainda vivo, mantido em liberdade, debochando da lei penal brasileira, tolerante e conivente com bandidos (ricos) e implacável contra pobres.

A desmoralização do Supremo

A decisão do STF desta quinta-feira, 7, vergonhosamente alterou a posição da Corte, que até então aceitava a possibilidade de prisão de réus com condenações confirmadas pela segunda instância, antes do esgotamento dos recursos.

O novo juízo se deveu, particularmente, à mudança no voto da ministra Rosa Weber, ainda na sessão anterior do julgamento, realizada em 24 de outubro - ela seguiu sua convicção pessoal no tema e votou contra a possibilidade de alguém ir para a prisão antes de esgotados todos os recursos.

Na outra ocasião em que Weber falou sobre o tema, no entanto, em abril de 2018, quando o Supremo decidiu contra conceder habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra votou a favor da execução em segunda instância.

Seu argumento na época foi o de respeitar a orientação da maioria do Supremo, que em 2016 havia decidido pela execução da pena já após segunda instância e autorizado a prisão de Lula (naquele ano, Weber votou contra nas duas vezes em que opinou sobre o tema).

Rosa Weber, no entanto, não foi a única a mudar de voto: outros ministros que alteraram seus votos sobre a execução em primeira instância foram Gilmar Mendes e Dias Toffoli, atual presidente da Corte. Curiosamente, sempre os mesmos.

Depois de apoiarem, em 2016, a prisão antecipada já após a condenação em segunda instância, os dois votaram nesta quinta-feira para que o cumprimento da pena seja iniciado apenas após o trânsito em julgado. Gilmar afirmou, em seu voto, que tem havido um "desvirtuamento" da decisão de 2016 pelos tribunais inferiores.

Qual, efetivamente, o grau de respeitabilidade da Corte Suprema brasileira? Como, em sã consciência, respeitar a competência, imparcialidade ou sentido de justiça de ministros que eles próprios não se respeitam?

Em 2020 e 2021 saem por aposentadoria os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, respectivamente, se aposentam. Livre dos dois, substituídos por indicados pelo presidente Bolsonaro, o STF poderá promover a quarta mudança de entendimento sobre a questão.

Se antes o Congresso Nacional não aprovar Emenda Constitucional disciplinando em definitivo a questão.



Domingos e Eva Peron: apogeu e declínio do populismo argentino - Em 02/11/2019

A respeito do resultado das eleições argentinas de domingo passado, 30, em que foram eleitos os peronistas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, convém esclarecer, por oportuno, que ambos, presidente e vice eleitos, passam longe dos ideais das esquerdas tradicionais. São acima de tudo peronistas. E peronista é peronista. Nada os demove de suas convicções políticas.

Fiéis até a medula aos ideais e fundamentos do partido, o governo de Fernández, com efeito, certamente perseguirá os mesmos ideais populistas subjacentes à base programática do peronismo, não se importando, todavia, que hajam provocado o naufrágio de seus governos, desde Domingos Perón, o fundador, ao casal Kirchner, Néstor e Cristina.

O peronismo

A tendência política cognominada como peronismo refere-se ao período na história da Argentina em que Juan Domingo Perón, eleito pelo voto popular, governou o país entre 1946 e 1955 e de 1973 a 1974.

Juan Domingo Perón é considerado por muitos como o símbolo do populismo na Argentina, comparado a Getúlio Vargas no Brasil. Supunha-se que Vargas pretendia, inspirado no caudilho argentino, implantar uma república sindicalista no Brasil. Muitas intrigas e maledicências depois constatou-se que tais ilações eram falsas, pois nunca houve de fato ações de aproximação de Vargas em direção a Perón, embora, ideologicamente, estivessem muito próximos.

Ascensão política

O surgimento político de Perón aconteceu na década de 1940 associado ao golpe de 4 de junho de 1943 que foi o responsável pela ascensão do Grupo de Oficiais Unidos, conhecido como GOU ao poder da Argentina. O GOU era formado por militares ultraconservadores, extremamente católicos, muitos dos quais simpatizantes do nazifascismo.

Domingos Perón, durante o governo do GOU, assumiu a Secretaria do Trabalho e Provisão (STP), em dezembro de 1943. Foi nesse período que Perón fez sua fama e aproximou-se de trabalhadores e sindicalistas. Populista por natureza, Perón mantinha-se em constante contato com as centrais sindicais. Durante sua gestão à frente da STP, à exemplo de Getúlio Vargas no Brasil, promove uma série de benefícios aos trabalhadores, como a criação de férias remuneradas.

Peronismo e fascismo

Domingos Perón era na verdade um político de extrema direita, anticomunista por natureza. Embora demonstrasse certa admiração pelo regime fascista, associá-lo, porém, ao fascismo, regime político que tomou o poder da Itália em 1922, é hoje considerado um exagero sem fundamento histórico. Existiram, de fato, algumas semelhanças e aproximações do peronismo com o fascismo, mas, na visão dos historiadores, as diferenças entre os dois regimes são maiores que as semelhanças.

O governo Perón

O primeiro mandato de Perón tinha extensão de seis anos, indo de 1946 a 1952. Em 1951, foi realizada nova eleição que o reelegeu para novo mandato de seis anos. Um golpe militar, porém, abortou esse segundo mandato.

Embora cheio de charme, bon vivant, quase um play boy internacional, apegado aos bons vinhos, a puros cubanos e a belas mulheres, o governo de Domingos Perón foi marcado pelo desmantelamento das instituições democráticas da Argentina. Além disso, é apontado por historiadores como populista e autoritário.

Na economia, Perón encontrou uma saída razoavelmente favorável, porque o país havia se aproveitado da Segunda Guerra Mundial para encher as reservas cambiais do país. A agricultura do país estava em crise e, por isso, incentivou o desenvolvimento industrial do país, com pífios resultados em relação ao paraíso da propaganda oficial.

Cumpre destacar que a Argentina perdeu a indústria automobilística para o Brasil graças ao ultranacionalismo do governo Perón, que amarrou o país e velharias ideológicas, e ao Plano de Metas de Juscelino Kubistchek, que alavancou a industrialização do Brasil.

Rendido ao viés ultranacionalista da ação política de seu governo, Perón promoveu a nacionalização das ferrovias e de outros ativos da infraestrutura do país. Equívoco que, no longo prazo, lhe custou muito caro.

Partido Peronista.

O segundo mandato de Perón foi garantido quando venceu a eleição presidencial de 1951, derrotando seu opositor Ricardo Balbín ao obter 64% dos votos. Esse resultado expressivo mostra a força populista de seu governo, já que naquele ano ele tinha sobrevivido a uma tentativa de golpe militar. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo.

O autoritarismo de Perón foi acompanhado da radicalização da oposição, simbolizada por um atentado à bomba sofrido pelo presidente em abril de 1953. Em represália, Perón ampliou sua vinculação com o autoritarismo, intensificando a perseguição a seus opositores. A decadência do governo peronista aconteceu quando ele rompeu com a Igreja Católica. O episódio trouxe outros opositores - como a Marinha - a conspirar contra o regime peronista.

O resultado foi a primeira tentativa de golpe, em 16 de junho de 1955. O levante fracassou, porém, no dia 16 de setembro do mesmo ano, um golpe militar organizado em Córdoba derrubou o presidente que, então, partiu para o exílio, determinando o fim do regime peronista.

Uma semana depois, o general Lombardi declara-se presidente da Argentina.

Eva Perón, o novo peronismo

Atriz e líder política argentina (7/5/1919-26/7/1952), Eva Perón nasce em Los Toldos, uma província de Buenos Aires, em uma família pobre. Com 16 anos, decide seguir a carreira artística e muda-se sozinha para a capital argentina. Em 1937 estreia no cinema no filme Segundos Afuera e, em seguida, é contratada para fazer radionovelas.

Em 1944 conhece Juan Domingo Perón, então vice-presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra.

Em outubro de 1945, Perón,  é afastado de seus cargos por um golpe civil e militar e, em seguida, preso. Evita foi responsável por dirigir uma ampla campanha de agitação social que, em 17 de outubro, reuniu milhões de trabalhadores no centro da capital para exigir a liberdade de Perón, em uma das maiores manifestações populares da história do país. Desde então, o 17 de outubro marca o Dia da Lealdade Peronista.

Finalmente, em fevereiro de 1946, Juan Domingo Perón é eleito para a Presidência com 56% dos votos. Pouco depois Eva se casa com Perón. Famosa por sua elegância e seu carisma, Evita conquista para o peronismo o apoio da população pobre, na maioria migrantes de origem rural a quem ela chamava de "descamisados".

Conquistas sociais de Evita

Os direitos e a politização das mulheres argentinas foram parte fundamental das ações de Eva Perón. Evita lutava pelos direitos das mulheres, direitos civis e de trabalho. Os direitos civis tinham a ver com a igualdade dos homens e das mulheres, salários iguais para trabalhos iguais, a educação em todos os âmbitos, a promoção social.

Até que finalmente conseguiu que o Parlamento aprovasse a lei do voto feminino, que era uma luta antiga das argentinas desde o início do século. Em setembro de 1947, foi promulgada a Lei 13.010, também conhecida como Lei Evita, que estabelecia o sufrágio feminino e reconhecia a igualdade de direitos políticos entre mulheres e homens.

Os resultados não demoraram a chegar. Nas eleições de 1951, as mulheres depositavam pela primeira vez seus votos nas urnas argentinas. Foram quase quatro milhões de votos femininos. Mais da metade deles, 64%, para a sigla do Peronismo. Resultado de uma luta histórica das mulheres, agora elas também ocupavam cargos de poder institucional com a eleição de 23 deputadas e seis senadoras.

Evita também buscou consolidar uma organização exclusiva de mulheres. Em 1947, foi criado o Partido Peronista Feminino com fortes vínculos na política de saúde e educação. Eva Perón foi eleita presidenta por ampla maioria. O Peronismo, a partir de então, incluiu candidaturas femininas para todos os postos de disputa.

Como nenhuma a outra mulher na América Latina, e poucas no mundo, as conquistas políticas de Eva Perón, uma ex-dançarina de clubes baratos e aspirante à carreira de atriz, decorreram, porém, por outras vias, certamente jamais antes por ela sonhadas.

Ao caso conhece e se casa com Domingos Perón, circunstância que, graças ao seu talento natural, instintivo, lhe possibilitou galgar posições determinantes na vida social, econômica e política da Argentina.

A morte de Evita

Eva Perón morre aos 33 anos, de câncer de útero. Embalsamado, seu corpo fica exposto à visitação pública até que, durante o golpe de Estado que apeia Perón do poder em 1955, seus inimigos políticos sequestram o cadáver e o ocultam durante 16 anos. Em 1971, o corpo é devolvido por um oficial argentino ao ex-presidente em Madri, onde ele vive exilado.

Perón volta à Argentina em 1973 e é reeleito presidente, tendo a terceira mulher, Isabelita, como vice. Após sua morte, em 1974, Isabelita traz os despojos de Evita para a Argentina e os sepulta em Buenos Aires.

No Llores por mi, Argentina

De acordo com o Wikepedia, Don't Cry for Me Argentina (No Llores por mi, Argentina, em espanhol) é a canção mais conhecida da ópera rock Evita, de 1978. Com música de Andrew Lloyd Webber e letras de Tim Rice alcançou monstruoso sucesso na Broadway, em Nova York, e mundo afora.

A música foi gravada primeiramente por Julie Covington em estúdio no ano de 1976 e interpretada por Elaine Paige nos palcos em 21 de junho de 1978, quando a peça estreou, e logo se transforma em mega sucesso. No Brasil foi gravada pela cantora Claudia, que explodiu em vendas de seu mono.

Tal o sucesso da peça, que Madonna gravou sua versão da canção para o seu papel no filme de 1996 Evita. Ela foi lançada em dezembro de 1996 como o segundo single da trilha sonora do filme. Para o lançamento do single, Madonna gravou a canção mais uma vez como um remix de dança, produzido por ela mesma, Pablo Flores e Javier Garza.

Evita até hoje desperta fortes emoções em toda a América Latina e no mundo. Tanto a ópera rock, da Broadway, que assistimos em N. York, quanto o filme foram sucessos estrondosos de bilheterias. Nada obstante, a Argentina mergulha em nova aventura peronista confundindo esquerdismo com peronismo.

Em verdade, um regime nada tem a ver com o outro.


Manaus 350 anos, proposta de resgate à nossa memória histórica (20/10/2019)

Lastimável constatar: aos 350 anos, acredite ou não, Manaus mantém-se desconectada e distanciada de seu passado, negando reconhecimento e homenagens aos vultos históricos, aos pioneiros e desbravadores que fincaram os marcos civilizatórios na Amazônia. Particularmente, a história de Manaus tem início com a fundação do Forte de São José da Barra, em 1669.

De acordo com historiadores, a fortaleza foi construída para assegurar o domínio da coroa de Portugal na região, área da confluência do rio Negro com o Amazonas e o Solimões, e controlar o portão de entrada dos confins ocidentais da Amazônia, reservados à Espanha (1494), pelo Tratado de Tordesilhas.

O povoado recebeu o nome de São José da Barra do Rio Negro (Lugar da Barra) e em 1832, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, o vilarejo foi elevado à categoria de vila. Em 1848, a Vila da Barra foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, para receber em 1856 o nome de Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manaós (Mãe dos Deuses), considerada o mais importante grupo étnico habitante da região, reconhecido historicamente pela sua coragem e valentia.

Cidades, ao redor do mundo, prestam prodigamente tributos aos antecessores, aos desbravadores que vencendo toda sorte de intempéries, deram a vida pela construção do ideal de fundar e desenvolver sua comunidade, concelho (com "c" mesmo), a freguesia. Exceto Manaus.

Constrangedor verificar a não existência na cidade de um monumento dedicada às três principais figuras que construíram nossa història: o madeireiro, o pescador e o seringueiro. Ou aos povos indígenas, nossos ancestrais, os que nos antecederam na Terra de Santa Cruz.

Embaraçoso, por outro lado, constatar o "esquecimento" do amazonense de perpetuar a memória em logradouros públicos do grande governador Eduardo Ribeiro, de Álvaro Maia, Cosme Ferreira Filho, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho, Moyses Israel. Não há ao menos um busto em homenagem a Pereira da Silva, a Arthur Amorim, a Roberto Campos e a Castelo Branco, os que formularam as ideias estruturais e o desenho institucional tangentes à criação da Zona Franca de Manaus, o pulmão da economia moderna do Amazonas.

Da mesma forma passam ao largo, sem o devido reconhecimento público, empresários do porte de um Isaac Sabbá, Adalberto Valle, Djalma Batista, Mário Guerreiro, Isaac Benchimol, Isaac Benzecry, Rioto Oyama. Adicionalmente, convém observar: a não ser os "antigos", os mais velhos, quem hoje lembra do regatão, a importante figura que ligava por meio dos rios da Amazônia, Manaus aos seringais dos altos rios, transportando gêneros e utensílios e trazendo a borracha, a sorva, a castanha, os couros e peles, as essências vegetais, produtos extrativos da floresta sobre os quais sustentava-se nossa economia.

Nenhum deles foi homenageado com uma estátua ou ao menos um busto na cidade.

Dever de cidadão

Sou, por formação, sensível ao enaltecimento da história memorialística de um povo como meio de potencializar o presente e o futuro. Entendo a necessidade não de "reviver" o passado, mas de resgatá-lo para melhor compreender o presente e, por extensão adquirir meios catalisadores de um futuro livre dos erros e amarras pregressas.

Max Weber (1864-1920), ao publicar em 1904 "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", considerado, na lista das obras de não-ficção como o livro do século XX, tornou-se conhecido do mundo científico por buscar comprovar perante a história a eficácia da interpretação da sociedade partindo "não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc.), mas centrando-se no indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das 'intenções', 'motivações', 'valores' e 'expectativas' que orientam as ações do indivíduo na sociedade".

Com efeito, entendo ser do dever dos que integram academias, entidades científicas, históricas e literárias ter como missão basilar, dentre outras funções específicas, retratar, cultuar e homenagear a presença e o papel dos pioneiros, homens e mulheres que doaram suas vidas para a construção de nossa terra nos seus mais diversificados setores de atividades.

Nesse contexto, sinto muita falta, incomoda-me sobremaneira, a ausência de um efetivo reconhecimento do poder público e da sociedade amazonense aos desbravadores da Amazônia, dos que, embrenhados nos altos rios, ali estabeleceram raízes, criaram famílias, descendências e fincaram os marcos civilizatórios que permitiram a construção do hoje estado do Amazonas e de sua capital, Manaus, a Manaós de nossos ancestrais, ora completando três séculos e meio.

Curiosamente, salvo na Praça da Saudade, onde se ergue estátua em tributo a Tenreiro Aranha (1798-1861), primeiro presidente da Província do Amazonas, nossos ancestrais, os pioneiros que construíram nossa economia, nossa cultura e nossa história são solenemente ignorados.

Urge promover o imediato resgate desse passivo oneroso.

Ouço, amiúde, de pessoas de alta representatividade social e econômica absurda sequência de desculpas esfarrapadas na tentativa de justificar o descaso de autoridades e representações políticas para com nossa história. Dentre as mais comuns, a estapafúrdia afirmação de que "o amazonense odeia sua terra".

Algumas dessas pessoas, embora se auto inclua no grupo, e, com efeito, assuma culpa por imperdoável erro, mantêm apartamentos em Fortaleza, no Rio ou em São Paulo, adquirido com recursos amealhados aqui, na terra cujos fundamentos históricos despreza, acomodadas, individualística e egoisticamente em sua zona de conforto.

A Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Manaus, casas do povo, são pródigas em conceder homenagens diversas, títulos de cidadania, medalhas disso e daquilo a personagens, na maioria dos casos sem vinculação de expressão ou sem que hajam prestado serviços relevantes ao nosso Estado. Deploravelmente, todavia, omitem-se no resgate e valorização dos personagens que construíram nossa história.

Memorial aos Desbravadores

Assim entendido submeti à Prefeitura de Manaus, com apoio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ( IGHA), do qual sou membro, e na qualidade de cidadão comprometido com a história e o futuro de minha terra, proposta relativa a envio de Projeto de Lei à Câmara de Vereadores de Manaus de criação e construção do Memorial aos Desbravadores a ser instalado em lugar de destaque da cidade homenageando, conjuntamente, e num primeiro momento, o seringueiro, o madeireiro e o pescador.

A proposição foi aprovada por aclamação pelo Conselho de Gestão Estratégica da PMM, do qual sou membro, em sua reunião do dia 28 de setembro passado.

Cabe a cada cidadão lutar pelo saneamento da dívida e o resgate de nosso passado que, a cada dia se esvai, perdendo-se nas brumas do tempo. Não podemos apenas e comodamente esperar pelo poder público. Precisamos agir com determinação e consciência do nosso papel perante a sociedade. Afinal, todos somos responsáveis. Somos nós que construímos a história.

Além do mais, não podemos esquecer: povo sem memória é povo sem história, sem presente, sem futuro.

Parabéns Manaus por seus 350 anos!



Brasil, um país em conflito ético e político - Em 20/09/2019

O procurador federal Deltan Dallagnol, em entrevista à revista Crusoé, disse que o combate à corrupção cansou. A corrupção política, enfatizou, "sempre prosperou em nosso país. Não é de hoje ou ontem, é de um século atrás, com coronelismo, voto de cabresto etc. Escândalos como o dos anões do orçamento, o caso PC Farias... A Lava Jato é o rompimento de uma história de impunidade das elites que, em parte, são corruptas e desenvolveram um capitalismo de compadrio".

A Lava Jato, prossegue Dallagnol, "que, mais do que um processo, é uma atitude que passou a guiar vários agentes da lei, com grande força da sociedade, surgiu como um dos grandes movimentos da história, irrefreável. Mas várias vezes, ao longo desses anos, as pessoas perguntavam quando essa pauta iria cansar. Acho que a pauta do combate à corrupção cansou."

Tudo leva a crer que a Lava Jato chegou a "incômodo" ponto além do qual não pode prosseguir face à consistentes indicativos de envolvimento em grandes esquemas de corrupção de importantes agentes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário (bem a propósito, a Lava Toga não emplaca). Evidências que despertaram o dispositivo de "self protection" desses agentes e a tácita decisão de reagir em contrapartida ao "antes que o pior possa acontecer": o indiciamento de outro sem número de autoridades suspeitas que se estendem de Brasília a praticamente todos os estados.

Vale salientar, que em 5 anos de Lava Jato ocorreram 285 condenações, 600 réus, 3.000 anos de penas, 300 inquéritos abertos no STF (a imensa maioria não julgada) em 60 fases deflagradas desde 2014. Sinal vermelho aberto, a reação de autodefesa materializou-se. Na última semana de agosto, todavia, decisão de ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu precedentes para que fossem anuladas as penas impostas pela Justiça Federal do Paraná a até 143 dos 162 réus condenados pela Lava-Jato.

Além de estapafúrdias decisões desse jaez, frequentes ameaças de ministros do STF ao juiz Sérgio Moura, hoje uma personalidade mundial, e ao procurador Deltan Dallagnol, deixam a população atônita: afinal, o Judiciário, à frente o STF, a própria sociedade é contra ou a favor da corrupção? Explícitas atitudes fortalecidas por um sem número de decisões contraditórias de libertação de presos políticos, ex-governadores ou de empresários envolvidos (sempre na operação Lava Jato) protagonizadas pelos mesmos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, contraditoriamente (deveriam estar sempre ao lado da lei) se opõem sistematicamente ao combate à corrupção e à estrutura federal montada com esse propósito.

Ao que penso, cabe à sociedade (ou sua parte decente e íntegra) levantar-se contra esse estado de coisas. A impunidade não pode ser a regra. Ministros, secretários de estado ou municipais, senadores, deputados, vereadores, membros de tribunais de conta, juízes, desembargadores ou quaisquer outros membros do Judiciário, quando eventualmente pegos com a mão na botija o que se lhes acontece? Praticamente nada, além de uma noite, dois ou três dias na cadeia para logo em seguida serem beneficiados por alguma decisão monocrática de algum ministro do Supremo determinando sua libertação.

Exemplos clássicos: com o saída do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA), a presidenta Dilma Rousseff, desde que assumiu o cargo em 2011, perdeu sete ministros após denúncias de corrupção em 13 meses de gestão. Antes do ministro Mario Negromonte (PP-BA), foram afastados do governo Carlos Lupi (PDT-RJ) do Trabalho, Orlando Silva (PC do B-SP) do Esporte, Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil e Alfredo Nascimento dos Transportes (PR-AM).

Nenhuma dessas autoridades até hoje foi julgada por qualquer instância do Judiciário. Continuam livres e com seus direitos políticos preservados. Indicativos de que o crime compensa? Por que o Supremo não transmite à sociedade exatamente o que pensa a respeito? Nem diz nada, nem assume atitudes moralizantes do processo de gestão da coisa pública e da estrutura política nacional.

Todavia, no momento em que a operação Lava Jato cumpre suas obrigações constitucionais, desmontando o maior esquema de corrupção de que se tem noção na história brasileira, um exército de políticos, magistrados e certos setores do STF e do Ministério Público abate-se sobre juízes, promotores e policiais federais como a dizer: - Parem! Estão indo longe demais. Acabar com a corrupção tudo bem, mas nem tanto assim...

O mais estranho é assitir-se no dia a dia partidários das esquerdas combatendo o juiz, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e a equipe da Lava Jato.Não tive a sorte de até hoje assistir partidários do PT, PCdoB e aliados, mesmo de alguns partidos da direita manifestar claro apoio à Operação, ao trabalho de moralização da máquina pública e ao esforço de limpar o mar de lama que tomou conta de Brasília e dos estados brasileiros como nunca antes na história deste país.

Porque a Lava Jato prendeu Lula? Na verdade, o líder máximo das esquerdas, desgraçadamente, de torneiro mecânico e sindicalista tornou-se o político que montou o maior e mais deletério esquema e a mais perfeita engenharia de corrupção no Brasil. Convenhamos, um líder é respeitado por suas ações moralizantes e construtivas. Lincoln, Gandhi, Churchill, DeGaulle, Roosevelt, Kennedy, Ben Gurion, Tatcher, Lênin, Mao, Mandela. Foram, alguns deles, em diversos momentos perseguidos e presos por suas inabaláveis convicções ideológicas e políticas; jamais por atos de corrupção.

No Brasil, algo definitivamente não faz sentido. A sociedade precisa se decidir. É contra ou a favor da moralização do Congresso Nacional, dos órgãos integrantes do Executivo ou da estrutura do Poder Judiciário? Convém observar que os países que deram sorte e, ao longo da história, se desenvolveram priorizaram três funções básicas da ação pública: investiram pesado em educação, ciência e tecnologia; no aperfeiçoamento e moralização da máquina pública e no fortalecimento dos marcos legais e respeitabilidade da meritocracia.

Ou isso, ou a barbárie política e institucional em que o Brasil se encontra mergulhado. Fatores, em quaisquer circunstâncias, incompatíveis com o desenvolvimento econômico e social do Brasil ou de qualquer outra nação.


Amazônia: ecoterrorismo mascara o problema ambiental

A Amazônia Legal, com 5,2 milhões de Km2, conceito definido politicamente desde 1966, engloba nove estados brasileiros (Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, parte do Tocantins e parte do Maranhão). Três a mais em relação às seis unidades integrantes da Amazônia clássica, cuja área territorial corresponde a 80% da Amazônia Legal. Ocorre que, quando o governo, ou o INPE, divulga dados sobre desmatamento na Amazônia, normalmente se refere ao território geográfico da Amazônia Legal. Este o primeiro fator de desencontro de informações que tanto serve a xiitas ambientalistas ou políticos.

De acordo com artigo de Xico Graziano - A teoria do desmatamento inteligente -, publicado no Portal Poder 360, em 7 de agosto passado, esse procedimento "mascara o real problema ecológico, por não significar apenas supressão da floresta tropical densa". Na verdade, afirma, "grandes áreas planas do Mato Grosso, além dos planaltos de Tocantins, entre outros, pertencem à Amazônia Legal, mas, repita-se, são cobertas pelo bioma do Cerrado. E são estas áreas que têm sido mais intensivamente exploradas para a produção agropecuária. Rondonópolis é um bom exemplo disso".

Graziano, ex-deputado federal, professor de MBA/ FGV, levanta um dado significativo: "embora o desmatamento seja grave, os números indicam uma situação suportável. Somando-se toda a supressão florestal na Amazônia Legal, monitorada entre 1988 e 2017, resulta em uma área de 428,1 mil km². Em 30 anos, o desmatamento da Amazônia Legal, incluindo, portanto, a vegetação dos cerrados, atingiu 8,2% da área total".

Longe, por conseguinte, de representar a catástrofe que certos setores políticos, sobretudo petistas que ainda não absorveram a derrota para Bolsonaro, e ONGs ressentidas (com a perda do controle sobre o Fundo Amazônia) vêm sustentando na Europa. Não há dados concretos sobre o status do desmatamento no bioma Amazônia. Coletadas em seu artigo por Xico Graziano "as informações existentes permitem afirmar que está próximo de 5%, ou seja, 95% da floresta tropical original - a Hileia - ainda estaria intocada. Considerando a tendência histórica de redução no desmatamento, é um mito supor que a Amazônia vai desaparecer ou entrar em colapso ambiental".

Extremamente relevante identificar quais os agentes responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Em 2016 ocorreu, segundo Graziano, um pico no desmatamento na região. As informações oficiais, com dados básicos coletados pelo INPE, apontam que aquela forte supressão florestal aconteceu: 1) em terras privadas (35,4%); 2) em assentamentos de reforma agrária (28,6%); 3) em terras devolutas (24%); 4) nas unidades de conservação (11,8%)". Percebe-se, com efeito, ser falso acreditar que somente os grandes fazendeiros desmatam a Amazônia. O lenho da floresta cede à motosserra dos pobres assentados de reforma agrária tanto quanto atende aos perversos madeireiros dentro de áreas que deveriam estar protegidas".

Pequenez e exibicionismo de Macron

A proteção do bioma amazônico transcende fronteiras. Iniciativas sérias e responsáveis de defesa do meio ambiente não tem partido! A questão é complexa e exige atenção e responsabilidade dos especialistas. Precisa acabar com achismos irresponsáveis, sobretudo o de conotação ideológica radical, que, invariavelmente opta por negar dados e fatos, posicionando-se invariavelmente ao lado do bad guy contra o mocinho. Falando nisso, que decepção para o mundo o comportamento ambíguo de Emmanuel Macron, presidente da França. Declarou-se desde a primeira hora inimigo mortal do presidente Jair Bolsonaro, não levando em conta a vontade do cidadão brasileiro que o elegeu Presidente com 55% dos votos numa eleição limpa, incontestável. Resultado esse que deixou clara a opção do povo pelo novo contra o conservadorismo radical e corrupto dos governos antecedentes.

Qual a razão desse imodesto, arrogante e irresponsável presidente dos franceses, E. Macron? Conquistar posições frente aos competidores europeus, numa guerra pelo poder que jamais vencerá ante a liderança natural, serena e cautelosa de Angela Merkel, na Alemanha? A França, de grandes glórias no passado, não é nem a sombra do poderio exercido por Napoleão Bonaparte no século XIX. Durante a Segunda Guerra (1939-1945) foi invadida por Hitler, quando, vergonhosamente concedeu compartilhar o Poder nacional com os nazistas no chamado Régime de Vichy, liderado pelo marechal Philippe Pétain.

A rendição aberta e incondicional de Vichy ao poder alemão nazista é vista pela história como um dos mais vergonhosos e deprimentes episódios de subserviência de uma nação ocupada ante seus dominadores. Tal o servilismo de Pétain. O marechal não exitava em perseguir e condenar os patriotas da résistance française, que lutaram até a libertação do país pelas Forças Aliadas. Forças essas que o Brasil, mesmo com contingente simbólico, também integrava. Refiro-me também a uma França, cada vez mais longe da força da liderança de um De Gaulle, de um Georges Pompidou, de um Valéry Giscard d'Eestaing ou de um François Mitterrand. Uma França que, ambiguamente, nega apoiar o terrorismo, mas, ao lado da Rússia é um de seus principais fornecedores de armas.

Equilíbrio do Brasil

Muito oportuna a declaração do presidente Jair Bolsonaro em seu twitter, hoje, quando afirmou: "A proteção séria do meio ambiente não tem partido! É uma questão complexa e que merece atenção dos especialistas. Tratar só como tema político, negando dados e fatos, é perigoso e irresponsável!". Tem que parar com achismo infantil". No que está coberto de razão. Disse mais Bolsonaro: "O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

Brasileiros contra o Brasil?

Mais lamentável ainda é assistir posicionamentos explícitos de profissionais liberais, jornalistas, comentaristas, inconformados com a vitória de Jair Bolsonaro, torcendo contra o Brasil. A verdade absoluta está no fato de que nenhum brasileiro apoia queimadas, que vem se repetindo por décadas, conforme ilustra o quadro em anexo. As grandes queimadas em Bornéu (1983 e 1997), Tailândia (1997), Indonésia (1997), Roraima (1997 - 1998), Mato Grosso (1998) e Pará (1998) despertaram a atenção para o problema, mas as medidas tomadas para prevenir e/ou controlar os incêndios ainda são insuficientes. O problema se repete na exata medida da ausência de política de desenvolvimento para a região. Sem a presença forte do governo no controle de invasões predatórias, o povo brasileiro assiste estarrecido e impotente faixas importantes de seu território serem perdidas pelo corte raso e queima da floresta.

Neste contexto, estudos demonstram que a floresta Amazônica permaneceu praticamente intacta até a inauguração da rodovia Transamazônica em 1970. Nos últimos anos a taxa de perda florestal na Amazônia Legal tem sido dramática, principalmente na região do "arco do desmatamento", que se estende do município de Paragominas, no Pará até Rio Branco, no Acre. Afirmar, contudo que a Transamazônica foi a responsável direta pelos desmatamentos é uma aleivosia descabida. O problema se acentua, coincidência ou não, quando, após a redemocratização de 1985, o governo civil abandona a Amazônia, não dando continuidade ao trabalho da Operação Amazônia iniciado em 1966 pelo governo militar.

Durante todo esse período o Brasil não obteve manifestações claras de apoio para defesa da integridade de nosso bioma. Daquilo que o presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira, 22, que as queimadas na Amazônia são uma "crise internacional" e "uma emergência". Pediu, ainda, que o tema seja "prioridade" nas reuniões do G7, o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, que começam neste final de semana em solo francês.

Ora, se a crise, como diz Macron, é internacional, por onde anda o amor francês por nossas florestas que não estão aqui nos ajudando a investir na proteção e desenvolvimento da região? A Amazônia exige competência e respeito na luta por sua preservação. A começar pelo fato de que aqui habitam cerca de 30 milhões de brasileiros, que lutam por um lugar ao sol no contexto do desenvolvimento econômico do país. A região não se constitui apenas de árvores, rios, lagos e fauna, mas também por seres humanos, gente igual a qualquer outra. Só e somente só o crescimento econômico será capaz de proteger em caráter efetivo as florestas, conciliando homem e meio ambiente, meio ambiente e homem.

Isto, certos jornalistas e amazônidas, vivendo fora, no Brasil ou no exterior, não veem. Preferem formar ao lado de doidivanas, falsos ambientalistas que nada constroem; apenas exercem o protesto pelo protesto. Normalmente, meia dúzia de gatos pingados desocupados portando bandeira vermelhas gritando histericamente "fora Bolsonaro". Mas não gritaram "fora Lula ou fora Dilma" quando das grandes queimadas de 2015. De fato, nesse período só houve redução no desmatamento entre 2004 e 2012. Mas desde então, segundo o Itamaraty, os dados medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram crescimento quase contínuo da derrubada de floresta. Para os ecoterroristas esses dados não contam.

Como se pode observar, a questão, lamentável, vergonhosa, é antiga. Longe efetivamente de haver surgido no governo Bolsonaro. Não se pode, contudo, admitir, característico dos últimos governos, que apenas se preocuparam em criar reservas ambientais, na maioria inúteis, como a Raposa Serra do Sol, em Roraima, vale ressaltar. Espera-se do governo brasileiro a definição de políticas públicas adequadas que atendam ao processo de desenvolvimento da Amazônia com preservação de seu ecossistema. Objetivo factível, porquanto, segundo o Código Florestal, 80% de nosso território já é mesmo de floresta protegida. Resta à exploração econômica 20% de nossa extensão territorial, algo em torno de 110 milhões de Km2, ou 11 milhões de hectares.

Portanto, faça-se cumprir a lei. Apenas isto. A iniciativa privada cuida do resto. Com ou sem participação francesa.


Terrorismo ambiental - Em 08/08/2019

O jornalista J.R. Guzzo afirmou, em sua página no Facebook não existir "agrotóxico", nem "veneno na comida". Existem, na verdade, "fertilizantes, inseticidas para combater pragas e produtos para melhorar a qualidade da agricultura". Produtos esses usados no mundo inteiro, ele adiante.

Guzzo adianta: no Brasil "são armas da "esquerda" para tentar sabotar o sucesso do capitalismo no campo". Terreno onde o socialismo falhou e falha redondamente ao longo da história.

Efetivamente, ONGs e inocentes úteis, ignorantes sobre a questão (daquele tipo que ouviu o galo cantar sem saber onde) vem massificando informações de que o Brasil é o maior consumidor de defensivo agrícola do mundo.

Ilusão criminosa espalhada internacionalmente por omitir um dado fundamental: a divisão do número absoluto de consumo por área cultivada. Como resultado de simples conta aritmética, segundo o Ministério da Agricultura, demonstra-se que o consumo brasileiro de agrotóxicos por hectare cultivado ocupa apenas a 44ª posição. Em sentido inverso, o Japão (o Japão, que tem um dos índices de desenvolvimento humano e social mais elevado do Planeta) assume a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxico.

Deve-se observar, por outro lado, que o Brasil é um dos três maiores produtores mundiais de alimentos ao lado dos Estados Unidos e China. O uso de agrotóxicos no país, de clima predominantemente tropical, mais propício a pragas, com efeito, além de ultra controlado pelas autoridades sanitárias, é bastante comedido. Todo produtor agrícola tem consciência disso.

Estudos do Ministério da Agricultura (MAPA) observam que, no cálculo da quantidade de agrotóxicos por hectare não são consideradas as áreas de pasto. Com efeito, o Ministério trabalha com todas as comparações, mas esse critério também é usado pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. A considerar esse critério, aponta o MAPA, o país iria para as últimas posições porque a quantidade por área seria muito menor.

Outro dado relevante: de acordo com estudos do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Caio Carbonari, a dose de agrotóxicos usada por hectare de produção agrícola no Brasil caiu 88% a partir do início da década de 1970.Segundo Carbonari, desde os anos 2000 o Brasil usa apenas 12% da dose de pesticidas que usava no início da década de 70. Portanto, conclui, "os produtos estão evoluindo em termos de segurança humana, tornando-se, desta forma, mais específicos e eficientes". Em consequência, reduzem-se suas dosagens.

MANIPULAÇÃO POLÍTICA

Como se pode depreender sem muita dificuldade, a questão é, basicamente, política, explorada por ONGs poderosas instaladas sobretudo na Europa, que essencialmente manipulam dados à conveniência própria. Como afirmou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esta manhã: claramente o objetivo dessas esdrúxulas organizações é fazer terrorismo ambiental, e, assim, sensibilizar governos e empresas multinacionais a elevarem o repasse de apoios financeiros cada vez mais volumosos. Por meio de cujas fontes engordam suas contas bancárias e alimentam exércitos de parasitas encarregados do trabalho sujo de criar constrangimentos e sufocar países em desenvolvimento.

Não se tem notícias de ONGs operando com tanta presteza e destaque internacional na Alemanha, França, Rússia, Itália, Espanha, em Portugal. Que ONGs têm bases tão agressivas na China, Canadá, Suécia, Noruega, Holanda, na Coreia do Sul, no Chile, na Colômbia, no Mexico?

A verdade nua e crua é esta. Toda produção de alimentos demanda uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. Não há outra maneira de atender ao consumo mundial cada vez mais crescente. A produção orgânica seria ideal; jamais, contudo, poderá alcançar os níveis de produtividade da produção extensiva. O mais grave ainda: a ONU estima uma população para o Planeta de 9 a 10 bilhões de habitantes em 2050.

Tais contingentes populacionais exercem e exercerão cada vez mais pressão sobre o crescimento mundial da demanda de comida, o feijão com arroz e bife de cada dia que precisa estar na mesa do ser humano aqui, ali e em qualquer lugar. Em números absolutos ou relativos, estes medidos pelo incremento da produtividade no campo.

ILPF

A Embrapa desenvolveu no Brasil sistemas denominados Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), que permitem a produção integrada de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne na mesma área, em plantios em rotação, consorciação e/ou sucessão. O sistema funciona basicamente com o plantio, durante o verão, de culturas agrícolas anuais (arroz, feijão, milho, soja ou sorgo) e de árvores, associado a espécies forrageiras (braquiária ou panicum).

Há várias possibilidades de combinação entre os componentes agrícola, pecuário e florestal, considerando espaço e tempo disponível, resultando em diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta (ILPF), lavoura-pecuária (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF).

Com efeito, o avanço das tecnologias de produção ao mesmo tempo que garante a expansão da oferta mundial de alimentos, potencializa as necessidades de proteção do ser humana no tocante à integridade de suas necessidades alimentares.

Sobre esses avanços, porém, as ONGs não se interessam. Por uma simples razão: não lhes proporcionam retornos financeiros nem prestígio junto à comunidade ambientalista internacional.

Tudo, enfim, uma questão de business!


Cidadãos de primeira classe - Em 31/07/2019

De acordo com informes circulantes nas redes sociais, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou um documento (Resolução nº 545/2014) que determina viagens de primeira classe para todos os ministros da Corte em voos internacionais.

As diárias em hotéis chegam a 727 dólares (aproximadamente 2.700 reais), enquanto as passagens em voos de primeira classe podem custar 40 mil reais. Como comparação, as passagens econômicas, usadas pela maioria da população, custam por volta de 4 mil reais.

Também foi decretado que cada ministro pode gastar 3 salários mínimos por dia nessas viagens, ou seja, cada ministro ganha 1 salário mínimo a cada 8 horas, enquanto muitas famílias se sustentam com 1 salário (ou menos) ao mês!

Apenas em maio de 2018, o ministro Dias Toffoli gastou, sozinho, 74 mil reais entre passagens de primeira classe e diárias de luxo em apenas uma viagem para a Rússia. Em outubro do mesmo ano, gastou outros 58 mil reais viajando para Veneza. Faça as contas e veja quanto isso custa aos cofres públicos, uma vez que todos os ministros possuem esse privilégio.

Enquanto castas privilegiadas surfam nababescamente worldwide em padrão oligarcas russos ou potentados árabes, o Brasil mantém-se um dos países com a pior distribuição de renda no mundo. Com efeito, ao mesmo tempo em que poderosos usufruem de vida luxuosa (com dinheiro público, evidentemente), a grande maioria da população leva uma vida de privações, tentando garantir o mínimo para sobreviver à base de salário mínimo ou bolsa família.

Um entre centenas de casos, refere-se à estatal EBC [Empresa Brasil de Comunicação ], responsável pela TV Brasil, transformada pelo PT em cabide de empregos para defensores e amigos de Dilma e Lula. O presidente Michel Temer chegou a ordenar uma 'devassa' na farra petista que se instalara no governo federal mas sem muito resultado.

Milhões e milhões dos contribuintes foram jogados fora em programas de amigos da corte, blogs chapas branca, ongs parceiras. Um desses casos foi o do diretor de teatro Aderbal Freire Jr, casado com a atriz Marieta Severo. Ele recebia da EBC a bagatela de R$ 91 mil por mês, valor cinco vezes maior do que o salário do presidente da própria Empresa

Marieta está entre o grupo de artistas que em 2014 assinou manifesto em apoio à reeleição de Dilma Rousseff. "O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros", chegou a dizer a atriz na ocasião. Bem, florida primavera ao menos para ela e sua turma de privilegiados.

Indo-se a outras instâncias da República - Poder Judiciário, Legislativo, Tribunais de Conta e empresas estatais -,constata-se profusão de benesses, vantagens auferidas indevidamente, muitas vezes sem trabalho ou empenho nem de longe correspondentes aos valores que mensalmente, faça chuva, faça sol, caem em suas contas bancárias. Simplesmente por serem amigos do rei.

Dados da DAGOBAH (Inteligência Democrática), dão conta de que todo poder legislativo federal, estadual e municipal somado gasta menos de R$ 13 bilhões. Quase todo poder judiciário somado, ou seja, seus 90 tribunais (excetuando STF e CNJ) gasta quase R$ 85 bilhões. Os dados do legislativo não estão atualizados e são da Transparência Brasil. Se referem a anos diferentes, mas dão para se ter uma ideia de proporção.

O relatório JUSTIÇA EM NÚMEROS 2017, do CNJ, reúne dados de 90 tribunais: 4 tribunais superiores; 5 tribunais regionais federais; 24 tribunais regionais do trabalho; 27 tribunais regionais eleitorais; 3 tribunais de Justiça Militar estaduais; 27 tribunais de Justiça. Deixa de fora apenas o STF e o próprio CJN. Vejamos o que ele diz.

O Poder Judiciário teve uma despesa total de R$ 84,8 bilhões em 2016, um crescimento de 0,4% em relação ao ano anterior. As despesas totais do Poder Judiciário correspondem a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Inexplicavelmente, os andares inferiores da sociedade, dos que batalham, que se encontram no desemprego e que de uma maneira ou de outra pagam as contas, encontram-se divididos, visceralmente antagonizados, envoltos em batalhas ideológicas intermináveis e nada construtivas via redes sociais, nos bares, nas fábricas, nos shoppings ou nas universidade.

Ao mesmo tempo em que escoiceia, xinga, insulta e esbraveja sobre Cuba, China, Rússia, Estados Unidos, Europa, ditaduras e democracias ao redor do mundo, comunismo x liberalismo, Champions League x falência do futebol brasileiro, carnaval ou boi os privilégios - poderosos, inatingíveis -, permanecem, se renovam e se perpetuam graças, contraditoriamente, ao coitadismo, à leniência, à tolerância da própria sociedade.

Enquanto isso, felinianamente, la nave va...



João Gilberto parte desta vida para retomar geniais parcerias com Tom e Vinicius - Em 06/07/2019

Responsável por uma revolução na maneira de cantar e tocar violão que mudou tudo na música brasileira, João Gilberto morreu neste sábado, 6, aos 88 anos . A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele deixa três filhos, João Marcelo, Bebel e Luisa.

Graças a ele, a bossa nova se consolidou e a música brasileira teve portas abertas para conquistar seu lugar no mundo. A brilhante geração de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque não teria ido tão longe se não fosse a inspiração de " Chega de saudade ", disco que João lançou em 1958.

João iniciou um longo e tortuoso caminho de quase dez anos, desde Juazeiro, Bahia, vivendo da caridade dos amigos, ora aqui, ora acolá, sempre mudando-se de várias casas. Chegou a ser internado num sanatório psiquiátrico, mas a tudo superou até chegar a criar a batida de violão - a bossa nova - que maravilhou o Brasil e o mundo.

Fragmentos de uma vida pessoal tão enigmática que alimentaram o mito explicam como um jovem, inexpressivo na escola, ao final dos anos 50 se converteu na maior referência da música brasileira do século XX.

João Gilberto fez parte do mais importante grupo que revolucionou a música popular brasileira: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Donato, Roberto Menescal, Nara Leão, Carlos Lira, Edu Lobo, Ronaldo Bôscoli, dentre outros.

Essa formação original da bossa nova influenciou a geração de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento, Maria Bethania, Johnny Alf, Elizeth Cardoso, Alaíde Costa, Agostinho dos Santos, além de outros importantes nomes da MPB.

As músicas do cantor/compositor chegam a quase 120. Sucessos como Chega de Saudades, O Pato, Garota de Ipanema, Aos Pés da Cruz, Rosa Morena, Insensatez, Corcovado, No Tabuleiro da Baiana, o Barquinho, Bolinha de Papel, Maria Ninguém, Lobo Bobo, Só Danço Samba, Doralice, É Luxo Só, Eu e a Brisa, Meditação, dentre muitas outras, cravaram marcas indeléveis nos corações e mentes daquela juventude dos anos 60 e 70. Símbolo inconteste de minha geração.

Segundo Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudades, "a voz de João Gilberto era em si um instrumento de altíssima precisão. Deixava esparramar cada sílaba sobre cada acorde como se as duas coisas tivessem nascido juntas. João repetia os ensaios cinco seis vezes, com mínimas alterações, mas o problema é que cada versão parecia melhor que a anterior".

Gilberto, que não dava o menor valor a coisas materiais, usava roupas, sapatos, o que fosse, dos outros sem qualquer constrangimento. Assim como chegava na casa de um amigo, declara-se hóspede até ser expulso, normalmente por indisciplina. Entretanto, suas excentricidades revelaram um músico que escreveu um novo capítulo e elevou ao píncaros a MPB.

Inspirando-se no banquinho e no seu violão não houve mais nenhum outro jovem artista, como escreveu Ruy Castro, que não tenha tentado extrair do instrumento o som secreto da mão direita, cantar baixinho e até se comportar como João Gilberto.

Ele saiu de sua terra natal, Juazeiro da Bahia, às margens do rio São Francisco, em frente a Petrolina, Pernambuco, aos 18 e lá nunca mais voltou.

Como disse Drummond, por quem ele dedicava verdadeira adoração: Vai, João, ser gauche na Vida. Ele foi e se tornou um mito que marcará para sempre na história da música popula brasileira.

Descanse em paz João Gilberto!


Moral, ética e dignidade na política brasileira - Em 23/06/2019

Entende-se costumeiramente, sem querer mergulhar em profundidades conceituais restritas a filósofos ou sociólogos, que valores morais estão associados a noções de conceitos, juízos e pensamentos que a pessoa educada e consciente considera "certo" ou "errado". Usualmente, valores morais transmitem-se às pessoas nos seus primeiros anos de vida, através do convívio familiar.

Com o passar do tempo, o indivíduo, o ser social, vai aperfeiçoando seus valores a partir de observações e experiências obtidas no quotidiano da vida. Fundamentalmente, baseados em diversos fatores, tais quais: cultura, tradição, religião e educação. Muitas vezes tais valores vão se deteriorando ao longo do tempo, dependendo do caráter do indivíduo. Quando fraco, típico de seres subservientes, bajuladoras, servis, tendem a tornar-se párias da sociedade, inconfiáveis, canalhas.

Ao contrário de cidadãos de bem que respeitam idiossincrasias, segundo a Sociologia, a particularidade comportamental e própria de um indivíduo ou de um grupo de pessoas. Estes os cidadãos dignos, íntegros, honestos. Os que veem o seu semelhante com respeito e condescendência, complacência e espírito cristão, segundo princípios transmitidos por Jesus de Nazaré à humanidade por meio das escrituras.

Faço essas considerações a propósito do lamentável quadro de deterioração em que se encontra o universo da política brasileira. Sobretudo a partir da redemocratização de 1985, período em que desceu ao fundo do poço. Parcela ponderável da representação popular caiu nas malhas da Operação Lava Jato, revelando o submundo imperante no Congresso.

A imagem do político é a pior possível, mesmo a despeito de que velhas raposas terem sido despejados das cúpulas côncava e convexa do Parlamento nas últimas eleições. Persiste, porém, a velha prática do toma lá dá cá, em que a sociedade simplesmente é posta de lado em favor de interesses pessoais. Mesmo os novos nomes não dão pista de assumirem compromissos com uma nova política. Mateus primeiro os meus, diz ancião brocado português.

Um deputado ou um senador, hoje, são figuras que fazem do Congresso balcão de negócio, impondo medidas de autoproteção e defesa de seus negócios.A grande maioria, evidentemente. Respeite-se a propósito a dignidade de alguns que continuam fazendo da ação política instrumento de transformação social. Expressiva parcela, todavia, não merece respeito. Tem-se notícias de parlamentares que achacam, extorquem prefeitos e governadores com a alocação de recursos de emendas parlamentares impositivas, das quais levam comissões exorbitantes.

Alguns fizeram fortunas. Ilícitas, evidentemente, e desfilam como bons moços, frequentam igrejas, passam por benfeitores, quando na verdade são lobos em pele de cordeiros. O que tranquiliza é que a Operação Lava Jato tarda mas não falha. E alguns desses figurões, na verdade bandidos da ação parlamentar, já foram alcançados pela justiça e encontram-se presos. Da parcela que consegue fugir ao tacão da lei, expressiva maioria vive nababescamente em decorrência de fortunas adquiridas de forma suspeita, muitas vezes por meio de práticas ilícitas de desvios de recursos públicos.

Campo fértil para falsos moralistas, que, desprovidos de ética confunde respeito com hipocrisia, vai à igreja, ajoelham-se perante o altar, canta hinos religiosos, mas sai do templo e apunhala amigos, parentes, colegas de trabalho e profissão; rouba, dá desfalques em órgãos públicos, denigre a ação política, contribuindo, assim, para a degeneração ética e moral da nação. Tudo por conta de que, para indivíduos dessa espécie, não o ser, mas o ter, o poder, são os valores que se lhes parecem fundamentais para amoldamento de caráter.

Ética e moral para tais classes de abjetos seres vivos não passam de ficção. Nesse sentido, não temo em afirmar: um cão tem mais dignidade do que qualquer um desses exemplares de má formação moral e humana.


Marginália política ataca Mora com força máxima - Em 10/06/2019

Representantes dos três Poderes da República deverão assinar, na semana que vem, um "pacto de entendimento" visando ordenar as ações modernizantes do governo Federal em favor da retomada do crescimento do país. A ação republicana visa, em última instância dar uma resposta contundente à nação em relação ao caos instaurado pelo governo petista em seus 15 anos de poder, quando demoliram as contas públicas marcadas por monumentais déficits públicos, deixaram cerca de 5 mil obras paralisadas, desmoralizaram o Minha Casa Minha Vida, partidarizaram o Bolsa Família, provocaram a mais profunda recessão econômica e permitiram a instituição do maior esquema de corrupção como jamais antes visto na história deste país.

A marginália política brasileira, comandada pelo PT, PCdoB et caterva, no intuito de desmoralizar a Operação Lava Jato e libertar a bandidagem encarcerada, se insurge contra as reformas em implantação, porque assim é mais conveniente para o alcance de seu magno objetivo: a desmoralização do governo. Em consequência, o enfraquecimento das reformas estruturantes, como a Trabalhista, da Previdência e a Tributária, que virá em seguida. Desta forma, viabilizar a instalação do caos político e econômico, território fértil do tal socialismo bolivariano que Lula da Silva e seus comandados tentam implantar no Brasil.

Chega a soar ridículo dar credibilidade a um site marginal de extrema-esquerda, The Intercept, dirigido por certo Glenn Greenwald, casado com um tal de David Miranda, do PSOL, inteiramente desconhecidos do mundo das comunicações sérias, e que ora são acusados de atentar contra a segurança pública do Reino Unido. Padrão Wikileaks ou Edward Joseph Snowden , espião norte-americano que se encontra refugiado na Rússia, sob proteção do governo Putin.

As "revelações" são estrategicamente formuladas. A questão é: por que só agora esse site aparece como defensor da moral e dos bons costumes da nação? Por que, junto com a OAB petista não denunciou a bandidagem instalada no governo Lula, o maior chefe de quadrilha que, em conluio com empreiteiras, saqueou a Petrobras, a Caixa, diversos ministérios, fundos de pensão, agências regulatórias e transformou o Planalto num imenso mar de lama?

Não è à-toa que, como nunca antes visto neste país, Lula foi condenado e preso, aguardando julgamento de mais 11 processos; governadores como Sérgio Cabral, Pezão e Garotinho, prefeitos, deputados, senadores, dirigentes partidários, ex-ministros também condenados e encarcerados. A marginália política "libertadora" (de quem e de que?), sub-comandada por Zé Dirceu e sua tropa de choque não perdoa a perda de imensos privilégios, como milionárias verbas para centrais sindicais, ongs, blogs (alguns levavam mais de um milhão de reais por mês), imprensa marrom, cargos em estatais, mamatas em licitações, negociatas com merenda escolar, medicamentos, e obras que jamais saíram do papel mas custam aos cofres públicos bilhões de reais/ano, como a famosa companhia do trem bala, do poste Dilma Rousseff.

Tudo isso junto levou o Brasil ao fundo poço, paralisando a economia, depreciando patrimônios, provocando perdas de competitividade. Medidas do governo Federal corretoras de tais distorções, entretanto, são torpedeadas no Congresso. Na Câmara Federal chegam a se comportar como cães raivosos, irracionalmente contrários a tudo que soa modernização. Bem ao estilo petista, partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer e o Programa de Privatizações.

Atitudes políticas desse jaez nada constroem. O Brasil precisa superar esse primitivismo político que impedem nossas instituições sejam respeitadas e leis justas e construtivas aprovadas e implantadas. O Brasil precisa pensar grande, modernizar-se para poder acompanhar a evolução tecnológica que se processo no mundo da revolução industrial 4.0. O retrocesso político, moral e ético só interessa aos que contam com o caos para melhor locupletar-se com recursos públicos e fortalecer seus nanicos e danosas agremiações políticas que sobrevivem, não alicerçados em princípios mas em verbas partidárias que alimentam orçamentos pessoais de seus dirigentes.

Chega! Vamos pôr ordem no Congresso e no Judiciário e escoimar o Executivo de heranças deletérias e ruinosas. O país precisa crescer, porque só assim poderá gerar emprega e renda para seus cidadãos. Mas, ao que tudo indica isso não interessa à raivosa oposição, apegada a retrógrados dogmas superados no mundo moderno, que, tal qual parasitas, que se instalam sobre outra planta ou árvore e se alimentam de sua seiva, ou, no fundo dos mares, as rêmoras, peixes que que se alimentam de restos descartados pelo tubarão.


Educacão no Brasil, razão e (in) sensibilidade - Em 17/05/2019

Espraia-se no Brasil a noção - e o temor - de que o quadro político nacional é catastrófico. E sem porta de saída. Aqui e ali lê-se estudos e artigos dando conta da forma repugnante como a ação política vem sendo exercida. Qual a marca mais expressiva desse quadro? A corrupção e a falta de decoro parlamentar.

Na imensa maioria dos casos por uma razão em especial: deformações psicológica, moral e de caráter invadiram nestes últimos quinze anos importantes instâncias do Executivo e de certos setores dos Poderes Legislativo e Judiciário. O mais grave: situação aceita e aparentemente aplaudida por milhares de eleitores que elegem e reelegem candidatos ineptos, incompetentes e fichas sujas eleições após eleições.

Questiona-se, sabendo-se de antemão a resposta: que candidato no Brasil de hoje se elegeria falando a verdade, não mentindo, não ludibriando o eleitor com promessas vãs, simplesmente eleitoreiras, irrealistas e irrealizáveis? A prática política está de tal maneira deformada que o candidato entra no jogo consciente de que terá de escamotear a verdade, prometer ações inexequíveis, quiméricas, utópicas porque sabe que depois de eleito terá um milhão de desculpas para justificar a "frustração de suas promessas", vale dizer, concretamente, crime eleitoral pelo qual jamais será punido.

A falta de efetiva renovação dos quadros políticos vem afetando gravemente a vida nacional, o desempenho da economia, da gestão pública, os avanços sobre a modernização tecnológica. É abissal o afastamento do Brasil das economias líderes do crescimento mundial. Inversamente, significativa vem se tornando a proximidade política, e daqui a pouco, certamente, econômica, de sub democracias campeãs do desemprego e da miséria.

Condição que se reflete no baixo nível educacional, da saúde, da segurança, do saneamento básico, na precariedade da infraestrutura de transporte, portos e armazenamento. É grave, por outro lado, a deterioração do sistema previdenciário, da gestão das contas públicas nos três níveis de governo e da representatividade política.

No tocante ao panorama da Educação no Brasil, vis-a-vis as manifestações contra os "cortes" de verbas da educação, permito-me focar a análise no quesito "evasão escolar". Efetivamente um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro, não se concentra apenas no ensino médio, cujo currículo é desconectado das necessidades do mercado de trabalho, nem no ensino fundamental. Afeta sobremaneira o nível superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar.

Segundo o estudo do Inep, entre 2014 e 2015, 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio abandonaram as salas de aula, o mesmo acontecendo com 12,1% dos matriculados na segunda série e 6,7% dos matriculados na terceira série. No ensino fundamental, a taxa de evasão na nona série - a última nesse ciclo educacional - foi de 7,7%, no mesmo período. Já no ensino superior, a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%.

Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de evasão foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. Os números também mostram que, nas instituições privadas, 30% dos alunos desistem do curso já no segundo ano, enquanto nas instituições públicas a taxa é de 19%. Nos anos seguintes as taxas de desistência vão diminuindo.

No caso específico das universidades federais, aponta o Inep, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 - uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular.

Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Como se pode observar de forma conclusiva, o grave déficit nos investimentos em políticas públicas privilegiando o aprimoramento do ensino compromete cabal e irreversivelmente o futuro do Brasil, econômica, social, educacional e culturalmente. A despeito das evidências e fragilidades estruturais do sistema brasileiro de ensino, agravado nos últimos 15 anos, mesmo assim, cumpre salientar, a hipocrisia, a irresponsabilidade, o radicalismo ideológico predominam junto a setores sindicais, que, deliberadamente - efeito manada -, se omitem em relação à causa maior da ineficiência e baixa qualidade do ensino no Brasil.

É evidente que os problemas enfrentados pelo setor não se originaram este ano, nos primeiros quatro meses do atual governo, mas se arrastam há décadas. No Amazonas, para não irmos longe, a maioria (nem sei se há algum estruturalmente íntegro) dos tradicionais colégios públicos, nos quais estudamos, encontram-se prestes a cair. Mesmo assim, nenhuma passeata foi organizada para denunciar o descaso, a irresponsabilidade de governos apoiados pelos mesmos salvadores da pátria ora em praça pública denunciando o óbvio.

O quadro é grave certamente; maximizado, importante salientar, nos últimos quinze anos quando, nos governos petistas, mesmo com cartilha de Paulo Freire à mão, investimentos diretos em modernização do ensino - do básico ao universitário -, foram tragados por politicas populistas-bolivarianas descompromissadas com o futura da nação, mas única e intransigentemente com a perpetuação no poder.




Congresso brasileiro Ltda. - Em 10/05/2019

Foi aprovada ontem (09/05), em comissão da Câmara dos Deputados, emenda que limita a competência dos auditores da Receita à investigação de crimes tributários, incluída na medida provisória que modifica a estrutura do governo.

A decisão da Câmara é parte de um ataque à Receita por "poderosos afetados pelas investigações". Vale salientar a propósito haver cerca de 100 parlamentares que já foram autuados ou estão sendo investigados pelo fisco, inclusive alguns que votaram ontem.

Claro e insofismável, em causa própria, driblando abertamente, com cobertura do STF, instituições de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

A decisão de retirar o COAF da alçada do Ministério da Justiça não tem outro propósito: a não ser o de enfraquecer o órgão, que, na aba do Ministério da Economia não terá o mesmo ânimo e a mesma força operacional com que conta hoje na estrutura do MJ.

Trocado em miúdo, setores influentes da Câmara e Senado ontem disseram exatamente a que propósitos se destinam: apenas o de defender conveniências e causas próprias, tangendo os interesses da nação porta a fora da decência e da moralidade que deveria prevalecer no Congresso Nacional.

Na ânsia de mais poder, aprovaram ainda o desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional para recriação das pastas das Cidades e a Integração Nacional. Simples moedas de troca para a aprovação da Reforma da Previdência.

O quadro político nacional é o seguinte, ao que claramente me parece: o Brasil está entregue a uma quadrilha composta por facínoras travestidos de parlamentares que não dão a menor bola aos compromissos de moralidade e modernização do Parlamento assumidos em praça pública quando das campanhas eleitorais.

Além das emendas parlamentares (impositivas) ainda contam com mais de 8 bilhões de reais do Fundo Partidário.

Como fecho da tragicomédia, o presidente do Supremo Tribunal estende, autocraticamente, imunidade parlamentar a deputados estaduais.

O que efetivamente move essa gente?

E como a sociedade as tolera?


Canção de fé e esperança, por Carmen Novoa da Silva - Osiris Silva - Em 23/04/2019

Acabo de ler "ALVARO MAIA - Canção de Fé e Esperança - 90 Anos Depois", de Carmen Novoa Silva, livro editado pela Academia Amazonense de Letras (Coleção Pensamento Amazônico), da qual a brilhante escritora é integrante.

Álvaro Botelho Maia, então um jovem de 30 anos, declamou o histórico poema no Teatro Amazonas na noite de 9 de novembro de 1923, em que se celebrava o centenário da adesão do Amazonas à Independência do Brasil. Portanto, mais de um ano após o Grito do Ipiranga, de D. Pedro I, proclamado em 7 de setembro de 1822.

Carmen Novoa e Silva homenageia o "Príncipe dos Poetas" amazonense levando em conta a grandeza de sua obra como escritor e poeta, político - deputado Federal, senador, Interventor Federal (1930-1933) e governador do Amazonas (1951-1954).

O poeta de "Buzina dos Paranás" e "Beiradões", com a "Canção da fé e esperança", segundo Carmen "gravou em perenidade uma página antológica", que, mesmo hoje, 96 anos depois, em relação à nossa geração, "ainda pode ser compreendida pela atual em muito de seus aspectos, principalmente sociais".

Carmen salienta em sua obra, oportunamente, que "um povo dito ético e que honra suas raízes e seus vultos heróicos e históricos é um povo que vence obstáculos porque segue os moldes da ancestralidade". E ressalta: "um povo sadio é feito de sonhos".

À propósito, merece destaque o seguinte trecho do poema de Álvaro Maia:

"Os amazonenses não sonham muralhas para o Amazonas. O sectarismo não encontra adeptos aqui. Desejam que homens de todos os climas selecionados procurem estes rios, purifiquem a raça e abram sulcos para as sementes. (...) Querem apenas pudor, querem brio, querem competência, palavras incolores e vagas, que passaram a ser verdadeiros milagres!"

Álvaro Maia dirige-se aos jovens, conclamando:

"Aos moços amazonenses - homens em botão e mulheres em manhã - cabe arquitetar a obra ressurgente, em qualquer profissão que tentarem, mas principalmente no trabalho de ensinar criança, de formar alma e modelar caracteres". Nesses termos, proclama: "Não morre o povo que se nutre dos exemplos grandiosos dos mortos".

No Prefácio, o poeta e acadêmico Zemaria Pinto afirma tratar-se o livro de "um documento de importância histórica indiscutível, especialmente pelo que tem de didático: mudaram-se os tempos, mas não se mudaram as vontades - o bom combate travado por Álvaro Maia, que então dava os primeiros passos na política, atacando a corrupção desenfreada, continua atualíssimo".

Zemaria Pinto considera, ainda, que o clamor do poeta do rio Madeira, lançado perante a sociedade e a intelectualidade amazonense naquela noite de 9 de novembro 1923, no Teatro Amazonas, "é também - numa época em que as imagens se sobrepõem às ideias e a retórica se torna obsoleta - um exemplo manifesto de bom uso da palavra, com brilho e coragem".

OPOSIÇÃO À AUTOANTROPOFAGIA COLETIVA

O médico e escritor João Bosco Botelho, sobrinho legítimo de Álvaro Maia, no artigo "Estudantes, a razão maior da Canção de fé e esperança", que integra os textos originais do livro, sublinha:

"A extraordinária Canção de fé e esperança, na briosa edição de Carmen Novoa e Silva ressalta a angustiada, mas firme posição de Álvaro à sociopatia coletiva manauara, espécie de autoantropofagia coletiva, como uma das mais nefastas heranças coloniais, onde a perfídia e a inveja trombam para recusar aceitar o sucesso, a competência do conterrâneo, fomentando no conluio arredio à destruição dos que se destacam".

Ainda segundo Botelho, "também não é difícil identificar o alerta de Álvaro, na Canção de fé e esperança, aos que semeiam ódio e a inveja doentia, mas certo de que seriam vencidos sem deter a grandeza do Amazonas, trazendo melhorias à mocidade amazonense, para a qual se dirigia".

NATIVISMO DE ÁLVARO MAIA

O poeta e ensaísta, Elson Farias, da Academia Amazonense de Letras, no artigo "O Nativismo de Álvaro Maia e o petróleo de Isaac Sabbá", publicado no Blog do Francisco Gomes (https://www.franciscogomesdasilva.com.br) em 18 de julho de 2014, enfatiza aspectos históricos e poéticos transcendentes do discurso de Álvaro Maias.

Segundo Farias, o "príncipe dos poetas" amazonenses, em seu discurso "exorta por um renascimento dos valores da terra e um melhor aproveitamento dos seus filhos. Celebra o sentido heroico dos desbravadores da Região. Do passado e do presente. Denuncia o abandono em que vive a terra em relação aos poderes da República", e desabafa: "O Amazonas deve o seu progresso exclusivamente ao esforço próprio, venceu só, ao impulso de seu comércio e de suas classes laboriosas".

Essa peça oratória, na visão de Elson Farias, "converteu-se num autêntico ideário de vida, sempre lembrado pelos intelectuais, programa de ação a orientar a vida política do Estado que, em seguida, voltou às mãos dos amazonenses por um longo período. Aos 35 anos de regime republicano o glebarismo foi o movimento mais significativo na vida política da Amazônia Ocidental, produto do poder criador do povo tão bem polarizado pelo cantor de "Sobre as águas barrentas".

Farias ressalta, por outro lado, um aspecto marcante da personalidade de Álvaro Maia: embora "aureolado pelo triunfo político que o consagrou com a função de Interventor Federal e com o mandato de Deputado, Senador da República e Governador do Estado, jamais saiu de sua terra e andava a pé, como o mais simples dos cidadãos, na Manaus que se transformava no início da Zona Franca".

MEMORIAL ÁLVARO MAIA

Conforme depoimento do advogado e escritor Erasmo Alfaia nas páginas introdutórias do livro de Carmen Novoa Silva, "no dia 6 de setembro de 1991, o então prefeito de Manaus, cargo que novamente hoje ocupa, Arthur Virgílio Neto, homenageou o inesquecível líder amazonense com a inauguração do Memorial Álvaro Maia, que reunia importante acervo biográfico e literário sobre a vida do grande político e homem de letras".

O memorial, edificado no Parque 10 de Novembro, em decorrência de ato de extremo vandalismo perpetrado por mentes assoladoras, o memorial foi vergonhosamente profanado e destruído, fazendo desaparecer livros e fotografias doados pelo próprio Erasmo, além de outros importantes documentos ilustrativos da vida de Álvaro Maia e da própria história do Amazonas.

RESGATE

A obra de Carmen Nova e Silva resgata com simplicidade e coerência histórica o contexto poético da obra literária e política de Álvaro Maia. O poema "Canção de Esperança e fé" é um chamamento, uma exortação a todos, especialmente à nova geração, que precisa ler e absorver as lições de amor aos nossos valores, à nossa memória histórica, à missão conferida a todos os amazonenses no tangente ao desafio maior de lutar, de forma integrada, pelo desenvolvimento desta terra.

ÁLVARO MAIA

O ex-deputado federal, senador, Interventor e governador Álvaro Botelho Maia, nascido a 19 de fevereiro de 1893, no município de Humaitá, Rio Madeira, veio criança para Manaus. Estudou direito, em Fortaleza e colou grau na Faculdade do Rio de Janeiro. Considerado o príncipe dos poetas amazonenses, publicou vários livros: "Cabelos Negros", "Na Vanguarda da Retaguarda", "Gente dos Seringais", "Buzina dos Paranás", "Nas Barras do Pretório", "Beiradão", "Banco de Canoa", "Defumadores e Porongas", "Tenda de Emaús". Escreveu poesias, crônicas, ensaios, teses, discursos e conferências.


General Mourão, a ZFM e a Amazônia

Em palestra proferida esta manhã no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM) sobre "A Importância Estratégica da Amazônia Para o Brasil", o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão afirmou de início que "a Zona Franca de Manaus continua sendo prioritária para o governo, precisamos apenas melhorar o que já existe aqui".

Reafirmou a decisão do governo sobre o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), antiga reivindicação do povo amazonense que vem sendo negligenciada governo após governo.

Em apenas 45 minutos de palestra, o general Hamilton Mourão, de 66 anos, demonstrou-se dotado de excepcional poder de comunicação, fortes convicções, personalidade marcante, ampla visão do mundo contemporâneo, dos problemas do Brasil, das dificuldades da Amazônia e a da Zona Franca de Manaus. Sua fala, de maneira direta e sem rodeios transmite segurança e confiabilidade.

O general Mourão esteve reunido em Manaus com o prefeito Arthur Neto, autoridades do governo do Estado, o superintendente da Suframa, Alfredo Menezes Júnior, e com lideranças empresariais e politicas. O governador Wilson Lima, por encontrar-se tomando parte de uma reunião de governadores no Amapá, foi representado pelo vice, Defensor Carlos Almeida, que, por sinal fez um vigoroso pronunciamento pelo fortalecimento da ZFM e a exploração sustentável dos recursos de nossa biodiversidade. Aliás, um jovem competente, por sinal. De uma boa e promissora safra.

Durante sua palestra, afirmou que, após amainadas as tempestades que o Executivo ora enfrenta não tem a menor dúvida de que o presidente Jair Bolsonaro fará um grande governo, cumprindo importantes metas de obras e serviços em favor do povo brasileiro. Sem corrupção, complementou.

Meio gaúcho meio amazonense

Tendo servido três anos em Manaus e dois como comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus), o general Hamilton Mourão, nascido no Rio Grande do Sul, é filho do general de divisão Antonio Hamilton Mourão e de Wanda Coronel Martins Mourão, ambos amazonenses.

Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) foi declarado aspirante a oficial da Arma de Artilharia. Sua carreira tem por base os chamados altos estudos militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, além do curso de Guerra na Selva.

Atuou como comandante militar em Angola, Venezuela, Ijuí, RS e São Gabriel da Cachoeira, AM e na 6.ª Divisão de Exército, em Porto Alegre. Sua experiência passa ainda por Educação e Cultura, Economia e Finanças. Foi Comandante Militar do Sul entre 28 de abril de 2014 e 26 de janeiro de 2016.


150 anos do Pedro II - símbolo da educação no Amazonas - Em 14/03/2019

O Colégio Amazonense Pedro II é sem dúvida o marco do ensino público e da memória cultural no Amazonas. Uma trajetória plena de história pura, como relata em livro o escritor Mário Ypiranga Monteiro. Fatos e versões complementados pelos gymnasianos do nosso tempo do Colégio Estadual do Amazonas - CEA, turmas do final dos anos 1950 até a primeira metade dos 60.

Os ginasianos, conforme reportagem assinada pela jornalista Karol Rocha, do jornal A Crítica, desta quinta-feira, consideravam-se os mais importantes representantes da classe de estudantes secundaristas do Amazonas. O que faziam, agiam e decidiam era cumprido pela turma do Colégio, que liderava os demais colégios da cidade. Por isso eles tomaram parte nas lutas da Revolução de 1930 e 1935".

O Colégio Estadual, no nosso tempo, nas décadas de 1950, 60 e 70, formava aqueles que viriam a ser as maiores lideranças do Estado, tanto na classe empresarial, profissional liberal quanto política. O padrão do ensino de então permitia a formação dessa elite.

Pessoalmente, desde que entrei no CEA em 1957 e de lá saí para a Universidade em 1963, ali vivi, com meus colegas de turma, no curso ginasial (ensino médio) ou científico (segundo grau), os momentos mais dignificantes de minha geração. Lá aprendemos noções de caráter, respeito, amor aos mestres, à família, à pátria.

Todas as terças-feiras a direção do Colégio reunia os alunos no Pátio Interno para cantarmos o Hino Nacional e celebrar a pátria. Tínhamos aulas de educação moral e cívica, práticas esportivas. Éramos campeões imbatíveis de futebol de salão e outros esportes. Destaque também para os desfiles do 5 e 7 de Setembro. Uma honra formar em nossos pelotões e desfilar em homenagem ao Dia do Amazonas e ao Sete de Setembro.

Era de alto nível o padrão educacional da época, destacando-se o rigor dos professores, alguns deles, intransigentes, conduziam a turma em nível máximo de atenção às aulas, porque nas provas não havia jeitinho. Estudava passava, não estudava, bomba. A maioria de nós ao sair de Manaus (não havia universidade ainda, à época), para fazer faculdade fora (isto é, os que tinham famílias em condições de bancar os custos de estudar fora) passávamos sem necessidade de cursinho.

Daquelas décadas saíram os profissionais de maior destaque do Amazonas, em qualquer campo que se considerar. Tivemos grandes mestres, que davam aula de paletó e gravata e mantinham com dignidade suas famílias.

Sobre os colegas, a imensa maioria triunfou na vida. No meu livro GYMNASIANOS listo cerca de 800 nomes que podem ser cotejados nesse sentido.

Para efeito de registro, cito alguns nomes (vivos e mortos), que ocuparam posições de destaque em suas carreiras profissionais ou políiticas: o advogado e empresário Francisco Antonio Marques da Cunha, os advogados Alberto Petronio de Carvalho, José Vasconcelos e Felix e Antonieta Valois Coelho, seu irmão o médico Raimundo Valois, senador Fábio Lucena, o advogado e desembargador do Trabalho Raimundo Silva, os advogados Paulo Figueiredo, Azize Dibo Neto, o escritor e poeta Donaldo Mello, os engenheiros Vladimir Paixão e Silva, Paulo Paes Barreto, Armando Cordeiro, Amaury Veiga, Ernani, Orlando e Vilar Câmara, os empresários Frank Benzecry, José Henrique da Fonseca, Pedro Vieira de Castro, os militares Ozório Fonseca, Ilmar Faria, da PM, e o general Jeannot Jansen.

Cito também os colegas economistas Manoel Alexandre, Marcelo Castro Lima, Antonio Gadelha, destacando ainda diversos escritores e artistas plásticos, arquitetos, como a professora e historiadora Etelvina Garcia, os desembargadores Divaldo Martins da Costa, e, no Rio de Janeiro, Nildson de Araújo Cruz, os médicos Marcus Barros, Horlando Araújo da Silva, Jaime Covas, Luis Carlos Avelino, Paulo Pinto, Raul Brasil, Roberval Tavares, diversos professores da UFAM, os jornalistas Phelippe Daou, Guilherme Aluizio, Hermengarda Junqueira e Aldísio Filgueiras, e o mais importante de todos os políticos daquela geração, o ex-prefeito de Manaus e governador do Amazonas, Amazonino Mendes.

A Associação dos ex-Alunos do Pedro II (ASEA), fundada em fevereiro último, tem muito trabalho ao longo deste ano no cumprimento de extensa programação comemorativa do Sesquicentenário, que certamente contará com o apoio do Executivo Estadual por meio das Secretarias de Educação, da Secretaria de Cultura e da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (FUNTEC).

A ASEA irá procurar também apoios junto a Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), à ALCEAR e demais entidades culturais do Estado.


Privilégios inaceitáveis - Em 11/02/2019

Na Suécia, na Alemanha, no Japão, na Inglaterra (observe-se a informalidade com que se realizam as sessões da Câmara dos Comuns, equivalente à Câmara Federal no Brasil). Nos países desenvolvidos de modo geral vereadores e deputados regionais (estaduais) não recebem salários, nem possuem carros com motoristas e devem usar os seus próprios celulares.

Mais: eles não têm secretárias particulares e muito menos uma multidão de assessores parlamentares. O prefeito da Capital anda de ônibus. Primeiro-ministro? Esse circula de metrô ou de bicicleta.

Ah, e quanto aos deputados federais? Moram em apartamentos funcionais de 16 metros a 46 metros quadrados, lavam e passam as suas próprias roupas.

A internet está cansada de mostrar fotos do prefeito de Londres indo trabalhar de ônibus ou metrô.

Enquanto isso, na "milionária" Manaus um vereador custa em torno de 1.200.000,00 por ano aos cofres municipais. Multiplicando-se por 41 edis, o plantel da CMM, o total despendido gira em torno de R$ 49,2 milhões anuais.

A Câmara Municipal não funcionaria melhor com não mais de 10 a 12 parlamentares, reunindo-se duas a três vezes na semana com direito a um salário de professor?

Comparemos seu papel na sociedade com o de um professor de qualquer nível para constatarmos o absurdo, o abissal distanciamento em termos sociais de uma e outra classe. Avalie-se o grau de desperdício mensal e anual desses gastos e, por outro lado, se tais recursos não estariam muito melhor aplicados na saúde, na educação, no saneamento, na infraestrutura urbana?

Aqui entre nós, o que um vereador faz efetivamente para custar tanto? Alguns sinais de evidente apatia da Câmara Municipal: a) não se sente a presença concreta da grande maioria dos edis em relação à Zona Franca de Manaus e suas perspectivas no horizonte 2073; b) não se percebe ações de vereadores em torno de questões alusivas à educação comunitária; c) promovendo encontros para discussão de questões transcendentais à cidadania; c) sobre saneamento e conscientização do povo em relação à lixo, limpeza e qualidade das águas dos igarapés que entrecortam a cidade

Na verdade, regra geral, nunca o povo (que elege) esteve tão distanciado das ações parlamentares dos supostos representantes da municipalidade, raciocínio que igualmente pode se estender, além de vereadores, a deputados (estaduais e federais) e senadores.

Enquanto isso seus gabinetes estão abarrotados de diretores, secretárias, assistentes, assessores parlamentares, "aspones", o escambau; no frigir dos ovos, parentes e cabos eleitorais premiados com cargos públicos regiamente remunerados.

A verdade nua e crua: a imensa maioria dos eleitores um a dois anos após as eleições não recorda sequer em quem votou. Isso precisa mudar. O sistema representativo também e sobretudo precisa ajustar-se ao Brasil século XXI.

As reformas, para ser completa, justa e eficaz, necessariamente terá de alcançar indistintamente a todos os poderes da República.


José Saramago, de saloio a prêmio Nobel - Em 01/02/2019

Menino pobre, extremamente pobre, de família miserável, sem perspectivas na vida, José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, filho de José de Sousa, jornaleiro, e Maria Piedade, dona de casa no concelho ribatejano da Golegã, Portugal. Camponeses humildes e analfabetos, o avô materno era guardador de porcos, viviam numa casa paupérrima de chão batido.

Além das adversidades sociais de origem, enfrentou outro problema inusitado, tragicômico, na verdade. Seu sobrenome não era Saramago, mas Sousa, do pai. Por erro de registro, ao seu nome verdadeiro - que seria José de Sousa - foi acrescido pelo Cartório o Saramago, fato não observado pelos pais até a apresentação obrigatória da certidão de nascimento para efeito de matrícula no primeiro ano escolar.

Na verdade, segundo o próprio Saramago, tal incidente foi causado pelo funcionário do Cartório, um certo Silvino, que, encontrando-se bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre seu pai) e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse percebido da "onomástica fraude, decidiu por conta e risco acrescentar Saramago ao lacônico José de Sousa que o meu pai pretendia que eu fosse", segundo relato do próprio escritor em seus diários. O pai teve justa razão de ficar aborrecido com o insólito incidente, visto tal nome "jocoso aludir a uma espécie de erva ruim que nasce espontaneamente nos campos e equivaler a denegrimento da família entre os vizinhos da aldeia natal".

Sobre estes e alguns outros detalhes da vida do prêmio Nobel de Literatura de 1998, uma escolha quase consensual, praticamente sem levantar nenhuma polêmica nos meios literários internacionais, farei nesta crônica alusões com base no livro SARAMAGO Biografia (2009), de José Marques Lopes, doutor em Literatura Brasileira, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Livro discreto, muito bem escrito, aborda detalhes essenciais da vida do escritor, oferecendo uma visão em preto e branco do convicto comunista, que aderiu a essa corrente político-filosófica desde tenra idade, movido pelo ódio à ditadura fascista que subjugava Portugal e a miséria a que se encontrava submetido o país.

Diferentemente dos tempos de hoje, Portugal nos idos do fascismo lusitano e do autoritarismo disseminado por toda a Europa nos primórdios do nazismo de Hitler, relata o biógrafo Marques Lopes, em 1930, quando o menino José de Sousa Saramago já tinha oito anos, 80% dos portugueses viviam no meio rural, com cerca de 50% da população empregada na agricultura. A maioria "do quase 1,3 milhão dos camponeses empregados na agricultura era constituída por pequeníssimos proprietários ou assalariados que viviam com grande dificuldades". A taxa de analfabetismo girava em torno de 61,8%; a de mortalidade infantil situava-se em 143,6 por mil, e a expectativa média de vida era apenas de 47 anos. Efetivamente, uma realidade idêntica a do Brasil no mesmo período. Mas, com as perspectivas econômicas oferecidas pela ex-colônia imensas hordas de "patrícios" para cá imigraram e se tornaram ricos em diversos setores: casas de ferragens, panificadoras e no comércio, principalmente de estivas, atacado e varejo.

Saramago escreveu alguns magistrais romances, sempre de cunho histórico-filosófico; foi membro do Partido Comunista Português desde sempre e até a sua morte, em 18 de junho de 2010, aos 87 anos. Fiel aos princípios marxistas, neles se inspirou para escrever praticamente todos os seus romances, dentre os quais cito o Memorial do convento (1982), O evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a cegueira (1995), O homem duplicado (2002), A intermitência da morte (2005), os Cadernos de Lanzarote (Volumes I ao V), As pequenas memórias (2006) e a Viagem do elefante (2008). Era de tal ordem arraigado aos inabaláveis princípios da esquerda radical que recusou um contrato de 500 mil euros, oferecido por um produtor hollywoodiano pelos direitos de adaptação ao cinema da obra "Memorial do convento).

Com a queda do Muro de Berlim e o consequente colapso da União soviética a partir de 1989, Saramago expressou em diversas oportunidades sua imensa frustração com o fim de um regime sob o qual alimentou os mais puros (e radicais) ideais socialistas até o último suspiro. A biografia de Saramago registra em detalhes esses momentos, ao observar: Quem poderia prever que, entre 1989 e 1991, todo o "socialismo real" "se pulverizasse por ação das próprias massas populares descontentes com o que parte importante das classes operárias e populares do Ocidente identificava como sociedade-modelo?"

Os efeitos foram de tal ordem devastadores para a esquerda internacional e em particular para o movimento comunista em todo o mundo, que a social democracia passou a girar "à direita, aplicando políticas de enfraquecimento  do Estado-providência e privatizando como os liberais declarados". Com efeito, de acordo com Marques Lopes, revelando sentimentos íntimos de Saramago a respeito, "o aparelho mundial centralizado no Kremlim se desfez. O Partido Comunista Italiano, o maior do mundo ocidental, desapareceu, e a maior parcela alinhou-se com a social democracia. Os que assistiram ao filme alemão "Adeus Lenin", de 2003, dirigido por Wolfgang Becker, sobre os tempos da guerra-fria haverão certamente de entender melhor o quadro conjuntural que levou o taciturno e pouco comunicativo José Saramago a se fechar ainda mais para o mundo.

Independentemente das frustrações ideológicas, Saramago não pôde reclamar da vida comercial. Após o Nobel de 1998, tornou-se um superstar, fenômeno literário, expoente de vendas de livros tanto em Portugal quanto no exterior. Seus livros que vendiam dois a três mil exemplares nos lançamentos, após o "efeito Nobel" alcançaram números estratosféricos. Entre outubro e dezembro de 1998, no auge do fenômeno, a Editorial Caminho, de Lisboa, teria vendido cerca de 300 mil livros do escritor em Portugal e reeditado todas as obras. Até 2004, o total de livros vendidos calculadamente chegou a 2,5 milhões só em Portugal, com o "Memorial do convento" alcançando a soma de 400 mil exemplares vendidos (estima-se que haja superado a casa de 1 milhão). Os números das vendas internacionais são astronômicos. Saramago só perde para Paulo Coelho e J. K. Rowling.

Enfim, a biografia do extraordinário José Saramago, para quem conhece e leu seus livros é uma daquelas obras adoráveis. Leitura obrigatória, posso dizer. Agradeço ao meu amigo, poeta Julio Rodrigues Correia, de quem recebi tão precioso presente, que guardo entre os meus preferidos em local incerto e não sabido.


Roberto Campos, símbolo de uma geração - Em 23/01/2019

Por favor, não deixem de ler, abaixo, o brilhante artigo, Leis da Política, de Roberto Campos*.

Um artigo, aliás, destinado a pessoas dotadas de apurado discernimento, inteligência acima da média e comprometimento político com o Brasil.

O economista Roberto Campos, foi uma das mais emblemática personagem do universo político, econômico e universitário do Brasil no Século XX, fundamentalmente em função de sua vasta inteligência e cultura.

Uma das mais fulgurantes expressões do pensamento liberal dos anos 60 em diante, ocupou os mais expressivos cargos do governo federal, dentre eles o de ministro de Planejamento, que, em 1965/66, reestruturou, junto com o extraordinário Ministro da Fazenda, Octavio Gouveia de Bulhões, o sistema financeiro do país, ajudando a criar o BNDES, o BNH, fundou o Banco Central, criou a Correção Monetária e o FGTS, dentre tantas obras legadas aos pósteros.

Roberto Campos (tão vilipendiado em vida, tão cultuado pós-morte) deixou um legado extraordinário de obras, pensamentos e ações, também no Parlamento, muito difícil de ser sequer igualada, sobretudo hoje, quando o pensamento, a cultura e a obra intelectual pouco valem.

Um mundo em que políticos e ocupantes de cargos públicos vendem a alma para permanecer em seus postos, entrem ou saem governos. São pródigos na adoção de estratégias ilusionistas, revelando, adicionalmente, comprovado dom da ubiquidade (conseguem estar em lugares diferentes ao mesmo tempo) e também extraordinária maleabilidade política ao servirem a dois senhores, a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.

Muitos, ainda, conseguem ocupar cargos públicos quase que vitaliciamente, enquanto exploram concessões públicas, além de outros que manipulam tribunais e parlamentos, movidos por único compromisso, o do interesse pessoal, corporativo e familiar.

A geração de Roberto Campos, Octavio Gouveia de Bulhões, Juscelino Kubistchek, Getúlio Vargas, Benedito Valadares, José Maria Alckmin, Carlos Lacerda, San Tiago Dantas, Milton Campos, Celso Furtado, Mario Henrique Simonsen, Eugenio Gudin, Delfim Netto, D. Helder Câmara, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, definitivamente passou. E o pior, deixando enorme vazio, até hoje não preenchido, a espera de reposição...

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Leis da política (19/12/1999)

Roberto de Oliveira Campos*

Era uma crespa noite de inverno londrino. Eu tinha convidado para um jantar na embaixada brasileira, ao fim dos anos 70, o grande filósofo liberal francês Raymond Aron e dois sociólogos radicados na Inglaterra, Ralf Dahendorf e Ernest Gellner, este último professor de José Guilherme Merquior, meu conselheiro de embaixada.

Na curva do conhaque, quando filosofávamos sobre nominalismo, realismo e existencialismo, contei uma piada que Aron achou divertida. Era a definição de "realidade" por um irlandês, revoltado pela interrupção de suas libações alcoólicas à hora do fechamento dos pubs. "A realidade", disse ele, "é uma ilusão criada por uma aguda escassez de álcool".

Quando partiram os hóspedes, resolvemos, Merquior e eu, em rodadas de uísque, testar duas coisas. Primeiro, a teoria irlandesa do realismo alcoólico. Segundo, nossa capacidade de recitarmos, de memória, aquilo que poderíamos chamar de "leis de comportamento sociopolítico" de variadas personagens e culturas. Alternávamos nas citações, que registrei num alfarrábio que outro dia desenterrei numa limpeza de arquivos. Ei-las:

A lei de Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa. Tão preciosa que é preciso racioná-la".

A lei de Stalin: "Uma única morte é uma tragédia; 1 milhão de mortes é uma estatística".

A lei de Krushev: "Os políticos em qualquer parte são os mesmos. Eles prometem construir pontes mesmo quando não há rios".

A lei de Henry Kissinger: "O ilegal é o que fazemos imediatamente. O inconstitucional é o que exige um pouco mais tempo".

A lei de Franklin Roosevelt: "Um conservador é um homem com duas excelentes pernas, que contudo nunca aprendeu a andar para a frente".

A lei de Lord Keynes: "A dificuldade não está nas idéias novas, mas em escapar das antigas".

A lei de Bernard Shaw: "Patriotismo é a convicção de que o país da gente é superior a todos os demais, simplesmente porque ali nascemos".

A lei de Hayek: "Num país onde o único empregador é o Estado, a oposição significa morte por inanição. O velho princípio de quem não trabalha não come é substituído por um novo princípio: quem não obedece não come".

A lei de Mark Twain: "Um banqueiro é um tipo que nos empresta um guarda-chuva quando faz sol, e exige-o de volta quando começa a chover".

A lei de Lorde Kelvin: "Grandes aumentos de custos com questionável melhoria de desempenho só podem ser tolerados em relação a cavalos e mulheres".

A lei de Charles De Gaulle: "As promessas só comprometem aqueles que as recebem".

A lei de John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia: "O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros".

A lei de Getúlio Vargas: "Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo".

A lei do governador Mario Cuomo, de Nova York: "Faz-se campanha em poesia e governa-se em prosa".

A lei de John Kenneth Galbraith: "A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso".

A lei de Sócrates: "No tocante a celibato e casamento, é melhor não interferir, deixando que o homem escolha o que quiser. Em ambos os casos, ele se arrependerá".

No último uísque, Merquior me contou um chiste anônimo, que circulava em Londres: "A natureza deu ao homem um pênis e um cérebro, mas insuficiente sangue para fazê-los funcionar simultaneamente".

Ao confidenciar a Merquior que pretendia aposentar-me do Itamaraty para ingressar na política, lembrou-me ele a lei de Hubert Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos na administração Lindon Johnson, que dizia: "É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados".

Tendo em vista minhas ambições políticas, combinamos fabricar conjuntamente uma lei, que passaria à posteridade como a lei Campos/Merquior: "A política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem".

Ao nos despedirmos, já mais sóbrios, lembrei-me de duas leis. A lei do King Murphy, que assim reza: "Não estão seguras a vida, a liberdade e a propriedade de ninguém enquanto a legislatura estiver em sessão". E a lei do sábio Montesquieu, o inventor da teoria da separação de poderes: "O político deve sempre buscar a aprovação, porém jamais o aplauso".

Em minha vida política no Senado e na Câmara procurei descumprir a lei do King Murphy e cumprir a lei de Montesquieu. Sem resultados brilhantes nem num caso, nem no outro...

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* Defensor apaixonado do liberalismo. Economista, diplomata e político também se revelou um intelectual brilhante. De sua intensa produção, resultaram inúmeros artigos e obras como o livro A Lanterna na Popa, uma autobiografia que logo se transformou em best-seller. Foi ministro do Planejamento, senador por Mato Grosso, deputado federal e embaixador em Washington e Londres. Sua carreira começou em 1939, quando prestou concurso para o Itamaraty. Logo foi servir na embaixada brasileira em Washington, e, cinco anos depois, participou da Conferência de Bretton Woods, responsável por desenhar o sistema monetário internacional do pós-guerra.


Bolsonaro e a expectativa da sociedade sobre um novo Brasil - Em 04/01/2019

Correntes da sociedade ligadas à esquerda, ao petismo e a segmentos ideológicos radicais, fanáticos e retrógrados aparentemente julgam o presente momento político torcendo pelos russos. Contra os interesses da nação. Dito de outra forma: ocorreu no Brasil apenas uma mudança de governo. O rei morreu, viva o rei! Assumiu o poder novo grupo político representante da imensa maioria da sociedade que resolveu dar um basta no estado de aflição social, corrupção e retração econômica geradas nos últimos quinze anos, exatamente pelos sucessivos governos do PT.

Uma das afirmativas mais insanas que li de um leitor diz o seguinte: "Como todo medíocre, Jair Bolsonaro arrota ignorância como se fosse sabedoria. Mas, também como todo medíocre, no fundo, bem no fundo, ele suspeita que é medíocre. E busca desesperadamente a aprovação dos adultos. No momento, Bolsonaro está encantado por ter um intelectual ligado à Escola de Chicago dizendo a ele o quanto é especial. Um herói da Operação Lava Jato lhe tecendo elogios. E, principalmente, generais batendo continência ao capitão. Mas a realidade é implacável com as ilusões. Outra frase desatinada: "Nossa democracia corre riscos sérios com Bolsonaro".

Ora, nada mais medíocre do que a mediocridade. Nada mais intolerante do que a intolerância, nada mais destrutivo do que o rancor, o despeito, o sentimento de frustração, a inveja. Na verdade, quem quebrou o país foi o PT, quem descontrolou as contas públicas e a Previdência foi o PT, quem implantou a maior quadrilha de assaltantes dos cofres públicos, quem engendrou os grandes e espúrios acertos com empreiteiras, governos cubano e africanos, como nunca antes na história deste país, foi o PT.

Portanto, no lugar de jogar contra, as esquerdas, esmagadoramente derrotadas pelo povo deveria estar analisando o evoluir da formação do governo Bolsonaro, a equipe montada, os planos de curto, médio e longo prazos, as medidas saneadoras, as reformas como elementos fundamentais para a estabilidade econômica. Não se pode avaliar o que ainda não ocorreu. Avaliação, em qualquer campo de atividade é um processo sistematizado de registro e apreciação de resultados obtidos em relação a metas estabelecidas previamente. Inexistindo a razão fundamental da avaliação, esta é falsa, má intencionada, negativista.

O negativismo, convém salientar, significa atitude de quem não acredita em nada nem em ninguém, é tido como "sempre do contra", sempre diz não vai dar, não vai conseguir, não vai funcionar e se algo dá certo, essa pessoa diz daqui a pouco vai quebrar, já já vai parar, vai se arrepender. Antes de mais nada uma atitude burra, precipitada, radical. Por isso Nelson Rodrigues notabilizou-se por uma de suas frases mais contundentes ao afirmar que "a burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza".

Vamos pensar a respeito e torcer para o Brasil dar certo. É nossa obrigação como indivíduos que, membros de um Estado, usufruem de direitos civis e políticos por este garantidos. Não é possível que tantos cidadãos de elevada formação técnica, cultural e política venham que passaram a formar a equipe do governo Bolsonaro venham a cometer desatinos, como permitir que se repita o Mensalão, o Petrolão e os atos de de corrupção quase que generalizados cometidos em áreas estratégicas do Palácio do Planalto,.

Enfim, os problemas mal resolvidos do PT são dos petistas, não dos brasileiros. Não se pode admitir que conveniências partidárias sectárias e hipócritas, alimentadas por dógmas fanáticos ideológicos se sobreponham aos interesses da sociedade. A vitória de Bolsonaro foi apenas um passo em torno da alternância de poder, um dos fundamentos mais importantes da democracia. Nada mais. As oposições precisam ter isso em conta. Sair atirando indiscriminada e precipitadamente contra um governo ainda em implantação é jogar contra o Brasil. Mesmo do lado dos russos, no fim novamente perderão.


Declaração dos Direitos Humanos da ONU e as conquistas sociais - Em 11/12/2018

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) completa, neste 10 de dezembro de 2018, 70 anos de vigência, criada que foi em 1948 em resultado das tratativas diplomáticos dos Aliados (à frente Estados Unidos, Inglaterra e Rússia) empreendidas com vistas aos acordos de paz resultantes das rendições de Alemanha, em 8 de maio de 1945, e do Japão, ocorrida meses depois, no dia 2 de setembro de 1945, quando o país enfim assinou o ato de capitulação.

A data tornou-se conhecida como Vitória sobre o Japão, ou Dia V-J, e marcou o fim da Segunda Guerra e o início de um longo processo de recuperação econômica do combalido Japão. Os nipônicos relutaram muito em aceitar a derrota, só o fazendo após duríssimos massacres infringidos ao país pelas forças norte-americanas, incluindo as duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, e por último a ocupação de Tóquio encabeçada pelos Estados Unidos, Austrália, Índia, Nova Zelândia e Reino Unido.

A Declaração dos Direitos da ONU, verdadeiro hino à paz, tomou como modelo a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, de 4 de julho de 1776 - um dos mais belos manifestos em favor da condição humana -, que, em seu Art.1º, dispõe:: "Consideramos estas verdades por si mesmo evidentes, que todos os homens são criados iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos direitos inalienáveis, entre os quais se contam a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade".

Por seu turno, a Declaração da ONU, proclama:

"A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.


Dispõem seus três primeiros artigos:

Artigo I

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal".

A questão dos "direitos sociais", por conseguinte, constitui o âmago da luta do homem em busca de condições dignas de vida, para si, sua família e a comunidade a que pertence. Desde a Pré-história também tem sido a motivação subjacente ao esforço que nossos ancestrais empreendiam no sentido de satisfazer suas necessidades básicas: habitação, alimentos, segurança. Naquela época enfrentavam seus semelhantes, os inimigos naturais, além das intempéries. Tudo com o objetivo de satisfazer as necessidades dos seus dependentes. Afinal, precisava, a qualquer custo, sobreviver.

A partir dessa gênese, tais necessidades e os diferentes métodos de satisfazê-las derivam, num raciocínio simplificado, o conceito de direitos sociais. De acordo com estudos divulgados pela ONU, "constituem, em essência, a forma de garantir, de modo civilizado e legal, aos indivíduos, condições materiais tidas como imprescindíveis para o pleno gozo dos seus direitos". No sentido lato, ainda segundo a ONU, os direitos sociais do homem consistem em: o direito à vida (direitos da mãe, direitos da infância, direito das famílias numerosas); direito à igualdade do homem e da mulher; direito a uma educação digna do homem; direito de imigração e de emigração; direito de livre escolha para aderir às diversas associações econômicas, políticas e culturais.

Contemporaneamente, o conceito de direito social tem como origem as profundas mudanças sociais, econômicas e culturais decorrentes da Revolução Industrial deflagrada na Inglaterra, no século XIX, a partir da descoberta do vapor como força dinâmica. O uso de máquinas a vapor na indústria e nos transportes, basicamente, gerou conflitos de intensa e incessante evolução. Na Inglaterra e na Europa, principalmente, os danos foram mais imediatos. Desemprego em massa, motivado pela migração do homem do campo dos feudos para os burgos e depois para as cidades florescentes, foram se agravando.

Com esse fenômeno, formaram-se cinturões urbanos de miséria resultantes do excedente de mão de obra produzida nesse processo. As desigualdades sociais, de forma contundente, foram se agravando, um fenômeno que até então o homem desconhecia na forma da virulência com que passou a se apresentar. O Estado foi instado a agir. Passou a buscar mecanismos para fazer frente, eficazmente, a esse novo cenário de tal sorte a gerar instrumentos de proteção ao trabalho, e, num conceito mais amplo, aos direitos sociais que se foram constituindo explicitamente.

Conceitualmente, os direitos sociais começaram a ser estruturados a partir da fundamentação teórica a respeito do "contrato social" difundida entre os séculos XVI e XVIII. O objetivo: "explicar ou postular a origem legítima dos governos e, portanto, das obrigações políticas dos governados ou súditos, tendo em Thomas Hobbes (1651), John Locke (1689) e Jean-Jacques Rousseau (1762) os mais famosos filósofos do Contratualismo.

Pessoalmente, entendo que os direitos sociais têm origem ainda mais distante. Precisamente, a partir de Confúcio (551 a.C. - 479 a.C), que exerceu forte influência política e filosófica sobre a China e toda a Ásia oriental. Enfatizava o Confucionismo "a moralidade pessoal e governamental, a exatidão nas relações sociais, a justiça e a sinceridade". Preconizava, em termos práticos, "a ascensão do indivíduo na sociedade pelo próprio mérito e não por linhagem sanguínea, como praticado pela nobreza ocidental".

Tais fundamentos constituíram a base filosófica que impulsionou aquele continente e que, por exemplo, é o fundamento da força econômica, educacional, urbana e tecnológica da China contemporânea. Ainda hoje os gestores públicos chineses são escolhidos segundo o critério da meritocracia, não de indignos privilégios cartoriais derivados do nepotismo, sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público, largamente praticado no Brasil

Na perspectiva brasileira, "a Constituição Federal (dita cidadã), de 1988, estabelece, no artigo 6º, que "são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição" - redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010. Evidentemente, o governo federal tem-se mantido incompetente no sentido de prover ao povo a excelência desses serviços.

O Brasil continua um país injusto e fragmentário, no qual o cidadão comum ainda se priva de condições básicas em relação a esses serviços, sobretudo no que tange à saúde pública, educação de qualidade, habitação popular, previdência social, saneamento básico, mobilidade urbana e infraestrutura física portuária, de transporte aeroportuário, rodoviária e ferroviário.

Em termos de condições sociais dignas oferecidas ao cidadão, permanecemos um país em lento processo de construção. Quem sabe um dia essa obra venha a ser concluída.


Saraiva  em recuperação judicial - Em 25/11/2018

Se a situação do escritor já estava difícil, hoje, com a quebradeira que vem atingindo as livrarias tornou-se pior ainda. Escrever livro é tarefa difícil, sofrida. O escritor se dedica de corpo e alma a escrever uma obra, quando conclui começa outro calvário: conseguir recursos para produzir editorialmente e imprimir, depois conseguir uma livraria que aceite colocar seu livro em suas prateleiras a taxas exorbitantes.

De acordo com informe divulgado nesta sexta-feira, 23, pelo Estado de S. Paulo, mais uma livraria é abatida pela séria crise econômica que se abateu sobre o Brasil nesses últimos anos. A rede Saraiva, à exemplo da Cultura, pede recuperação judicial. Com dificuldade para honrar dívidas que chegam a R$ 674 milhões, a maior rede de livrarias do país, com fortes dificuldades financeiras, agora em concordata acredita que, livre de compromissos de curto prazo, possa se reestruturar e assim voltar a pagar seus fornecedores.

A Saraiva, líder do mercado livreiro no Brasil, já fechou cerca de 20 lojas, demitindo 700 funcionários. A empresa, segundo a matéria do Estadão "é a segunda empresa do setor em pouco mais de um mês a pedir proteção da Justiça para reestruturar débitos e tentar seguir em operação. A Cultura está em recuperação judicial desde o mês passado".

Informa o Estado de S. Paulo que "as dificuldades da Saraiva ficaram evidentes no início deste ano, quando a companhia atrasou pagamentos às editoras de livros - suas principais fornecedoras. A companhia voltou a ter dificuldades nos últimos meses, e foi iniciado um novo período de negociações. Após não conseguir fechar acordo, a companhia decidiu pela recuperação judicial".

Situação preocupante

O reflexo da crise que se abateu sobre as duas principais redes, acende a luz vermelha para a fragilidade do mercado editorial brasileiro. Situação que se agrava em decorrência da baixa média anual de leitura de livros no país. O brasileiro, regra geral, não gosta de ler. Quando lê opta preponderantemente por livros de orientação religiosa, auto ajuda, aventuras fantásticas, de cunho erótico; sub literatura, enfim.

Segundo o Portal T5 Paraíba, em estudo publicado em abril deste ano, o brasileiro, por ano, lê em média 2,43 livros, como mostrou a pesquisa divulgada na 4ª edição dos "Retratos da Leitura no Brasil", desenvolvida em março de 2016, pelo Instituto Pró-Livro. De acordo com a instituição, vários fatores podem contribuir para a falta de costume em ler, como a desigualdade social, o analfabetismo, a falta de estrutura familiar e o educacional.

O estudo revelou ainda que 30% da população nunca comprou um livro. Para o Instituto, não é difícil de entender esse quadro social, já que no Brasil o analfabetismo ainda é uma realidade que atinge 11,8 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017.

De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), apesar do percentual da população alfabetizada funcionalmente ter passado de 61% em 2001 para 73% em 2011, apenas um em cada 04 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. Ou seja, o aumento da escolaridade média da população brasileira teve um caráter mais quantitativo (mais pessoas alfabetizadas) do que qualitativo (do ponto de vista do incremento na compreensão leitora).

O estudo levou em conta que, em 2015, 56% da população brasileira com cinco anos ou mais é considerada leitora de acordo com os critérios da pesquisa (ter lido ao menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa).

Mercado de discos

O mesmo fenômeno ocorre no mercado de discos, cujas grandes redes, espalhadas por todo o país evaporaram-se dos anos 1990 para cá em consequência da evolução tecnológica das mídias. Nesse processo foram banidos do mercado os LPs, substituídos pelos CDs, já desbancados por plataformas digitais, cujo acesso universal e direto dispensa a compra de CDs.

Na esteira alucinante dos avanços tecnológicos, a maior vítima é a própria música. Hoje no Brasil a maioria dos jovens desconhece os grandes compositores e intérpretes de canções românticas e da Música Popular Brasileira (MPB). Ouvir falar certamente já ouviram, mas quantos chegaram a comprar um CD de Elis Regina, Milton Nascimento, João Gilberto, Edu Lobo, João Donato, Elizete Cardoso, Beth Carvalho, Vinícius de Moraes, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola ou Tom Jobim?

Enquanto isso, explodem na mídia e no showbiz imensa quantidade de intérpretes bregas que hoje dominam o mercado de discos no Brasil. Entre essas "celebridades", cito algumas: Abel & Caim, Alex & Yvan, Amado & Antônio, As Galvão, Cacique & Pajé, Cascatinha & Inhana, Vítor e Leo, Pablo Vitar, Anitta, Jojó Todinho, Jacó e Jacozinh, etc. No conjunto dessa estirpe de sertanejos modernos, pioneiros como Alvarenga e Ranchinho, Jararaca e Ratinho, Toninho e Tinoco, absolutamente não têm vez.

Na verdade, país inculto não lê nem ouve música de qualidade. A mediocridade, competentemente, ocupa os espaços que a ignorância lhe abrem.

Defasagem de preços

A reportagem do Estadão salienta, por outro lado, que, "apesar de a venda de livros apresentar uma pequena alta em 2018 - de cerca de 5% em valores, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) -, a Saraiva lembrou que o preço do produto tem subido bem menos do que a inflação. Segundo a companhia, enquanto o IPCA - índice oficial de inflação - subiu 53,8% de 2000 a 2017, o valor unitário do livro caiu 8%, na mesma comparação".

Outro segmento que já foi a segunda maior fonte de receitas para a Saraiva - música e filmes - foi bastante afetado por avanços tecnológicos, segundo a companhia, que cita no documento de pedido de recuperação a emergência de serviços como Netflix e Spotify nessa área, conclui o Estado de S. Paulo..

Histórico

Fundada em 1947, a origem da Saraiva remonta, no entanto, a 1914, quando o livreiro Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva, um imigrante português, abriu uma pequeno sebo na rua do Ouvidor, em São Paulo, chamado Saraiva & Cia. A Saraiva é uma companhia aberta desde 1972. Em 2008, adquiriu a rival Siciliano.


Fascismo no Brasil, realidade ou mito? Em 26/10/2018

Tomou corpo, do lado das esquerdas, acusações abertas de que o partido e os apoiadores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, são fascistas. Por qual razão? Pelo fato de ele ser militar? Por sustentar duro discurso contra o desmonte do Estado empreendido nos governos do PT desde 2003? Por denunciar a prática do toma lá dá cá institucionalizado na Nova República comanda o relacionamento Legislativo/Executivo?

Por se declarar ostensivamente contrário aos desvirtuamentos de programas econômico-sociais como bolsa família (R$ 1,4 bilhão de desvios), minha casa minha vida, transposição do rio São Francisco? Obra que, desde o início do governo Dilma Rousseff pulou de uma estimativa de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões em 2012. Hoje na casa de R$ 12 bilhões, se concluída deverá ultrapassar R$ 20 bilhões. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressalte-se, previa inaugurar a obra em 2010. Já estamos em 2018 e sabe-se lá Deus quando estará concluída.

Bolsonaro, na verdade, apenas segue a onda popular que se opôs manifestamente ao fanatismo ideológico que se apossou dos governos petistas. A tal ponto que, na busca de usurpar o poder a qualquer custo (José Dirceu recentemente confessou o propósito em entrevista ao jornal espanhol El País), permitiu a instalação de cerca 16 mil sindicatos, base da república sindicalista que, inspirada na ditadura bolivariana de Hugo Chávez, na Venezuela, e Bolívia, o PT e seus aliados tinham em mente implantar no Brasil.

Visto por esse prisma, o discurso atribuído a Jair Bolsonaro, efetivamente não é só dele, mas do povo. Concretamente, o brasileiro, consciente do desastre iminente, a partir de 2013 começou a ir às ruas se manifestar contra o estado de descalabro das contas públicas e a possibilidade de falência do Estado. Organizado sem tutela partidária de qualquer tendência ou cor, declarou-se disposto a dar cobro à forte escalada do mar de corrupção que tomou Brasília de assalto e ao aparelhamento do governo.

Estado tal de desgoverno que quase põe a pique empresas como Petrobras, BNDES, Caixa Econômica; desmoralizou as agências reguladoras, gerou 14 milhões de desempregados, camuflou a reforma agrária com subvenções a movimentos terroristas, como o MST, que dá suporte, em grande monta, à agricultura familiar. O movimento tomou corpo, cresceu e levou a termo o "Fora Dilma", que resultou no processo de impeachment de Dilma Rousseff e seu definitivo afastamento da chefia do governo.

Nazifascismo

Mas, o que efetivamente significa fascismo? Em termos simples e direto trata-se de um regime político de direita, anticomunista, autoritário, totalitarista e fortemente nacionalista. Suas ideias defendem o sistema capitalista e suas propagandas exaltam o movimento. Liderado por Benito Mussolini, o movimento fascista cresceu na Itália em meio à crise econômica e social gerada pela Primeira Guerra (1914-18).

Com promessas nacionalistas e militaristas de resgatar a grandiosidade do antigo império romano, chegou ao poder em 1922 após a "Marcha sobre Roma". Implantou um regime ditatorial com censura a imprensa, controle ideológico, eficiente propaganda, repressão aos movimentos sociais e leis trabalhistas corporativistas (Carta Del Lavoro).

O nazismo se estabeleceu na Alemanha com a crise mundial de 1929. Expressão política da doutrina, o Partido Nazista cresceu e se solidificou sob o comando de Adolf Hitler. Líder carismático e brilhante orador, em 1933 foi nomeado chanceler pelo presidente Hindemburg, logo tornando-se o fuhrer (líder) e ditador.

Com apoio de uma eficiente propaganda, comandada por Goobels, Hitler manipulou as massas e implantou um Estado Totalitário baseado no racismo, anti-semitismo, campos de concentração e extermínio, culminando com o Holocausto durante a Segunda Guerra, quando 7 milhões de judeus foram mortos em câmaras de gás.

Esquerda-comunismo-direita

Há evidentes e fortes liames entre os métodos operacionais do fascismo e os preconizados pelas esquerdas, que se conduzem pela ideologia comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, doutrina sistematizado no século XIX, quando da deflagração da Revolução Industrial inglesa.

Diferentemente do nazifascismo, as principais características do comunismo resumem-se aos pontos a seguir: a) os meios de produção são socializados, pertencem a todos, b) o resultado do que é produzido é dividido entre todos os membros da sociedade, c) economia coletivizada, a produção deve ser apenas o suficiente para a manutenção da sociedade, e d) não existe o conceito de propriedade privada. O Estado é o todo poderoso, tudo vê e tudo controla. Por isso tais métodos não se adequaram a país algum que haja tentado implantar o regime, como União Soviética, China, Vietnã, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela, etc.

Quanto à direita, trata-se de regime liberal. Defende que o Estado apenas se ocupe de setores fundamentais, como educação, saúde pública, saneamento, segurança, etc., deixando a produção industrial e agropecuária a cargo da iniciativa privada - micro, pequenos, médios ou grandes empresários. Esses conceitos precisam estar realmente claros para o cidadão que, muitas vezes se deixando levar por propagandas fantasiosas, compra gato por lebre.

Particularizando a questão, o que enfim pretende a esquerda no Brasil? A militância realmente está consciente dos propósitos desse movimento? Um governo de esquerda significa obediência cega a um regime onde o estado controla tudo: desde a mente das pessoas, a economia, a infraestrutura, o transporte, a política salarial, educacional, de saúde, de segurança, os meios de produção via empresas estatais; sanha dominante que inclui, e principalmente, os meios de comunicação, acabando com a liberdade de imprensa.

Onde viver?

Em conclusão, cito vinheta em circulação na internet dando conta do seguinte: para saber se um cidadão realmente simpatiza com a esquerda ou a direita, pergunte-lhe: Se tivesse que se mudar do Brasil, que outro país escolheria para viver? Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Canadá, Chile; ou Cuba, Venezuela, União Soviética, Coreia do Norte?




PT fora da campanha de Haddad - Em 16/10/2018

Representação do Partido na Câmara dos Deputados:

Líder:

PAULO PIMENTA

Vice-Líderes:

ERIKA KOKAY

VALMIR PRASCIDELLI

JOÃO DANIEL

LEO DE BRITO

PAULÃO

ZÉ GERALDO

CARLOS ZARATTINI

NILTO TATTO

HENRIQUE FONTANA

SÁGUAS MORAES

MARIA DO ROSÁRIO

JORGE SOLLA

NELSON PELLEGRINO

PATRUS ANANIAS

ANGELIM

MARCO MAIA

WADIH DAMOUS

AFONSO FLORENCE

Estranhamente, porém, nenhum desses líderes partidários está engajado na campanha de Fernando Haddad à presidência da República.

Fora também Gleisi Hoffmann (PR), Lindbergh Farias (RJ), Paulo Pimenta (RS), Vanessa Grazziotin (AM), Wadih Damous (RJ), Dilma Rousseff (MG), Eduardo Suplicy (SP), Fernando Pimentel (MG), Paulo Paim (RS), Ideli Salvatti (SC), Ana Júlia Carepa (PA), Aloizio Mercadante (SP), Serys Slhessarenko (MT), Jacques Wagner.

Indiferentes à campanha, igualmente, expressões históricas como João Paulo Cunha, Wellington Dias, Jorge Viana, Zeca do PT, Luis Marinho, Zé Dirceu, José Genoino, Rui Falcão, dentre outros líderes do partido no Nordeste, os governadores do Ceará e Piaui.

Importantes componentes da cúpula petista estão omissos desse rol por se encontrarem presos ou em fase final de julgamento pela Operação Lava Jato.

Na verdade, Haddad está só, por sua própria conta. Abandonado por Lula e líderes de forças aliadas, como o fanfarrão Ciro Gomes, que, vendo o barco petista fazer água, tomou o rumo da Europa para evitar assistir ao vivo a derrocada final da candidatura a qual tanto se opôs e detonou em contundente discursos, como o mais recente de seu irmão Cid Gomes em Fortaleza.

O PT foi fundado por um grupo heterogêneo, formado por militantes de oposição à Ditadura Militar, sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo.

O partido foi fruto da aproximação entre os movimentos sindicais da região do ABC, que organizaram grandes greves entre 1978 e 1980, e militantes antigos da esquerda brasileira, entre eles ex-presos políticos e exilados que tiveram seus direitos devolvidos pela lei da anistia.

Desde a fundação, assumiu a defesa do socialismo democrático, mas rendeu-se ao socialismo bolivariano (ou sei lá o que isso signifique) implantado na Venezuela por Hugo Chávez, que quebrou o país.

Efetivamente, seus ideais socialistas ruíram quando a nação tomou ciência do imenso esquema de corrupção instalado na cúpula partidária alcançada e denunciada pela Operação Lava Jato, que está levando a prisões federais lideranças históricas, a partir do ex-presidente Lula da Silva.



Brasileiro, domingo, vota contra a intolerância e a corrupção - Em 04/10/2018

A sociedade brasileira que apoia Jair Bolsonaro, do PSL, e se opõe ao candidato Fernando Haddad, do PT, não é belicosa. Não defende nem apoia a bancada da bala como afirmação de suas convicções políticas, não quer o armamento da população pelo simples prazer de usar armas, não defende golpe militar nem violência ou intolerância contra opositores. O brasileiro é da paz, sempre foi. Tolerante, gosta de futebol, carnaval, churrasco, chopp e jogar conversa fora em boteco. Quem não gosta de nada disso, salvo de mesa de bar, é a militância raivosa do PT e seguidores.

Estes detalhes precisam ser esclarecidos urbi et orbi, a todo o universo. Há equívocos substantivos por parte de simpatizantes das "esquerdas", mais ainda de certos setores da imprensa internacional a respeito do quadro político nacional. Segundo o Le Monde, o Brasil, repudiando Lula e o petismo, derrotando Haddad, estaria se aliando à extrema direita, rejeitando "avanços" das esquerdas a partir da era Lula. Informação fake, distorcida da realidade brasileira.

Contrariando o título de uma de suas últimas matérias - "Ódio ao PT impulsiona extrema direita no Brasil" -, o jornal francês cita o depoimento de "um típico representante da pequena burguesia paulista hermética às ideias de esquerda", um cabeleireiro de São Paulo. Para ele, Lula e o PT "criaram um bando de vagabundos que não querem trabalhar", ao distribuir o Bolsa Família". O brasileiro em verdade cansou do populismo irresponsável e quer o fim da intolerância, do radicalismo ideológico vazio e improdutivo, do mar de corrupção desenfreado que invadiu Brasília. O brasileiro quer, enfim, seu país de volta para, dentre outras razões para vencer a intolerância, o radicalismo e reposicioná-lo na via do crescimento.

O Le Monde, por fim, rende-se à realidade política nacional, ao afirmar: "mesmo se quase nenhum partido sai incólume do escândalo Lava Jato, o PT e Lula viraram símbolos da corrupção, alimentando o rancor em relação ao partido de esquerda. A crise econômica também aumenta o desgosto da pequena burguesia, explica ao Monde, Daniel Pereira, professor de sociologia da FGV-SP". Estes, efetivamente, os pontos transcendentais por detrás do "PT nunca mais", que cresce como um tsunami por todo o Brasil.

Em realidade, a situação política no Brasil chegou a tal nível de extremismo que o cidadão de bem resolveu dar um basta nesse estado de coisas. Em consequência, os petistas estão acuados, certos de que serão derrotados no pleito de domingo. Acreditam que a causa da rejeição do eleitorado provém de uma "sociedade conservadora", que se deixou seduzir por discursos de intolerância. A mesma sociedade, cabe salientar, que elegeu o PT quatro vezes seguidas para a Presidência.

Mutatis mutandis: se outros o rejeitam, repudiam seu comportamento e seus métodos políticos, o problema está nos outros, não em você.

Petistas independentes, alguns deles expulsos do partido ou que dele se afastaram por decisão própria, pragmaticamente avaliam que o PT fracassou porque, uma vez no poder, teria sido obrigado a ceder em nome da "governabilidade", eufemismo para "corrupção". O velho e cansado "toma lá, dá cá" pefelista, método que tanto rejeitaram e combateram em nome do purismo ideológico que imaginavam incorporar.

Lobos em pele de cordeiro, na verdade seu foco principal sempre foi o poder absoluto, ditatorial, bolivariano, objetivos, aliás, instalados no DNA das "esquerdas". Jurássicas, equivocadas e fora completamente do contexto do socialismo moderno, cujo sistema de governo concilia, quando o caso, "soft power", poder brando ou poder de convencimento, com o "hard power", impositivo, coercitivo, imperante no mundo globalizado, neoliberal.

Nesse contexto, "sociedades complexas" geram condições essenciais à evolução tecnológica dos meios de produção e dos sistemas gerenciais; da dinâmica comercial, da logística de transporte, que inovam e, consequentemente, lideram os mercados mundiais. Na outra ponta da régua, as "sociedades simples", dependentes do andar de cima, historicamente vocacionadas ao subdesenvolvimento.

O Brasil, de fato, gradativa e evolutivamente vem rejeitando tais determinismos ideológicos e, por outro lado, mostrando-se menos tolerante em relação a um dos mais deletérios efeitos do totalitarismo bolivariano: a corrupção. Fator que configura sem dúvida uma das mais importantes causas da rejeição do petismo. Mas não a principal. A real causa do desprezo que os brasileiros assumem em relação ao PT encontra-se nos meios e métodos como a militância e simpatizantes, radicais, intolerantes, totalitaristas, bandeiras vermelhas em punho e raivosas palavras de ordem, agridem quem eventualmente não concorda com eles.

Em termos práticos, se você não segue o óbvio pensamento dito de esquerda, com raciocínios do tipo "pobre é bom, rico é ruim" e outros estereótipos do gênero, você será, pontualmente homofóbico, elitista, machista, racista dentre outras imputações intolerantes-pejorativas.

De acordo com estudo publicado no site Jusbrasil, de Roberto de F. Macedo, a nação brasileira do século 21 está marcado pelo estabelecimento de uma certa polícia comportamental. São os vigilantes da moral, os caçadores de preconceitos. Nunca as pessoas foram tão rotuladas no país. Se você não concorda com um militante, ele não diz que vocês têm pontos de vista diferentes, nem mesmo diz que você está enganado: ele diz que você expressa essa opinião, no mínimo, por ter se vendido para as elites. Ou seja: por ser desonesto. Para o esquerdista brasileiro, é impossível que alguém discorde genuinamente do que ele jura ser A Verdade.

Recorte indispensável ao discurso daquela socióloga petista que odeia a classe média, sob aplausos da cúpula petista. Lula, tolerante com tais agressividades, avisa, por outro lado, que vai convocar o exército do Stédile para atacar a oposição ao PT, e o exército do Stédile vai às ruas e fecha estradas e toma prédios públicos e destrói pesquisas científicas. Agências de guerrilha virtual recebem fortunas para acabar com a reputação de adversários políticos.

Com toda autoridade de um dos mais importantes líderes do PT, o ex-ministro José Dirceu disse ao jornal "El País", que "é uma questão de tempo" para o PT tomar o poder no Brasil. Textualmente: "Dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse ele, quando questionado sobre o que acha da possibilidade de o PT "ganhar mas não levar" as eleições.

Há cerca de oito anos, Diogo Mainardi mal conseguiu falar num evento da PUC, porque esquerdistas gritavam que ele é "traidor da América Latina". Em suma, quem fala contra os métodos petistas é vaiado, injuriado e difamado com toda violência. Situação ocorrida com aquele cidadão que por acaso passou pela manifestação contra a prisão de Lula em São Bernardo do Campo, SP, e foi agredido e impiedosamente esmurrado por um ex-vereador petista e seu filho até desmaiar.

Onde a tolerância, o amor ao próximo, a solidariedade, a cooperação, a reciprocidade? Recorrendo a Shakespeare: palavras, palavras, não mais do que palavras.

Afirma em conclusão o Jusbrasil: durante todos esses anos, a classe média, formada quase que totalmente por trabalhadores, foi odiada, rotulada, julgada e condenada por uma suposta elite intelectual de esquerda. Ao proceder assim, essa esquerda jogou o Brasil à direita. A arrogância da esquerda chocou o ovo da serpente e pariu a nova direita. Que já está vicejando e mais ainda vicejará, se não se comportar com igual arrogância. Há motivo para o ódio e a intolerância. Não é caso de política, é caso de física básica. Não é caso da lei brasileira, mas da terceira lei de Newton: não existe ação sem reação.


Sem pacto de governabilidade, Brasil quebra - Em 27/09/2018

O Brasil encontra-se dividido "entre pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros, corruptos)". A frase, citada aqui e ali, no fundo revela perigoso grau de intolerância que vem permeando a sociedade brasileira, processo recrudescido com a ascensão ao poder das "esquerdas", tendo à frente PT, PCdoB e aliados.

Utilizando métodos e instrumentos do chamado socialismo bolivariano instalado por Hugo Chávez, na Venezuela e por Evo Morales, na Bolívia, os governos de Lula da Silva, Dilma Rousseff e seguidores deixaram claro que eles eram "os bons", e toda a população oposicionista "os maus" (coxinhas, direita burguesa, capitalistas selvagens, etc.). A situação chegou a tal ponto que qualquer pensamento diferente é imediatamente interpretado como inimigo. Diferente de tempos passados, quando o brasileiro era predominantemente tolerante, bem humorado, aberto, boa praça, como se dizia.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só um pacto político de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa poderá aliviar as tensões. E com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o alto índice de desemprego, a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

Segundo editorial do Estado de S. Paulo deste domingo, 23, "todos os candidatos a presidente, pelo menos é o que se imagina, estão interessados não apenas em ganhar a eleição, mas em governar o País. Sendo assim, descontados os naturais arroubos de campanha, todos precisam se importar com as condições mínimas de governabilidade, e a principal delas é o equilíbrio das contas públicas. Para isso, uma vez fechadas as urnas, será necessário promover um grande entendimento nacional, que só funcionará, antes de mais nada, se vencedores e vencidos reconhecerem o quadro de descalabro fiscal e a necessidade de superá-lo. Esse consenso básico nada tem a ver com este ou aquele programa de governo, pois nenhuma proposta apresentada hoje pelos candidatos, independentemente de sua qualidade, poderá ser implantada sem que se promovam reformas que ajustem o Estado à realidade e, assim, permitam o crescimento sustentável da economia".

Vai mais além o Estadão: Em meio à balbúrdia dos palanques, animada por uma batalha ideológica entre esquerda e direita como raras vezes se viu no Brasil, corre-se o risco de perder a perspectiva do desastre econômico que se avizinha. Os números, que não têm partido ou candidato, falam por si. As contas públicas saíram de um superávit primário (sem contar os juros, em valores atuais) de R$ 130 bilhões em 2002, antes da era petista, para um déficit de R$ 159 bilhões, valor estabelecido como limite para este ano. Sem superávit fiscal, a dívida bruta do setor público atingiu cerca de 75% do PIB, subindo em velocidade acelerada - estava em 70% do PIB apenas dois anos atrás.

As despesas públicas crescem 6% ao ano em termos reais, muito acima da expansão da economia. Funcionalismo e Previdência Social, somados, correspondem hoje a 70% do Orçamento e, sem reformas que contenham seu ímpeto, continuarão a se dilatar. Em breve, não sobrarão recursos para realizar o mínimo necessário de investimentos - rubrica que apresentou queda de cerca de 30% - e tampouco haverá dinheiro para custear o funcionamento corriqueiro da máquina pública.

É por essas razões, entre outras tantas, que o atual governo implantou um teto para frear a gastança. Esse mecanismo obriga o poder público a racionalizar as despesas para que todas caibam no Orçamento - algo que deveria ser óbvio. No entanto, salienta o editorial do Estadão, justamente por impor limites à imaginação populista, o teto dos gastos está sob risco - quase todos os candidatos a presidente já disseram que pretendem abandonar essa restrição.

O resultado será, inevitavelmente, agravado pela ausência das reformas de base, implicando na falência total do Estado brasileiro. É pagar para ver. Vamos, com efeito, iniciar processo de mergulho nas profundezas do desconhecido, mas continuar intransigentemente divididos, sem se dar conta de que, em política, convicções fortes, tolerância, capacidade de negociação são faces da mesma moeda. Estados civilizados, dotados de estruturas complexas, crescem, se desenvolvem. O contrário configura a máxima expressão do caos social, político e econômico.

Carta de FHC

Em carta dirigida à nação, na última sexta-feira, 21, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, extemporaneamente, saliente-se, observa que diante de tão dramática situação, quase nenhum candidato à Presidência tem coragem e condição política de assumir a real situação das contas públicas e do caos político. No geral, afirma categoricamente, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas.

Fernando Henrique, em 2002, preterindo José Serra, o candidato natural do PSDB, entregou de bandeja a presidência da República a Lula da Silva, por simples questão de vaidade: a de passar a faixa presidencial a um metalúrgico semi analfabeto, fruto do populismo sindical. Deu com os burros n'água. Lula procurou destruir as reformas do Plano Real, sobretudo a Lei de Responsabilidade Fiscal e as privatizações, e assumiu, sob a égide do Foro de São Paulo, aberto e desbragado populismo bolivariano. O mega projeto de perpetuação no poder das hostes petistas. Para completar elegeu o poste Dilma Rousseff, que completou sua obra de quebrar o Brasil. Quase conseguiu.

O brasileiro precisa ter noção exata desses movimentos. Simplesmente denotam que a política no Brasil é exercida em função de conveniências partidárias mesquinhas, em que os interesses da nação são ostensiva e abertamente ignorados

Pedro II, resgate histórico - Em 24/09/2018

De acordo com Yuval Noah Harari, em seu extraordinário livro "Uma breve história da humanidade - SAPIENS", 2017, há cerca de 13,5 milhões de anos havia tão somente matéria, energia, tempo e espaço que se aglutinaram no chamado Big Bang. Harari não explica como e de onde surgiram esses elementos da natureza. Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, matéria e energia, combinadas, produzem os átomos, que se combinam em moléculas. Há aproximadamente 3,8 milhões de anos, a combinação de certas moléculas começam a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas organismos. Prossegue o autor: há cerca de 70 mil anos, os organismos pertencentes à espécie "Homo sapiens" começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas.

O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominado história. Para completar o preâmbulo, reproduzo o raciocínio de Harari, segundo o qual três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos. A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás, e a Revolução Científica, iniciada há apenas 500 anos, nos conduziu ao mundo contemporâneo e suas fantásticas tecnologias presentes na informação, no ensino, na cultura, na circunavegação, na engenharia, na medicina, na biotecnologia, nas conquistas espaciais, na produção de alimentos e produtos agroindustriais; na imprensa, esteio do Renascimento; na geração de novas tecnologias (investimentos em P,D&I), e assim por diante.

Como se pode observar claramente, a história e a cultura sempre estiveram no cerne dos processos criativos e de conquistas humanas. O movimento desencadeado por meio do lançamento do livro GYMNASIANOS, de minha autoria, visa fundamentalmente isso. Trabalhar em torno do resgate do papel central do histórico Colégio Estadual do Amazonas em relação ao padrão do ensino no Amazonas, que por décadas liderou. A proposta consiste, em síntese, da criação da Associação dos Ex-Alunos, e, por seu intermédio, juntar-se à direção do Colégio e às secretarias de educação e cultura do Estado e do Município nos preparativos da celebração dos 150 anos de fundação do Gymnasio Amazonense Pedro II, em 1869, centro da política Imperial de instituir e consolidar padrão de ensino e fomento à cultura por todo o país.

A história do Colégio Amazonense Dom Pedro II (denominação oficial atual), desde sua instalação é marcada por lutas de gerações em torno de ideais libertários e renovadores. O gymnasiano celebrizou-se como protagonista da ação política, em inúmeras contendas em torno desses ideais, , contando para tal com o entusiasmo e a coragem de uma juventude em ebulição. A mais célebre dessas lutas teve campo na Revolução de 30. Movimento que, pela força das armas, depôs o presidente Washington Luís, e, com apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e estados nordestinos, levou Getúlio Vargas ao poder, que exerceu por 19 anos (Era Vargas). Os gymnasianos apoiaram as forças insurgentes contra São Paulo numa luta ferrenha que deixou marcas de balas visíveis no colunato frontal externo do histórico edifício.

Independentemente do espírito libertário e contestatório do gymnasiano, o Colégio ocupou desde início papel preponderante em relação ao padrão de ensino do Amazonas. Quadro que perdurou até meados dos anos 1970. Posteriormente, tornou-se um colégio comum, sem expressão política, educacional e cultural. É anseio de um grupo de ex-alunos, professores e estudantes do Pedro II lutar pelo resgate dessas tradições e do padrão de ensino que sustentou. Objetivo factível tendo em vista que muitos nomes do empresariado, da política, da cultura, da universidade, dos profissionais liberais são egressos do Casarão da Sete de Setembro. A começar pelo governador Amazonino Mendes, gymnssiano que, como eu foi presidente do Centro Estudantal "Plácido Serrano", há muitos anos desativado. Uma imposição histórica à qual não podemos nos omitir.

Manaus, 24 de setembro de 2018.


Gymnasianos e o sesquicentenário do Pedro II (1)

GYMINASIANOS, em essência, a nova versão da mesma obra, lançada em 2011, revisada e ampliada. Uma crônica narrativa de momento especial de transição da adolescência para a juventude, final dos anos 1950, início dos 1960, de um grupo de jovens alunos do Colégio Estadual do Amazonas (CEA) - a primeira geração nascida no fim da World War II (1939-1945) -, comprometido com um futuro melhor para o Amazonas e o Brasil.

Como característico do estilo literário adotado, o livro utiliza linguagem simples e direta, tanto em primeira quanto em terceira pessoa, não raro recorrendo ao humor de que diversos episódios narrados se revestem. Sobretudo em relação aos "causos" protagonizados por alunos entre si, com professores e bedéis, os inspetores disciplinares.

Embora de fácil leitura, o GYMNASIANOS não se descuida do rigor analítico, especialmente no que toca aos aspectos que dão sustentação à narrativa de fatos históricos relevantes, como no que diz respeito aos planos de governo do período pós 1945 (especialmente dos governos Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek) e aos movimentos políticos que viriam a deflagrar o Golpe Militar de 1964 e os envolvimentos estudantis no processo.

A segunda edição do GYMNASIANOS assume particular magnitude ao registrar que, em setembro de 2019, o Colégio Estadual do Amazonas, o histórico GYMNASIO Amazonense Pedro II, completará 150 anos. Desta forma, o autor e seus colaboradores alimentam a expectativa de que o livro possa se transformar em fator de mobilização dos que se sentaram em seus bancos escolares para constituição da Associação de Ex-Alunos. A ideia central é que a Associação possibilite trabalhar junto à Direção do Colégio e ao governo estadual uma programação comemorativa do jubileu consentânea à importância de uma instituição que, por um século e meio vem formando cidadãos, na sua grande maioria identificados com a vida política, social, cultural e econômica do Amazonas.

O lançamento da primeira edição do GYMNASIANOS, em 2011, constituiu, seguramente, uma epifania cívico-cultural, que agitou Manaus por meses. E que restabeleceu o elã, a centelha latente no sentimento de ex-alunos, mestres e funcionários no tocante ao significado histórico da instituição. Comunidade que viveu magníficas experiências de vida naqueles anos 1950/1960 numa Manaus ainda bucólica, inocente, despojada de maiores ambições, talvez até exageradamente acomodada com os infortúnios sociais e econômicos herdados da debâcle do período áureo da borracha.

Centro urbano perdido no coração da floresta amazônica, mas dotado de infraestrutura de boa qualidade, um grande templo de artes e cultura, o majestoso Teatro Amazonas; palácios, palacetes, bungalows, avenidas, praças e largos em estilo francês, bondes, cafés e confeitarias, magazines ainda com cheiros e traços de Paris e Londres. Cidade que seguia seu rumo, vivendo modestamente, sem maiores expectativas em relação ao seu destino até então incerto, mas preocupada com a formação educacional de seus jovens.

Escrever um livro é um desafio que exige desprendimento e discernimento para fugir de certas armadilhas, como o fácil e pedante autoelogio. Por isso abri o GYMNASIANOS aos colegas. Ofereci espaços para crônicas e registros de impressões, com interessantes e criativos resultados. Nesse sentido, recebi importantíssimas colaborações, dispostas ao longo desta segunda edição, especialmente no Post Scriptum, integrado de textos de alta qualidade e valor histórico significativo. Registre-se, a propósito, que o Colégio Estadual do Amazonas formou grandes cabeças, profissionais de destaque nos mais diversos campos de atividades. - médicos, engenheiros, professores, economistas, advogados, assistentes sociais, odontólogos; políticos de destaque nos legislativos municipal, estadual e Federal além de inúmeros prefeitos e governadores.


* O texto é uma réplica adaptada da Apresentação do GYMNASIANOS, Segunda Edição.



Ditadura de Maduro esmaga e afugenta povo venezuelano - Em 24/08/2018

Diante da escalada da crise na Venezuela que leva cada vez mais venezuelanos a cruzarem as fronteiras rumo ao Brasil em busca de uma vida melhor, o Governo de Michel Temer assinou um decreto reconhecendo a "situação de vulnerabilidade" em Roraima. O Estado é a principal porta de entrada dos imigrantes que fogem da crise de abastecimento de alimentos, do colapso dos serviços públicos e de uma inflação de 700% no país vizinho.

O presidente ainda editou uma medida provisória (MP) que acena com ações de assistência emergências para imigrantes venezuelanos no Estado em diversas áreas, como proteção social, saúde, educação, alimentação e segurança pública. Elas serão coordenadas por um comitê federal composto por representantes de distintos ministérios e conduzidas em parcerias entre União, Roraima e municípios.

A prefeitura de Boa Vista estima que mais de 130 mil venezuelanos já tenham entrado no Estado, o que representa mais de 39 % dos cerca de 330.000 habitantes da capital. Todo o Estado tem 522 636 habitantes. Muitos desse contingente já deixaram Roraima deslocando-se para outras regiões do país e países vizinhos, como Colômbia e Guiana.

Mesmo assim, cerca de 500 venezuelanos continuam entrando em Roraima via Pacaraima todos os dias. O Comando Militar da Amazônia estima que mais de 2.000 deles estejam dormindo em barracas ou bancos de praças públicas a céu aberto. São basicamente refugiados que escapam da crise humanitária e política que vem devastando a Venezuela governada pelo sanguinário ditador bolivarianista Nicolás Maduro. Insensivelmente, responde pelo desabastecimento, a extinção do emprego, a violência contra oposicionistas e uma crise econômica sem precedente que quebrou o país e gerou uma inflação de 1.000.000 % este ano.

A forte imigração impacta ainda os serviços de saúde e educação, que estão entrando em colapso. Segundo o governo de Roraima, o Estado tem apenas um hospital de alta complexidade e atualmente metade da capacidade de atendimento da saúde está sendo ofertada aos estrangeiros. "Desde o início, avisamos que isso levaria a um colapso social, porque Roraima já é muito vulnerável, um dos mais pobres. Cobramos uma atitude do Governo Federal, mas ele foi negligente. Essa crise já se arrasta há dois anos e só agora chegam essas medidas?", alerta um comunicado oficial.

Vale salientar que no auge do fluxo migratório dos imigrantes vindos do Haiti, após o terremoto de 2010, o Governo do Acre chegou a despachar diversos ônibus com refugiados haitianos para São Paulo sem a menor coordenação com as autoridades do Estado. As pessoas chegavam e não tinham sequer um primeiro local de abrigo, sendo colocadas outra vez em uma situação bastante vulnerável. O que fazer em circunstâncias desesperadoras como estas?

Não raro a questão dos refugiados, em plano mundial, regra geral é tratada hipocritamente por ONGs e entidades de direitos humanos. No caso dos venezuelanos, em síntese, está sendo absorvido e administrado, "por questões humanitárias", pelo governo e o povo brasileiro, basicamente o cidadão roraimense. Enquanto isso, nada acontece ao ditador Maduro, que destruiu a economia do país e levou a esse estado de indigência e de desesperança do povo venezuelana? Os países precisam ajudar humanitariamente refugiados, normalmente tangidos de suas pátrias por injunções políticas ditatoriais (vide Cuba, Líbia, Síria, Oriente Médio e países africanos).

O que não se admite é deixar que ditadores prossigam impunemente cometendo crimes políticos, econômicos e humanitários contra seus povos. Onde se encontram neste momento a ONU, a OEA e o Foro de São Paulo? A questão é gravíssima. Um povo sendo massacrado e humilhado pelo seu próprio governo. Observe-se que, enquanto em toda a Europa o movimento migratório recente envolveu cerca de 1,8 milhão de refugiados, na Venezuela esse número já ultrapassou 2,3 milhões.

Enquanto isso, centenas de representantes de movimentos e organizações sociais, intelectuais e personalidades ditas "democráticas" de 12 países da América Latina e do Caribe reuniram-se na Cidade do México, às vésperas da 47ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), levada a cabo em junho de 2017. Os trabalhos da OEA se iniciaram com uma Reunião de Consulta de Ministros de Relações Exteriores visando a aplicação da chamada "cláusula democrática", uma espécie de censura pública contra o país, ardentemente desejada pela oposição venezuelana.

A proposta foi rechaçada por imensa maioria das forças "revolucionárias" de nosso Continente, que transformou a Assembleia da OEA numa reunião de solidariedade à Venezuela. Do ponto de vista bolivariano "um grande acontecimento político que denunciou de forma veemente o apoio da OEA à intentona fascista da direita venezuelana, desnudou o caráter servil desta organização e expressou um firme apoio à revolução bolivariana". O evento foi denominado de "Encontro dos Povos pela Paz, a Soberania e o Futuro" e reuniu, além do país anfitrião e da própria Venezuela, representantes da Bolívia, Brasil, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Peru e República Dominicana.

Para essa linha embalada por sectarismo ideológico desmedido, irresponsável e deslocada do mundo socialista moderno liderado por China, Rússia e Vietnã, o jurássico Maduro está certo, o povo faminto e sem horizontes errado. Não deixam dúvidas ao proclamarem com toda convicção: "Dane-se a nação, viva o bolivarianismo!". É isso que interessa. E assim a situação se agrava a cada dia. O curioso é que bolivianos, cubanos, salvadorenhos, guatemaltecos, nicaraguenses, panamenhos e dominicanos não querem nem ouvir falar de refugiado venezuelano. O problema esquenta como batata quente nas mãos de brasileiros, colombianos, peruanos e equatorianos.

Chega de hipocrisia! O Brasil convive com uma grave crise econômica que produziu contingente superior a 13 milhões de desempregados e uma inadimplência monstruosa dos consumidores. O número de brasileiros comcontas em atraso e restrições de crédito no comércio alcança cerca de 61,7 milhões de cidadãos. O número de inadimplentes, segundo estimativa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), corresponde a 40,5% da população com idade entre 18 e 95 anos.

Ora, se não resolvemos nossos próprios problemas - emprego, educação, prover saúde pública, segurança e saneamento básico aos nossos cidadãos - como nos arvorar a solucionar os do vizinho? Ajudar venezuelanos, inquestionavelmente é obrigação do Brasil; todavia, que o ditador Maduro pague a conta! O problema é dele não da América Latina. A conta, no entanto, segundo o Palácio do Planalto já é superior a R$ 200 milhões, que a sociedade brasileira vem bancando.


Açaí, ouro negro da Amazônia - Em 13/08/2018

O paraense José Maria Cardoso da Silva, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade de Miami, Coral Gables, um dos co-autores do livro PAN-AMAZÔNIA, Visão Histórica, Perspectivas de Integração e Crescimento (2015), organizado por mim e o pesquisador da Embrapa Alfredo Homma, define biodiversidade como toda a variação de espécies e ecossistemas que existe no planeta, que inclui variedade dentro das espécies, entre as espécies, dentro de ecossistemas e entre os ecossistemas. Esta enorme variação, resultado de bilhões de anos de evolução, é que permite a nossa sobrevivência. Sem ela, afiança Cardoso da Silva, não seríamos o que somos e sem ela não poderíamos realizar todo o nosso potencial.

Por sua importância relativa à cadeia alimentar e da saúde, o açaí desponta como uma das estrelas do universo bioeconômico da região. Segundo estudos orientados pelo médico Euler Ribeiro, diretor da UnATI-UEA, Ivana da Cruz, bióloga da Universidade de Santa Maria (UFSM) e Ana Andreazza (Universidade de Toronto), o açaí demonstrou capacidade de proteger e recuperar condições normais de neurônios (células do cérebro) com alterações adversas em seu funcionamento encontradas em pessoas com transtorno bipolar.

De acordo com as pesquisas da UnATI-UEA/UFSM, efeitos positivos do açaí parecem resultar de grande quantidade de nutrientes ditos funcionais, os quais conseguem proteger as células dos radicais livres. Os resultados dessa pesquisa sugerem que o açaí é um alimento que, desde que indicado por profissionais da saúde, poderia ser adicionado à dieta de pessoas portadoras de problemas de saúde em diversos campos. De acordo com Euler Ribeiro e Ivana Cruz, a polpa do açaí tem recebido cada vez mais atenção na Amazônia e em todo o mundo de tal sorte que hoje em dia é considerado uma superfruta, recebendo ainda o título de fruto mais completo do mundo, autêntico ouro negro.

Em virtude de sua atividade antioxidante, ou seja de combate a moléculas que causam danos ao organismo e levam ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças, o consumo de açaí tem sido eficaz como preventivo de doenças cardíacas. Estudo desenvolvido na Universidade de Arkansas- Estados Unidos concluiu que o consumo rotineiro de suco de açaí reduz os riscos de aterosclerose, o acúmulo de placas de gorduras nas artérias que pode levar ao Infarto e ao Acidente Vascular Cerebral.

Adicionalmente, o açaí apresenta atividade de proteção do cérebro contra a doença de Alzheimer, diminui a duração de convulsões em ratos e é capaz de prevenir danos no cérebro. Diante de tantas evidências dos benefícios do açaí, a parceria UEA-UnATI, Universidade Federal de Santa Maria e Universidade de Toronto, firmada em 2015, já apresenta importantes resultados. Um dos estudos realizado no Canadá, pelo aluno da UFSM Alencar Kolinski Machado, está publicado na revista científica inglesa Oxidative Medicine and Cellular Longevity.

Todos os estudos levados a cabo por diversas instituições de pesquisa atestam que o açaí possui 10-30 vezes mais antioxidantes que o vinho tinto; promove ótimo equilíbrio entre gorduras insaturadas e fibras, que ajudam a proteger a saúde do coração e do aparelho digestivo, uma combinação perfeita de aminoácidos e minerais, fundamentais para a regeneração e desempenho muscular. Além do mais, o açaí é altamente energético e protege todo o organismo contra o ataque de doenças.

Saliente-se, oportunamente que, por por deficiência de acuidade sobre extenso elenco de produtos amazônica estratégicos, perdemos os mercados da borracha, do pau rosa, das essências vegetais e de outros recursos de alto valor econômico de nossa biodiversidade. Nesse sentido, o Prof. Cardoso da Silva é conclusivo: precisamos bater na tecla de que somente os amazônidas podem desenvolver a Amazônia. Estratégias alternativas (modelos desenhados fora da região) não funcionam e nunca funcionarão. Cumpre apenas nos conscientizarmos dessa verdade elementar.


O caos da corrupção, da violência e a fuga de cérebros - Em 03/08/2018

O Brasil, de 2017 para 2018 regrediu dramaticamente no ranking que avalia a percepção da corrupção no mundo divulgado pela Transparência Internacional em fevereiro deste ano. O país caiu 17 posições em comparação ao ano anterior e ocupa o 96° lugar na lista de 2017, que avaliou a corrupção do setor público em 180 países. Na escala que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto), o Brasil aparece com 37 pontos, três a menos que em 2016.

O Brasil também se encontra na pior situação dos últimos cinco anos. Atualmente, divide a 96ª posição com Colômbia, Indonésia, Panamá, Peru, Tailândia e Zâmbia. E fica atrás de países como Timor Leste, Sri Lanka, Burkina Faso, Ruanda e Arábia Saudita. Desde 2014, o índice de percepção da corrupção (IPC) vem piorando no Brasil, que também deteriorou sua posição relativa a outras nações em desenvolvimento, como, por exemplo, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O país está agora à frente apenas da Rússia, que alcançou 29 pontos.

Segundo a avaliação da Transparência Internacional, a trajetória de queda observada nos últimos anos pode ser explicada pelos efeitos da Lava Jato e outras grandes operações que mostram um esforço em enfrentar o problema. O efeito inicial de agravamento da percepção de corrupção é comumente observado em países que começam a confrontá-la de maneira eficaz, pois traz o problema à luz em toda a sua dimensão. No entanto, se o país persiste no combate à corrupção, o efeito negativo começa a se reverter numa percepção de maior controle da corrupção. O que não está acontecendo no Brasil.

No lado oposto, Nova Zelândia e Dinamarca ocuparam as primeiras posições, com a pontuação de 89 e 89 respectivamente. Síria, Sudão do Sul e Somália se posicionaram nos postos mais baixos, com pontuações de 14,12 e 9. Em 2017, mais de dois terços dos países obtiveram uma pontuação inferior a 50- que demonstra que o país está falhando em lidar com a corrupção-, e a pontuação média foi de 43. Na América do Sul, apenas o Uruguai e o Chile conseguiram uma nota maior que 50. O índice é feito a partir de estudos comparativos de diversas instituições e organizações que analisam a opinião do setor privado sobre a corrupção no setor público.

Os brasileiros não têm qualquer dificuldade em constatar a veracidade das estatísticas da Transparência Internacional, organização global com sede na capital da Alemanha, Berlim. Na verdade não precisa ir tão longe. Basta assistir aos noticiários das rádios e TVs, ler jornais e revistas para se deparar com avalanche diária de notícias sobre roubos, furtos, guerras de gangues de morros e colarinhos brancos, assaltos a mão armada, pivetes arrancando relógios, cordões e celulares de pessoas em plena via pública, assim como desvios, desfalques, roubos aos cofres públicos de autoridades governamentais, prefeitos, vereadores, deputados, presidentes e diretores de agências reguladoras, fundações, autarquias. Anomalias que viraram rotina.

Os noticiários da mídia praticamente se resumem a esse tipo de noticiário. Chega a cansar, além de envergonhar o cidadão de bem diante do ridículo quadro que o Brasil se expõe ao mundo todo santo dia. A bandidagem, armada até os dentes, não se intimida. Vai em frente. Organiza-se, fortaçece-se via o tráfego de drogas e de armas de grosso calibre. A sensação popular é a de que, em alguns casos, como a maioria das capitais brasileiras, o Rio de Janeiro no destaque, a situação, supostamente chegou a nível de absoluto descontrole. A autoridade policial encontra-se impotente, amedrontada, indefesa (cerca de 500 mil deles morrem por ano no Brasil) e minada pela infiltração de inimigos de múltiplas procedências e organizações: da própria polícia, presídios, Congresso Nacional. O inimigo na verdade mora ao lado. Literalmente.

Brain drain

A consequência mais danosa do estado de calamidade que os últimos governos legaram à nação reflete-se na debandada de cidadãos para países estáveis e progressistas, como Estados Unidos e Portugal na preferência do brasileiro. O processo migratório atinge indistintamente todas as classes sociais. Uma em particular, porém, é desastrosa: a fuga de cérebros. O brain drain a que o país está submetido especialmente vem se intensificando a cada ano sobretudo a partir de 2011. Desse ano até 2017 deixaram o Brasil, com passagem aérea só de ida, portanto em caráter definitivo, cerca de 100 mil profissionais emigraram apenas para os Estados Unidos. Só no ano passado, segundo a Receita Federal, foram mais de 21 mil.

Fugas de de cérebros são extremamente comuns entre os países mais pobres do planeta, e também entre as nações em desenvolvimento, como países africanos, ilhas do Caribe, países da América latina. O Brasil vem se destacando nesse vergonhoso ranking por não conseguir reter seus melhores quadros, face à extrema carência de investimento em pesquisa da ciência e tecnologia. As razões mais comuns alegadas pelos cidadãos que decidem mudar para outro país são diversificadas. Desde segurança precária e violência, instabilidade política, instabilidade econômica e baixa qualidade de vida, insegurança quanto a poder oferecer um futuro melhor a sua família.

O futuro do Brasil, em tais circunstâncias, encontra-se completamente desestabilizado, sem perspectiva, comprometido negativamente quanto ao desenvolvimento nacional. Não é possível conviver com quadro de tamanha calamidade passivamente. A sociedade precisa se pronunciar, voltar às ruas, exigir decência, o fim da corrupção e da violência. Uma luta hercúlea que o brasileiro precisa enfrentar custe o que custar.




União Europeia e Japão juntos. Mercosul e Brasil quem sabe depois? - Em 17/07/2018

União Europeia (UE) e Japão assinaram nesta terça-feira (17/07) um acordo comercial que deve eliminar quase todas as tarifas aduaneiras, estimadas em mais de 1 bilhão de dólares por ano. Autoridades de ambos os lados disseram que o pacto de livre-comércio faz frente ao protecionismo aberto e ilimitado do presidente norte-americano, Donald Trump.

De acordo com autoridades da UE, o Acordo de Parceria Econômica (EPA) é o maior pacto econômico já negociado pela Comunidade Europeia. Criará um dos maiores blocos comerciais do mundo, abrangendo 600 milhões de pessoas e cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Tóquio para assinar o documento, durante a 25ª cúpula UE-Japão. Resultado de quatro anos de negociações, o EPA foi finalizado no fim de 2017, e a expectativa é que entre em vigor até o fim do mandato atual da Comissão Europeia, no segundo semestre de 2019. O volume total de comércio de bens e serviços entre o bloco europeu e o Japão é de 86 bilhões de euros (cerca de 100 bilhões de dólares).

Autoridades da UE e do Japão afirmam que o acordo demonstra o comprometimento dos dois blocos no tocante à redução de barreiras comerciais num momento em que Trump avança com sua política de America First. A União Europeia - o maior mercado comum do mundo, com 28 países e 500 milhões de pessoas - está tentando fechar mais alianças diante do protecionismo de Trump. Dentre outras possibilidades, com o trôpego e combalido Mercosul.

Donald Trump vem inquietando aliados dos EUA, incluindo UE e Japão, e provocando a ira de rivais com pesadas tarifas e ameaças de uma guerra comercial com a China. Basicamente ante a imposição, pelos Estados Unidos, e de forma unilateral, tarifas de 25% sobre importações chinesas, no valor de 34 bilhões de dólares. Ao que Pequim respondeu na mesma moeda, impondo sobre taxas equivalentes em relação a produtos norte-americanos no mesmo valor.

De produtos agrícolas a automóveis

De acordo com os termos do Acordo publicados nesta terça-feira, 17, por toda a imprensa internacional, o EPA deve eliminar 99% das tarifas sobre mercadorias japonesas importadas pela UE, e, inicialmente cerca de 94% para as importações europeias pelo Japão, até chegar a 99% nos próximos anos. O acordo deve impulsionar as exportações agrícolas da UE, pois a previsão é que as tarifas japonesas sobre queijos, vinhos e carne de porco sejam eliminadas. De acordo com a Comissão Europeia, as exportações de comida processada poderiam aumentar até 180%.

O EPA também abrirá o mercado japonês para mais serviços baseados na UE e dará a desenvolvedores europeus acesso a projetos públicos de infraestrutura no Japão, como estradas. O acordo também deve aumentar exportações do setor químico da UE para o Japão em 22%. As indústrias japonesas de computadores, eletrônicos e automóveis, por sua vez, devem se beneficiar do acordo. As tarifas europeias sobre carros japoneses, que atualmente são de 10%, devem ser gradualmente reduzidas, até a eliminação completa.

Mercosul

Não obstante as expectativas das negociações em curso, a possibilidade de um acordo da União Europeia com o Cone Sul é praticamente zero. O bloco europeu no momento devota prioridade máxima a pacto com o Japão. O México e o Mercosul vêm logo atrás, talvez em 2019 ou 2020. "O pacto UE-Mercosul ressuscitou depois do intercâmbio de ofertas no ano passado. A Europa quer um acordo ambicioso e equilibrado, segundo as fontes consultadas: isso incluiria solucionar alguns dos problemas que continuam sobre a mesa. Os principais, segundo o lado europeu, são as tentações protecionistas de alguns dos sócios do Mercosul, Brasil à frente.

Os europeus querem garantir que suas empresas possam concorrer em pé de igualdade nas licitações públicas, algo que dificilmente acontece atualmente. Outro ponto conflitivo é o reconhecimento de padrões de produção e de patentes. Pelo lado sul-americano, o principal entrave é o protecionismo agrícola. A Europa precisará suspender as barreiras a alguns dos produtos que representam a maior força das nações do Mercosul. Mas, mesmo por esse lado, busca concessões, pois pretende penetrar mais no mercado sul-americano com produtos como o azeite de oliva, vinhos e laticínios.

Brasil fora

Fragilizado politicamente, o Brasil de hoje não é parceiro prioritário no cenário econômico mundial. Distante da corrida tecnológica, o país não oferece mínimas garantias de estabilidade em relação a respeito de patentes e a cumprimento de contratos. Condições fundamentais que permitem, como na grande maioria dos países civilizados, avançar tratados de cooperação de ponta. Sem condições de negociar alianças internas que conduzam à estabilização política e econômica, o governo brasileiro, vítima de uma pletora de partidos, a maioria sem a menor representação popular, e ainda refém (e protagonista, desde 2003) do mar de lama que avançou sobre Brasília em volume jamais antes conhecido na história do país, também não tem autoridade reconhecida extra-fronteiras para negociar acordos de expressão, isoladamente ou via Mercosul.

Até quando durará essa agonia? Difícil de prever. Sobretudo ante a crescente deterioração do quadro político nacional. Não restrita a partidos de direita, antes, e apenas eles desacreditados, inconfiáveis. Os ventos de mudança que, embora timidamente, começam a soprar sobre o Brasil detonam também os partidos ditos de esquerda, na acepção tupiniquim, vale dizer, sem muita credibilidade internacional. A tal ponto chegaram as incertezas sobre o futuro do país, que as opções relativamente às eleições presidenciais de outubro resumem-se a Bolsonaro, Ciro Gomes, Alckmin ou Marina da Silva.

As "esquerdas" só pensam naquilo. Na verdade, em libertar o ex-presidente Lula encarcerado em Curitiba, não importando se, na empreitada, a Constituição e as leis venham a ser  avacalhadas,  denegridas.

Quanto ao futuro do país, bem, isso pode ficar para depois.

Fontes dos dados: Deutsche Welle, da Alemanha, El País, da Espanha e Público, de Portugal.


Brasil, além da Copa perde rumo do futuro - Em 07/07/2018

Espraia-se no Brasil a noção - e o temor - de que o quadro político nacional é catastrófico. E sem porta de saída. Aqui e ali lê-se estudos e artigos dando conta da forma repugnante como a ação política vem sendo exercida. Qual a marca mais expressiva desse quadro? A corrupção e a falta de decoro parlamentar. Deformações psicológica, moral e de caráter que tomam conta de quase todas as instâncias do governo e de certos setores dos Poderes Legislativo e Judiciário. O mais grave: situação aceita e aparentemente aplaudida por milhares de eleitores, uma vez que elegem e reelegem candidatos ineptos, incompetentes e fichas sujas, eleições após eleições.

A falta de renovação dos quadros políticos vem afetando gravemente a vida nacional, o desempenho da economia, da gestão pública, os avanços sobre a modernização tecnológica. É abissal o afastamento do Brasil das economias líderes do crescimento mundial. Inversamente, significativa vem se tornando a proximidade política, e daqui a pouco, certamente, econômica, de sub democracias campeãs do desemprego e da miséria. Condição que se reflete no baixo nível educacional, da saúde, da segurança, do saneamento básico, na precariedade da infraestrutura de transporte, portos e armazenamento. É grave, por outro lado, a deterioração do sistema previdenciário, da gestão das contas públicas nos três níveis de governo e da representatividade política.

Por falta de lideranças autênticas e de estadistas, sobretudo, a sociedade brasileira, em grande medida, penso eu, inconscientemente vem rejeitando o capitalismo de mercado, optando pelo compadrio, o apadrinhamento. Em certo sentido e em determinadas camadas sociais, políticas e culturais evidencia-se preferência pelo capitalismo cartorial, mantido à base de benefícios e subsídios públicos. Há claros sinais, principalmente junto aos jovens, a faixa etária mais promissora da População Economicamente Ativa (PEA), de desencanto com o futuro do país. Comportamento que se reflete nas elevadas taxas de abandono que vêm se observando em praticamente todos os níveis do ensino.

Em editorial publicado em fevereiro deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo constata que "evasão escolar, que é um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro, não se concentra apenas no ensino médio, cujo currículo está desconectado das necessidades do mercado de trabalho, nem no ensino fundamental. Ela também afeta de modo preocupante o ensino superior, como mostra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar".

Segundo o estudo do Inep, entre 2014 e 2015, 12,7% dos alunos matriculados na primeira série do ensino médio abandonaram as salas de aula, o mesmo acontecendo com 12,1% dos matriculados na segunda série e 6,7% dos matriculados na terceira série. No ensino fundamental, a taxa de evasão na nona série - a última nesse ciclo educacional - foi de 7,7%, no mesmo período. Já no ensino superior, a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%. Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de desistência foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. Os números também mostram que, nas instituições privadas, 30% dos alunos desistem do curso já no segundo ano, enquanto nas instituições públicas a taxa é de 19%. Nos anos seguintes as taxas de desistência vão diminuindo.

No caso específico das universidades federais, aponta o Inep, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 - uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular. Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Os números inéditos apresentados pelo Inep, com base em metodologia de acompanhamento dos estudantes que vem sendo adotada pelo Censo Escolar desde 2007, segundo o Estadão, "ajudam a compreender os gargalos do ensino superior brasileiro. Também permitem a especialistas em educação definir melhor o foco de seus estudos. É esse o caso, por exemplo, do ex-reitor da USP Roberto Lobo, cujas pesquisas revelam que os cursos com maior evasão foram os de matemática, computação e jornalismo, nas universidades privadas, e de matemática e computação, nas universidades públicas".

Como se pode observar de forma conclusiva, o grave déficit nos investimentos em políticas públicas privilegiando o aprimoramento do ensino compromete cabal e irreversivelmente o futuro do Brasil, econômica, social, educacional e culturalmente. O Atlas da Violência demonstra claramente o reflexo da gravidade do quadro conjuntural brasileiro. Segundo o documento, de responsabilidade do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.

Perda da Copa da Rússia

Por fim, mas não por último, a derrota do Brasil na Copa da Rússia, ao que presumo, é apenas um reflexo das adversidades políticas e do estado de desgoverno que vem afetando severamente a vida da nação. Do meu ponto de vista, o Brasil, num jogo sem violência, perdeu com dignidade para uma grande seleção, tão competente quanto a brasileira, com uma diferença fundamental: a Bélgica não conta com 2% dos problemas políticos, econômicos, educacionais, sociais e infraestruturais de nosso vilipendiado, humilhado e injuriado país. Situação aceita e tolerada pela própria sociedade, vítima da ganância e mediocridade da classe política e de nossa combalida e desmoralizada estrutura governamental.

STF - esfaqueado em plena Copa -Em 29/06/2018

A Copa do Mundo 2018 tem se demonstrado uma das mais difíceis da história. Bem equilibrada, placares apertados. Imprevisíveis mesmo. Países de menor importância no cenário mundial do futebol, como Islândia, Japão, México e Coreia do Sul têm feito frente a gigantes como Argentina, Alemanha, Espanha e Brasil. Com certeza a vitória do México sobre a atual campeã do mundo não foi prevista em muitas apostas. Brasil empatando com a Suíça? Itália, Estados Unidos e Holanda fora da Copa?

Ocorre que o futebol definitivamente se globalizou, se modernizou, adotou sistemas gerenciais e técnicos desenvolvidos pelas grandes potências. Mesmo equipes conceitualmente de menor porte contam com jogadores de alta linhagem em clubes competitivos da Europa (além dos técnicos). A Premier League (campeonato inglês), a La Liga espanhola, a UEFA Champions League estão entre as mais competitivas do mundo. O bom é que se pode acompanhar os jogos através da TV ou da internet. Esquemas táticos não são segredo para ninguém mais. Todo mundo sabe o que todo mundo está fazendo, e isso favorece a estratégia das equipes menores.

Jogadores atingem valores astronômicos no mercado da bola. Vendidos por 80, 120, 200, 250 milhões de euros. Mesmo assim, equipes de menor porte têm consciência de seu tamanho, mas não se amedrontam na frente dos gigantes. Dão seu jeito nos enfrentamentos. Jogam na retranca dando todo o gás para parar os ataques potentes e aproveitam aquele contra-ataque, aquela única bola que, quando bem utilizada, coloca a seleção pequena na frente e joga toda a pressão para quem "deveria ganhar a partida".

Disputam cada jogada da forma que podem, respeitando o adversário, é certo, mas com tal garra que conseguem produzir grandes resultados. Imagine-se o Irã tirando Portugal da Copa caso aquele chute do iraniano no final da partida tivesse entrado no gol? Espanha empatando com Marrocos; Alemanha perdendo para Coreia do Sul; Argentina empatando com Islândia e sendo derrotada pela Croácia. A guerra de foice que foi a partida do Brasil para derrotar Costa Rica.

Enquanto isso, no coração do Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) aproveita a euforia gerada pela Copa do Mundo, torneio que mobiliza e prende o torcedor brasileiro de tal sorte que o faz esquecer o desemprego, déficit público, inflação, baixo crescimento econômico, o estado de corrupção endêmica que se apossou de Brasília, para tramar contra a segurança jurídica do país. Ao determinar, não na calada da noite, mas abertamente a libertação de presos condenados e "recondenados" em Segunda Instância, confirmada pelo próprio Supremo, a Segunda Turma assim desmoraliza sem rodeios ou meias palavras o próprio STF.

A libertação de José Dirceu e outros próceres políticos do Partido dos Trabalhadores e aliados confirma a evidência. Com efeito, quem garante que a Suprema Corte não está preparando terreno para o próximo e ousado passo: a libertação de Lula, do governador Sérgio Cabral, do ex-presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, diretores da Petrobras e senadores, dentre "tantas vítimas" alcançadas pela operação Lava Jato?

Movimentos e decisões suspeitas de alguns de seus integrantes, como dos ministros Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello, Dias Toffoli, ex-advogado do PT, não deixam dúvida. São sempre os mesmos encarregados de soltar corruptos em tramas muito bem armadas, orquestradas e executadas. Cabalam deliberada e abertamente contra a ordem jurídica nacional com um propósito claro: anular a pena de prisão em regime fechado imposta ao ex-presidente Lula. Para quem observa atentamente as manobras em curso, uma possibilidade concreta. Os sinais são por demais evidentes.

Basta que se atente aos detalhes da concessão do habeas-corpus ex-officio pelo ministro Toffoli em favor de Dirceu.

A decisão em lide extrapola o mínimo de decência e discrição exigidos pelo cargo ocupado por um ministro do STF ao ignorar, estapafurdiamente, o pedido de vistas do ministro Fachin. Ao passar por cima de um pedido legítimo de um colega de toga, Toffoli fez predominar autoritariamente o entendimento segundo o qual, acatando ex-officio o pedido de habeas-corpus dos advogados do ex-ministro de Lula e ex-presidente do PT possibilitou-lhe responder em liberdade aos processos nos quais se encontra incursos na Lava Jato. Simultaneamente, abrem-se-lhe as porteiras para que José Dirceu permaneça em liberdade até o julgamento de seus últimos e infinitos recursos.

A pizza está no forno. Por conseguinte, pleno e irrecorrível processo de desmoralização do STF bate à porta da nação e esbofeteia o indefeso e pacífico cidadão brasileiro. Como diz o vulgo: no Brasil tudo é possível. Até boi voar. O que me levou a mais uma vez recorrer a Il Gattopardo, de Tomasi di Lampedusa, na busca de instrumentos para melhor entender a balbúrdia que ora toma conta das leis brasileiras. Numa de suas mais brilhantes passagens, destaco o célebre diálogo de D. Fabrizio com o amado sobrinho Tancredi. Em dado momento, o Príncipe fala a Tancredi: "Se não estivermos lá também nós, eles acabam fazendo a república. Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude. Consegui me explicar?"

Incoerência política - Em 11/06/2018

Algo está fora de sintonia em relação às convicções do eleitor brasileiro. O cenário político é incerto. Mais ainda, confuso. Muitos e diversificados são os fatores que contribuem para o processo de ambiguidade e incertezas que toma conta do país. Marcado por quadro de corrupção e desgoverno que se irradia junto à maioria das instituições e quadros políticos, vem deixando a população em estado de prostração e insegurança quanto ao presente e ao futuro.

Do lado do Executivo, as decepções são monumentais. E se agravam face às quase diárias denúncias de roubos, descaminhos e golpes desferidos contra o erário e a máquina pública de modo geral. De tal sorte grave se encontra a conjuntura nacional, que hoje não se confia na maioria dos políticos e autoridades governamentais ou do Poder Judiciário. Não que esse estado de indigência tenha se iniciado hoje. Vem de há pelo menos 10, 15 anos em que governos populistas solaparam as esperanças do brasileiro confiante em propostas de mudanças que tornariam o Brasil progressista, independente, economicamente forte e socialmente justo.

Não é à toa que mais de 90% dos vídeos de 15 segundos (postados pela Rede Globo em seus telejornais) enviados por telespectadores manifestando-se sobre "Que Brasil você quer para o futuro" apontam, como prioritários, a adoção de políticas públicas direcionadas ao fim da corrupção, dos assaltos aos cofres públicos, ao toma lá dá cá imperante no Congresso, ao grave déficit de lideranças políticas confiáveis, à necessidade premente de investimentos em saúde, educação, saneamento, obras públicas de qualidade, no fim da violência, e o respeito ao direito do cidadão

O recado é claro e insofismável. Mas encerra intrigante contradição. Se o brasileiro quer de fato o fim da corrupção e mudanças no perfil político do Congresso e do governo, como explicar o resultado de mais uma pesquisa Datafolha com vistas às eleições 2018, recém publicadas mantendo Lula com 30% das intenções de votos, contra 17% para Bolsonaro, 10% para Marina, 10%, aponta pesquisa Datafolha para 2018. A Pesquisa também trabalhou cenário com Haddad no lugar de Lula. Neste caso, Bolsonaro lidera com 19%, Marina tem 15%, Ciro Gomes, 10% e Geraldo Alckmin, 9%.

Ou seja, mesmo após condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), como justificar que o ex-presidente Lula mantenha os mesmos índices de intenção de voto na corrida presidencial apresentados em dezembro de 2017, segundo pesquisa do mesmo Instituto Datafolha?

Afinal, o Brasil quer ou não mudar? Na hipótese mais plausível de propugnar por mudanças efetivas e urgentes, em quem confiar? Em quem votar? Que nomes se apresentam como líderes capazes de mobilizar forças de mudanças pelas quais a sociedade tanto anseia? Confiar em candidato condenado pela Justiça e preso? Não faz sentido, ao que suponho.

Certamente, a pesquisa em si não reflete exatamente o pensamento do eleitor consciente, sensível aos problemas mais agudos do país. A menos que prevaleça a tese de que o brasileiro não sabe o que quer, que suas convicções políticas flutuam impulsionadas pelo usufruto de bolsas sociais, efetivamente simples panaceias populistas travestidas de medidas de combate à pobreza. Na verdade, artifícios que se destinam, ao contrário, apenas a manter os menos favorecidos presos a muletas sociais e delas ainda mais dependentes. Pior: sem porta de saída, sem a qual em hipótese alguma sairão da cruel estatística que os mantêm ligados à linha de pobreza...

Estaria o eleitor efetivamente plugado aos casos de corrupção mais chocantes, como o mensalão e o petrolão, alvos das operações Lava Jato e Zelotes. A apuração de desvios e eventos imorais, estaria de fato sendo acompanhada atentamente pelo olhar mais apurado do eleitor? Questionamentos que deverão se agravar face à explícita carência de opções de nomes novos e confiáveis. Lideranças que possam promover mudanças efetivas e revolucionárias capazes de tirar o Brasil do atoleiro político em que está metido desde a redemocratização de 1985.

Face aos resultados do último Datafolha, tudo indica que o quadro não sofrerá mudanças de porte. A pesquisa, em tais circunstâncias, estaria desfocada dessa realidade? Que ilações dela se poderia extrair em relação a noções exatas sobre o bom e o mau político? O enganador ou o que nele se pode confiar? De como o eleitor estaria avaliando perfis de candidatos sem ideias precisas e convincentes na cabeça? O eleitor, contudo, ao que as pesquisas demonstram, mesmo protestando, manifestando apreensões, incompreensões e descontentamentos, continuarão a votar em muitos candidatos, nos mesmos nomes que o vem ludibriando desde sempre.

Lamentavelmente, em raros momentos de nossa história tivemos estadistas no comando da nação. Tem sido assim na República brasileira desde sua proclamação em 1989.


Brasil, sistema de transporte fora da curva - Em 26/05/2018

A sociedade vem pagando alto preço pelo Brasil haver se deixado entrelaçar na armadilha de um sistema de transporte predominantemente rodoviário implantado no país ao final dos anos 1920.

"Governar é abrir estradas", proclamou o presidente Washington Luís, em 25 de agosto de 1928, com a inauguração da Rio-Petrópolis, a primeira rodovia asfaltada do país.

Até então, a ligação entre a capital federal e a cidade imperial era feita por caminhos de terra, que, não raras vezes, ficavam intransitáveis após temporais.

Desde então os governos brasileiros renderam-se a esse modal, bem mais caro, em detrimento dos mais competitivos sistemas ferroviário e fluvial, adotados nos países desenvolvidos.

Na Alemanha 25% do transporte de cargas é fluvial.

No Japão 300 Shinkansen (trens balas), de passageiros, circulam diariamente por suas ferrovias a velocidades que muitas vezes superam 350 km por hora.

O Japão tem 128 portos, base para 99% do comércio exterior do Japão e de 42% da sua distribuição doméstica. Por meio das baías de Tóquio, Osaka e Ise,

A Baía de Tóquio (seis ancoradouros, incluindo o de Yokohama e o de Tokyo), a Baía de Osaka (cinco ancoradouros, incluindo Kobe e Osaka) e a Baía de Ise (cinco ancoradouros, incluindo Nagoya) são conhecidas como as Três Grandes Baías. Por elas transitam aproximadamente 35% de todo o transporte de cargas do Japão.

Na Austrália, EUA, Canadá e China os números relacionados a transporte de carga em rodovias caem muito, em benefício do modal ferroviário, o principal meio de transporte nesses países, sobretudo quando se trata de grandes distâncias.

Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, 42,8% das cargas são transportadas por ferrovias e 26,6% por via rodoviária, contra 12,6% e 62,8% no Brasil, respectivamente.

Não por acaso, segundo estudo publicado no Site ILOS - Especialistas em Logística e Supply Chains, o Brasil ocupa a posição 103 no quesito qualidade da infraestrutura rodoviária, de acordo com o ranking organizado pelo Fórum Econômico Mundial, que reúne 137 países analisados.

Na pesquisa, o Brasil recebeu nota 3,1, em uma escala que varia entre 1 (estrutura extremamente subdesenvolvida) e 7 (estrutura extensa e eficiente), enquanto o Chile lidera na América do Sul, com nota 5,2 (24ª posição no ranking geral).

A matriz inadequada e a má qualidade das rodovias brasileiras também explicam, em parte, a má colocação do Brasil no ranking de Comércio Internacional organizado pelo Banco Mundial.

O caos ora imperante no transporte brasileiro não é casual. É consequência. Tem origem, meio e fim bem conhecidos. O país apenas não tem governo suficientemente competente para ver a realidade, enxergar um palmo diante do nariz, como diziam os antigos.

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Dr. Osíris Silva