Poemúsicas

São poemas que eu mesmo fiz (não sou poeta!), aos quais acrescentei uns acordes (não toco porra nenhuma!). Não bastasse isso, ainda ousei cantar em todos eles (canto nada!). Portanto, não esperem mais do que estamos propondo. Eis o meu banheiro na web. SUA EXPERIÊNCIA SERÁ MUITO PIOR COM FONES DE OUVIDO. 


Menina do beiradão (Carlos Branco)

Ela mora na beira do rio, que não é de Janeiro

Mas em fevereiro ela também pega onda, em sua canoa maneira

Não é uma garota de Copacabana, mas sonha com a fama

Saindo da correnteza

Em sua canoa maneira

...

Esse pano preto no teu rosto

É a marca do sol a contragosto

Mas acho bonita a tua cor

Esse jeito estranho de fazer amor

...

Gosto de estar na tua canoa

Cortando as águas, fazendo banzeiro

Faz do meu corpo teu porto seguro

E do meu colo o teu travesseiro

...

Menina do beiradão


Cor e sabor da felicidade (Carlos Branco)

Há quem ache que ela vem com a chuva

Outros acham que é com o sol

Pode estar pro outro lado da rua

Nua, embaixo do lençol

Pode ter os olhos vesgos

Ou azuis, da cor de anil

De repente, em Copacabana

Ou na curva de algum rio.

Qual a cor da felicidade?

O sabor da felicidade?

A cor da feliz... idade?

O sabor da feliz... cidade?

Há quem ache que ela está na lua

Em alguma estrela lá no céu.

Outros a procuram pelos bares

Nos lugares onde há mel

Pode estar à sua frente

Dentro ou fora do seu nariz

Maria me sorriu triste

E João quer ser feliz.

Qual a cor da felicidade?

O sabor da felicidade?

A cor da feliz... idade?

O sabor da feliz... cidade?


Linimento (Carlos Branco)

Nem bem anoiteceu, e os urubus estão se agasalhando

Um beija-flor deixou uma flor ali, lacrimejando

A saudade me leva, cego, "por las calles"

Grito seu nome; você me ignora

Sou paciente; te acho por aí

O mundo é pequenininho

Tenho dois caminhos, mas não vou seguir nenhum

O da loucura; o outro é tão chinfrin

A saudade me leva, cego, "por las calles"

Grito o seu nome; você me ignora.

Sou paciente; te acho por aí

O mundo é pequenininho

Com quantos paus se faz uma arapuca de amor?

Com quantas nucas se cura a dor?

Não quero água que eu não possa beber

Nenhum linimento que não seja você.

Nem bem anoiteceu, e os urubus estão acasalando.


Terrinha (Carlos Branco)

Meio branca, meio índia/Cabocla de encantos/ Como a ti não há/Banhada de igarapés/ Musa de menestreis/Teus mistérios um Mauá/Onde afoguei meus medos/Liberei os meus desejos/Para ti cortejar...

Benjamin, beijo, sim/Terra trigueira/Chão de fronteira/Meu pedaço tupiniquim

Uma Rosa, Esperança/De cultura sobranceira,em todo solimões/Coimbra, uma ladeira/No centro, um Remanso sob o olhar da Conceição/Que do alto abraço o porto/Chegadas e partidas/Plantei em ti meu coração...

Benjamin, beijo, sim...

Quando o sol cai no Javari/Se estou longe de ti/Lembro a tua alvorada/Passarinho na calçada/Sereno feito geada/Ora, te quero sim/Cunhantã menina-flor/Ainda que tu me olvides/É todo teu o meu amor

Benjamin, bésame mucho/Constantemente/Benjamin/Beijo, sim!/Meu pedaço tupiniquim